segunda-feira, setembro 21, 2026

Foto de Gonet com Vorcaro amplia pressão e oposição pede afastamento ao STF

Publicado em 21 de setembro de 2026 por Tribuna da Internet

Presidenciáveis endurecem discurso contra PGR

Julliana Lopes
CNN

A divulgação da foto de Paulo Gonet ao lado de Daniel Vorcaro abriu uma nova frente de pressão sobre o procurador-geral da República. Neste sábado (19), o deputado e candidato Nikolas Ferreira (PL) encaminhou ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, uma representação para que a Corte analise o afastamento cautelar de Gonet.

Na representação, Nikolas sustenta que a fotografia, as mensagens extraídas do celular de Vorcaro e as referências ao PGR e a familiares no material da investigação justificam a análise de um possível conflito de interesses. O deputado pede que Fachin encaminhe o caso ao órgão competente do STF e que a discussão seja levada ao plenário.

ARGUMENTO – Um dos principais argumentos apresentados é a comparação entre a imagem e as explicações dadas por Gonet ao próprio Supremo. Na sessão do dia 15, o procurador-geral afirmou que não mantinha relação de proximidade com Vorcaro, citou um único encontro, em abril de 2024, e disse que uma ligação intermediada por advogado havia sido “brevíssima e banal”.

A fotografia, extraída pela Polícia Federal do celular de Vorcaro, mostra os dois em Londres durante um evento em 2024. A Procuradoria-Geral da República confirmou a autenticidade da imagem e afirmou que se trata do mesmo encontro já mencionado por Gonet, realizado com a presença de outras autoridades.

A iniciativa de Nikolas se soma à pressão que já vinha sendo feita pela oposição e ganhou força com a divulgação da foto. Entre os presidenciáveis, Romeu Zema foi o mais direto. O candidato do Novo defendeu neste sábado a renúncia de Gonet e voltou a relacionar a crise ao governo Lula, responsável pela indicação do procurador-geral.

REAÇÃO – Flávio Bolsonaro também reagiu à imagem. O candidato do PL publicou a foto nas redes sociais e afirmou que os envolvidos estariam “rindo da cara do povo sofrido”. A campanha de Flávio já vinha usando as revelações do caso Master para cobrar explicações de Gonet e de outras autoridades mencionadas nas mensagens de Vorcaro.

A CNN Brasil entrou em contato com a Procuradoria-Geral da República para solicitar um posicionamento a respeito da foto divulgada. O espaço segue aberto para manifestação.


A Narrativa Do Combate À Corrupção Interpretada Nos Textos Dos Estudantes De Uma Escola Pública

 

Profile picture for Valdimir Pereira Reis
Valdimir Pereira Reis
Paper Thumbnail
A Narrativa Do Combate À Corrupção Interpretada Nos Textos Dos Estudantes De Uma Escola Pública
View PDF ▸ Follow Author ▸

Agenda do Poder

 

As principais notícias de hoje — Agenda do Poder

As principais notícias do Brasil e do mundo, direto na sua caixa de entrada.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

 
Mensagens revelam temor de Vorcaro com possível vazamento de encontro com Jair e Flávio Bolsonaro

Mensagens revelam temor de Vorcaro com possível vazamento de encontro com Jair e Flávio Bolsonaro

Conversas mostram banqueiro preocupado com a repercussão de uma reunião mencionada no fim de 2024; conteúdo não confirma se encontro chegou a ocorrer

Ler matéria →

Mensagens de Vorcaro revelam proximidade com Hugo Motta: “Sou number 1”



‘Fiel da balança’: rejeição à política na igreja contrasta com influência de líderes sobre o voto

Publicado em 21 de setembro de 2026 por Tribuna da Internet

A nova disputa pelo voto passa pelas igrejas

Bernardo Mello
Kaio Magalhães
O Globo

Depois de passar metade da vida frequentando a mesma Assembleia de Deus em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, a psicanalista Alessandra Silva, de 40 anos, sentiu necessidade de mudar de igreja nas eleições de 2022. Ela diz que o estopim, à época, foi o incômodo com a forma como seu pastor orientava voto “no candidato que ele já tinha escolhido”, apresentado por ele como “representante da pátria e da família” e “contra o homossexualismo (sic)”.

O relato de Alessandra vai ao encontro de dados captados na pesquisa Religião e Vida Pública no Brasil, feita pelo Instituto de Estudos da Religião (ser) com a Quaest. Os dados começam a ser divulgados neste domingo pelo O Globo, no primeiro capítulo da série de reportagens “Fiel da balança”, que vai abordar as mudanças religiosas no país e seus impactos nas eleições e nos hábitos dos brasileiros.

CONTRA O DEBATE – O levantamento, com 15 mil entrevistas presenciais ao redor do país, aponta que oito em cada dez pessoas são contrárias a discutir política em espaços religiosos. Além disso, nove a cada dez brasileiros não querem que sua liderança religiosa permita a presença de candidatos na igreja — esses percentuais são similares entre católicos, evangélicos e outras religiosidades.

Mesmo com essa rejeição, a pesquisa também mostra em que medida os líderes, em especial pastores, tentam influenciar os votos dos fiéis. Questionados sobre o papel da liderança religiosa da comunidade que frequentavam na eleição de 2022, 11% dos entrevistados disseram ter sido orientados por ela a votar no então presidente Jair Bolsonaro (PL), e 5% em Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

ÍNDICE – No caso dos evangélicos, o índice dos que foram orientados a votar em Bolsonaro chega a 20% entre os protestantes, como batistas e presbiterianos. Entre os pentecostais, grupo que inclui denominações como as Assembleias de Deus — igreja de Alessandra —, a Universal e a Quadrangular, 23% afirmam ter recebido de seu pastor a indicação de optar por Bolsonaro.

— O que aquele pastor dizia sobre o candidato não era manifestação espiritual, e sim a preferência pessoal dele — diz Alessandra, que hoje frequenta outra Assembleia de Deus. — Não quero que ninguém venha me dizer o que eu tenho que fazer. Quem convence o homem é o Espírito Santo, em qualquer área da sua vida. Isso inclui também a política.

MARCADOR SOCIAL – Para a antropóloga Lívia Reis, coordenadora da pesquisa Religião e Vida Pública e do Iser, os dados mostram que a religião é um entre vários marcadores sociais que podem influenciar o comportamento eleitoral. Apesar do apoio maciço de pastores das maiores igrejas a Bolsonaro em 2022, a pesquisa mostra que na região Nordeste, por exemplo, onde o PT vem tendo seus melhores desempenhos, Lula conseguiu 35% do apoio entre evangélicos, quase o mesmo desempenho que o de seu adversário (38%) no segundo turno neste grupo.

O levantamento também traz nuances entre as igrejas. No caso de fiéis da Universal, 27% afirmam que o pastor recomendou voto em Bolsonaro, e 12% em Lula, percentuais acima da média em ambos os casos. Além disso, no caso da Universal, 26% dos fiéis disseram concordar que o pastor indique em quem votar, o dobro da média geral da pesquisa.

CORRELAÇÃO DE FORÇAS – Na avaliação de Lívia Reis, os dados mostram que não há um “voto evangélico” homogêneo, mas sim uma correlação de forças nas igrejas.

— Não se trata de o pastor mandar e o fiel obedecer. Na pesquisa, os evangélicos aparecem mais engajados religiosamente do que outros grupos, e a igreja é uma rede de confiança. É nesse sentido que uma liderança pode acabar influenciando o voto, por exemplo, a partir das informações que circulam no grupo de WhatsApp dessa comunidade. Mas também há o inverso, pessoas que deixam a igreja reclamando da insistência do pastor de indicar voto — diz a pesquisadora.

Na atual corrida ao Planalto, Flávio Bolsonaro (PL) vem tentando repetir a estratégia do pai em 2022 e busca o apoio de lideranças evangélicas — que têm hesitado, porém, em declarar voto de forma explícita. Em pronunciamentos, Flávio tem prometido indicar ministros ao Supremo Tribunal Federal (STF) que sejam “contra o aborto e contra as drogas”, fazendo eco a discursos dessas lideranças. O presidente Lula, por sua vez, critica o que chama de “uso político da religião” e diz que não montará “comitê de campanha” em igrejas por “respeito à fé das pessoas”.

DESCONFORTO – Por experiência própria, Gustavo Catarino, de 50 anos, sabe que há um certo “desconforto dos membros” quando pastores “sugerem a igreja se vinculando” a um candidato. Atualmente trabalhando como supervisor em uma empresa de energia e membro de uma igreja Assembleia de Deus, Catarino já foi pastor da Igreja Nova Vida, no Rio.

Em época de eleição, Catarino diz já ter recebido candidatos a vereador na igreja em que era pastor, mas tomando certos cuidados, como o de não lhes franquear a palavra durante o culto. A liderança religiosa, argumenta Catarino, não deve agir como se a política não fizesse parte da vida dos fiéis, mas sim orientá-los a “não trocar seus votos por saco de cimento”.

— Eles sofriam assédio de políticos, e eu dizia que é preciso votar consciente. Já vi colegas pastores colocando a direita como salvadora, que iria resgatar a moralidade. Quando os altares começam a se tornar verdadeiros falantes políticos, não sou a favor. No meu caso, os candidatos participavam do culto, mas sem oportunidade de fala. Depois fazíamos uma oração — lembra.

NARRATIVA – Já a cuidadora de animais Renata Nascimento, de 47 anos, diz ter testemunhado outra faceta do discurso político em igrejas: o uso da narrativa religiosa para atacar adversários. Evangélica desde os 20 anos e hoje frequentando uma igreja batista em Realengo, na Zona Oeste do Rio, ela conta que o pastor de outra igreja da qual fez parte buscava demonizar candidatos de esquerda.

— Ele disse, com todas as letras, que quem votasse no Lula era do capeta. Para mim, aquilo foi o fim da picada — critica.

O antropólogo Flávio Conrado, diretor da Casa Galileia e coautor do relatório “Narrativas evangélicas e contexto eleitoral” junto ao Instituto Democracia em Xeque, avalia que lideranças mais radicalizadas podem estar menos vocais no púlpito, mas seguem usando as redes sociais e outros espaços para “circunscrever o voto religioso à direita”.

PROTAGONISMO – Ele aponta ainda que pastores das principais igrejas têm posicionado o ministro do STF André Mendonça, que é presbiteriano e foi indicado à Corte por Bolsonaro, como personagem de uma “luta do bem contra o mal” envolvendo o colega Alexandre de Moraes, com impactos eleitorais.

— A ideia transmitida é que Mendonça está numa batalha espiritual contra um “sistema corrompido”, que certas lideranças associam à ocupação do Executivo e do STF pela esquerda — avalia Conrado.

Segundo o levantamento realizado pelo Iser e pela Quaest, apenas uma minoria — um a cada cinco entrevistados — participa de grupos ou comunidades religiosas nas redes sociais. Entre os participantes, porém, há a percepção de atividade política nesses espaços: 48% veem “sempre” ou “frequentemente” outros participantes compartilhando conteúdos de política nesses grupos no Facebook, e 34% veem o mesmo no WhatsApp.

MAIS ACESSO –  Católicos praticantes, pentecostais e protestantes tendem a relatar mais acesso a esse tipo de conteúdo nos grupos de que participam, em comparação a católicos não praticantes e evangélicos sem igreja.

Para pesquisadores, os dados sugerem que a tentativa de influência política a partir do discurso religioso vai além, hoje em dia, do que é dito de forma explícita dentro da igreja. Em discursos na Avenida Paulista, em São Paulo, no feriado de 7 de Setembro, que depois se tornaram cortes em suas redes sociais, nomes como o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, e a bispa Sonia Hernandes, da Igreja Renascer, pediram orações a Mendonça e associaram sua atuação no caso Master a uma oportunidade para, nas eleições, “derrotar homens injustos” e não permitir que as “trevas ocupem nenhum cargo” no país.

“FORÇA MENDONÇA” – Presente ao mesmo ato, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), distribuiu camisetas com a frase “Força, Mendonça” que, segundo relatou ao portal Metrópoles, foram entregues a ele por grupos ligados à Igreja Católica.

— Talvez estejamos vendo uma aproximação de práticas entre cristãos conservadores, sejam católicos ou evangélicos — diz a pesquisadora Brenda Carranza, professora de Antropologia da Religião da Unicamp. — A campanha eleitoral passa cada vez mais pelos influenciadores cristãos em redes sociais. E os líderes de igrejas passam a trabalhar mais com a defesa de determinados valores, que sejam verbalizados por políticos, do que se restringir a candidatos da própria igreja.


“Modelo Bukele” no Brasil significaria 4 milhões de brasileiros na cadeia

 

“Modelo Bukele” no Brasil significaria 4 milhões de brasileiros na cadeia

Ele estava em um debate na Europa explicando como funciona a política de segurança pública do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, quando foi interpelado por um empresário brasileiro, que lhe disse: “precisamos de um Bukele no Brasil”. 


Dada, que conhece o Brasil e fala português, pediu mais explicações. “Qual é o problema que enfrentamos na segurança pública?” O interlocutor explicou que as favelas aqui, assim como as comunidades pobres em El Salvador, são dominadas por organizações criminosas. O jornalista respondeu: “Então é fácil resolver o problema. Basta lançar bombas nas favelas”. Surpreso, o brasileiro retrucou: “Mas não podemos fazer isso”. “E por quê?”, perguntou Dada. “Porque iríamos matar gente inocente”.


“Pronto, então você já entendeu o que é o modelo Bukele”.


Carlos Dada é meu amigo desde a fundação da Agência Pública, e é uma das pessoas que conhece mais profundamente o que significa na prática o tal “modelo Bukele” defendido por vários candidatos da direita. À frente do El Faro, primeiro site jornalístico do continente e um dos mais premiados, ele viu o número de encarceramentos do país se tornar o maior do mundo em apenas alguns anos, relativamente à população. 


Hoje, 1 em cada 50 salvadorenhos estão na prisão, ou 120 mil dentre 6 milhões de cidadãos. Se transportado para o Brasil, isso significaria mais de 4 milhões de brasileiros na cadeia. Atualmente temos mais de 960 mil presos, terceira maior população carcerária do mundo. 


O “modelo Bukele” é defendido por empresários como aqueles da cúpula da Fiesp que, em 31 de agosto, fez um evento com candidatos da direita, entre eles o ex-juiz Sérgio Moro, candidato ao governo do Paraná pelo PL e o candidato a Senador por SP, Guilherme Derrite (PP) para ouvirem o ministro de Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, disse na ocasião: “O que precisamos como sociedade é dar o apoio que for necessário para que um novo governo possa fazer as transformações que o Brasil necessita e para que as pessoas possam sentir segurança” – reforçando sua torcida por um “novo governo”.

O que o empresariado de São Paulo não sabe é que o “sucesso” da redução imediata da criminalidade pelo governo Bukele não se deveu a um plano milagroso, mas a um acordo com os líderes das organizações criminosas mais conhecidas, como a Mara Salvatrucha. Quem descobriu detalhes destes acordos foi Carlos Dada e sua equipe.

“O acordo incluiu a libertação ilegal e em segredo de alguns chefões que já estavam presos. Implicou também o alívio de medidas em cadeias de segurança máxima. Seus parentes sim podiam visitá-los, eles tinham mais horas livres, tinham muitas saídas a hospitais onde se reuniam com seu pessoal”, explica. Do lado dos criminosos, a promessa era baixar o número de homicídios e garantir o voto a Bukele em suas comunidades. 


A equipe do El Faro recebeu vazamentos de documentos mostrando como as “saidinhas” de chefões se tornaram muito mais frequentes, assim como as visitas. E eles obtiveram áudios nos quais um ministro de Bukele pessoalmente confessa ter tirado o chefão chamado Crook da cadeia e o levado em seu carro até a Guatemala. A viagem foi confirmada por um registro insuspeito: durante todo o trajeto a namorada do criminoso tirou fotos e postou no seu Instagram, tentando esconder o namorado. “Mas apareciam os braços e as tatuagens dele”, explica Dada. 


A coisa ficou ainda mais escancarada, explica Dada, quando alguns destes líderes foram presos no México e extraditados para os Estados Unidos. Dada e seus colegas conseguiram comprovar que a própria justiça americana beneficiou estes criminosos – a pedido do governo Trump. 


“Os criminosos estavam para ser julgados nos EUA, e alguns assinaram acordos como testemunhas protegidas e revelaram este pacto com Bukele. Dá um Fast Forward. Trump ganha a presidência nos Estados Unidos, Bukele lhe oferece a megacadeia para imigrantes e os dois viram os melhores amigos do mundo”, continua. 


Logo nas primeiras levas de imigrantes venezuelanos enviados para El Salvador, os jornalistas do El Faro perceberam um detento que não era venezuelano. 


“Você se lembra daquele famoso vídeo em que o avião desce, recebem em San Salvador os venezuelanos, cortam o cabelo deles, e os levam algemados? Todos nós vimos esse vídeo no mundo todo, mas nós vimos uma coisa a mais: entre esses venezuelanos vinha um sujeito que não era venezuelano, que conhecemos pelas tatuagens. Era um dos doze capturados da Mara Salvatrucha”. 


Ao analisar os documentos, descobriram que o procurador-geral da Justiça, o que equivale a nosso Ministro da Justiça, pediu ao juiz federal para suspender as acusações contra o criminoso, argumentando interesses de política exterior.


“É incrível o que aconteceu, Natalia!” 


Por conta destas revelações, Dada e os jornalistas do El Faro passaram a ser perseguidos pelo governo Bukele. Primeiro foi espionagem: invadiram os celulares de todos com o software israelense Pegasus, enviaram drones às suas casas, mantiveram agentes de inteligência na porta das suas casas. Depois vieram as ameaças anônimas, ameaças de morte, ameaças de carro-bomba. Depois Bukele os acusou em cadeia nacional de lavagem de dinheiro. Fizeram auditorias por evasão de impostos. Depois, começaram a embargar propriedades dos sócios. Em um determinado momento, eles foram avisados que não deveriam retornar ao país. Seriam presos.


Hoje, toda a redação está fora do país. E no total, 50 jornalistas já deixaram El Salvador.

Tudo isso é fruto do “modelo Bukele”, que decretou um estado de exceção que já foi renovado mais de cinquenta vezes, dando poder total ao presidente sobre todas as forças de segurança. Através dele, qualquer policial tem o direito de prender qualquer pessoa sem nenhuma ordem judicial, e esta pessoa vai imediatamente para uma das prisões do país.


Não existe mais direito à defesa.

“Se Bukele controla o Poder Legislativo, o Poder Judiciário, o Poder Executivo, a Procuradoria-Geral da República, a Procuradoria de Direitos Humanos, a Polícia e o Exército, e os controla por cima da lei, na prática é Bukele quem decide quem é criminoso e quem não é criminoso”, resume Dada.


Ao longo de mais de uma hora de conversa, Dada me explicou outros aspectos do tal “modelo Bukele” que são de embrulhar o estômago, como a morte de mais de 400 pessoas por tortura nas prisões – morreram por espancamento – e as audiências de custódia, que agora são realizadas de forma massiva, com 100 ou 200 presos sendo avaliados de uma só vez por um juiz.


Há histórias apavorantes. Um homem foi preso apenas porque ficou nervoso quando abordado pela polícia; em uma cidadezinha, uma cooperativa de taxistas foi denunciada pela cooperativa rival. Foi todo mundo encarcerado como se fossem criminosos.


Por tudo isso, Dada ficou muito surpreso com o evento da Fiesp, que fez questão de assistir por inteiro pelo YouTube. Ele, que é admirador do Brasil e acompanha de perto nossa política, disse que “me pareceu muito preocupante que depois que um ministro faz uma apresentação na qual não mostra o modelo Bukele, mas o que eles querem vender”, o discurso tenha sido tão aplaudido.


“É uma face construída por uma eficiente equipe de propaganda que é o que chamam de ‘modelo Bukele’. E o ministro apresentou seu modelo Bukele em termos bíblicos, como uma luta entre o bem e o mal, literalmente disse: entre os seres de luz e as criaturas da escuridão”.


Dada estranhou os aplausos efusivos de uma plateia qualificada como aquela. “O que eu creio que isso deveria fazer é deixar todo mundo de orelha em pé”.



Um abraço,


Natalia Viana

natalia@apublica.org

Diretora Executiva da Agência Pública

Em destaque

Foto de Gonet com Vorcaro amplia pressão e oposição pede afastamento ao STF

Publicado em 21 de setembro de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Presidenciáveis endurecem discurso contra PGR Ju...

Mais visitadas