quinta-feira, outubro 01, 2026

A demora de Nunes Marques empurra a crise eleitoral para o STF


Morosidade do TSE acendeu o alerta na reta final da eleição

Adriana Fernandes
Folha

A demora do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Kassio Nunes Marques, em pautar o julgamento da decisão do ministro André Mendonça sobre o caso envolvendo a retirada de publicações sobre Nossa Senhora Aparecida das redes sociais acende um alerta vermelho para os próximos dias decisivos até a votação de domingo.

Numa campanha tão inflamada e apertada, o comandante das eleições deste ano preferiu levar a crise para dentro do STF em vez de buscar resolver rapidamente o caso no TSE. Com as eleições transformadas em guerra santa, Nunes Marques poderia ter pautado o julgamento na virada do sábado para domingo. Isso só ocorreu nesta quarta-feira (30).

GRAVIDADE – Ele não o fez com a urgência necessária, apesar da gravidade do problema e dos conselhos de colegas da corte para pautar logo o julgamento no plenário virtual. A demora levou a uma sequência de decisões conflitantes, incluindo as dos ministros Flávio Dino e Luiz Fux, que acirraram a escalada do caso no STF.

Em vez de agir, Nunes Marques foi reclamar com o presidente do STF, Edson Fachin, citando risco de captura institucional, indevida sobreposição de competência do Supremo sobre o TSE e erosão democrática.

A construção dessa narrativa neste momento pode ser incendiária e acaba colocando o tribunal no centro da disputa —contradizendo o próprio discurso de Nunes Marques de que os eleitores, e não a Justiça, devem ser os protagonistas das eleições.

CRISE INSTITUCIONAL – A sua pregação anterior em defesa de uma Justiça Eleitoral menos intervencionista caiu por terra. Só falta o país enfrentar uma crise institucional ainda maior se uma vitória de Lula ou de Flávio Bolsonaro for por uma diferença mínima.

O escândalo do caso Master e as ligações perigosas do ministro e da sua família com Daniel Vorcaro parecem estar desestabilizando as movimentações também na corte eleitoral. A esta altura, a atuação errática de Nunes Marques lança dúvidas sobre se ele e o TSE estão preparados para agir caso algo mais grave aconteça na reta final das eleições.


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Religião nas eleições com pitadas de meio ambiente

Religião nas eleições com pitadas de meio ambiente

Não tenho boas pesquisas de opinião para provar o argumento. Tenho uma percepção. Pode ser até mesmo uma crença, uma questão de fé…


Eu acredito que o tema do meio ambiente nos une. Não importa a coloração política ou a religião que você professa; em princípio, estamos irmanados na preocupação com a água que vamos beber, o ar que respiramos e a boa comida em nossos pratos.

A polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida, que agora domina o debate eleitoral, me fez lembrar de um exemplo em que a questão ambiental ajuda a unir mundos diferentes. Existe uma iniciativa inter religiosa para a proteção das florestas. Criada há sete anos por várias organizações não governamentais e a seção de meio ambiente das Nações Unidas, esta aliança tem colocado lado-a-lado pastores, padres, rabinos, pais-de-santo e pajés para discutir a proteção do meio ambiente, em especial da Amazônia.

Quem me contou os resultados desta iniciativa foi seu facilitador no Brasil, Carlos Vicente, engenheiro florestal acreano que por muitos anos foi um dos assessores mais próximos da ex-ministra do Meio Ambiente e atual candidata ao Senado por São Paulo, Marina Silva. Em muitas conferências nas quais nos encontramos, ele me relatou com um brilho nos olhos como estes líderes religiosos aparentemente tão distantes em seu dia a dia convergiam em uma visão sobre a importância de respeitar a vida e a sacralidade da natureza. 

Algo que Carlos destacou foi o profundo impacto que uma visita ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) causou a um pastor evangélico. A viagem à sede da instituição, em São José dos Campos, no interior de São Paulo, ocorreu na época em que Bolsonaro e membros de seu governo, como o General Heleno e o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, atacavam o INPE. Os cientistas apenas faziam seu trabalho ao divulgar os dados que mostravam aumento do desmatamento. Depois de entender como funcionavam os sistemas de monitoramento, o pastor defendeu a proteção da Amazônia em um de seus sermões.

“A lembrança do que me contou Carlos Vicente em meio a este turbilhão que mistura Nossa Senhora com eleições me deu um pouco de esperança. Me confirmou algo que eu já havia sentido nas eleições de 2018 e logo no início do governo Bolsonaro, quando houve a crise das queimadas. O tema da Amazônia e do combate ao desmatamento é um caminho de diálogo com indecisos. Em conversas casuais, é difícil encontrar alguém que defenda abertamente derrubadas, poluição e maus-tratos aos animais.

Minha impressão se tornou então mais forte com o que aconteceu em 2019, logo após o fatídico dia 18 de agosto, quando a fumaça das queimadas na Amazônia transformou em noite uma tarde de São Paulo. Aquelas imagens, seguidas por investigações jornalísticas que mostraram uma articulação de produtores rurais para celebrarem um Dia do Fogo, gerou uma mobilização nacional e internacional frente aos descalabros da política anti-ambiental de Bolsonaro. 


Esta pressão da opinião pública fez com que Bolsonaro tivesse que recuar. Lembrem-se que o vice-presidente Hamilton Mourão foi designado para apaziguar os ânimos, fazendo a interlocução com parceiros históricos do Brasil nos investimentos em conservação, como a Alemanha e a Noruega. 


Enquanto o mundo estava cobrando o governo Bolsonaro, a questão ambiental e a Amazônia estavam também no centro da Igreja Católica. O Papa Francisco fez das mudanças climáticas e da proteção à Amazônia uma das principais marcas de seu pontificado. Realizou o primeiro encontro de bispos para propor uma ação conjunta com os povos indígenas, o Sínodo da Amazônia. Estendeu os braços aos melhores cientistas do mundo no tema. Os brasileiros Carlos Nobre, do INPE, e Ima Vieira, do Museu Emílio Goeldi, foram alguns dos que tiveram o ouvido atento de Francisco.


Por isso, não me parece aleatório que Flávio Bolsonaro tenha resolvido atacar a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para achar um culpado ao dano que lhe faz a polêmica da Nossa Senhora. Os bispos sempre estiveram antenados com a questão ambiental e suas campanhas, ao longo dos anos, destacaram temas como o direito à terra, a proteção das terras indígenas e contra a estatização do acesso à água. A CNBB sempre foi uma defensora do meio ambiente como algo primordial na conduta de uma instituição religiosa. 


Durante a presidência de Bolsonaro foram muitos os embates com a CNBB e outras alas da igreja católica, como a Comissão Pastoral da Terra e o Conselho Indigenista Missionário. Estes braços da igreja foram fiéis à sua missão e apontaram os desmantelamentos que estavam sendo promovidos por Bolsonaro. Assim como fez seu pai, Flávio ataca a CNBB pois sabe que ela será uma instituição que não deixará ocultas as maldades planejadas contra os territórios. 

Cientes de seu papel em defender “a Casa Comum”, os bispos da Região Norte 1 da CNBB, que inclui as dioceses do Amazonas e de Roraima, divulgaram no último dia 23 um comunicado para conclamar aos brasileiros que levem em consideração as questões socioambientais no momento do voto. “O cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo Metropolitano de Manaus e presidente do Regional Norte 1, nos recorda que na Carta encíclica Laudato Sí, publicada em 2015, Papa Francisco defende que o cuidado com o meio ambiente é inseparável da justiça social, da dignidade humana e da vida em sociedade”, diz um dos trechos da carta aberta. 


Eu arrisco dizer que a Amazônia é tão icônica como uma santa. E não só para os brasileiros: o mundo venera a Amazônia. Infelizmente, e isso não é fake news, há muitos dispostos a destruir essa maravilha da natureza. Divina? Não sei. Aí, vai de cada um.



Um abraço,


Gustavo Faleiros

gustavo.faleiros@apublica.org

Colunista da Agência Pública

 

Kassio vai relatar novo pedido para anular condenação de Bolsonaro

 

Kassio vai relatar novo pedido para anular condenação de Bolsonaro

Por Redação

01/10/2026 às 11:25

Foto: Victor Piemonte/Arquivo/STF

Imagem de Kassio vai relatar novo pedido para anular condenação de Bolsonaro

Kassio Marques

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi designado relator de um novo pedido de revisão criminal apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os advogados pedem, em caráter liminar, a suspensão da prisão até o julgamento da ação. Nunes Marques ficou responsável pelo caso por já ser relator de uma primeira revisão criminal apresentada pela defesa no início deste ano. A informação é da CNN.

No pedido, a defesa solicita a anulação das decisões que deram origem às investigações no inquérito das fake news e, consequentemente, a invalidação das provas obtidas a partir delas e dos depoimentos colhidos desde maio de 2025. Os advogados também pedem a reabertura da fase de instrução, com prazo considerado adequado para análise dos dados brutos e sem utilização das provas que classificam como ilícitas.

A defesa utiliza como argumento discussões recentes do STF e da Procuradoria-Geral da República no Caso Master, especialmente sobre regras para abertura de investigações e acesso às provas. Os advogados também alegam cerceamento de defesa e apontam supostas falhas na coleta e preservação de dados digitais, incluindo mensagens do aplicativo Signal atribuídas a Mauro Cid e a ausência de arquivos originais de uma extração realizada no celular de Bolsonaro. Segundo a petição, essas circunstâncias impediriam a auditoria adequada das provas e colocariam em dúvida sua integridade.

Politica Livre

Desemprego bate “recorde” de baixa, mas 38,8 milhões seguem na informalidade


Quase 4 em cada 10 trabalhadores estão na informalidade

Débora Oliveira
CNN

O governo chega à semana da eleição com um resultado favorável para apresentar: o desemprego está em 5,3%, a menor taxa para um trimestre encerrado em agosto desde o início da série do IBGE, em 2012. Mas a mesma pesquisa traz um número que ajuda a explicar por que a melhora do emprego pode não ter o mesmo peso para todos os eleitores. Quase 4 em cada 10 trabalhadores estão na informalidade. E essa diferença importa na reta final da campanha.

Conseguir uma ocupação pode mudar a vida de uma família. Ainda assim, ter trabalho não significa necessariamente receber o suficiente ou saber quanto dinheiro entrará no mês seguinte. É com esse desafio de conseguir renda e ter segurança que a baixa taxa de desemprego se torna limitada na hora de se transformar em satisfação política.

TENDÊNCIA – A informalidade passou de 37,3% no trimestre encerrado em maio para 37,5% no período de junho a agosto. São 38,8 milhões de trabalhadores nessa condição. A oscilação de 0,2 ponto percentual é pequena e consegue apontar uma tendência de piora. A proporção também permanece abaixo da registrada um ano antes. Porém, a preocupação está, principalmente, no tamanho do grupo que continua exposto à instabilidade.

Para quem trabalha sem carteira assinada ou por conta própria, sem um negócio formalizado, a renda pode depender dos serviços que aparecem naquela semana. Se os clientes somem ou uma doença impede o trabalho, desaparece também a principal fonte de sustento. O problema é que o aluguel e as prestações continuam vencendo, mesmo quando o dinheiro não entra.

PROTEÇÃO  – É importante lembrar que nem todo trabalhador informal ganha pouco. Mas, para muitos, a falta de proteção e a imprevisibilidade tornam mais difícil o planejamento para a vida. Na pesquisa, uma pessoa que começou a fazer trabalhos informais pode deixar de ser considerada desempregada. Só que, no cotidiano, ela pode continuar se sentindo insegura sobre como pagará as contas no mês seguinte.

Isso não diminui a melhora do emprego. O país alcançou o recorde de 103,5 milhões de pessoas trabalhando, com aumento de 774 mil em relação ao trimestre encerrado em maio. Construção e indústria foram os destaques. A ocupação cresceu mais do que o conjunto de pessoas trabalhando ou procurando uma vaga. Portanto, a queda do desemprego nesse período não se explica simplesmente pela desistência de procurar trabalho.

Só que para o bolso, o rendimento médio ficou em R$ 3.777, com ganho de poder de compra de 3,7% em relação a um ano antes, mas estável na comparação trimestral. Ou seja, há melhora em relação ao ano passado, mas sem avanço significativo de um trimestre para o outro. E essa média reúne pessoas com rendimentos muito diferentes.

MAIS OPORTUNIDADES – Para o governo, os números fortalecem o argumento de que a economia tem oferecido mais oportunidades. Para a oposição, a informalidade e a insegurança da renda abrem espaço para questionar a qualidade dessa melhora. E as duas leituras são correspondentes, sem que uma anule a outra.

Afinal, quem conseguiu emprego pode reconhecer uma mudança importante. Quem continua entre os 5,8 milhões de desempregados ou depende de serviços esporádicos pode ter outra percepção. Não é possível deduzir o voto a partir dessa pesquisa, mas ela ajuda a entender por que bons indicadores não produzem uma avaliação mais homogênea da economia.

PRESSÃO – Pensando no cenário de juros, também não há garantia de alívio rápido nas prestações. Mais gente trabalhando sustenta as compras das famílias. Se a oferta de produtos e serviços não acompanha essa procura, os preços podem sofrer pressão, exigindo cautela do Banco Central.

A renda média estável recomenda evitar diagnósticos de aceleração generalizada dos salários, mas o desemprego baixo, sozinho, não assegura cortes mais rápidos dos juros.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Sinceramente, quem ainda pode continuar acreditando no IBGE, dirigido por um petista manipulador como Marcos Pochmann? O IBGE já foi considerado um dos melhores operadores de estatística do mundo, mas nos últimos anos caiu na vala comum do PT. (C.N.)

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Publicado em 1 de outubro de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Morosidade do TSE acendeu o alerta na reta final d...

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