Filhos e mulheres de ministros do STF são “fenômenos” em enriquecimento
Reprodução do site Nação Jurídica
Mário Sabino
Metrópoles
Eles — não os nossos — são de um talento extraordinário, e não só na advocacia, diga-se, embora seja o campo do conhecimento humano no qual esses superdotados mais exibem a sua inteligência, a sua vivacidade, o seu preparo intelectual.
Graças aos jornalistas Lucas Marchesini e Thaísa Oliveira, ficamos sabendo que um rebento do ministro Kássio Nunes Marques, advogado de apenas 26 anos, já construiu um patrimônio financeiro inalcançável para a imensa maioria de causídicos veteranos.
MILIONÁRIO – Com apenas dois anos de vida profissional, o rapaz acumulou R$ 27,7 milhões, aplicados em fundos de investimento.
“Documentos da CVM enviados à CPI do Crime Organizado do Senado mostram um aumento do patrimônio de Kevin em 2025. Naquele ano, ele já tinha cerca de R$ 5 milhões em cotas de um fundo de renda fixa do Banco do Brasil. No segundo semestre, ele fez nova aplicação, de mais de R$ 22 milhões”, informam os jornalistas.
Kevin, tal é o nome do nosso Cesare Beccaria, formou-se em fevereiro de 2025, abriu escritório próprio seis meses depois, mas os seus dons advocatícios não demoraram a ser notados. Ele arrebanhou clientes do porte da Refit e do Grupo Petrópolis, certamente ignaros da linhagem familiar do rapaz.
GENÉTICA ESPECIAL – O filho de Nunes Marques é somente mais um caso impressionante dentre outros da genética especial de ministros do Supremo.
Temos também o filho de Luiz Fux, dono de um escritório espetacular no Rio de Janeiro. Rodrigo tem uma carteira de clientes que inclui a Petrobras e a Avon. Sim, a Petrobras, leitor.
Imagino que a ambição de Kevin e de Rodrigo seja superar os honorários da mulher do ministro Alexandre de Moraes, a doutora Viviane Barci de Moraes, outro talento insuspeito até sair a notícia de que o seu escritório havia abocanhado um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master. Como se diz nas bancas de advocacia de São Paulo, a doutora Viviane Barci de Moraes é o Neymar da advocacia brasileira.
MAIS UMA – Há ainda a mulher de Dias Toffoli… Mas não é mais mulher, é ex-mulher? Então, vamos deixar para lá, porque já basta que ex seja um problema eterno para o diretamente envolvido.
Eu disse que os filhos de ministros do STF não são prodigiosos apenas na advocacia, e há um exemplo fulgurante: o filho do decano, Francisco, é o mandachuva na CBF, apesar de não ter cargo na direção da entidade que dita os rumos (cada vez piores) do futebol nacional. Ele vai chegar lá.
O rapaz orgulha-se de ter sido o responsável pela convocação de Neymar, o jogador. Ou se orgulhava antes de a seleção brasileira, a pátria de chuteiras ungida pelo filho da toga, dar aquele vexame diante da Noruega.
MANDO DE CAMPO – Francisco Mendes começou a jogar na CBF emplacando o instituto do pai como mandante no campo da CBF Academy.
O IDP de Gilmar Mendes ministra cursos de formação de negócios e gestão para profissionais da área esportiva e fica com 84% dessa bilheteria.
Assim, hoje há os filhos (e as mulheres) dos ministros do Supremo Tribunal Federal e há os nossos filhos (e as mulheres). É porque há eles e todo o resto.