quarta-feira, agosto 05, 2026

PT usa Fundo Partidário para pagar “salário” a Lula e até o aluguel dele

Publicado em 5 de agosto de 2026 por Tribuna da Internet

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Charge reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

A política brasileira tem a característica de ter grande número de partidos que têm “donos”. Ou seja, não pertencem a seus filiados e suas eleições internas se transformam em ações entre amigos, digamos assim, porque isso é absolutamente verdadeiro.

Os donatários dessas capitanias, em muitos casos, sequer estão dedicados diretamente à política, porque nem se interessam em conquistar mandatos eletivos – o único intuito deles é dominar os partidos e suas contas bancários.

OS CHEFÕES – Os mais conhecidos controladores de partidos são os ex-deputados Valdemar Costa Neto, do PL, Gilberto Kassab, do PSD, e Antonio Rueda, do União, que mesmo sem ter mandato conseguiu destituir o fundador do partido Luciano Bivar. O presidente Lula também é “dono” do PT, que lhe paga salário e até aluguel, mas não tem ingerência na contabilidade do partido.

Em 2025, os proprietários dos 19 maiores partidos receberam mais de R$ 1.3 bilhão do Fundo Partidário e multas eleitorais, e esses recursos que são geridos aleatoriamente por seus presidentes. Fazem o que bem entendem com o dinheiro, a fiscalização que deveria ser feita pela Justiça Eleitoral é ridícula, verdadeiramente não funciona.

O ex-presidiário Valdemar Costa Neto recebeu R$ 209 milhões para gerir seu partido e contratou o casal Jair e Michelle Bolsonaro para “trabalhar” no PL, ganhando R$ 45 mil mensais, cada um.

LULA, TAMBÉM – O casal Bolsonaro não está sozinho na exploração de recursos públicos. Lula é presidente de honra do PT e recebe um salário de R$ 23 mil. Os pagamentos ao petista foram suspensos durante sua prisão, mas retomados em desde 2020.

Além do salário como presidente de honra, o também ex-presidiário Lula recebe mensalmente R$ 9 mil para pagar o aluguel da casa onde mora com Janja desde 2021.

Segundo levantamento da CNN, desde janeiro de 2020, o PT pagou cerca de R$ 1 milhão em salários e adicionais a Lula, em despesas consideradas “normais” pelo TSE, vejam o grau de esculhambação a que chegamos.

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P.S. – O PV também tem dono. É seu atual presidente, o deputado paulista José Luiz Penna. Desde 1999 ele comanda o partido.  Nos primeiros anos de mandato, Penna e os demais dirigentes meteram a mão nos cofres do partido e eu escrevi uma série de reportagens na Tribuna da Imprensa. A Diretoria Jurídica do PV me processou, exigindo indenização, respondi anexando provas cabais, porque o PV paga até aluguel, luz, gás e telefone da casa onde Penna morava. O PV deveria ser um dos maiores partidos do país, mas está cada vez mais exaurido. É lamentável. (C.N.)


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William Waack
Estadão

Alguns dos principais partidos políticos no Brasil consagraram a abordagem “tanto faz” para as eleições presidenciais. Tanto faz, pois consideram que saem ganhando não importa o candidato. Não, não é mais o famoso “toma lá, dá cá”.

Esse “vamos ganhar de qualquer jeito” não precisa aguardar o segundo turno. As maiores agremiações que declararam neutralidade − juntas têm 40% da Câmara − só pensam em aumentar bancadas na Câmara e no Senado. E encontraram um jeito de evitar “queimar” em campanha presidencial eventualmente perdedora os preciosos recursos dos fundos partidário e eleitoral.

ALTA POLARIZAÇÃO – Diante da “alta polarização”, diz por exemplo Baleia Rossi, presidente do MDB, simplesmente o melhor é ficar neutro. E cada diretório regional apoia quem quiser. Até quem tem candidato próprio, como o PSD, se comporta assim. Dependendo do lugar, vai de Lula. Ou de Caiado, ou de Flavio – nessa estratégia, tanto faz.

Esse é o estado da arte da geringonça ideológica brasileira. Resultado também do fato de o Brasil não dispor de partidos que mereçam esse nome, algo exaustivamente ressaltado por cientistas políticos.

É um fenômeno de longa data, mas ganhou proporções ainda maiores com a distorção na relação entre os poderes.

PRESIDENTE FRACO? – As emendas parlamentares fizeram o Legislativo avançar sobre prerrogativas do Executivo. Os problemas que isso causa para políticas públicas é assunto fartamente abordado, mas aqui o foco é outro.

Se os caciques partidários acham que qualquer presidente é fraco, e muito poderoso o conjunto de parlamentares abastecidos com verbas polpudas, ainda por cima consolidando oligarquias, quem vai contrariá-los? Ora, o Supremo.

O ministro Flávio Dino tem nas mãos um petardo nuclear, que é declarar a inconstitucionalidade das emendas impositivas. E está cuidando disso. Suas ações mais recentes incluíram ir à caça dos caciques partidários.

E O PLANO? – Dino acaba agora de intimar os presidentes das duas casas legislativas e o da República a apresentar um “plano de responsabilidades” para destinação de emendas parlamentares. É o STF como guardião da governança?

Esse enfrentamento tem o potencial de criar um cenário de desobediência civil – não, evidentemente, com os atuais presidentes das casas legislativas. Como alguns integrantes do STF, Davi Alcolumbre e Hugo Motta também estão envolvidos não só em alianças políticas de oportunidade, mas com os nomes citados no noticiário do escândalo Master.

É difícil imaginar que a caneta do ministro faça as coisas voltarem ao “status quo ante”, pois os parlamentares consideram as emendas como um imutável direito adquirido, e por ele irão à luta. Tanto faz com quem?


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