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Palanque bolsonarista no estado é de terra arrasada
Johanns Eller
O Globo
O pré-candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (RJ), se vê diante de uma encruzilhada após o palanque de seu estado natal se esfacelar com a desistência de Cláudio Castro (PL) na corrida pelo Senado Federal e a prisão de Márcio Canella (União Brasil), postulante à segunda vaga em disputa na Casa.
Isso porque a definição da chapa encabeçada pelo presidente da Alerj e pré-candidato a governador, Douglas Ruas (PL), já estava sob suspense antes de Canella ser levado para o presídio Bangu 8 após a Polícia Federal (PF) encontrar um fuzil em seu carro ao cumprir um mandado de busca e apreensão.
CRITÉRIO PARA ESCOLHA – No fim de maio, diante da disputa dentro do partido pela vaga de Castro, que desistiu da corrida eleitoral após ser alvo de duas operações da PF, Flávio definiu que pesquisas contratadas pelo partido seriam o critério para escolher o novo candidato.
No PL, o senador Carlos Portinho e os deputados federais Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante se movimentaram para herdar do ex-governador a candidatura na chapa de Ruas. Só que os trackings da própria legenda vêm indicando de forma consistente que os três pontuam de forma similar, com oscilações muito pequenas, em diversos cenários testados.
A legislação proíbe a divulgação dos números desse modelo de pesquisa, que costuma ser utilizado pelos partidos para monitorar em tempo real as tendências do eleitorado sem o espaçamento dos levantamentos tradicionais e, no geral, com amostras menores.
DESEMPENHO – Jordy e Portinho, respectivamente, têm demonstrado um desempenho ligeiramente melhor do que Sóstenes, líder da bancada na Câmara. Em todos os cenários, a disputa é liderada por Benedita da Silva (PT), da chapa do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD).
Se os números já dificultavam, a indefinição só cresceu diante da prisão de Canella na última quarta-feira durante a sexta etapa da Operação Unha e Carne. O ex-prefeito de Belford Roxo é apontado pelas investigações como o braço político de um esquema de fraudes em postos de combustíveis que sustentava a lavagem de dinheiro de organizações criminosas.
Além de arrumar a casa no PL, Flávio terá de apontar outro substituto, desta vez em uma costura política com a federação formada entre o União de Canella e o PP. Aliado próximo do presidenciável, o ex-prefeito havia acolhido a mãe do filho 01 de Jair Bolsonaro, Rogéria, como sua primeira suplente.
COMPROMETIMENTO – Até o momento, Canella e a federação União-PP não sinalizaram que ele deixará a disputa, mas esse desfecho já está precificado na cúpula do PL. A avaliação é que a apreensão do fuzil sem registro comprometeu seriamente a pré-candidatura, já que o principal mote do PL e de Ruas será a segurança pública. Mas os levantamentos internos também não sopravam a favor.
Nos trackings que apontavam um congestionamento entre os possíveis candidatos do PL, Márcio Canella aparecia atrás dos candidatos da sigla do Flávio e também do ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella (Republicanos), que tenta disputar a raia do bolsonarismo. Além disso, também pontuou abaixo dos candidatos ao Senado da chapa de Paes, Benedita e Pedro Paulo (PSD).
Como neste ano há duas vagas em disputa na Casa, a saída de Canella não resolve a sobreposição entre Portinho e Jordy. A tendência é que Flávio opte por uma saída política, uma vez que o critério inicial das pesquisas não ajudou a resolver o impasse.
ESPECULAÇÃO – A corrida para o Senado no Rio já estava engarrafada antes da operação da Polícia Federal. A demora levou inclusive alguns aliados do PL a especular que Flávio estaria, na realidade, “guardando” a vaga do partido para si próprio caso sua campanha presidencial morra na praia, como publicou a colunista Bela Megale.
Antes de Jair Bolsonaro escolhê-lo como candidato do bolsonarismo, Flávio se colocava como pré-candidato ao Senado, uma disputa muito mais tranquila do que o ringue eleitoral a ser disputado com Lula a partir do início oficial da campanha no mês que vem.
INDEFINIÇÃO – Em um cenário de terra arrasada, o palanque do presidenciável do PL no Rio só tem a chapa de governador definida a preço de hoje, com Douglas Ruas à frente e o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP) como vice.
A lista de reveses de Flávio no seu estado natal, porém, precede o inferno astral de Cláudio Castro e Márcio Canella. O candidato original do clã Bolsonaro ao Palácio Guanabara era Rodrigo Bacellar (União Brasil), mas o então presidente da Alerj foi preso em novembro passado acusado de conexões com o Comando Vermelho.
Diante da expectativa de novas operações da Polícia Federal contra deputados estaduais da base do PL, resta saber se a solução de Flávio Bolsonaro para o imbróglio virá acompanhada de um prazo de validade.
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