sexta-feira, agosto 28, 2026

MÁ-FÉ OU IGNORÂNCIA? A Verdade com Dados e Fatos Sobre a Regulação da Saúde na Bahia e no Brasil


Por José Montalvão


É muito fácil fazer oposição de palanque, apontar o dedo diante das câmeras e proferir discursos inflamados na imprensa sem apresentar dados reais, sem fundamentação técnica e ignorando a complexidade do sistema de regulação médica. Tratar a saúde pública da Bahia como se fosse uma exceção negativa no país é, no mínimo, demonstração de desconhecimento ou má-fé política. O problema do represamento na alta complexidade é um desafio estrutural vivenciado em praticamente todos os estados brasileiros.

Mais do que isso: tentar atribuir a responsabilidade pela falta de leitos ou pelo tempo de espera exclusivamente à figura do governador é um reducionismo desonesto. A gestão da saúde pública é tripartite — dividida entre União, Estado e Municípios — e exige a análise criteriosa dos gargalos estruturais em todas as pontas.

A Pressão Real Sobre a Central de Regulação

Os números revelam a dimensão do desafio: a Central Estadual de Regulação da Bahia lida com uma demanda diária de cerca de 1.000 novas solicitações por dia.

Apesar dessa pressão gigantesca, os dados oficiais da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) apontam avanços expressivos. A resolutividade do sistema alcançou marcas importantes, garantindo que de 70% a 80% dos casos regulados sejam resolvidos em até 24 horas.

Onde reside, então, o problema? O gargalo remanescente concentra-se exclusivamente nos casos de altíssima complexidade e especialidades específicas, onde a oferta de leitos e profissionais no mercado nacional é historicamente deficitária:

  • Cirurgia Torácica: Média de 10,4 dias de espera;

  • Hematologia: Média de 7,8 dias;

  • Oncologia: Média de 6,7 dias;

  • Urologia e Pneumologia: Acima de 5,5 dias de espera.

Trata-se de áreas com carência crônica de especialistas em todo o Brasil. Tanto é assim que a Procuradoria Geral do Estado (PGE), ao responder a demandas judiciais, esclarece tecnicamente que o impasse muitas vezes não é a falta de vontade política ou de recursos orçamentários, mas a inexistência temporária de leitos vagos com perfil clínico compatível na rede assistencial.

As Falhas na Atenção Básica Municipal e a Sobrecarga do Estado

Outro ponto sistematicamente escondido pelos críticos de ocasião é o papel dos municípios. A regulação estadual sofre impacto direto do desempenho da Atenção Primária à Saúde (APS), responsabilidade direta das prefeituras.

Em Salvador, por exemplo, dados recentes apontam que a cobertura da Atenção Básica ainda gira em torno de 66,6%. Quando o município falha na prevenção, na distribuição de remédios contínuos e no acompanhamento de hipertensos e diabéticos, a consequência é inevitável: quadros crônicos se agravam, gerando urgências e superlotando as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

Essas UPAs acabam retendo pacientes graves em macas por falhas no preenchimento de prontuários — como a ausência de exames básicos de ECG ou enzimas cardíacas nos relatórios —, o que atrasa a triagem dos médicos reguladores e trava a fila do Hospital Geral do Estado (HGE) e do Hospital Roberto Santos.

O Trabalho Sério de Expansão e Descentralização

Em vez de se omitir, o Governo do Estado vem trabalhando com planejamento e investimentos pesados para descentralizar a alta complexidade e cobrir as 28 regiões de saúde da Bahia:

  1. Construção e Ampliação de Hospitais Regionais: Obras e reestruturações avançam em polos estratégicos no interior, como Serrinha, Valença, Jacobina e Paulo Afonso, reduzindo a dependência histórica da capital;

  2. Modernização Tecnológica: Implementação da Rede Estadual de Dados em Saúde (REDS), unificando prontuários digitais para agilizar o fluxo entre as UPAs e a Central de Regulação;

  3. Formação de Consórcios Regionais de Saúde: Regionalização dos atendimentos de média e alta complexidade com a entrega de policlínicas e hospitais de área.

O Bastidor Oculto: O Fim do Clientelismo e da "Mamata" do Transporte de Doentes

Existe, contudo, um fator político velado que poucos têm a coragem de encarar abertamente: se a saúde pública funcionasse 100% de forma autônoma, descentralizada e eficiente, muitos políticos de ocasião perderiam sua principal ferramenta de barganha eleitoral.

Há décadas, a fragilidade no atendimento médico no interior sustenta a política arcaica do "clientelismo". Para certos grupos, manter o cidadão dependente de um favor pessoal — seja para conseguir uma carona em ambulância, uma vaga de transporte para a capital ou o agendamento de um exame de urgência — é a receita perfeita para perpetuar a troca de votos por favores.

Quando o Estado estrutura o sistema, digitaliza a regulação e garante atendimento rápido e universal na própria região, a "mamata" desse apadrinhamento político rui. A verdadeira cidadania se constrói com direito e eficiência pública, não com a humilhação do cidadão precisando dobrar o joelho para pedir o que é seu por direito constitucional.

Conclusão: Crítica com Responsabilidade

Fazer jornalismo e debate público com responsabilidade exige analisar o cenário com dados concretos, e não com slogans eleitoreiros. A saúde pública tem desafios imensos que precisam ser superados diariamente, mas reconhecer os avanços e apontar as responsabilidades compartilhadas de municípios e da União é o primeiro passo para cobrarmos soluções reais.

O povo da Bahia não precisa de demagogia na imprensa nem de atravessadores políticos; precisa de fatos, trabalho sério e autonomia com a consolidação de um SUS forte!

José Montalvão

Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI - Registro C-002025).

Blog de Dede Montalvão: Analisando a gestão pública com dados reais, combatendo o clientelismo e defendendo a verdade para o leitor!

Lula repercute sabatina no Jornal Nacional durante caminhada na Liberdade, em Salvador

 

Lula repercute sabatina no Jornal Nacional durante caminhada na Liberdade, em Salvador

Por Política Livre

28/08/2026 às 16:20

Foto: Política Livre/Arquivo

Imagem de Lula repercute sabatina no Jornal Nacional durante caminhada na Liberdade, em Salvador

Lula participa de uma caminhada no bairro da Liberdade junto com a chapa majoritária do governador Jerônimo Rodrigues (PT)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em sua passagem pela capital baiana, nesta sexta-feira (28), onde participa de uma caminhada no bairro da Liberdade junto com a chapa majoritária do governador Jerônimo Rodrigues (PT), candidato à reeleição, repercutiu sua participação na sabatina do Jornal Nacional, realizada na quinta-feira, e afirmou que já esperava uma abordagem crítica dos jornalistas. 

A passagem por Salvador faz parte da agenda política do presidente na Bahia. Na capital baiana, Lula participa da caminhada ao lado de aliados e apoiadores no bairro da Liberdade, tradicional reduto de mobilização política e cultural da cidade. 

Segundo Lula, o papel da imprensa é fazer questionamentos que possam colocar em dúvida as candidaturas, e não facilitar a vida dos candidatos. “Eu nunca espero que o jornalista vá fazer perguntas para me ajudar. Eles estão lá para fazer perguntas profissionalmente”, afirmou.

O presidente disse ainda que se preparou de forma intensa para a entrevista, especialmente para apresentar aos eleitores um balanço de seu governo e defender as medidas adotadas durante sua gestão.

“Eu nunca me preparei tanto, decorando tudo que nós tivemos para que a gente possa mostrar ao Brasil”, declarou.

Na avaliação de Lula, os resultados econômicos do governo são um dos principais argumentos para a defesa de sua candidatura. Ele citou indicadores como inflação, ganho salarial, desemprego e resultado fiscal.

O presidente afirmou que o país registra a menor inflação acumulada em quatro anos, o maior crescimento da massa salarial e a menor taxa de desemprego da história. Também destacou a situação das contas públicas e disse que o governo conseguiu reduzir o déficit fiscal.

“Um país que tem o menor desemprego da sua história e um país que nós pegamos com déficit fiscal de 2,8% em média e vamos fazer agora [...] o orçamento que nós entregamos agora é de superávit de 0,1%”, afirmou.

Lula sustentou que os números demonstram, segundo ele, a capacidade de sua gestão de recuperar a economia brasileira e promover mudanças no país.

Politica Livre

Senador cobra Mendonça após vazamento de foto extraída de celular sob custódia da PF

Publicado em 28 de agosto de 2026 por Tribuna da Internet

Vorcaro volta à PF e tenta pela terceira vez abrir caminho para uma delação

Publicado em 28 de agosto de 2026 por Tribuna da Internet

Mantidas condenações de militares e civis por irregularidades em licitações na Marinha


Superior Tribunal Militar imprensa@news.stm.jus.br
Cancelar inscrição

19:28 (há 26 minutos)
para mim



O Superior Tribunal Militar (STM) manteve a condenação de dois militares da Marinha e de quatro civis por irregularidades em licitações e pagamento de vantagens indevidas relacionadas à Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia (BAENSPA), no Rio de Janeiro.

A ação penal, relatada pelo ministro Péricles Aurélio Lima de Queiroz, teve origem em denúncia oferecida pelo Ministério Público Militar (MPM) em 3 de abril de 2024. Os fatos estão relacionados a procedimentos de contratação e aquisição de gêneros alimentícios pela unidade militar.

De acordo com a acusação, um suboficial da Marinha, que exercia a função de pregoeiro da BAENSPA, foi denunciado por violação do dever funcional com o fim de lucro, em continuidade delitiva. Segundo o MPM, o militar teria conduzido um pregão eletrônico de modo a favorecer duas empresas.

Entre as condutas atribuídas ao suboficial estava a utilização de uma versão do termo de referência que exigia a apresentação de amostras sem critérios objetivos. Segundo a acusação, a medida teria contribuído para a desclassificação de propostas economicamente mais vantajosas para a Administração.

Um primeiro-sargento, que atuava como fiel de municiamento da unidade, também foi acusado de violação do dever funcional e corrupção passiva. Conforme a denúncia, ele teria favorecido uma das empresas ao solicitar produtos por valores superiores aos registrados em ata e permitido aquisições por preços considerados exorbitantes.

O MPM apontou ainda que o sargento teria recebido, indiretamente, quinze depósitos bancários que totalizaram R$ 59.975,97, realizados por uma das empresas em uma conta de titularidade de sua esposa, mas movimentada por ele. De acordo com a acusação, os pagamentos estariam relacionados a vantagens obtidas na gestão dos pedidos de suprimentos.

A mulher do sargento também foi denunciada por corrupção passiva. Ela teria permitido que sua conta bancária fosse utilizada para o recebimento dos valores pagos pela empresa ao marido. O processo registra que os depósitos eram elevados, recorrentes e incompatíveis com os rendimentos do casal.

Já o administrador de uma das empresas foi denunciado por corrupção ativa. Segundo o MPM, o civil teria realizado os quinze depósitos na conta da mulher com o objetivo de obter benefícios para a empresa nas contratações e na execução da ata de registro de preços, administrada pelo sargento.

A denúncia também envolvia outros dois civis, empresários ligados à segunda empresa. Ambos foram acusados de corrupção ativa por supostamente oferecer ou prometer vantagens indevidas a militares para favorecer a empresa no pregão eletrônico e na execução contratual.

Tramitação

A denúncia foi recebida em 18 de abril de 2024, com a determinação de citação dos acusados. Todos apresentaram respostas à acusação. Durante a fase de instrução, foram ouvidas testemunhas e realizados os interrogatórios dos réus.

Em primeira instância, o Juízo da 1ª Auditoria da 1ª Circunscrição Judiciária Militar (CJM) julgou parcialmente procedente a denúncia. O suboficial foi condenado a 2 anos e 4 meses de reclusão por violação do dever funcional. O primeiro-sargento e sua esposa foram condenados a 6 anos, 2 meses e 20 dias de reclusão cada, por corrupção passiva.

O civil P.C.F, administrador de uma das empresas, recebeu pena de 2 anos de reclusão, por corrupção ativa, enquanto os outros dois empresários, A. M.M. e M.V.M, foram condenados a 1 ano, 6 meses e 20 dias de reclusão cada, também por corrupção ativa.

Aos dois militares condenados por corrupção passiva foi aplicada ainda a pena acessória de exclusão das Forças Armadas.

Recurso do STM

Tanto o MPM quanto as defesas dos réus recorreram ao Superior Tribunal Militar, em Brasília.

Nas apelações, as defesas questionaram, entre outros pontos, a validade das provas obtidas por meio da quebra de sigilo bancário e fiscal, a existência de nexo causal entre os depósitos e as funções exercidas pelos acusados e a suficiência das provas para sustentar as condenações.

O MPM, por sua vez, pediu o aumento das penas impostas aos condenados, argumentando que a gravidade das condutas e a quantidade de infrações praticadas não teriam sido adequadamente consideradas na sentença de primeira instância.

Ao analisar o caso, o Plenário do STM rejeitou, por unanimidade, três preliminares apresentadas pelas defesas: a alegação de nulidade por cerceamento de defesa; a tese de ilicitude das provas decorrentes da quebra de sigilo bancário; e a alegação de prescrição da pretensão punitiva.

No mérito, o Tribunal negou provimento às apelações do suboficial e do civil P.C.F e deu parcial provimento aos recursos do MPM, do primeiro-sargento e da civil, reformando a sentença de primeira instância.

Com a decisão, o 1º Sargento recebeu pena unificada de 6 anos, 1 mês e 10 dias de reclusão, em regime inicialmente semiaberto. A civil foi condenada a 4 anos, 5 meses e 10 dias de reclusão, também em regime inicialmente semiaberto.

O Suboficial teve a pena unificada em 3 anos e 6 meses de reclusão, em regime inicialmente aberto. Já o civil P. C. R recebeu pena unificada de 3 anos, 11 meses e 10 dias de reclusão, também em regime inicialmente aberto.

Nenhum dos quatro condenados recebeu o benefício da suspensão condicional da pena, uma vez que as penas aplicadas ultrapassaram o limite temporal previsto no do Código Penal Militar (CPM).

Apelação Criminal Nº 7000441-96.2024.7.01.0001/RJ

Amizade, Lealdade e Tradição Política: Tista de Deda, Neguinho de Lié e Anabel Celebram o Aniversário do Senador Otto Alencar


Por José Montalvão


Na política, alianças podem nascer das circunstâncias, mas poucas resistem ao tempo. Quando atravessam décadas e passam de uma geração para outra, deixam de ser apenas entendimentos políticos e passam a representar uma tradição construída sobre confiança, respeito e convivência.

Foi nesse espírito que, nesta quinta-feira, 28 de agosto, o prefeito de Jeremoabo, Tista de Deda, o presidente da Câmara Municipal, Neguinho de Lié, e a ex-prefeita Anabel estiveram presentes para cumprimentar pessoalmente o senador Otto Alencar pela passagem de seu aniversário.

Mais do que uma visita de cortesia, o encontro simbolizou o fortalecimento de uma relação política e pessoal consolidada ao longo dos anos. No caso do prefeito Tista de Deda, trata-se de uma amizade que ultrapassa o presente e encontra suas raízes na história de sua própria família, mantendo viva uma tradição de respeito recíproco que atravessou gerações.

Em tempos marcados por relações políticas frequentemente passageiras, vínculos construídos sobre confiança, lealdade e compromisso ganham um significado especial. São relações que resistem às disputas eleitorais e permanecem sustentadas pelo diálogo, pela palavra empenhada e pela convivência.

Ao longo de sua trajetória pública, o senador Otto Alencar conquistou reconhecimento por manter interlocução permanente com lideranças de diversas regiões da Bahia. Entre seus aliados, é frequentemente lembrado pela disponibilidade para ouvir, dialogar e acompanhar os municípios tanto nos momentos de conquistas quanto nos períodos de maiores desafios, característica que contribuiu para consolidar sua liderança no cenário político baiano.

A presença de Tista de Deda, Neguinho de Lié e Anabel na comemoração do aniversário do senador traduz esse sentimento de reconhecimento. O gesto reafirma uma caminhada política marcada pela valorização das relações pessoais, pela gratidão e pela continuidade de uma parceria construída ao longo dos anos.

Na política, obras, projetos e mandatos escrevem capítulos importantes da história. Contudo, são a confiança, a lealdade e o respeito mútuo que permitem que essas histórias permaneçam vivas através do tempo, fortalecendo laços que ultrapassam as circunstâncias de cada eleição.

Ao senador Otto Alencar, ficam os votos de um novo ciclo repleto de saúde, serenidade e êxito na continuidade de sua vida pública, sempre em benefício da Bahia e dos baianos.

Parabéns, Senador Otto Alencar!

Em destaque

MÁ-FÉ OU IGNORÂNCIA? A Verdade com Dados e Fatos Sobre a Regulação da Saúde na Bahia e no Brasil

Por José Montalvão É muito fácil fazer oposição de palanque, apontar o dedo diante das câmeras e proferir discursos inflamados na imprensa s...

Mais visitadas