terça-feira, maio 12, 2026

Vou ali tomar uma dose de Ypê

 

Arte: Marcelo Chello

Esse país está uma zona, por isso o povo está bebendo Ypê. E é com essa melhor frase do dia, dita por um grande executivo na privacidade do meu próprio WhatsApp, que vamos abrir o éNoite de hoje, BRASEW. A vida está assim: PGR diz que Dudu é culpado, Dudu diz que Ricardo Salles é um biruta de vento, Xandão suspende a lei da Dosimetria, Kakay deixa o Ciro Nogueira, Ciro Gomes recusa convite do Aécio, Kassio Nunes convida Bolsonaro para sua posse, Jojo Joesley Batista, ele de novo, é o homem do Trump e o povo está literalmente bebendo Ypê. Será que você sobrevive.

Quero começar com um alerta importante: beber Ypê faz mal à saúde, darling. Pelamor. Mas os bolsonaristas estão bebendo Ypê nas redes sociais para “provar” como o detergente é seguro. Sim, eles bebem (ou fingem beber). A treta é a seguinte. A Anvisa fez uma inspeção e constatou que havia problemas de possível contaminação e mandou a empresa fazer um recall de uma série de produtos. Só sei que em algum momento o caso virou esquerda x direita. Os bolsonaristas começaram a postar vídeos dizendo que a Anvisa é do governo Lula, o dono da Ypê é bolsonarista, e que a decisão foi perseguição.

O ministro da saúde, Alexandre Padilha, entrou em campo e esclareceu algumas coisas, como, por exemplo, o fato de o diretor da Anvisa responsável pelo caso ser uma pessoa que foi indicada por quem? Por Bolsonaro. Enfim.

O grande assunto do dia mesmo vem dos casos supremos.

O procurador nada amigo geral da República, Paulo Gonet, pediu que o Supremo condene Dudu Bolsonaro pelo crime de “coação em curso do processo”. Basicamente, o lobby do Dudu para que o Trump impusesse tarifas ao Brasil sob a condição de que o Supremo inocentasse Bolsonaro rendeu esse crimezinho aí.

Xandão mostra os dentes

A lei da dosimetria, aquela que reduz as penas da galera do 8 de janeiro (o que inclui Bolsonaro), foi suspensa pelo Xandão. Como há vários questionamentos no Supremo sobre a constitucionalidade da lei, ele decidiu suspender a lei até que o Plenário decida sobre a questão. Ahã, isso mesmo. Se a moda pega, o Congresso pode promulgar leis à vontade que vai ter que ficar esperando a chancela do Supremo? O ministro diz que a suspensão é por “segurança jurídica”.

A reação

O líder do PL da Câmara, Sóstenes Cavalcante (o homem que comprou um apê e esqueceu), disse que a resposta vai ser uma proposta de mudar a Constituição para uma anistia. Sim, voltou o velho assunto. Aquele mesmo que caiu porque a sociedade começou a achar que os deputados só querem se blindar.

Adiós, Kakay

O advogado criminalista Antônio Kakay, que há dez mil anos advoga para o Ciro Nogueira, deixou seu cliente. Ele tem dito a amigos que não pôde ficar no caso porque virou uma questão partidária. Como vocês sabem, Ciro, que é senador, amigo do Tigrinho, ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, sofreu uma busca e apreensão por conta do caso Master. A suspeita é que o político recebia uma mesada de meio milhão de reais do Vorcaro, o banqueiro cebolinha.

Neste fim de semana, o Metrópoles revelou que 26 dias depois de o senador apresentar a famosa emenda para mudar o limite do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), Ciro comprou um apezinho de R$ 22 milhões. Uma cobertura na Oscar Freire, em São Paulo. E ainda naquele ano trocou a cobertura por uma mansão no Jardim Europa. A tal mesada tava muito pouca mesmo.

A biruta

Como vocês sabem, os bolsonaristas estão todos divididos. E agora a treta que está pegando é a de Ricardo Salles (o ministro da boiada de Bolsonaro) e Dudu Bolsonaro. Gente, o Dudu brigando de novo, que novidade. A treta é que Ricardo Salles ficou indignado de Dudu ter escolhido André do Prado como pré-candidato ao Senado. Dudu foi lá e chamou Ricardo de biruta de vento. Mas o que Salles disse afinal? Disse que Dudu foi aos states fazer bravatas, que foi burro e que Valdemar Voldemort, o dono do PL, praticou “corrupção” no Ministério dos Transportes. Gente do céu, o povo fica fazendo acusações assim e tudo bem?

Kassab abandona Caiado II

Kassab, o cacique do centrão que é dono do PSD, não se cansa de abandonar Ronaldo Caiado, que é pré-candidato a presidente pelo seu partido. Sim, darling, Caiado foi escolhido pelo PSD para ser o candidato. Mas Kassab disse hoje para a Folha que o Tarcísio seria um candidato melhor do que Flavitcho e melhor que Caiado. Ah, tá bom, como Tarcísio não vai ser candidato, vale o Caiado então.

Pode isso, Arnaldo?

O supremo Kassio Nunes Marques vai tomar posse como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e mandou um convite para Bolsonaro participar do convescote. Tixa, mas Bolsonaro não está na prisão? Ahã, está. Mas o supremo disse que convidou todos os ex-presidentes. Ah, então tá tudo certo. A propósito, Kassio foi sorteado como relator da revisão criminal pedida pela defesa de Bolsonaro.

Para quem não lembra, Kassio foi indicado ao cargo por Bolsonaro.

Manobra na delação

O Lauro Jardim contou uma coisa interessante neste fim de semana. Que a delação fraca apresentada por Daniel Vorcaro seria para que o supremo André Mendonça rejeite a peça e o caso vá para a segunda turma, onde seria revisado por Gilmar Mendes, Kassio Nunes e Luiz Fux. Que beleza! A turma também tem Dias Toffoli, mas ele, que muito forçadamente honesto está se declarando impedido no caso.

Adeus Ursal

Será que Ciro virou um nome tóxico? Não sei, só sei que o Ciro Gomes, nosso cirão das massas de lasanha, disse para Aécio que não quer ser candidato a presidente. Vai ficar lá no Ceará mesmo, para concorrer ao governo do estado. Eu acho uma pena, queria muito a Ursal representada nos debates.

Jojo again

A mais nova agora do encontro de Lula e Trump é que tudo aconteceu quando Lula estava em reunião com Jojo Joesley Batista e reclamou que Trump não marcava o encontro prometido. Jojo passou então a mão no telefone, ligou na hora para Trump. Lula falou com Trump, que disse até um “i love you” para Lula. E assim Jojo vira nosso lobista mor international.

Acho que vou ali tomar um shot de Ypê capim-limão, BRASEW. E se você não quer tomar Ypê, vem apoiar o jornalismo. É bem fácil. Direto no pix 49875575000147 ou assinando a news pelo link https://www.tixanews.com.br/newsletter/

 
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Cúpula do Congresso descarta avançar com emenda da anistia

 

Cúpula do Congresso descarta avançar com emenda da anistia

Motta e Alcolumbre querem evitar embate direto com STF

Por Gabriela Echenique/Folhapress

11/05/2026 às 18:40

Atualizado em 11/05/2026 às 18:40

Foto: Carlos Moura/Agência Senado/Arquivo

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Os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (à esq.), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta

Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não devem dar andamento à PEC da anistia proposta pela oposição nesta segunda-feira (11).

O líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), anunciou a coleta de assinaturas para a proposta após o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, suspender a aplicação da lei da dosimetria para os condenados de janeiro.

O argumento da oposição é de que o Congresso não pode assistir à escalada de decisões monocráticas.

Mas a cúpula do Congresso não pretende entrar em um embate direto com os ministros da Suprema Corte. Até porque há uma tendência de que o STF reduza as penas dos condenados, apesar da decisão de Moraes.

Interlocutores dos presidentes das duas Casas ainda avaliam que não haveria tempo hábil para se discutir uma PEC, principalmente em ano eleitoral.

O centrão também não deve embarcar na proposta. Nos bastidores, deputados de legendas do bloco dizem que a proposta não deve vingar.

Politica Livre

Bolsonaristas renovam ofensiva contra STF, mas cúpula do Congresso espera validação de dosimetria

 

Bolsonaristas renovam ofensiva contra STF, mas cúpula do Congresso espera validação de dosimetria

Após decisão de Moraes contra presos do 8/1, oposição quer nova PEC da anistia e impeachment

Por Carolina Linhares/Folhapress

11/05/2026 às 20:15

Atualizado em 11/05/2026 às 20:18

Foto: Saulo Cruz/Agência Senado/Arquivo

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Bolsonaristas, ao lado de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), comemoram derrubada do veto à Lei da Dosimetria

A oposição bolsonarista no Congresso decidiu renovar a investida em pautas anti-STF (Supremo Tribunal Federal) e na anistia de condenados por golpismo como resposta à decisão do ministro Alexandre de Moraes de suspender a Lei da Dosimetria, ainda que não haja grande expectativa de que as matérias avancem neste ano.

A ofensiva tem quatro frentes —a anistia geral a Jair Bolsonaro (PL) e demais condenados na trama golpista, inclusive os presos do 8 de Janeiro; o impeachment de Moraes; a pressão pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre o Banco Master e a PEC (proposta de emenda à Constituição) que restringe decisões monocráticas da corte.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciou, nesta segunda-feira (11), que vai protocolar uma nova PEC pela anistia em resposta à decisão de Moraes. Sem apoio do centrão e da cúpula do Congresso, tentativas anteriores de anistia total não avançaram, e bolsonaristas admitem que seguem em minoria na defesa dessa causa.

A estratégia da oposição, contudo é manter o debate ativo, em busca de um contexto político mais favorável no ano que vem, quando a direita espera ter maioria na Câmara e no Senado.

A avaliação, no momento, é que a decisão de Moraes de não aplicar a Lei da Dosimetria a condenados do 8 de Janeiro não poderia ficar sem uma resposta política. Bolsonaristas dizem acreditar, ainda, que a atitude controversa do ministro poderia até ampliar o apoio de outros grupos políticos mais ao centro a essa agenda anti-STF.

A cúpula do Congresso, porém, acredita que o plenário do STF deve validar a Lei da Dosimetria ao julgar sua constitucionalidade, o que iria contribuir para arrefecer o novo embate entre a oposição e a corte.

Parlamentares que tiveram contato com ministros do STF ao longo do fim de semana relatam que Moraes não deve demorar a enviar para deliberação do plenário as ações que questionam a lei, das quais ele também é relator —impetradas pela federação PSOL-Rede e pela ABI (Associação Brasileira de Imprensa).

Eles afirmam ainda que a maior parte dos ministros do STF tem o entendimento de que a redução de penas é uma prerrogativa do Parlamento e que eles devem validar a lei até para evitar um novo conflito com o Congresso.

Desde sábado (9), o ministro tem dado decisões e suspendido a lei em ações dos condenados pelos ataques golpistas. No entanto, ele ainda não deu decisões nas ações que questionam a Lei da Dosimetria em si, método questionado por outros integrantes da corte.

Por meio das ações de controle de constitucionalidade, ele poderia ter concedido uma liminar para suspender temporariamente a lei de forma geral. Mas isso levaria, de acordo com o regimento do STF, necessariamente ao encaminhamento da decisão para referendo do plenário.

O projeto de lei da redução de penas, que ficou conhecido como Dosimetria, foi aprovado por ampla maioria em dezembro, acabou vetado por Lula (PT) e, novamente, a maior parte dos parlamentares se posicionou a favor da lei, derrubando o veto no último dia 30.

Em nota a respeito da nova PEC da anistia, Sóstenes afirmou que a resposta ao "novo abuso" de Moraes seria dada através do Parlamento e criticou penas desproporcionais e perseguições políticas.

"A suspensão da Lei da Dosimetria mostrou que não basta apenas corrigir excessos pontuais. [...] O Congresso Nacional não pode continuar assistindo passivamente à escalada de decisões monocráticas que ignoram a vontade popular, desrespeitam o Poder Legislativo e tentam impedir qualquer avanço em direção à pacificação nacional", disse.

"Foi uma decisão muito grave de Moraes, ele deixou de cumprir a lei. A gente não tem maioria na Câmara, mas foi mais um ataque à democracia e ao Congresso, e os partidos de centro estão vendo isso", afirmou ao jornal Folha de São Paulo o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB).

Na opinião do líder, a decisão de Moraes favorece a ofensiva bolsonarista. "O tema está muito tenso", completa.

Autor do requerimento de uma CPI mista do Master, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) disse à reportagem que "o embate vai se intensificar". "Moraes já mostrou que não quer pacificação. Muita gente está cética com a realização de uma CPI no ano eleitoral, mas tem vários parlamentares dispostos, até para colher evidências para um impeachment do ministro".

Em troca de pautar no Congresso a derrubada do veto à dosimetria, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), enterrou a CPI mista do Master ao ignorar a leitura do requerimento da oposição na sessão do último dia 30.

Já a PEC que restringe as decisões monocráticas de ministros do STF foi lembrada pelo líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), no fim de semana. Ele divulgou uma nota criticando o fato de Moraes, "um único homem não eleito", ter invalidado uma norma aprovada pelo Congresso.

"Chama-se democracia representativa quando o povo governa por meio de seus eleitos. Chama-se outra coisa quando um juiz governa sozinho acima de todos. A decisão monocrática do ministro Moraes não suspendeu apenas uma lei. Suspendeu a vontade popular", disse em nota.

"Cabe à Câmara reagir com firmeza e aprovar, com urgência, a PEC contra decisões monocráticas que suspendam leis aprovadas pelo Congresso. E cabe ao povo eleger representantes corajosos para promover uma verdadeira e saneadora reforma do Judiciário em 2027", completou.

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