Kayo Iglesias
Três meses antes de o Exército subir o Morro do Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, com a missão de preparar o terreno para a visita do presidente Lula, uma madrugada na favela mudou a vida de um recruta de 19 anos da Brigada Pára-Quedista. Viciado em cocaína e maconha, o rapaz foi feito de refém pelos traficantes até o amanhecer porque ele e um colega não haviam roubado o modelo de carro que a quadrilha queria para trocar por drogas. No dia seguinte, pediu socorro ao comandante de sua seção.
Na quarta-feira passada, o recruta voltou a ser preso. Desta vez num palco, amarrado à mãe com barbantes e libertado por tesouras de quatro ex-viciados, durante encontro de multiplicadores do projeto Phoenix/Auto-Estima, coordenado por médicos militares e que promove reabilitação de dependentes químicos que vestem ou não a farda.
Por sorte, o pára-quedista vai passar o Natal deste ano com a mãe, que veio de São Paulo, onde mora, acompanhar o tratamento psiquiátrico do filho. Ele é apenas um dos exemplos de uma nova postura do Exército em relação aos usuários de drogas. Em vez da expulsão, conforme mandam as rígidas normas das Forças Armadas - e do provável ingresso de mais um soldado nas fileiras do crime organizado - é cada vez maior o número de encaminhamentos para desintoxicação e reabilitação. A baixa temporária dura, em média, um ano.
Relatório produzido este ano pela Seção de Doutrina e Liderança da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), responsável por formar oficiais, mostra a preocupação com as drogas no efetivo verde-oliva. O documento de 68 páginas aponta que, em algumas das unidades, estima-se que 60% dos militares incorporados ao serviço já consumiram algum tipo de droga, incluídas bebidas alcóolicas. Um dos capítulos também indica os procedimentos adotados pelos oficiais para evitar a entrada de entorpecentes nos quartéis (veja quadro na página A3).
No Rio, 56 em tratamento
Estatísticas enviadas pelo Exército ao Conselho Estadual Antidrogas (Cead) e à Delegacia de Prevenção a entorpecentes (Delepren) da Polícia Federal mostram que, de outubro de 2001 a dezembro de 2006, 56 militares da ativa encontravam-se em tratamento por dependência química ou outras compulsões psiquiátricas no Estado do Rio.
- A gente sabe que o número é bem menor do que a realidade. Entre outros fatores, é a questão de promoção que é colocada em risco. Agora, o problema não é apenas do núcleo variável, do jovem de 18, 19 anos. Acontece também com oficiais - relata o psiquiatra e major Marco Barreto, coordenador do Phoenix/Auto-Estima.
Para o major, a formação militar e a exigência do mundo globalizado de cada vez mais competência e desenvoltura influem para o pontapé inicial no vício.
- Nossa carreira é de meritocracia, de pontos, e muitos não conseguem. Não aceitam limitação, não convivem bem com a frustração - explica o médico.
Fonte: JB Online
Em destaque
Inscrições para 5,2 mil vagas em cursos técnicos do IFBA terminam na terça-feira
Inscrições para 5,2 mil vagas em cursos técnicos do IFBA terminam na terça-feira domingo, 13/09/2026 - 18h40 Por Redação Foto: Divulgação ...
Mais visitadas
-
O Congresso Nacional se tornou um picadeiro de circo na atual legislatura, em que a política deu lugar à diversão. Por José Brito e Rodolfo...
-
Bilhões em convênios Levantamento do portal Fiscaliza Minas, que busca dados diretamente na base do governo, revela que no período de 14 m...
-
Arte: Marcelo Chello Assine agora Hoje foi dia de Renan Santos no JN, BRASEW. Se você nunca parou para escutá-lo, vou resumir: ele propõe ...
-
Pedro Heitor Barros Geraldo A gestão da "Justiça de Proximidade" na França: A análise da política pública judiciária View PDF ▸ ...
-
por Fernando Duarte Foto: Assessoria Governo de Transição O PSL de Jair Bolsonaro é um partido como outro qualquer, ainda qu...
-
Arte: Marcelo Chello Assine agora Parece eleição para presidente da República, mas o povo já está fechando conchavos para a eleição das pr...
-
Publicado em 18 de agosto de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Lula reorganiza patrimônio familiar antes da eleiç...
-
Foto Divulgação O SONHO DA TRANSPOSIÇÃO SÃO FRANCISCO/VAZA-BARRIS: Por Que Apenas a Força Conjunta do PT e do Gov...
-
uma resposta, e o prêmio é seu o estagi tem um recado importante. provavelmente, você viu que, na próxima quinta, acontecerá o evento do s...