quarta-feira, setembro 02, 2026

Ex-dono da Reag fecha acordo de delação premiada com a PGR com foco em Vorcaro

 

Ex-dono da Reag fecha acordo de delação premiada com a PGR com foco em Vorcaro

Colaboração de João Carlos Mansur, que não teve a participação da PF, será analisada por André Mendonça para possível homologação

Por José Marques/Constança Rezende

02/09/2026 às 19:45

Foto: Carlos Magela/Agência Senado/Arquivo

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O empresário João Carlos Mansur

Um dos alvos das investigações relacionadas ao Banco Master e ex-dono da gestora de fundos Reag, o empresário João Carlos Mansur assinou um acordo de delação premiada com a PGR (Procuradoria-Geral da República).

A colaboração, que não teve a participação da PF (Polícia Federal), foi enviada ao gabinete do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal). Ele irá analisar se homologa ou não o acordo.

A informação foi revelada, nesta quarta-feira (2), pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha de São Paulo. Mendonça ainda deverá fazer uma audiência para confirmar se a delação foi feita de forma espontânea. Procurada pela reportagem por telefonema e WhatsApp por volta das 14h, a defesa do empresário ainda não se pronunciou.

Mansur chegou a assinar um termo de confidencialidade com a PF, o que seria o primeiro passo antes da entrega dos documentos e eventuais provas dos crimes, mas as conversas não prosperaram com o órgão.

O empresário entregou 17 anexos com informações à PGR com foco no ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, e citou políticos como o senador Jaques Wagner (PT) e o ex-prefeito e candidato ao Governo da Bahia ACM Neto (União Brasil).

Para a homologação de um acordo, é preciso que a pessoa admita crimes e apresente provas que corroborem a narrativa apresentada aos investigadores.

Em janeiro, Mansur foi um dos alvos da segunda fase da operação Compliance Zero, que apurou a atuação de fundos de investimentos que teriam sido usados para inflar o patrimônio do Master.

Logo depois da ação, o Banco Central decretou a liquidação da Reag por "comprometimento da situação econômico-financeira da corretora, bem como por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN [sistema financeiro nacional]".

Ainda em 2024, fundos da Reag foram usados para aumento de capital do BRB (Banco de Brasília). As operações foram consideradas suspeitas pela PF. A Reag também é citada na operação Carbono Oculto por suspeita de lavagem de dinheiro com o crime organizado.

Em diversas ocasiões anteriores, Mansur negou que houvesse irregularidades no funcionamento da Reag e, em depoimento para a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado do Senado, ele disse que a empresa tinha um compliance forte e foi penalizada por ser "grande e independente".

O patrimônio declarado do empresário duplicou em um ano e chegou a R$ 1,49 bilhão em 2024, como mostram as declarações de Imposto de Renda do empresário, que teve o sigilo fiscal quebrado pela comissão.

Em 2023, os bens declarados à Receita Federal somavam R$ 748,7 milhões. Um ano depois, esse valor dobrou, principalmente em razão da evolução de ações em uma empresa chamada Lurix Participações.

Mansur declarou ao Fisco que, em 2023, tinha R$ 696,8 milhões em ações na Lurix, cuja principal atividade econômica é atuar como holding de instituições financeiras. Em 2024, essas ações declaradas somavam R$ 1,46 bilhão.

A Reag também foi alvo da operação Carbono Oculto, deflagrada no ano passado, que investiga a ação do PCC (Primeiro Comando da Capital) em negócios da economia formal. Na época, a gestora disse que diversos fundos de investimentos mencionados na operação nunca estiveram sob sua administração ou gestão.

"Quanto aos fundos de investimento apurados em que a empresa atuou como prestadora de serviço, informa que agiu de forma regular e diligente. Cumpre registrar que tais fundos foram, há meses, objeto de renúncia ou liquidação. Reforça, ainda, que não possui nem nunca possuiu qualquer envolvimento com as atividades econômicas ou empresariais conduzidas por esses clientes", disse.

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Por Gabriela Cecchin e Cristiane Gercina, Folhapress

02/09/2026 às 16:08

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

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Matéria ainda precisa passar pelo plenário da Casa em dois turnos

A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado aprovou nesta quarta-feira (2) o relatório da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que reduz a jornada de trabalho e acaba com a escala 6x1.

A votação foi simbólica, sem contagem individual dos votos. Quatro senadores, no entanto, se posicionaram contra a proposta e pediram que a manifestação fosse registrada: Rogério Marinho (PL-RN), Jaime Bagattoli (PL-RO), Tereza Cristina (PP-MS) e Hamilton Mourão (Republicanos-RS).

Os outros 23 senadores presentes apoiaram a aprovação do relatório do senador Omar Aziz (PSD-AM), que manteve integralmente o texto aprovado pela Câmara dos Deputados em maio.

Quem se posicionou contra a PEC

  • Rogério Marinho (PL-RN)
  • Jaime Bagattoli (PL-RO)
  • Tereza Cristina (PP-MS)
  • Hamilton Mourão (Republicanos-RS)

Quem se posicionou pela proposta

  • Eduardo Braga (MDB-AM)
  • Renan Calheiros (MDB-AL)
  • Jader Barbalho (MDB-PA)
  • Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB)
  • Soraya Thronicke (PSB-MS)
  • Professora Dorinha Seabra (União-TO)
  • Styvenson Valentim (Podemos-RN)
  • Oriovisto Guimarães (PSDB-PR)
  • Jayme Campos (União-MT)
  • Jorge Seif (PL-SC)
  • Magno Malta (PL-ES)
  • Dr. Hiran (PP-RR)
  • Laércio Oliveira (PP-SE)
  • Otto Alencar (PSD-BA)
  • Omar Aziz (PSD-AM)
  • Eliziane Gama (PSD-MA)
  • Vanderlan Cardoso (PSD-GO)
  • Rodrigo Pacheco (PSB-MG)
  • Lourdinha Pereira (PSB-MA)
  • Rogério Carvalho (PT-SE)
  • Fabiano Contarato (PT-ES)
  • Camilo Santana (PT-CE)
  • Weverton Rocha (PDT-MA)

COMO FOI A VOTAÇÃO

A aprovação ocorreu depois de mais de quatro horas e meia de debates na CCJ. A oposição havia pedido vista do relatório de Omar Aziz (PSD-AM), o que levou à suspensão da sessão.

O presidente da comissão, Otto Alencar (PSD-BA), determinou um intervalo de uma hora antes da retomada da análise. A votação do texto principal só ocorreu depois das 15h.

Durante a discussão, Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, criticou a proposta e afirmou que a redução da jornada poderia provocar aumento de custos, inflação, desemprego e informalidade. Ele também tentou retirar da pauta o relatório de Aziz para dar prioridade a uma PEC de sua autoria, que cria um regime alternativo à CLT e permite a contratação por hora.

Aziz rejeitou as 36 emendas apresentadas ao texto e manteve integralmente a versão aprovada pela Câmara dos Deputados em maio.

A PEC prevê a redução da jornada semanal de 44 para 42 horas nos primeiros 60 dias após a promulgação e, 12 meses depois, para 40 horas. A mudança não poderá resultar em redução salarial e estabelece duas folgas semanais, sendo uma delas preferencialmente aos domingos.

Agora, o texto ainda precisa ser analisado pelo plenário do Senado, em dois turnos. São necessários 49 votos dos 81 senadores para a aprovação.

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