sexta-feira, junho 05, 2026

EDITORIAL: O Cemitério no Bairro São José – Duas Décadas de Omissão Exigem Ação Imediata do Poder Público


Por José Montalvão

O debate em torno da legalidade e da fiscalização ambiental dos espaços de sepultamento ganhou um capítulo alarmante e localizado em nossa região. Conforme informação pública trazida pelo atuante Vereador Zé Miúdo, o cemitério sob suspeita de clandestinidade não é um fato novo ou recente: ele fica localizado no Bairro São José e já existe há mais ou menos vinte anos.

A revelação do parlamentar joga luz sobre um problema histórico de omissão e falta de ordenamento urbano que se arrasta por duas décadas. Diante dessa realidade trazida pelo legislador, o tempo das desculpas se esgotou. Cabe, agora, a quem de direito — no caso, o Poder Executivo Municipal e as autoridades de saúde e meio ambiente — tomar as rédeas da situação para regularizar as instalações ou proceder com a imediata interdição do local.

(Diga-se de passagem que a culpa não é do atual prefeito Tista de Deda).

Vinte Anos à margem da Lei O Risco Que se Perpetua

Como já debatemos amplamente neste espaço, a implantação de um cemitério não é um ato que possa ser feito de forma improvisada, pois envolve sérios riscos de contaminação do solo e dos lençóis freáticos por necrochorume, o que afeta diretamente a saúde das famílias que residem no entorno. Se o espaço no Bairro São José opera há cerca de vinte anos sem o devido cumprimento das normas ambientais, estamos falando de duas décadas de potencial exposição da comunidade a riscos sanitários.

A legislação brasileira, por meio da Resolução CONAMA 335/2003, determina que todo cemitério precisa passar por rigorosos estudos de viabilidade, sondagem de solo e licenciamento ambiental para funcionar. Se o local cumpre os requisitos mínimos de distância de corpos d'água e segurança geológica, o município tem a obrigação de intervir para regularizar a situação, adequando o espaço às exigências do Plano Diretor e da Vigilância Sanitária. Caso contrário, se o terreno for tecnicamente inadequado, a única saída legal e responsável é a interdição definitiva dos sepultamentos.

A Responsabilidade Está com o Poder Executivo

O Vereador Zé Miúdo cumpriu com excelência o seu papel constitucional de fiscalizar, ouvir as demandas das comunidades e trazer o problema para o centro do debate público. Agora, a bola está no campo da Prefeitura Municipal e de suas secretarias competentes.

Não se pode mais fingir que o problema não existe ou tratá-lo como "herança do passado" pelo fato de existir há vinte anos. O direito à memória dos entes queridos ali sepultados e o direito à saúde dos moradores vivos do Bairro São José exigem uma resposta técnica, rápida e transparente. A Secretaria de Meio Ambiente e a Procuradoria Jurídica do Município precisam realizar uma auditoria urgente no local.

Conclusão: O Momento de Agir e Dar Respostas

O descaso de vinte anos com o planejamento urbano não justifica a continuidade do erro. A denúncia do Vereador Zé Miúdo é um chamado à responsabilidade administrativa. O povo de Jeremoabo e, especificamente, os moradores do Bairro São José não podem continuar convivendo com a incerteza de um cemitério sem controle técnico.

Aguardamos o posicionamento oficial da gestão municipal e dos órgãos de fiscalização ambiental. A regularização ou a interdição não são escolhas políticas, são obrigações legais em defesa da saúde pública e do respeito às leis que regem a nossa sociedade.

Blog de Dede Montalvão: Acompanhando a fiscalização dos nossos vereadores, cobrando a regularidade dos atos públicos e defendendo o bem-estar do nosso povo.

quinta-feira, junho 04, 2026

Vaga no STF expõe disputa de poder entre Lula e Alcolumbre


Lula nega crise com Alcolumbre e reafirma aposta em Messias para o STF


Lula avalia melhor timing para reenvio do nome de Messias

Victoria Azevedo
Sérgio Roxo
O Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou a ministros do governo em reunião nesta quarta-feira que não tem problemas com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e que o advogado-geral da União, Jorge Messias, ainda será ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo quatro auxiliares do petista.

De acordo com relatos desses participantes, Lula citou Alcolumbre num comentário rápido. Ele teria afirmado que, da parte dele, não existem problemas com o presidente do Senado. A fala foi feita aos integrantes do governo durante parte do encontro que não foi transmitido à imprensa. O presidente não teria se prolongado nesse tema.

AFASTAMENTO – O Palácio do Planalto acredita que Alcolumbre foi responsável por orquestrar a derrota histórica do governo federal com a rejeição dos senadores pela indicação de Messias a uma vaga no Supremo. Considerado ponto de governabilidade de Lula 3, Alcolumbre se afastou do Planalto após a indicação de Messias. O presidente do Senado ficou contrariado com a escolha, porque defendia o nome de Rodrigo Pacheco (PSB-MG), um de seus principais aliados.

Ainda de acordo com relatos de pessoas que acompanharam a reunião, Lula fez um gesto ao chefe da Advocacia-Geral da União —que estava presente— afirmando que ele ainda será ministro do Supremo. Lula já afirmou publicamente que enviará o nome de Messias novamente para análise no Congresso. Aliados do petista, no entanto, dizem que ainda estão avaliando o timing desse envio. A avaliação é que é preciso uma conversa entre Lula e Alcolumbre para aparar as arestas.

Apesar disso, no entanto, interlocutores das duas autoridades dizem que ainda não há clima para um encontro entre eles. Nomes como os ministros José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais) e José Múcio (Defesa), além do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), têm atuado para distensionar a relação entre Planalto e a cúpula do Senado.

ARTICULAÇÃO – Ainda segundo relatos de participantes da reunião desta quarta, Guimarães disse em sua fala que a articulação política dos ministros junto ao Congresso deve sempre passar pela Secretaria de Relações Institucionais (SRI) para evitar ruídos nas negociações das propostas com os parlamentares.

O ministro Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), afirmou que a pasta prepara uma campanha de balanço, com destaques de obras e projetos do governo federal em cada estado do país. A expectativa é que sejam elaboradas peças diferentes para cada unidade da federação para serem divulgadas em televisão e nas redes. Ainda não há data definida para que elas sejam divulgadas.

EMPODERAMENTO – De acordo com participantes, Lula também disse, como já havia feito em outras oportunidades, que os novos ministros que assumiram o cargo em abril após a saída dos antecessores que vão disputar a eleição de outubro devem lealdade a ele e não aos antigos titulares das pastas. A fala foi interpretada como uma tentativa de empoderar os novos ministros. Ainda segundo relatos, Lula fez uma fala ao final do encontro na qual motivou os integrantes de seu governo e cobrou empenho e dedicação.

Essa foi a segunda reunião ministerial deste ano. A primeira foi em 31 de março e serviu para oficializar as trocas na Esplanada — houve mudanças em 18 pastas, com a saída dos titulares que disputarão as eleições.


EDITORIAL: Fiscalização Urgente – Secretaria do Meio Ambiente Não Pode Permitir Cemitério Clandestino em Nossa Região

 

EDITORIAL: Fiscalização Urgente – Secretaria do Meio Ambiente Não Pode Permitir Cemitério Clandestino em Nossa Região


Por José Montalvão  

A gestão ambiental e o ordenamento urbano de um município exigem dos seus secretários e diretores uma postura de vigilância constante e aplicação rigorosa da lei. Diante de rumores ou tentativas de ocupação irregular de solo, o alerta precisa ser ligado: é estritamente proibido construir ou operar cemitérios clandestinos. A implantação de qualquer área destinada a sepultamentos não é uma decisão que pode ser tomada à revelia das autoridades; ela exige rigorosas licenças ambientais, zoneamento urbano adequado e a devida outorga de permissão do poder público. A inobservância dessas regras vai muito além da irregularidade administrativa: configura crime ambiental e grave infração contra a saúde pública.

O Secretário Municipal do Meio Ambiente e os órgãos de fiscalização têm o dever legal de agir preventivamente para impedir que o solo e a saúde da nossa população sejam colocados em risco por empreendimentos improvisados ou sem respaldo técnico.

O Rigor da Lei: As Diretrizes que Não Podem Ser Ignoradas

A construção e a operação de um cemitério exigem o cumprimento de um rito legal complexo e detalhado, estabelecido para proteger a coletividade e os recursos naturais. As principais diretrizes envolvem:

  • Licenciamento Ambiental Rigoroso: Em nível nacional, a Resolução CONAMA 335/2003 e suas atualizações determinam a obrigatoriedade de emissão de três fases de licenciamento: Licença Prévia (LP), Licença de Instalação (LI) e Licença de Operação (LO). Qualquer sepultamento realizado sem essas certidões é ilegal.

  • Estudos de Viabilidade Técnica: Antes de qualquer intervenção no terreno, é obrigatório providenciar estudos topográficos e sondagens mecânicas. O solo deve ser geologicamente adequado para evitar o maior perigo ambiental desse tipo de atividade: a contaminação do lençol freático e de corpos d’água pelo necrochorume (líquido liberado no processo de decomposição).

  • Proibições de Localização Secas e Claras: A legislação veda terminantemente a instalação de cemitérios em Áreas de Preservação Permanente (APPs), terrenos cársticos (com presença de cavernas e rios subterrâneos) ou em locais que exijam a supressão de vegetação nativa protegida.

  • Autorização e Concessão Municipal: Mesmo que se trate de um empreendimento de caráter privado, ninguém pode abrir um cemitério sem obter a concessão ou permissão formal do município, respeitando rigorosamente o Plano Diretor e a Lei de Uso e Ocupação do Solo da cidade.

O Perigo Invisível para a Saúde Pública

Tratar a questão dos sepultamentos com desleixo ou permitir a clandestinidade é brincar com a saúde do povo. Um cemitério instalado sem estudo geológico pode contaminar os poços artesianos e os mananciais que abastecem as nossas comunidades rurais e urbanas, propagando doenças e destruindo a qualidade da nossa água.

O papel da Secretaria do Meio Ambiente é ser a barreira técnica que impede esses abusos. A fiscalização deve ser ativa, vistoriando terrenos, embargando obras suspeitas e exigindo que qualquer projeto passe pelo crivo dos órgãos competentes.

Conclusão: Ordem e Respeito às Leis Ambientais

Nossa região está crescendo e se modernizando, e esse crescimento precisa caminhar lado a lado com a legalidade. Não podemos admitir o retrocesso de ver espaços de sepultamento surgindo à margem da lei, sem fiscalização e sem o devido respeito ao meio ambiente.

Cobramos publicamente das autoridades ambientais do município uma postura firme e enérgica. Que a fiscalização atue de forma implacável contra qualquer tentativa de burlar as resoluções do CONAMA e as leis municipais. O meio ambiente agradece, e a saúde da nossa população do campo e da cidade permanece protegida.

Blog de Dede Montalvão: Defendendo a legalidade administrativa, a preservação do meio ambiente e a saúde pública do nosso povo.

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025

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