Justiça Federal determina abertura de inquérito contra prefeito de Cipó por fraude em dados escolares
Justiça Federal determina abertura de inquérito contra prefeito de Cipó por fraude em dados escolares
A Justiça Federal, por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), determinou na segunda-feira (9) a abertura de um inquérito policial para investigar o prefeito de Cipó, no nordeste do estado, José Marques dos Reis (PSD), por 90 dias; ele é acusado de fraudes em dados educacionais e uso irregular de verbas públicas. Meta descrição: TRF1 abre inquérito para investigar fraude no censo escolar e uso irregular de verbas públicas.
A decisão aponta irregularidades entre 2020 e 2024, envolvendo a inserção de informações falsas no censo escolar enviado ao Ministério da Educação (MEC). Em tese, a conduta configuraria os crimes de inserção de dados falsos e emprego irregular de rendas públicas, com impacto sobre o repasse de recursos federais destinados à educação no município.
A medida teve respaldo do Ministério Público Federal (MPF). O desembargador César Jatahy acolheu o parecer da Procuradoria Regional da República, que ratificou a competência do TRF1 e a instauração imediata do inquérito para apurar os fatos. Para fortalecer a investigação, o magistrado determinou o envio de ofícios ao TCU, ao Inep e à CGU para identificar processos correlatos e consolidar as provas.
A decisão destaca a importância de apurar irregularidades que afetam a educação e o uso de recursos federais. Com isso, busca-se assegurar a eficácia da investigação e a transparência na gestão de verbas públicas na região.
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Blog Cláudio Nunes: a serviço da verdade e da justiça “O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo.
E o jornalista Adiberto de Souza, ontem, 12, aqui na Infonet escreveu um texto que este jornalista pede permissão para não só republicar, mas assinar embaixo.
Com o título “Quem é Rodrigo Valadares na fila do pão?”, Adiberto puxa da memória lúcida e verdadeira a trajetória do malfadado político que foi eleito deputado estadual como Lulista de carteirinha, na última eleição resolveu “pungar” no bolsonarismo e hoje é um oportunista golpista de carteirinha.
O texto de Adiberto:
Quem é Rodrigo Valadares na fila do pão? Feita em 2020 pela delegada de polícia Danielle Garcia (MDB), essa pergunta poderá ser repetida, agora em 2026, pelos adversários do deputado federal bolsonarista. Quem o ouve mirando em todas as direções imagina que Rodrigo é favorito na disputa para o Senado. Não é! A trajetória eleitoral do distinto o exibe bem atrás na fila dos vencedores. Nas eleições para deputado estadual de 2018, ele ficou na rabeira dos eleitos, com 15.221 votos, à frente apenas de Samuel Carvalho (MDB) e bem atras de Talysson de Valmir (PL), votado por 42.046 eleitores. Em 2020, Rodrigo se candidatou a prefeito de Aracaju, porém teve minguados 28.598 votos, praticamente a metade dos 55.973 de Danielle Garcia, e bem menos do que os 119.681 sufrágios dados no 1º turno a Edvaldo Nogueira (PDT). Em 2022, o falastrão também figurou entre os últimos eleitos para a Câmara Federal com 49.696 votos, infimamente menos do que a sua colega de partido Yandra Moura (União), votada por 131.471 sergipanos. Usando como muleta a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) a presidente, o tagarela Rodrigo voltou a atirar pra todos os lados. Alguém precisa alertá-lo que para se eleger não basta apenas o apoio de um presidenciável. Ademais, se continuar perdendo tempo imitando uma metralhadora giratória, o dito cujo corre o risco de quando chegar no balcão da padaria não ter mais pão, obrigando-o a voltar pra casa de mãos abanando. Marminino!
Semáforo que a SMTT está implantando na Avenida Beira Mar com Av. Paulo Silva ao lado do posto Petrox em frente ao Parque dos Cajueiros: vereador apresenta requerimentos com questionamentos Um caos será instalado antes da Ponte do Poxim e de nada adiantará a obra do complexo viário que o governo do Estado está realizando para que o trânsito tenha fluidez na antiga Beira Mar. Tudo porque a SMTT está instalando um semáforo antes da ponte, ao lado do posto Petrox em frente ao Parque dos Cajueiros – Av. Paulo Silva com Beira Mar – apenas para agradar alguns felizardos de um condomínio de autoridades e políticos. O MPSE pediu esclarecimentos a SMTT, mas o blog ainda como está a situação desta fiscalização.
Requerimento O blog foi informado que o vereador Milton Dantas, apresentou requerimento pedindo esclarecimentos a SMTT do referido semáforo e se o mesmo está sendo colocado de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro.
Questionamentos Qual a justificativa para a implantação do semáforo no local; quais problemas de trânsito ou de segurança viária motivaram a instalação do equipamento; Se foi realizado estudo de engenharia de tráfego previamente à instalação do semáforo; Se foram analisados dados de acidentes de trânsito registrados no local antes da implantação; caso tenha sido realizado estudo de engenharia de tráfego, que seja, encaminhada cópia a CMA; Se o estudo considerou o volume médio diário de tráfego, o tempo de espera, os conflitos de movimento veicular ou a travessia de pedestres; se foram avaliadas outras medidas de engenharia de tráfego antes da decisão pela instalação do semáforo e Quais foram os motivos para o eventual descarte de outras alternativas.
Valor e empresa responsável O vereador ainda pede no requerimento qual foi o custo total da implantação do semáforo e qual empresa executou o serviço e forneceu os equipamentos, bem como a modalidade de contratação utilizada.
Obras Durante a realização dos programas ‘Sergipe é aqui’ e ‘Governo do Brasil na Rua’, o governador Fábio Mitidieri anunciou mais de R$ 30 milhões em investimentos em infraestrutura para São Cristóvão. As medidas incluem a reestruturação da Rodovia João Bebe Água (SE-065), entre a Universidade Federal de Sergipe (UFS) e o bairro Eduardo Gomes, com aporte de R$ 22,5 milhões, além da autorização de licitação para duplicação de cerca de 2,2 km da via, no trecho entre o Condomínio Recanto das Árvores e o acesso ao campus da UFS, estimada em R$ 8,1 milhões. O anúncio ocorreu com a presença dos ministros Guilherme Boulos e Wellington Dias, que acompanharam também a execução dos programas com atendimentos à população.
Trator novo O município de Amparo de São Francisco foi contemplado, nesta quinta-feira (11), com um trator novo, que vai potencializar os serviços da cidade e melhorar a vida do povo amparense. A máquina chega graças à uma emenda parlamentar da deputada federal Yandra Moura, que recebeu a gratidão do prefeito do município, Marcos Sandes. “Quero agradecer a deputada Yandra Moura por esse importante gesto com Amparo de São Francisco e com o nosso povo. Seguimos juntos, trabalhando para garantir mais investimentos e melhorias para Amparo”, garantiu o prefeito.
R$ 35 milhões Nesta sexta-feira, 13, o governador Fábio Mitidieri estará em Estância para autorizar novas obras estruturantes no município. As ações somam mais de R$ 35 milhões em investimentos voltados à infraestrutura urbana, mobilidade e esporte, incluindo a construção de um ginásio poliesportivo e obras de urbanização em ruas do Conjunto Santo Antônio e do Povoado Porto do Mato, ampliando a qualidade de vida da população e impulsionando o desenvolvimento da região.
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A obra integra um complexo viário estratégico e representa o maior investimento já realizado em uma obra urbana no estado
(Foto: Reinaldo Moura)
O governador Fábio Mitidieri assinou, nesta quinta-feira, 12, o contrato com o consórcio vencedor responsável pela construção da nova ponte sobre o Rio Sergipe, que ligará Aracaju ao município de Barra dos Coqueiros. A obra integra um complexo viário estratégico e representa o maior investimento já realizado em uma obra urbana no estado.
O contrato foi firmado com o Consórcio Coqueiros Aracaju, formado pelas empresas Construbase Engenharia Ltda, Construtora Cidade Ltda, Paulitec Construções Ltda e Heca Construtora Ltda. A proposta vencedora tem valor global de R$ 838.375.230,55, incluindo a elaboração dos projetos e a execução completa da obra.
Durante o ato de assinatura, o governador destacou o simbolismo do momento para a infraestrutura e para o desenvolvimento do estado. “É um dia histórico na nossa gestão. Acabamos de assinar o contrato da nova ponte Aracaju-Barra e de todo o seu complexo viário. As quatro empresas que compõem o consórcio vão transformar esse sonho do povo sergipano, principalmente do aracajuano e do barra-coqueirense, em realidade. Hoje é dia de comemorar, é um dia inesquecível”, afirmou.
Fábio Mitidieri ressaltou, ainda, que a obra marca o início de uma nova etapa do projeto, que, em breve, terá a emissão da ordem de serviço. “A expectativa é que possamos dar a ordem de serviço de forma festiva, inclusive com a presença do presidente Lula. Nos próximos meses, teremos montagem de canteiros e contratação de pessoal”, acrescentou.
Geração de empregos
Além do impacto na mobilidade urbana e no desenvolvimento regional, a obra também deve gerar empregos diretos e indiretos ao longo de sua execução.
Segundo o governador, a estimativa é de que cerca de 500 empregos diretos sejam criados durante a fase de construção, além de diversas vagas indiretas ligadas à cadeia produtiva da obra. “É uma obra que movimenta a economia, gera oportunidades e transforma a realidade da nossa região”, destacou.
Processo
A licitação foi conduzida pelo Governo do Estado por meio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano e Infraestrutura de Sergipe (Sedurbi), utilizando o critério de julgamento técnica e preço, que considera não apenas o valor da proposta, mas, também, a experiência, capacidade operacional e desempenho técnico das empresas participantes.
O secretário da Sedurbi, Luiz Roberto Dantas, destacou que o projeto é resultado de um planejamento iniciado ainda em 2023. “É um investimento de R$ 838 milhões com construtoras que estão há mais de 50 anos no mercado e têm ampla experiência na construção de pontes estaiadas. Esse processo começou em 2023 com os estudos de viabilidade técnica e econômica, passou pelo anteprojeto, pelas apresentações e chegou agora à assinatura do contrato e, em breve, à ordem de serviço”, explicou.
A nova ponte foi definida como prioridade estratégica do governo, em 2023. No ano seguinte, 2024, foram realizados o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) e o desenvolvimento do anteprojeto. Já em 2025, foram concluídos o Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima) e realizadas audiências públicas para apresentação do projeto à sociedade.
O edital da concorrência foi lançado no segundo semestre de 2025. Após a análise das propostas técnicas e comerciais e o encerramento da fase recursal, o resultado foi homologado e publicado no Diário Oficial do Estado em 4 de março de 2026.
Tecnologia e execução da obra
O contrato segue o modelo de contratação integrada, no qual o consórcio será responsável pela elaboração do projeto básico e executivo, além da execução completa da obra e dos acessos viários.
O empreendimento utilizará a metodologia Building Information Modeling, tecnologia que permite modelagem digital integrada, maior precisão no planejamento, compatibilização de projetos e melhor controle de custos e prazos.
Segundo o representante do consórcio construtor, Marcelo Yassuo Sunemi, a obra será conduzida com foco em sustentabilidade e segurança. “É uma obra importante para o estado e para as quatro empresas que compõem o consórcio. A missão que recebemos hoje será encarada com a maior responsabilidade para entregar uma obra rápida, sustentável, com arquitetura moderna e muito segura. Nosso compromisso é respeitar o meio ambiente e manter a população sempre informada durante todo o processo”, afirmou.
Ele explicou, ainda, que a execução deve durar entre três e quatro anos e que haverá diálogo constante com a comunidade para minimizar impactos durante o período de obras.
Entre as empresas integrantes do consórcio está a construtora sergipana Heca, representada por Carlos Alberto Menezes Ludovice, que destacou o orgulho de participar do projeto. “Estou muito confiante e muito feliz de participar da maior obra da história de Sergipe. É motivo de orgulho para uma empresa sergipana fazer parte de um projeto dessa dimensão”, declarou.
Com a assinatura do contrato e a futura emissão da ordem de serviço, começam os procedimentos para elaboração dos projetos executivos, mobilização das equipes e implantação do canteiro de obras.
A nova ponte integrará um complexo viário que ampliará a capacidade de ligação entre Aracaju e Barra dos Coqueiros, melhorando a mobilidade urbana, fortalecendo a integração metropolitana e impulsionando o desenvolvimento econômico da região.
Fonte: ASN
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CPI do INSS apura se há relação entre essa negociação e a entrada do PicPay no governo do DF; intermediário diz que desconhecia comprador, filho de Ibaneis afirma que usou recursos dos pais e executivo da J&F ressalta que não vendeu a Caio Barros
Corregedoria do MPF orienta procuradores a não curtirem nem compartilharem conteúdos políticos
Norma de 2026 inclui grupos de WhatsApp e Telegram e abrange interações indiretas em redes sociais
Por Pedro Penteado/Estadão
12/03/2026 às 20:35
Foto: Antonio Augusto/MPF
Ministério Público Federal
A Corregedoria do Ministério Público Federal (MPF) publicou, em 3 de março, recomendação que orienta os membros da instituição a se abster de praticar atividade político-partidária nas redes sociais.
O documento foi expedido pelo corregedor-geral Elton Ghersel e entrou em vigor em ano eleitoral, a poucos meses do início das campanhas para presidente e governadores.
A norma substitui uma versão de 2022 e amplia consideravelmente o alcance das orientações.
Passa a incluir regras explícitas para grupos de WhatsApp e Telegram e deixa claro que até interações rápidas, como um “like” em publicação político-partidária, podem ser consideradas conduta vedada.
A lógica da Corregedoria é que qualquer manifestação nas redes pode ser associada à instituição em razão da função pública exercida pelo membro.
A recomendação pede que os procuradores ajam com “reserva, discrição e autocontenção” em suas manifestações públicas e se abstenham de emitir opiniões que configurem apoio ou oposição a candidaturas, partidos ou projetos políticos a eles associados.
O texto define “manifestação pública” de forma ampla: qualquer conteúdo que possa alcançar número indeterminado de pessoas, em ambiente físico ou virtual. Grupos de mensagens com colegas de trabalho se enquadram nessa definição. A exceção fica por conta de grupos formados exclusivamente por familiares ou amigos próximos.
Entre as vedações, a norma orienta os membros a não criarem nem difundirem conteúdo falso ou manipulado contra o processo eleitoral. Isso inclui fake news, deepfakes e o uso de inteligência artificial para distorcer informações de relevância eleitoral — novidade em relação à versão de 2022.
Participar de eventos com caráter de campanha ou de promoção de candidatos e pré-candidatos também é desaconselhado. O e-mail institucional, segundo o texto, deve se restringir a atividades funcionais.
A recomendação também orienta que as manifestações públicas dos procuradores “exponham com clareza os fatos relevantes”, sem omissões deliberadas, “falseamento ou ocultação da verdade”, e que se circunscrevam ao campo das ideias, “livres de insinuações ou afirmações com duplo sentido”.
Críticas não fundamentadas ao sistema eletrônico de votação são expressamente desaconselhadas.
O documento delimita, no entanto, o que não configura atividade político-partidária. É permitida a defesa de valores constitucionais, do regime democrático e dos interesses sociais indisponíveis, desde que sem personalismo político.
Também é permitido apoiar ou criticar ideias, projetos e medidas legislativas ou de governo, desde que sem ofensas pessoais a candidatos, líderes políticos ou partidos.
A recomendação esclarece ainda que a liberdade de cátedra — o direito de se manifestar sobre teses e ideias jurídicas — não afasta a vedação ao engajamento político-partidário.
A norma se apoia na Resolução TSE 23.732/2024, que regula o uso de inteligência artificial no processo eleitoral, nas Dez Orientações de Conduta do TSE para as Eleições 2026 e no Código de Ética do Ministério Público brasileiro.
A recomendação tem caráter orientador, não punitivo, mas o descumprimento pode fundamentar procedimentos disciplinares na própria Corregedoria.
Defesa de Zettel diz que não teve acesso ao documento
Victoria Azevedo, Eduardo Gonçalves, Dimitrius Dantas e Sarah Teófilo O Globo
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que o empresário Fabiano Zettel movimentou em sete meses R$ 99,2 milhões, montante “incompatível com a capacidade financeira”. O volume representa, em média, R$ 14,1 milhões em transações a cada 30 dias, valor mais de duzentas vezes superior à renda de R$ 66 mil mensais declarada por ele.
As informações do Relatório de Inteligência Financeira, a que O Globo teve acesso, revelam ainda a transferência de R$ 1,5 milhão ao irmão de um servidor do Banco Central que atuava na fiscalização do Banco Master, que pertence a Daniel Vorcaro, cunhado de Zettel.
RECURSOS DE TERCEIROS – O relatório mapeou R$ 49,9 milhões que entraram na conta e R$ 49,3 milhões em débitos entre junho de 2021 e janeiro de 2022. O órgão afirma ainda que o perfil da movimentação indica que a conta “aparentemente” foi usada para o “trânsito de recursos de terceiros”. O mecanismo reforça, segundo investigadores, a suspeita sobre a atuação de Zettel como operador financeiro de Vorcaro. A defesa do empresário disse que não vai se manifestar porque não teve acesso ao documento.
“As movimentações em conta estão incompatíveis com a capacidade financeira declarada, bem como a conta aparentemente está sendo utilizada para o trânsito de recursos de terceiros (…) Há transferências eletrônicas de mesma titularidade que entram e saem da conta, incomuns com o perfil de pessoa física, dificultando a identificação da origem e destinação de parte dos recursos, bem como, recebimento de recursos com envio imediato, de valores expressivos, sem causa aparente”, diz o relatório do Coaf.
Zettel e Vorcaro estão presos preventivamente desde a semana passada por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. O magistrado destacou no despacho que o empresário atuava na “intermediação e operacionalização de pagamentos” da organização criminosa, “participando da definição de mecanismos destinados a viabilizar transferências financeiras e a estruturar instrumentos contratuais utilizados para justificar tais repasses”. A defesa do dono do Banco Master nega irregularidades e diz que ele sempre colaborou com a Justiça.
REPASSES – O órgão de inteligência financeira detalhou duas transferências de Zettel, totalizando R$ 1,5 milhão, para o empresário Luis Roberto Neves — uma de R$ 750 mil em 18 de dezembro de 2021 e outra de R$ 750 mil em 18 de janeiro de 2022.
Ele é irmão do ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Paulo Sergio Neves de Souza, que foi alvo de mandados de busca e apreensão na semana passada, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A área era uma das responsáveis por monitorar as atividades do Master. O servidor foi afastado e está impedido de frequentar a sede do BC.
Segundo a decisão de Mendonça, Paulo Sergio Neves de Souza é suspeito de atuar como um “interlocutor interno dos interesses” do Banco Master dentro do Banco Central, “buscando influenciar a análise de processos administrativos”. Conforme o despacho, há indícios de que o ex-diretor tenha recebido “vantagens indevidas associadas aos interesses defendidos junto à instituição financeira investigada”.
INDÍCIOS – No dia da operação, o Banco Central informou que havia identificado “indícios de percepção de vantagens indevidas”, o que levou ao afastamento do servidor antes mesmo da decisão judicial. Procurado novamente, o BC não se manifestou. As defesas de Paulo Sergio Neves de Souza e do irmão não se manifestaram.
O ex-diretor do BC também vendeu por R$ 3 milhões uma propriedade rural em Minas Gerais à empresa Pipe Participações, que tem Zettel como sócio, como mostrou o jornal “Valor Econômico”. O irmão do servidor administra uma empresa que é sócia da Pipe.
COMPRA DE RESORT – As transações mapeadas na conta bancária coincidem com o período em que Zettel comprou a participação da empresa do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), em um resort no Paraná. O relatório mostra que o empresário transferiu ao todo R$ 25,6 milhões divididos em onze repasses para o fundo Leal, do qual era cotista e estava sob gestão da Reag, também suspeita de fraudes. O Leal, por sua vez, é o único cotista do fundo Arleen, responsável pela compra da participação de Toffoli no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR). De acordo com o jornal “O Estado de S. Paulo”, a operação custou R$ 20 milhões.
Documentos da Junta Comercial do Paraná mostram que o Arleen virou sócio do empreendimento em 27 de setembro de 2021, data próxima aos quatro repasses de Zettel ao fundo Leal detalhados pelo Coaf: 20 de julho de 2021, 29 de julho de 2021, 20 de setembro de 2021 e 3 de novembro de 2021.
VALOR DE MERCADO – Em nota divulgada quando o caso veio à tona, Toffoli informou que a Maridt, empresa da qual é sócio, vendeu a sua parte no grupo Tayayá ao fundo Arleen “a valor de mercado”. No texto, o ministro declarou que “jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel” e que a venda da empresa ao fundo Arleen ocorreu, de fato, em setembro de 2021.
Toffoli deixou a relatoria do caso Master no Supremo após a revelação de um relatório da Polícia Federal que citava mensagens de Vorcaro e Zettel discutindo pagamentos à empresa do ministro do STF. Após uma reunião entre os 11 integrantes da Corte, houve um novo sorteio, e Mendonça foi escolhido.
OUTRAS TRANSFERÊNCIAS – O relatório destaca ainda um repasse de R$ 1,5 milhão para a empresa Super Empreendimentos, da qual Zettel era diretor e que é apontada como peça-chave no suposto esquema de fraudes financeiras; R$ 1 milhão para um piloto de avião com quem Vorcaro mantinha contato frequente; e R$ 763 mil para uma loja de joias localizada na rua Oscar Freire, uma das mais nobres de São Paulo.
Essas transferências entraram na mira do Coaf por se enquadrarem em critérios definidos em lei por suspeita de movimentações atípicas ou incompatíveis do cliente, caso em que o órgão atua na prevenção. Quando isso é identificado, é elaborado um Relatório de Inteligência Financeira. O documento não aponta se há crime cometido, mas é distribuído para as autoridades responsáveis por investigar e colher mais elementos.