sábado, julho 11, 2026

Quem é Mariângela Fialek, a Tuca, suspeita de operar esquema envolvendo emendas

 

Quem é Mariângela Fialek, a Tuca, suspeita de operar esquema envolvendo emendas

Dados extraídos do celular dela embasaram decisão que bloqueou R$ 119 milhões em bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto

Por Folhapress

10/07/2026 às 19:45

Foto: Reprodução/Linkedin

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Mariângela Fialek, ex-assessora do deputado federal e ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL)

Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, é servidora da Câmara dos Deputados e foi, durante anos, assessora de confiança do então presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL). Atualmente lotada na liderança do PP, partido de Lira, ela é apontada pela Polícia Federal como peça central de um esquema de desvio de emendas parlamentares em benefício do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que não tem mandato.

Segundo a decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), que determinou o bloqueio de R$ 119 milhões em bens de Valdemar, a extração de dados do celular de Tuca —apreendido em dezembro passado, na primeira fase da Operação Transparência— revelou "a existência de um arranjo decisório paralelo para a destinação de verbas públicas". Nele, Valdemar aparece como responsável por definir e remanejar emendas apesar de não ser parlamentar.

A PF descreve Tuca como a "personagem principal do engendro". Ela seria quem centralizava, processava e organizava as indicações de Valdemar, com o auxílio de outros dois servidores da Câmara: Nara Benedetti Nicolau Brum e Garigham Amarante Pinto, ambos da liderança do PL.

Nos diálogos citados na decisão, é Tuca quem recebe as cobranças e os pedidos vindos de Valdemar por meio dos outros dois. Em uma conversa de agosto do ano passado, Garigham avisa que havia marcado uma reunião com Valdemar e que ele "vai jogar no turismo os 24" —o que seria uma referência a R$ 24 milhões em emendas na área de turismo. Tuca responde pedindo calma e diz que já teria resolvido parte dos valores.

No dia seguinte, cobrada novamente por Garigham sobre se havia "fechado o valor do Pres. Valdemar", ela sugere trocar mais indicações para a área de turismo. Em outra mensagem, pede a Garigham a planilha da estatal federal Codevasf —indício de que geria simultaneamente diferentes frentes de indicações.

A investigação aponta que o grupo usava planilhas para sistematizar as indicações e incluía nomes de deputados como falsos solicitantes das emendas, dando aparência de legalidade a repasses que eram na prática definidos por Valdemar. Ao todo, a polícia identificou 21 emendas suspeitas nessas condições, com empenhos entre junho de 2024 e março de 2026, somando R$ 119,2 milhões —dos quais R$ 104 milhões já haviam sido efetivamente pagos.

Procurada pela reportagem, a defesa de Tuca ainda não se manifestou sobre os elementos apresentados na decisão do STF desta semana.

Na avaliação da PF, os indícios apontam para o crime de peculato-desvio, que não exige enriquecimento pessoal do servidor: basta que a verba pública tenha sido aplicada de forma diversa da prevista em lei.

O nome de Tuca já havia surgido em agosto de 2024, quando o jornal Folha de São Paulo revelou que a Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional da Câmara distribuiu R$ 1,1 bilhão em emendas seguindo orientações repassadas por ela, então assessora de Lira. Segundo mensagens obtidas pela reportagem à época, Tuca enviava à cúpula da comissão listas prontas de municípios que deveriam receber obras e maquinário, em arquivos chamados de "minuta de ofício, indicação de beneficiários".

Essas listas eram depois assinadas pelo presidente do colegiado, o deputado José Rocha (União Brasil), e encaminhadas ao Ministério da Integração Nacional e do Desenvolvimento Regional, responsável por executar as emendas —muitas vezes sem que os próprios integrantes da comissão soubessem o destino final dos recursos.

Em dezembro, a primeira fase da Operação Transparência resultou em busca e apreensão na casa e no local de trabalho dela —inclusive na própria Câmara—, além da quebra de seu sigilo telefônico e telemático. Segundo a decisão de Dino à época, as medidas se justificavam por fortes indícios de que ela integrava "uma estrutura organizada voltada ao indevido direcionamento de emendas parlamentares", supostamente sob ordens diretas da antiga presidência da Câmara.

A Polícia Federal investiga a participação dela nos crimes de peculato, falsidade ideológica, uso de documento falso e corrupção.

Outro lado

Em nota à época da primeira fase da operação, os advogados de Tuca, Luis Inácio Adams e Maria Claudia Bucchianeri, afirmaram que sua atuação era "estritamente técnica, apartidária e impessoal" e que todo o material de trabalho dela é público, disponível no Portal da Transparência.

Valdemar Costa Neto, por meio dos advogados Marcelo Ávila de Bessa e Thiago Fleury, afirmou que a decisão de Dino "parte de premissas frágeis, inferências subjetivas e de uma indevida criminalização da atividade político-partidária" e negou qualquer vantagem pessoal com as emendas.

Procurado pela reportagem, Garigham Amarante Pinto disse que atua de forma técnica e não tem o que comentar. A reportagem ainda não localizou Nara Benedetti Nicolau Brum para que se manifestasse.

Arthur Lira informou que não vai comentar, já que a decisão de Dino não o cita.

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Valdemar nega irregularidades envolvendo emendas e diz que decisão de Dino criminaliza política

 

Valdemar nega irregularidades envolvendo emendas e diz que decisão de Dino criminaliza política

Polícia Federal suspeita que presidente do PL pode ter sido o beneficiário final de recursos desviados

Por Isadora Albernaz/Folhapress

10/07/2026 às 18:30

Foto: Beto Barata/Divulgação PL

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O presidente do PL, Valdemar Costa Neto

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, negou nesta sexta-feira (10) ter cometido irregularidades envolvendo emendas parlamentares e afirmou que a decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), que determinou o bloqueio de R$ 119 milhões em bens, parte de "premissas frágeis, inferências subjetivas e de uma indevida criminalização da atividade político-partidária".

Segundo a Polícia Federal, Valdemar estaria atuando para direcionar emendas. A corporação diz que os recursos foram "forjadamente" encaminhados e desviados e que o cacique do PL pode ter sido o beneficiário final.

Cerca de R$ 104 milhões já haviam sido efetivamente pagos, diz a corporação.

"A defesa reafirma a inocência de Valdemar Costa Neto e adotará todas as medidas judiciais cabíveis para demonstrar a improcedência das imputações, restabelecer a legalidade e preservar suas garantias fundamentais", escreveram, em nota, os advogados Marcelo Ávila de Bessa e Thiago Fleury.

A defesa argumentou que "nada há de criminoso" na articulação de um presidente nacional de partido com parlamentares e que a influência política dele sobre a bancada do PL é natural e legítima, citando ainda a defesa de prioridades e interesses nacionais e regionais da sigla.

"A atuação político-partidária somente poderia ter relevância penal se acompanhada de indícios concretos de fraude, desvio funcional, ocultação deliberada ou apropriação indevida da execução da despesa pública. Esses elementos não estão minimamente demonstrados.

No comunicado, os advogados disseram ainda que a PGR foi contrária às medidas cautelares e criticaram o bloqueio do patrimônio de Valdemar "até que o inquérito aporte elementos mais seguros".

"Foram impostas restrições graves com base em suposições sem qualquer demonstração individualizada de dolo, fraude, desvio de finalidade ou participação consciente em qualquer crime, além de estar claro na decisão de que não houve, com o devido respeito, qualquer vantagem pessoal para Valdemar Costa Neto."

A ordem de Flávio Dino tem origem na operação Transparência, deflagrada em dezembro do ano passado e que teve como alvo Mariângela Fialek, a Tuca, assessora ligada ao ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL).

Ao analisar o conteúdo do celular da servidora, a PF identificou que Valdemar se utilizava dos "serviços" dela "para destinar recursos conforme seus interesses, em sintomas inequívocos do cometimento dos crimes de peculato" (desvio de dinheiro público).

"Basicamente, Valdemar Costa Neto contava com autonomia para direcionar recursos de emendas (de comissão, proeminentemente) conforme sua cota pessoal e particular, atribuída a partir de sua condição de presidente da sigla", diz o relatório da PF encaminhado a Dino.

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Mudança no cálculo dos votos ocorre após cassação de outros parlamentares

Por Laura Scofield/Folhapress

10/07/2026 às 21:15

Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados/Arquivo

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Plenário da Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados declarou, nesta quinta-feira (09), a perda de mandato de Paulão (PT-AL) e Dayany Bittencourt (União-CE), após retotalização dos votos em razão da cassação de outros parlamentares. A medida foi tomada após decisões do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que rejeitaram recursos dos deputados.

Assumem as vagas Priscila Costa (PL-CE) e Nivaldo Albuquerque (Republicanos-AL).

No caso de Bittencourt, a alteração se deu porque ela havia sido eleita com auxílio dos votos do então deputado Heitor Freire (PL-CE), cassado por uso irregular de recursos públicos.

Em maio deste ano, o TSE manteve a cassação e anulou os votos recebidos por ele, o que, por consequência, inviabilizou a eleição da deputada.

Em nota à imprensa, a assessoria da deputada criticou a decisão. "Dayany perde o mandato em virtude de uma estranha recontagem de votos ocorrida após 3 anos e 9 meses da eleição. Dayany nunca respondeu por corrupção, desvio de recursos públicos ou qualquer crime contra a administração", afirmou.

Os advogados da deputada estão estudando apresentar ações no TSE ou no STF (Supremo Tribunal Federal).

Priscila Costa (PL-CE), que assume o cargo, ganhou destaque nacional nas últimas semanas após sua pré-candidatura pelo Senado no Ceará se tornar o estopim da crise entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

Contatada por mensagem via Whatsapp, a deputada não respondeu.

Já Paulão (PT-AL) será substituído por Nivaldo Albuquerque (Republicanos-AL). O petista deixará a Câmara em razão da anulação dos votos de João Catunda (PP-AL), cassado por captação ilícita por usar recursos do Sindicato dos Servidores da Secretaria de Saúde de Maceió.

A assessoria de imprensa do PT na Câmara disse que o deputado é "vítima de decisão judicial engendrada em favor das elites políticas e econômicas de seu Estado no âmbito do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas".

O partido afirmou ainda que apresentará um mandado de segurança no STF "na expectativa de que o voto favorável ao pleito de manutenção do mandato do deputado Paulão, dado pelo ministro Dias Toffoli, seja confirmado pela maioria do Colegiado na volta do recesso do Judiciário, em agosto".

"Não sou réu, o processo [correu] em sigilo de justiça, não tive ampla defesa nem o contraditório", disse o petista à imprensa. Ele afirmou ainda que acredita que o STF pode votar favorável à volta do mandato e chamou a situação de vexatória e monstruosa.

Nivaldo Albuquerque (Republicanos-AL) já aparece como "em exercício" no site da Câmara. A reportagem entrou em contato com o parlamentar por meio do e-mail do gabinete, mas não recebeu retorno.

Nos dois casos, os deputados que perderam o mandato foram afetados porque haviam sido eleitos com base nas sobras eleitorais de outros parlamentares.

As sobras são as vagas no Legislativo que restam após a divisão dos assentos pelo quociente eleitoral — o total da divisão dos votos válidos em um estado pelo número de vagas.

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