sexta-feira, outubro 30, 2026

Ministros do STF defendem que Moraes paute redução de pena para soltar Bolsonaro

 

Ministros do STF defendem que Moraes paute redução de pena para soltar Bolsonaro

Lei da Dosimetria foi aprovada em dezembro por deputados e senadores, mas foi suspensa pelo magistrado

Por Mônica Bergamo/Folhapress

30/10/2026 às 17:30

Imagem de Ministros do STF defendem que Moraes paute redução de pena para soltar Bolsonaro

Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) defendem que o ministro Alexandre de Moraes paute a ação que prevê a redução da pena de Jair Bolsonaro para ser julgada o mais breve possível pelo plenário da Corte.

Caso aprovada definitivamente pelo tribunal, que analisará sua constitucionalidade, o tempo de prisão de Bolsonaro em regime fechado despencaria de sete anos para cerca de 2 anos e 3 meses, de acordo com o cálculo de juízes e advogados.

Como ele já cumpriu quase um ano da pena em regime fechado, poderia ser libertado no fim de 2027 e seguiria cumprindo pena em regime semiaberto e, depois, aberto.

Seguiria, no entanto, inelegível.

De acordo com três magistrados ouvidos pela coluna, a iniciativa do STF serviria para diminuir a tensão com o novo Senado, que a partir do próximo ano terá ampla maioria bolsonarista: pelo menos 49 parlamentares defendem claramente o impeachment de ministros do Supremo.

A aplicação de novas regras de cumprimento da pena definiria um horizonte para o fim da prisão de Bolsonaro em regime fechado e, por outro lado, esvaziaria propostas que preveem anistia para os crimes que ele cometeu.

O STF já decidiu, em votações anteriores, que crimes contra a democracia não podem ser anistiados.

A redução da pena diminuiria também a pressão sobre o STF para que rapidamente avançasse com a revisão criminal pedida por Bolsonaro. Nela, todo o processo seria revisto para a correção de eventuais ilegalidades e até mesmo anulação da condenação.

Magistrados do STF ouvidos pela coluna dizem que o tema deve ser enfrentado definitivamente já que a chamada Lei da Dosimetria (Lei 15.402/2026) foi aprovada em dezembro de 2025 pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, com aval do próprio STF.

Em abril, os parlamentares derrubaram os vetos de Lula à lei e ela poderia ter entrado em vigor, mas até hoje não foi aplicada.

Isso ocorreu porque, em maio, ela foi suspensa por Alexandre de Moraes sob o argumento de que o plenário do STF deveria julgar o mérito das ações de inconstitucionalidade que questionam a nova norma antes que ela de fato passasse a ser considerada para a redução das penas.

O ministro, no entanto, deixou o assunto até agora na gaveta. E será pressionado por ministros para dela retirá-lo, levando o tema à votação.

Politica Livre

Deputado pede investigação sobre R$ 4 milhões pagos a escritório de Flávio Bolsonaro


Pagamentos a escritório de Flávio levantam suspeitas

Bela Megale
O Globo

O deputado federal Rui Falcão (PT-SP) acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para pedir a investigação de pagamentos de R$ 4 milhões feitos, em 2025, pelo escritório Nilo & Almeida Advogados Associados à sociedade individual de advocacia de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A representação aponta suspeitas de corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

O dinheiro foi transferido em duas parcelas de R$ 2 milhões, em agosto e outubro do ano passado, sob a descrição genérica de “assessoria jurídica”. O segundo pagamento foi registrado em 21 de outubro, apenas 22 dias antes de o Senado votar a recondução do advogado Edvaldo Nilo de Almeida, sócio do escritório pagador, ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

VOTAÇÃO NO SENADO – Flávio participou da votação no Senado, em 12 de novembro, sem declarar impedimento. A indicação foi aprovada por 54 votos favoráveis, três contrários e uma abstenção. Como a votação foi secreta, o registro oficial não permite identificar o voto individual do senador. Segundo a representação, ele também participou da sabatina do advogado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

O documento destaca que os R$ 4 milhões representam cerca de 29% de todo o faturamento documentado da sociedade de advocacia do senador entre janeiro de 2023 e julho de 2026. As notas fiscais não identificam clientes ou processos, e o escritório de Edvaldo Nilo não detalhou quais serviços teriam sido prestados.

Procurado pela imprensa, o advogado afirmou que os pagamentos decorrem de um contrato firmado em abril de 2025 e se referem a serviços prestados com Flávio para clientes privados, sem envolvimento de recursos públicos. Ele, porém, não identificou os clientes nem as causas atendidas.

QUEBRA DE SIGILOS – Rui Falcão pede que a PGR solicite ao Supremo Tribunal Federal (STF) a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos e das duas sociedades, além de relatórios de inteligência financeira do Coaf. O objetivo é rastrear a origem dos recursos e verificar se os valores têm relação com pagamentos de precatórios ou com entes públicos.

A representação também solicita que sejam apurados possíveis vínculos entre os pagamentos e a participação de Flávio na votação, além de eventual conexão com uma investigação em curso no STF, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, que envolve suspeitas de lavagem de dinheiro.


A derrota de Flávio abre à direita a chance de romper com Bolsonaro


A derrota de Flávio é uma oportunidade para a direita

Joel Pinheiro da Fonseca
Folha

A derrota decisiva de Flávio cria uma oportunidade para a direita finalmente se libertar de Bolsonaro. A família e seu patriarca continuarão tendo voz, gostemos ou não —Carlos, Jair Renan e Michelle estão no Congresso, representando milhões de eleitores. Depois da segunda derrota consecutiva à Presidência, contudo, ficou claro que a opção por Flávio foi um erro.

Flávio sempre foi apagado e sobre ele pairam fortes suspeitas de corrupção. Chegou onde chegou única e exclusivamente pela unção do pai. Se o candidato tivesse sido outro, menos divisivo, menos enrolado, menos vazio, o resultado poderia ter sido outro também. A eleição não mostrou apenas a fragilidade de Flávio, mas também a falta de critério de Jair. Para ele, manter o poder na família e garantir sua soltura estão acima de qualquer outro valor. É impossível para uma direita séria se pautar por essas prioridades.

INSATISFAÇÃO – A população está revoltada com o Supremo Tribunal Federal, como mostrou o primeiro turno. Lula deve manter sua aliança com o STF. Alexandre de Moraes já se sente seguro para apreender os passaportes de Flávio. Hoje em dia, apenas a direita aponta o grave problema que o atual Supremo constitui para a democracia. Retirar os ministros corruptos e reformar o tribunal para diminuir seu poder de arbítrio é uma bandeira que pode se fortalecer se for descolada da anistia aos Bolsonaro.

A população também quer segurança, combate à corrupção, defesa da liberdade de expressão, um governo mais eficiente. No governo Lula 4 não faltará espaço para a direita, que, aliás, poderá pautar o Congresso.

E a população precisa de uma economia sustentável e dinâmica, com juros baixos e ganhos de produtividade, que não nos condene a novas recessões em nome de uma agenda de gastos irresponsável. Aqui mora o maior desafio. Hoje em dia, para se eleger presidente no Brasil, é preciso mentir sobre os fatos mais elementares da economia. A máquina de terrorismo eleitoral do PT é muito eficiente. “Se a oposição ganhar, secará o gasto social.” A população segue desinformada e acreditando em promessas vazias de gastos sempre maiores. (Flávio mentiu também, só foi menos crível.)

ECOS – Há ecos de 2014 em 2026. O país em rota de colapso fiscal. O presidente de esquerda reeleito por pouco. Dilma imediatamente revelou o estelionato eleitoral. Foi incapaz de conter os gastos e deu início a uma recessão violenta que lançou milhões de famílias na pobreza. Lula também se reelegeu gastando o que podia e o que não podia. Saberemos em breve o tamanho do estelionato.

O maior desafio da direita no Brasil é educativo: fazer com que um mínimo de honestidade sobre a economia deixe de ser kriptonita eleitoral. Será um trabalho árduo, dentro e fora da política. Não é preciso escolher um líder já. O campo se fortalece com diversas lideranças atuando de forma independente e reforçando junto à população suas bandeiras e as deficiências de uma esquerda que, não fosse Flávio, já teria sido descartada por esgotamento. A população quer mudança; só não quis Bolsonaro.

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