sexta-feira, maio 29, 2026

EDITORIAL: O Canal do São Francisco como Redenção do Rio Vaza-Barris – A Solução Depende de Vontade Política

 

EDITORIAL: O Canal do São Francisco como Redenção do Rio Vaza-Barris – A Solução Depende de Vontade Política


Por José Montalvão

O Rio Vaza-Barris é um dos cursos d'água mais emblemáticos e estrategicamente importantes para a nossa geografia regional, serpenteando por terras ricas e carregando a história do nosso povo. No entanto, quem caminha por suas margens e conhece de perto a realidade dos ribeirinhos depara-se com um paradoxo doloroso: o solo é de excelente qualidade, os terrenos são planos, bons e extremamente produtivos, mas a escassez crônica de água limita o potencial da região. Na agricultura e no semiárido, sem o líquido sagrado, não existe milagre.

Atualmente, os produtores ribeirinhos resistem bravamente. Eles conseguem produzir e abastecer mercados locais com hortaliças, frutas e culturas de subsistência, demonstrando uma vocação agrícola inata. Contudo, essa produção ainda é insuficiente, de pequena escala e operada de forma primária, justamente porque falta a segurança hídrica necessária para que o trabalhador possa planejar, investir e expandir suas plantações. Para resolver o problema do Rio Vaza-Barris de forma definitiva, só existe uma solução verdadeira: uma grande obra de infraestrutura para trazer um canal de transposição partindo do Rio São Francisco.

A Engenharia da Fartura: O "Velho Chico" Alimentando o Vaza-Barris

A ideia de interligar bacias hidrográficas não é utopia; é uma realidade técnica que já transformou outras regiões do Nordeste. Trazer um canal do Rio São Francisco para alimentar a calha do Vaza-Barris seria a redenção econômica e social de uma vasta área que abrange diversos municípios.

  • Perenização e Regularidade: O Vaza-Barris sofre severamente com os períodos de estiagem, reduzindo seu volume a filetes de água ou secando em determinados trechos. O aporte contínuo das águas do São Francisco garantiria a perenização do rio, mantendo o nível estável durante todo o ano.

  • Transformação do Modelo Agrícola: Com água garantida e em abundância, a agricultura primária e de subsistência daria lugar a polos modernos de irrigação. As terras férteis das margens responderiam imediatamente, multiplicando a produtividade, gerando empregos no campo e atraindo agroindústrias para a região.

  • Segurança Hídrica para o Povo: Além do ganho econômico na lavoura e na pecuária, o projeto asseguraria o abastecimento humano de dezenas de comunidades rurais e sedes municipais que hoje ainda dependem de poços artesianos de água salobra ou do socorro paliativo de carros-pipa.

A Barreira Não é Técnica, é a Falta de Vontade Política

Projetos dessa magnitude não saem do papel por falta de engenheiros ou por incapacidade financeira do Estado, mas sim pela ausência de vontade política. O Brasil possui recursos e tecnologia de ponta para executar canais de transposição e adutoras de grande porte. O que falta é o alinhamento de forças e o empenho real das bancadas federais, dos governadores e do governo central para colocar o Vaza-Barris na prioridade do orçamento nacional.

Muitos políticos preferem manter o ciclo das medidas paliativas — que rendem dividendos eleitorais a cada seca — a abraçar uma obra estruturante que libertará o produtor rural da dependência da chuva. É preciso que as lideranças regionais assumam o protagonismo, coloquem a técnica debaixo do braço e batam às portas dos ministérios em Brasília para exigir esse canal de integração.

Conclusão: Libertar o Potencial do Nosso Chão

O homem do campo na nossa região já provou que sabe trabalhar. Ele tira riqueza da terra mesmo sob as condições mais adversas. Dar a esse agricultor a água do Rio São Francisco é dar a ele a ferramenta definitiva de emancipação econômica.

Interligar o "Velho Chico" ao Vaza-Barris é um projeto de soberania alimentar, de fixação do homem no campo e de justiça social. Que os discursos de palanque sobre o desenvolvimento do semiárido se transformem em canteiros de obras e canais de concreto. A terra é boa, o povo tem coragem e a solução existe; falta apenas a coragem política de fazê-la acontecer.

Blog de Dede Montalvão: Defendendo o municipalismo, a segurança hídrica e o desenvolvimento real para quem trabalha a terra.

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025

Assessor de Lula sobre enquadramento de PCC e CV por EUA: ‘pretexto para intervenção inaceitável

 

Assessor de Lula sobre enquadramento de PCC e CV por EUA: ‘pretexto para intervenção inaceitável’

Celso Amorim divulgou nota criticando decisão do governo Trump de equiparar organizações criminosas brasileiras como terroristas

Por Gabriel de Sousa/Estadão

28/05/2026 às 21:45

Atualizado em 28/05/2026 às 21:55

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil/Arquivo

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O assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidência, Celso Amorim

O assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidência, Celso Amorim, reagiu em nota, nesta quinta-feira, 28, à classificação do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, por parte dos Estados Unidos. Segundo Amorim, a ação da Casa Branca não pode ser um pretexto para uma intervenção americana sobre o Brasil.

“Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socioeconômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção é inaceitável”, afirmou Amorim, em nota.

Nesta quinta-feira, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, informou que o país está designando o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A decisão vai passar a valer a partir do dia 5 de junho.

“O Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Sua influência se estende por toda a nossa região e chega ao nosso país”, escreveu Rubio no X nesta quinta-feira.

“Hoje, designei essas organizações como Organizações Terroristas Estrangeiras e como Terroristas Globais Especialmente Designados”, disse.

“O governo Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar financiamento e recursos a narcoterroristas”, concluiu Rubio.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é contrário à medida e o presidente se encontrou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no último dia 7, na intenção de desarmar essa e outras medidas americanas que impactariam o Brasil.

Na terça-feira, 26, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é candidato à Presidência como opositor de Lula, se reuniu com Trump e, segundo ele, pediu ao presidente americano a classificação do PCC e CV como organizações terroristas. A medida do Departamento de Estado ocorre dois dias após o encontro.

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Auditor do BC trocou mensagens com Vorcaro sobre compra de ativos sem garantia pelo Rioprevidência

 

Auditor do BC trocou mensagens com Vorcaro sobre compra de ativos sem garantia pelo Rioprevidência

Por Italo Nogueira e José Marques/Foolhapress

29/05/2026 às 06:58

Foto: Divulgação/Arquivo

Imagem de Auditor do BC trocou mensagens com Vorcaro sobre compra de ativos sem garantia pelo Rioprevidência

Daniel Vorcaro

Um auditor do Banco Central responsável por supervisionar bancos trocou mensagens com Daniel Vorcaro questionando o dono do Master sobre as garantias oferecidas ao Rioprevidência (Fundo Único de Previdência do Estado do Rio de Janeiro) em caso de quebra da instituição financeira.

Os diálogos, acessados pela Polícia Federal em celulares apreendidos de Vorcaro, constam em representação que fundamentou a última fase da Operação Compliance Zero, na terça-feira (26). A ação teve como principal alvo o ex-governador Cláudio Castro (PL), do Rio.

Em abril de 2025, Márcio Contador Camargo, chefe da Subunidade de Supervisão Bancária do Banco Central, enviou a Vorcaro uma reportagem da Folha que cita um depoimento de Euchério Lerner Rodrigues, ex-diretor de investimentos do Rioprevidência, ao TCE (Tribunal de Contas do Estado) do Rio de Janeiro.

A reportagem relatava que o depoimento foi dado após o fundo ter abandonado aplicações em grandes bancos para concentrar recursos em letras financeiras emitidas pelo Banco Master.

Euchério afirmou, no depoimento, que o Master possuía uma carteira de crédito consignado junto ao Rioprevidência e que, em caso de quebra do banco, o fundo previdenciário conseguiria recuperar as perdas em 23 meses com a receita proveniente dessa carteira.

Camargo questiona Vorcaro sobre a informação, e o ex-banqueiro responde ser "incorreta e imprecisa".

O funcionário do BC então pergunta: "Ou seja, não há qualquer garantia na captação da Rio Prev, correto?".

Vorcaro, então, vai em outra conversa e pergunta ao seu tesoureiro, Alberto Félix: "Lf da rioprev não tem garantia, né". Alberto responde que não.

Depois disso, o dono do Master afirma a Camargo: "Não há".

Procurado nesta quinta-feira (28) por mensagens de WhatsApp, Camargo não se manifestou. O Banco Central também foi procurado por email, mas não se posicionou até a publicação desta reportagem, assim como a defesa de Daniel Vorcaro.

As conversas são mencionadas na representação da PF e na manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) que fundamentaram a operação. Camargo não foi alvo de medidas, nem de pedidos de investigação.

Os investigadores afirmam que o Rioprevidência realizou aporte de R$ 120 milhões em letras financeiras do Banco Master em 2024. Entre 2023 e 2024, segundo a PF, o fundo comprou R$ 970 milhões em letras financeiras do Master. Esses ativos não têm cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

As mensagens trocadas por Márcio e Vorcaro ocorreram pouco depois de o BRB (Banco de Brasília) anunciar o interesse em comprar parte dos ativos do Master, em 28 de março de 2025.

Àquela altura, o banco de Daniel Vorcaro já passava por dificuldades para captar recursos no mercado e tinha compromissos a honrar nos meses seguintes relativos ao pagamento de CDBs vendidos com a promessa de remunerações elevadas. A operação de venda para o BRB foi tratada no mercado como uma saída tentada por Vorcaro para dar sobrevida ao Banco Master.

Desde o ano anterior, o Master tinha dificuldades no recolhimento de compulsórios e na rolagem de obrigações. Em 2024, Vorcaro havia assinado um compromisso que dava prazo de seis meses para a correção dos problemas.

O diálogo denota que o auditor do BC já antevia problemas para o fundo de previdência do Rio em caso de colapso do Master.

A ação da PF da última terça-feira (26) que envolveu o Rioprevidência foi um desdobramento da operação Barco de Papel, de janeiro.

A PF afirma que o volume de recursos do Rioprevidência no Master sob suspeita chega a R$ 3 bilhões, incluindo novos aportes de R$ 2,01 bilhões feitos a partir de julho de 2024 em fundos de investimentos ligados ao banco.

A decisão de Mendonça traz uma cifra ainda maior dos valores que teriam sido investidos no Master, de R$ 3,69 bilhões. O montante inclui investimentos em Letras Financeiras e em fundos de investimento associados a empresas de fachada do Master.

O Rioprevidência é uma autarquia estadual responsável por gerir o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) dos servidores públicos fluminenses.

O órgão centraliza a arrecadação das contribuições previdenciárias e administra o pagamento de aposentadorias e pensões, funcionando como a entidade jurídica que deve garantir o equilíbrio financeiro para que os benefícios dos servidores e seus dependentes sejam honrados a longo prazo.

A instituição afirmou em nota que está à disposição para prestar todos os esclarecimentos e contribuir com os órgãos de controle e a Justiça. "A atual gestão da autarquia ressalta ainda que tem adotado medidas saneadoras e que fortalecem o compliance interno e a segurança dos investimentos", completou.

Politica Livre

Crise do Master afasta Centrão de Flávio e amplia o risco de seu isolamento político

Publicado em 28 de maio de 2026 por Tribuna da Internet

União-PP e Republicanos tendem a não embarcar na coligação

Lauriberto Pompeu
O Globo

O afastamento de partidos do Centrão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a crise provocada pelas mensagens trocadas com Daniel Vorcaro tornou as opções de vice para a corrida presidencial mais restritas e reforçou a tendência de uma chapa pura, com a vaga ficando com o PL.

Havia a expectativa que a federação União-PP indicasse a vaga, mas os comandos das duas siglas dizem que hoje um apoio ao senador é considerado cada vez mais remoto. Um movimento para o apoio formal dos dois partidos havia crescido, mas as legendas se afastaram após o escândalo do caso Master atingir o pré-candidato do PL e também o presidente do PP, Ciro Nogueira.

EM RISCO – O dirigente do PP e o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, são próximos de Flávio e, ainda que não tivessem ainda garantido um apoio, participavam de perto das articulações envolvendo as alianças com o PL e discutiam opções de candidatos a vice. Flávio teve suas alianças colocadas em risco após ter sido protagonista de uma crise envolvendo o Master.

O desgaste teve início há duas semanas após a divulgação, pelo site Intercept, de conversas e áudios envolvendo cobranças de dinheiro por Flávio ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, para a realização do filme sobre a trajetória do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Integrantes da cúpula da federação União-PP temem que novos casos venham a ser revelados e isso também respingue na estratégia dos partidos de tentar crescer na eleição. O principal objetivo das legendas é formar o maior número possível de deputados e senadores e há um receio, caso a campanha se vincule a Flávio, de que isso prejudique essa estratégia.

LIGAÇÕES COM VORCARO – Os próprios presidentes do PP e União Brasil também têm ligações com Vorcaro e poderiam se desgastar mais ainda caso se associassem a Flávio. Há uma crítica de que o pré-candidato do PL não tem sido transparente sobre o que ainda pode ser revelado contra ele e que apoiar Flávio pode ser uma aposta arriscada.

O distanciamento não é ligado diretamente ao desempenho eleitoral do senador nas pesquisas. Há uma avaliação de integrantes desses partidos de que Flávio não é solidário diante do desgaste, também relacionado ao banco Master, enfrentado pelo presidente do PP, Ciro Nogueira, que chegou a ser alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga pagamento de propina, algo que o parlamentar nega.

De acordo com relatos, Ciro está bastante incomodado com Flávio e isso tem influenciado um afastamento de toda a federação dele. Aliados do presidente do PP disseram que Flávio chegou a procurar o aliado por telefone para tentar desfazer o desgaste, mas que não houve abertura para uma reaproximação.

OPÇÕES – Antes da crise, o PP discutia diversos nomes de vice. Entre as opções estudadas estavam a da senadora Tereza Cristina (PP-MS), que já indicava resistência em compor a chapa mesmo antes da crise envolvendo Flávio e Vorcaro, e a deputada Simone Marquetto (PP-SP).

As discussões sobre candidatura a vice estão indefinidas e ainda não há um nome favorito dentro do PL para o posto. A pré-campanha de Flávio tem mostrado preferência em ter uma mulher como companheira de chapa. O nome da vereadora de Fortaleza Priscila Costa, que é pré-candidata ao Senado, chegou a ser citado. A escolha dela também resolveria uma divergência no palanque de Flávio no Ceará, já que ela disputa a vaga de candidata a senadora pela sigla com o deputado estadual Alcides Fernandes.

Priscila é o nome de preferência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro para o Senado, enquanto Alcides, que é pai do deputado federal André Fernandes (PL-CE), tem recebido acenos de Flávio. A própria Michelle tem sido citada como opção de candidata a vice, mas integrantes do PL veem como difícil a possibilidade, já que ela está afastada de Flávio e tem focado nas articulações no Distrito Federal, onde deve disputar uma vaga no Senado.


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