domingo, julho 05, 2026

Prolongamento da crise entre Michelle e Flávio permitirá que Lula “jogue parado”


Vexame! Associação de juízes federais comemora decisão do STF sobre penduricalhos


Entidade defende o combate à verba irregular

Gabriela Echenique
Folha

A Ajufe (Associação dos Juízes Federais) comemorou a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de liberar parte dos penduricalhos à magistratura. A entidade afirma que os pagamentos são fundamentados em necessidade do serviço prestado e que os juízes são essenciais ao país.

Nesta semana, o STF formou maioria para liberar o pagamento dos adicionais a juízes, promotores e procuradores. A corte tinha vetado o pagamento em março. A autorização vale para retroativos e outras verbas, como o adicional por tempo de serviço.

BASES TÉCNICAS – Para a presidente da Ajufe, Ana Lya Ferraz, o julgamento recoloca o debate em bases técnicas. “A transparência, a independência do Poder Judiciário e o respeito à Constituição são compromissos da magistratura”, disse.

A entidade defende o combate à verba irregular, mas diz que o debate público costuma ignorar que, em hipóteses específicas, o pagamento decorre de trabalho efetivamente prestado.

DIREITO  – Para a Ajufe, nem tudo que está no subsídio é ilegal. A associação cita, por exemplo, as férias não gozadas por necessidade de serviço, plantões cumpridos e direitos reconhecidos por lei. “Assim é indispensável distinguir o que é distorção do que é direito de quem cumpre uma função constitucional essencial ao país”, disse Ana Lya.

O STF manteve o entendimento de que as verbas indenizatórias não podem ultrapassar 35% do teto constitucional, que é de R$ 46.366,19. No entanto, os ministros permitiram que determinados pagamentos fiquem de fora do teto, como o pagamento do plantão judiciário e de custódia, por exemplo

Aliados veem Flávio em “modo cercadinho” e alertam para isolamento da campanha


Bolsonarismo vê campanha de Flávio perder tração

Andréia Sadi
G1

A campanha de Flávio Bolsonaro enfrenta um diagnóstico cada vez mais frequente dentro do próprio bolsonarismo: entrou em “modo cercadinho”. A expressão, usada até por aliados como Fábio Wajngarten, descreve uma candidatura que se fecha sobre si mesma, acumulando ruídos internos e encontrando dificuldades para falar além da própria base.

Esse cenário se soma a uma crise que se desenrola em duas frentes. Na frente familiar, a disputa entre Michelle e Flávio Bolsonaro deixou de ser um assunto de bastidor. Michelle busca protagonismo, “risca o chão” e explicita divergências que antes permaneciam restritas ao ambiente doméstico.

ATIVOS ELEITORAIS – Com isso, acaba atingindo dois dos principais ativos eleitorais do bolsonarismo: o eleitorado feminino e o segmento evangélico. Além disso, desgasta a imagem de unidade familiar, um dos pilares da narrativa construída pelo grupo político.

Na frente externa, cresce a insatisfação com a falta de comando da campanha. A avaliação de integrantes do partido é que as principais decisões estratégicas vêm sendo tomadas a partir do núcleo instalado nos Estados Unidos, onde está Eduardo Bolsonaro.

Enquanto isso, lideranças que permanecem no Brasil cobram que Flávio enquadre ou desautorize a atuação do chamado “gabinete do ódio” no exterior. Desgastes recentes, como o tarifaço e os ataques a aliados, são atribuídos por aliados a essa condução.

DARK HORSE – Há ainda um elemento adicional de pressão: o caso da Dark Horse, investigado pela Polícia Federal para apurar se houve recursos destinados ao financiamento da permanência de Eduardo Bolsonaro no exterior.

O resultado é que o racha familiar transborda para a política. Afeta alianças, dificulta a coordenação da campanha e reforça a percepção de uma candidatura cada vez mais fechada sobre si mesma — o chamado “modo cercadinho” — justamente no momento em que precisaria ampliar sua base de apoio.

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Alvo da PF no caso Master, Ciro Nogueira elogia Lula e reforça mudança de postura


PF justifica afastamento do perito que vazou provas contra Toffoli e Moraes


Perito é alvo de operação por vazar conversas de Moraes - Opinião em Pauta

Perito João Nabas foi identificado como autor dos vazamentos

Carlos Newton

A imprensa livre faz a festa no caso do Banco Master e está atenta às manobras destinas a anular processos e condenações. É preciso que os jornalistas estejam atentos e fortes, para evitar o mesmo vexame que aconteceu na Lava Jato, que chegou a colocar um presidente da República na cadeia, mas tudo acabou numa macropizza, com o Supremo passando a borracha na corrupção e devolvendo bilhões de reais a empresários inescrupulosos.

Na Lava Jato, ficou demonstrado até onde vai a ousadia dos ministros do Supremo, porque a operação foi desfeita com base em provas ilícitas, extraídas de gravações feitas ilegalmente pelo hacker Walter Delgatti Neto.

VAZA JATO – Conhecido pelo apelido de “Vermelho”, por causa dos cabelos ruivos, o hacker ficou famoso em 2019 ao invadir os celulares de autoridades, incluindo o então juiz Sergio Moro e procuradores da operação.

Seus vazamentos, conhecidos como “Vaza Jato”, expuseram conversas que levantaram dúvidas sobre a imparcialidade dos investigadores e possibilitaram que o STF anulasse as condenações, embora em todos os países minimamente democráticas as provas obtidas ilegalmente não possam ser usadas em processos.

No caso, ocorreu um absurdo ainda maior, porque as gravações sequer foram periciadas, para que se soubesse se eram verdadeiras. O Supremo não quis nem saber, passou o rodo na Lava Jato e estancou a sangria, atendendo ao que sugeriu à época o senador Romero Jucá (MDB-RR), em conversa com o ex-presidente da Transpetro, o corruptíssimo Sérgio Machado.

PERITO DA PF – No caso atual da investigação sobre o Banco Master, a novidade surgiu nesta sexta-feira, dia 3, quando o Estadão deu como manchete do portal a seguinte notícia: “Perito da PF produziu arquivos ‘Moraes’ e ‘Toffoli’ a partir do celular de Vorcaro, diz investigação”.

Assinada por três excelentes jornalistas (Felipe de Paula, Aguirre Talento e Fausto Macedo), a matéria relata que a Polícia Federal informou ao ministro André Mendonça, do STF, ter apurado que o perito criminal João Cláudio Nabas, lotado em Rondônia, produziu dois arquivos intitulados “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf” a partir de informações encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, e até sugeriu a colegas da própria PF o vazamento do material.

As informações fazem parte da investigação aberta por ordem de Mendonça para apurar vazamentos do celular de Vorcaro e que resultaram no cumprimento de busca e apreensão contra João Cláudio Nabas em maio, por suspeitas de violação do sigilo funcional. Ele foi afastado de suas funções após a operação.

SEM COMENTÁRIOS – A reportagem do Estadão entrou em contato com o escritório de advocacia que defende João Nabas e não houve manifestação. O espaço segue aberto e os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli também foram procurados, mas não responderam.

Especialista no combate a crimes financeiros, Nabas foi convocado para auxiliar a equipe da Operação Compliance Zero em novembro do ano passado. A investigação sobre o vazamento descobriu que ele acessou a extração do celular de Vorcaro em 1º de dezembro e, três dias depois, produziu dois arquivos intitulados “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf”, informa o Estadão.

Os documentos compilavam no celular do banqueiro os diálogos e as menções aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, assim como sua então mulher, Roberta Rangel . Um deles incluía trechos do contrato de R$ 129 milhões do Banco Master com a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Segundo o Estadão, um dos policiais da equipe relatou que Nabas realizou a análise dos dados de forma remota a partir de Vilhena (RO), onde é lotado, e de onde enviou, em 5 de dezembro de 2025, um arquivo em PDF sem identificação contendo um compilado de mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro.

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P.S.
Quando a imprensa tem liberdade para atuar, fica mais fácil esclarecer os crimes, porque a sociedade pode acompanhar o transcorrer dos inquéritos e evitar favorecimentos. Essa matéria do Estadão é importantíssima e demonstra que as investigações estão avançando, embora ainda não se consiga saber como está a apuração dos atos ilegais envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, cuja falta de transparência está sendo denunciada pelo próprio Estadão, em matéria do analista Carlos Andreazza. Vamos voltar ao assunto, amanhã, com informações adicionais, que a Tribuna da Internet está colhendo em Brasília. (C.N.)


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