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Publicado em 7 de setembro de 2026 por Tribuna da Internet

Mendonça larga na frente e coloca logo as cartas na mesa…
Luísa Martins e Guilherme Pimenta
Folha
O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), liberou para julgamento o relatório da Polícia Federal que aponta elo entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso devido às investigações de fraude à frente do Banco Master. Agora, caberá ao presidente do STF, Edson Fachin, decidir quando o pedido de investigação será analisado.
A decisão de Mendonça de liberar o processo para julgamento foi publicada neste domingo (6), às 15h04. Não há um pedido de data para que o relatório vá a julgamento.
SEM SIGILO – Na terça-feira (1º), André Mendonça, que é relator do caso Master, retirou o sigilo do relatório da PF que mostrava diálogos de Alexandre de Moraes e o banqueiro, incluindo uma mensagem na qual o banqueiro pergunta se deveria deixar o país, às vésperas de ser preso, em 2025. Não há informações sobre qual foi a resposta do ministro do Supremo.
O relatório contra Moraes deflagrou uma crise interna no STF. O ministro contra-atacou e pediu uma investigação contra Mendonça no âmbito do inquérito das fake news, alegando que houve abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade por parte de Mendonça no pedido de investigação.
No entanto, Fachin não somente retirou do inquérito das fake news o pedido de abertura de investigação feito por Alexandre de Moraes contra André Mendonça, como também defendeu o fim desse inquérito, aberto ainda em 2019 por determinação do então presidente Dias Toffoli.
INFORMAÇÕES – Na quinta-feira, Fachin na última semana determinou que Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, prestem informações sobre o relatório da Polícia Federal a respeito dos diálogos com Vorcaro. O prazo acaba sexta-feira, dia 11.
As informações coletadas pela PF sob posse de Mendonça mostraram também que Moraes fez edições no contrato de R$ 131 milhões firmado entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master, antes de o documento ser assinado.
Apesar de já ter se manifestado pela nulidade do relatório das conversas entre Vorcaro e Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, também ganhou prazo da confirmar se acha mesmo que Mendonça “se valeu da polícia” para “impor a investigação” do ministro, exercendo “atividades que não lhe foram assinaladas”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A situação não está nada boa também para Gonet, que é citado pela PF como íntimo de Vorcaro, a quem pedia favores. No sábado, a ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal) requereu que Paulo Gonet se declare impedido de atuar nos procedimentos relacionados ao Banco Master, já que ele também é citado nos diálogos entre Vorcaro, Moraes e interlocutores. Esse posicionamento mostra que a Polícia Federal constatou mesmo que Gonet está envolvido com Vorcado. (C.N.)
Publicado em 7 de setembro de 2026 por Tribuna da Internet

Charge do Duke (Instagram)
Pedro do Coutto
A eleição presidencial de 2026 começa a revelar, para além da disputa entre nomes e partidos, quais serão os critérios capazes de definir o voto de uma parcela decisiva do eleitorado. Pesquisa Quaest divulgada neste domingo (6) mostra que a ausência de envolvimento em casos de corrupção e o compromisso com a defesa da democracia estão entre os fatores de maior peso na escolha do próximo presidente da República. ,
O resultado ajuda a explicar por que a campanha que se aproxima tende a ser travada não apenas no terreno tradicional da economia, da segurança pública e dos programas sociais, mas também em torno de uma questão mais profunda: em quem o eleitor acredita ser possível confiar para exercer o poder.
LUGAR CENTRAL – A corrupção volta, assim, a ocupar um lugar central no imaginário político brasileiro. Não se trata de uma novidade absoluta. Poucos temas foram tão decisivos nas últimas décadas para destruir reputações, impulsionar candidaturas e reorganizar forças políticas. A diferença é que, depois de anos de polarização extrema, o tema reaparece num ambiente em que praticamente todos os grandes campos políticos carregam desgastes, contradições ou questionamentos.
Isso torna a exigência do eleitor potencialmente mais ampla: não basta denunciar a corrupção do adversário; será preciso convencer que se está disposto a submeter o próprio grupo aos mesmos critérios de investigação, transparência e responsabilização.
É nesse ponto que a pesquisa contém uma advertência importante para a política brasileira. O combate à corrupção pode ser uma bandeira democrática, mas também pode ser transformado em instrumento de manipulação. A experiência recente do país mostrou como denúncias legítimas podem coexistir com espetacularização, seletividade e exploração eleitoral da indignação pública. Para o eleitor de 2026, portanto, a diferença poderá estar menos no político que simplesmente grita mais alto contra a corrupção e mais naquele que apresenta coerência entre discurso e comportamento.
SEQUÊNCIA DE CRISES – A defesa da democracia, outro fator que aparece com grande peso, acrescenta uma dimensão ainda mais significativa à eleição. O Brasil chega a 2026 depois de uma sequência de crises institucionais que colocou no centro do debate a relação entre eleições, respeito ao resultado das urnas, funcionamento das instituições e limites da ação política. Não por acaso, pesquisas anteriores já vinham identificando o crescimento da preocupação com ameaças à democracia como critério de avaliação e rejeição de lideranças políticas.
Esse dado é particularmente relevante porque desmonta uma leitura simplista segundo a qual a democracia seria uma preocupação restrita a especialistas, instituições ou setores politicamente engajados. Quando a preservação democrática entra na conta do eleitor, ela passa a ser uma questão eleitoral concreta. O candidato não será avaliado apenas pelo que promete fazer com o poder, mas também pela forma como demonstra que pretende exercê-lo e, sobretudo, pelos limites que aceita respeitar quando contrariado.
Há, naturalmente, uma contradição que desafia os candidatos. A polarização produz um eleitorado disposto a defender valores democráticos, mas também alimenta a tentação de relativizar esses mesmos valores quando a ameaça vem do próprio campo político. A democracia, porém, não se prova apenas quando protege aliados. Ela se prova justamente na disposição de aceitar regras, instituições e direitos mesmo quando beneficiam adversários. Esse será um dos testes mais difíceis para os discursos de 2026.
DISPUTA ACIRRADA – O cenário eleitoral recente torna essa discussão ainda mais relevante. A disputa pela Presidência permanece acirrada, com diferentes levantamentos indicando forte polarização e, em alguns cenários, margens muito estreitas entre os principais concorrentes. A própria Quaest divulgada nos últimos dias mostrou uma corrida competitiva, com grande contingente de eleitores ainda sujeito à influência dos acontecimentos e do desempenho das campanhas.
É justamente nesse espaço que corrupção e democracia podem ganhar importância decisiva. Em eleições altamente polarizadas, os candidatos normalmente preservam núcleos fiéis de apoio, mas precisam disputar o eleitor menos ideológico, aquele que não se identifica integralmente com nenhum dos polos e que tende a fazer uma avaliação mais pragmática e moral dos concorrentes. Para esse segmento, uma nova denúncia, uma investigação mal explicada, uma contradição ou um comportamento considerado autoritário pode custar votos suficientes para alterar o resultado.
A pesquisa também deve ser lida como um recado às campanhas que apostam exclusivamente na guerra cultural e na mobilização das paixões políticas. O eleitor pode continuar preocupado com emprego, inflação, saúde, segurança e renda — temas que não desaparecem de uma eleição presidencial —, mas está sinalizando que deseja respostas para outra questão: quem merece receber poder sem representar um risco para o patrimônio público e para as regras do jogo democrático?
DESCONFIANÇA – Não existe resposta fácil. A desconfiança nas instituições e nos políticos não será resolvida por slogans sobre honestidade nem por declarações genéricas em defesa da democracia. O combate à corrupção exige mecanismos concretos de transparência, prevenção e investigação. A defesa democrática exige respeito efetivo à Constituição, às eleições, à liberdade de expressão, ao devido processo legal e à separação dos Poderes. Organizações dedicadas ao acompanhamento da corrupção, como a Transparência Internacional – Brasil, têm insistido justamente na importância de transformar compromissos genéricos em medidas verificáveis e políticas públicas concretas.
A eleição de 2026, portanto, poderá ser decidida também por uma disputa de credibilidade. O eleitor parece menos disposto a conceder um cheque em branco e mais interessado em saber o que cada candidato representa quando a propaganda termina e o poder começa. Corrupção e democracia não são temas abstratos: a primeira trata do uso privado de recursos e estruturas que deveriam servir ao interesse público; a segunda estabelece os limites para que ninguém se considere acima das regras.
Quem compreender essa mudança terá uma vantagem importante na campanha. Quem imaginar que bastará acusar o adversário de corrupto ou inimigo da democracia, sem responder às próprias contradições, poderá descobrir tarde demais que o eleitor está cobrando algo mais difícil: coerência. E, numa eleição em que a confiança se torna um dos principais ativos políticos, talvez seja justamente ela, muito mais do que uma promessa de campanha, que venha a decidir quem terá a chave do Palácio do Planalto.
Publicado em 7 de setembro de 2026 por Tribuna da Internet

Terceiro marqueteiro de Flávio puxa campanha à direita
Letícia Pille
Luísa Marzullo
O Globo
Um mês após trocar o marqueteiro pela segunda vez, a campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem passado por um realinhamento na estratégia de comunicação e tentado promover uma guinada à direita. Sob a tutela de Duda Lima, o terceiro nome a comandar a área, ganharam peso temas como segurança pública, combate ao crime organizado, soberania nacional, críticas mais diretas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além do resgate de modelos adotados pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Um dos exemplos citados por aliados como obra de Duda Lima são as lives semanais promovidas por Flávio, que retomou uma prática adotada por Bolsonaro no seu governo, quando abria a transmissão semanal para comentar diferentes assuntos. Além disso, o horário eleitoral levou para a TV imagens das eleições de 2018 e 2022, numa estratégia de reforçar a ligação com o pai e apresentar o candidato ao eleitorado bolsonarista como continuidade do projeto político que levou o grupo à Presidência.
CANDIDATO MODERADO – A mudança feita por Lima ocorre depois de uma fase em que integrantes da campanha avaliavam que Flávio havia aparecido como um candidato “moderado demais”, com mensagens pouco conectadas entre si e dificuldade para deixar clara a identidade política da candidatura. A crítica tem a ver com a gestão dos seus antecessores, os publicitários Eduardo Fischer e Alexandre Oltramari, que ficaram pouco mais de dois meses na função.
Alguns episódios passaram a ser citados internamente como símbolos do desencontro daquela fase. Na preparação da convenção que oficializou Flávio candidato, no fim de julho, Fischer e Oltramari sugeriram que os participantes fossem vestidos de azul para tentar reproduzir uma espécie de “onda azul” da direita latino-americana. A proposta era transformar a cor em uma marca visual do evento.
A gota d’água, segundo pessoas próximas a Flávio, veio quando a dupla sugeriu também o uso da música “Azul da Cor do Mar”, de Tim Maia. A ideia provocou estranhamento em setores da campanha, que viram na proposta mais um sinal de uma comunicação distante dos códigos e símbolos que mobilizam a base bolsonarista.
BOLSONARISTA RAIZ – Com a chegada de Lima, a orientação passou a ser recuperar referências mais reconhecíveis pelo eleitor de direita e, ao mesmo tempo, evitar que Flávio seja apresentado como uma simples cópia do pai. A tentativa é fazer com que o senador seja identificado como continuidade do projeto bolsonarista, mas tenha uma identidade própria. Na cúpula do PL, a avaliação é que o principal desafio continua sendo fazer o “bolsonarista raiz” entrar de vez na campanha.
Oltramari contesta a avaliação de que sua passagem pela campanha tenha afastado Flávio do bolsonarismo. Segundo ele, quando assumiu a comunicação, o candidato estava a cerca de sete pontos de desvantagem de Lula no segundo turno, e, após os 60 dias em que esteve à frente da área, voltou ao empate técnico nas pesquisas de intenção de voto.
— Dizer que a campanha estava dissociada do bolsonarismo é uma mentira factual. Os fatos comprovam o contrário — disse ele. Também procurado, Fischer não comentou.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL – Outro ponto que gerou críticas entre aliados de Flávio durante a passagem da dupla pela campanha foi o uso de inteligência artificial. Em uma das iniciativas, o senador aparecia como um herói pilotando um caça, em uma estética inspirada em filmes de ação. A ideia ganhou novos episódios e chegou a ser tratada como uma espécie de série nas redes do senador. Dentro da própria equipe, porém, houve quem considerasse que o conteúdo não conversava com a imagem que a campanha pretendia construir para o candidato.
A inteligência artificial também foi usada em outro conteúdo, inspirado em um vídeo sobre Neymar que viralizou durante a Copa do Mundo. Na peça, Flávio aparecia em uma conversa entre versões de si mesmo no futuro e na infância. A iniciativa também não encontrou a repercussão esperada entre integrantes da equipe.
Com Lima, esse tipo de produção deixou de ocupar espaço central na estratégia de comunicação. O novo marqueteiro não determinou um veto à inteligência artificial e chegou a produzir uma imagem do senador de sunga, mas o recurso deixou de ser tratado como uma aposta recorrente.
COMUNICAÇÃO MAIS NATURAL – O novo comando da comunicação de Flávio também tem defendido uma comunicação menos roteirizada e mais natural. Segundo relatos de interlocutores, Lima não costuma trabalhar com teleprompter e considera que o recurso, mais associado à comunicação televisiva, perde força em uma campanha dominada pelas redes sociais. A estratégia é dar direção ao candidato sem determinar mecanicamente o que ele deve falar ou como deve reagir em cada situação, preservando uma aparência de espontaneidade.
Um exemplo recente foi o discurso de Flávio no lançamento da campanha, em evento em Copacabana, no Rio. No dia anterior, ambos se encontraram para definir o mote da mensagem a ser passada aos participantes do ato, mas sem um roteiro fixo.
INTERLOCUÇÃO – Desde que assumiu a função, Lima mantém uma interlocução frequente com Flávio para discutir cenários, posicionamentos e a forma como o candidato deve se apresentar ao eleitor. Na maioria das vezes, ele participa mais da chamada “pensata” estratégica do que da operação cotidiana da comunicação.
Embora o canal direto entre candidato e marqueteiro seja algo normal — e até esperado —, auxiliares que acompanham o senador desde o início relatam que não era essa a relação com os antigos ocupantes do posto.
Responsável pela comunicação na fase de pré-campanha, Marcello Lopes, o Marcellão, havia combinado com Flávio que passaria a atuar em tempo integral na campanha a partir de junho, mas acabou sendo alvo de desgaste interno e deixou a equipe pouco depois da crise envolvendo o projeto do filme “Dark Horse”, biografia de Jair Bolsonaro. Na ocasião, aliados do candidato avaliaram negativamente a reação da campanha à divulgação de um áudio em que o senador pede dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar a produção.
— Tenho uma relação muito boa com a equipe e fico feliz de ver que conceitos e peças desenvolvidos naquele período continuam presentes na campanha— afirmou Marcelão.
COORDENAÇÃO – A escolha do novo marqueteiro representa, na avaliação de interlocutores, uma tentativa de dar mais coordenação à comunicação. Próximo do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, Lima já trabalhou no partido e coordenou a última campanha presidencial de Bolsonaro, em 2022. t
A substituição ocorreu em meio a uma disputa interna sobre o comando da comunicação. Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, responsável por levar Fischer para a campanha.
IDENTIDADE DO PARTIDO – Presidente do PL no Rio e braço-direito de Valdemar, o deputado Altineu Côrtes afirma que o novo marqueteiro conseguiu aproximar a imagem do candidato da identidade do partido.
— O Duda consegue melhor que ninguém traduzir os valores do PL em comunicação. A campanha está melhor, sem dúvidas, ele conseguiu arrumar tudo e a campanha agora está conseguindo mobilizar as pessoas. A imagem antes estava desencontrada — afirma.
Publicado em 7 de setembro de 2026 por Tribuna da Internet

Charge do Nani (nanihumor.com)
Marcus André Melo
Folha
“Urbem venalem et mature perituram, si emptorem invenerit’ (uma cidade à venda e condenada a perecer rapidamente, caso encontrasse um comprador). A frase, atribuída por Salústio a Jugurta, rei da Numídia, depois de ter corrompido senadores, diplomatas e tribunos da plebe, tornou-se a expressão máxima da corrupção política. Evoca não apenas a compra de autoridades, mas o colapso de uma República.
Jugurta concluiu que Roma estava à venda. No Brasil, a pergunta já não é apenas quem tentou comprar a República, mas quem se dispôs a negociar com o comprador — e quem utiliza o poder de julgar para impedir que saibamos a resposta. E é com isso que estamos nos deparando nos contra-ataques diversionistas disparados a toque de caixa.
FALSAS EQUIVALÊNCIAS – A estratégia parece clara: criar falsas equivalências. A que ponto chegamos? E como chegamos a esse ponto?
Crises de corrupção em cortes supremas são eventos raros. Quando alcançam a cúpula do Judiciário, abalam justamente a instituição encarregada de arbitrar os conflitos e impor limites aos demais Poderes. A crise é gravíssima.
Há, nesta crise, duas questões entrelaçadas. De um lado, a defesa da democracia e os abusos cometidos em seu nome. De outro, os desvios de conduta de ministros e a preservação do Supremo como instituição. No primeiro caso, a defesa da democracia converteu-se também em manto protetor dos abusos. No segundo, a defesa da corte passou a ser confundida com a blindagem de seus integrantes. A reconstrução institucional exige necessariamente separar essas duas ordens de questões.
TUMULTO PROPOSITAL – A estratégia defensiva dos envolvidos consiste justamente no contrário: reforçar deliberadamente sua confusão, como se investigar abusos significasse atacar a democracia e responsabilizar ministros significasse destruir o Supremo.
Problemas de desenho institucional pioram o quadro, mas os desvios são de ministros. A jurisdição criminal do Supremo, decisões monocráticas e estratégias processuais ativistas de seus ministros (processos colocados ou retirados da gaveta, acelerados ou paralisados com propósitos negociais e políticos) criam incentivos perversos.
Mas os desvios são individuais. A reforma da corte não os elimina. O ativismo processual voltado para autopreservação e autoblindagem confere ao caso uma gravidade sem paralelo. Contra-atacar com base no inquérito do fim do mundo assume contornos de escárnio e o clamor público que gerou é alvissareiro.
ESTAVA ESCRITO – A crise já estava escrita na pedra havia meses. Sabia-se que o protagonista do maior escândalo financeiro brasileiro que ameaçou com sicários jornalistas investigativos — manteve contatos nas horas que antecederam sua prisão com seu “consigliere”. Como no caso do ministro Toffoli, o procurador-geral da Repúblicatoma decisões de autoproteção. O problema, portanto, não nasce nesta semana nem depende das intenções do relator. O que emergiu foi a dimensão documental de relações cuja simples existência já deveria ter provocado respostas institucionais urgentes.
Uma República à venda. É isto que a sociedade observa perplexa. Mas o que está também sob escrutínio público é a resposta institucional da corte a sua degradação em virtude de ilícitos individuais.
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