domingo, julho 12, 2026

O Maior Cabo Eleitoral dos Maus Políticos é o Eleitor Sem Memória

Charge do JCaesar: 29 de janeiro | VEJA

Charge do JCaesar (Veja)



Por José Montalvao


"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto."
Rui Barbosa

Mais de um século se passou desde que Rui Barbosa escreveu essas palavras, mas elas parecem ter sido feitas para retratar o Brasil de hoje.

A cada eleição, assiste-se ao mesmo espetáculo. Os personagens mudam de roupa, os partidos trocam de cor, os jingles são renovados, mas o roteiro permanece exatamente igual.

Os políticos experientes conhecem profundamente o comportamento de parte do eleitorado. Sabem que muitos não votam analisando propostas, histórico administrativo ou compromisso com o interesse público. Votam movidos pela emoção, pelo fanatismo político, por favores pessoais ou pela velha ilusão de que "agora será diferente".

Os discursos são ensaiados. As promessas são cuidadosamente escolhidas. Os abraços são calculados. As visitas aos bairros mais pobres são programadas. As fotos nas redes sociais são produzidas. As lágrimas, muitas vezes, são de ocasião.

Tudo faz parte da campanha.

O político profissional sabe exatamente o que o eleitor despolitizado deseja ouvir.

Se a população reclama da saúde, promete hospitais.

Se reclama das estradas, promete asfalto.

Se reclama do desemprego, promete milhares de empregos.

Se reclama da educação, promete escolas modelo.

Promete tudo.

E, muitas vezes, entrega quase nada.

O mais curioso é que boa parte do eleitor aceita esse ciclo repetidamente.

Quando o candidato pertence ao seu grupo político, seus erros desaparecem como num passe de mágica.

Se responde a investigações, dizem que é perseguição.

Se administra mal, a culpa é da oposição.

Se deixa obras inacabadas, dizem que faltaram recursos.

Se aumenta gastos desnecessários, procuram justificativas.

Mas basta o adversário cometer um deslize para surgir uma avalanche de críticas.

A ética deixa de ser um princípio para se transformar numa conveniência eleitoral.

Criou-se uma perigosa cultura dos dois pesos e duas medidas.

Não importa o que foi feito.

Importa quem fez.

É exatamente esse comportamento que mantém vivos muitos políticos que jamais deveriam voltar à vida pública.

Os maus políticos não sobrevivem apenas pela própria habilidade.

Sobrevivem porque encontram terreno fértil numa sociedade que esquece rapidamente.

Esquece promessas.

Esquece escândalos.

Esquece desperdícios.

Esquece obras abandonadas.

Esquece o abandono da saúde.

Esquece a precariedade da educação.

Esquece a falta de respeito com o dinheiro público.

E quem esquece está condenado a repetir os mesmos erros.

O eleitor precisa compreender uma verdade incômoda: nenhum político é dono do dinheiro público. Nenhum prefeito, governador ou presidente faz favor quando constrói uma escola, recupera uma estrada ou melhora um hospital. Isso não é bondade. É obrigação constitucional.

Quando o cidadão aplaude como favor aquilo que foi pago com seus próprios impostos, ele entrega ao governante um mérito que nunca lhe pertenceu.

A democracia não precisa de torcidas organizadas.

Precisa de fiscais.

Político não deve ser tratado como ídolo.

Deve ser tratado como servidor público.

Servidor presta contas.

Servidor pode ser elogiado quando acerta.

E deve ser criticado quando erra.

Independentemente do partido.

Independentemente da amizade.

Independentemente da ideologia.

Enquanto houver eleitores que defendam políticos cegamente, como quem defende um clube de futebol, continuaremos produzindo governos fracos, administrações ineficientes e representantes preocupados apenas com a próxima eleição.

O maior patrimônio de um político não é seu partido.

É a falta de memória do eleitor.

Por isso, muitos já entram na campanha sabendo exatamente quais promessas repetir, quais emoções despertar e quais ilusões vender.

Conhecem o roteiro.

Conhecem o público.

E conhecem, infelizmente, a facilidade com que muitos esquecem o passado.

A mudança não depende apenas de novas leis.

Nem de novos partidos.

Nem de novos discursos.

Depende, sobretudo, de um novo eleitor.

Um eleitor que leia.

Que fiscalize.

Que questione.

Que cobre.

Que não aceite desculpas prontas.

Que não venda sua consciência.

Que não transforme corrupção em detalhe quando praticada pelo seu grupo político.

O Brasil não precisa apenas de melhores políticos.

Precisa, antes de tudo, de melhores eleitores.

Porque políticos não surgem do acaso.

Eles são escolhidos pela sociedade.

E enquanto a consciência do eleitor continuar adormecida, muitos dos que vivem da política continuarão acordados, decorando discursos, ensaiando promessas e agradecendo, silenciosamente, pela ingenuidade de quem ainda acredita que palavras valem mais do que atitudes.

Como ensinou Rui Barbosa, quando a sociedade passa a rir da honestidade e a tolerar a desonra, não é apenas a política que adoece.

É a própria democracia que começa a perder sua alma.

José Montalvão

Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI - Registro C-002025).

Blog de Dede Montalvão: O bastião do pensamento crítico na região, combatendo a amnésia eleitoral com os fatos da história e o rigor do controle social!

A desesperada luta para adiar o tarifaço expôs as fissuras do bolsonarismo


Charge do Weber (Correio Braziliense)

Marcelo Copelli
Revista Fórum  

O tarifaço anunciado por Donald Trump revelou uma contradição que o bolsonarismo já não conseguia administrar. O que durante anos funcionou como demonstração de lealdade política ao presidente norte-americano passou a produzir custos econômicos e eleitorais difíceis de ignorar.

A mobilização de Flávio Bolsonaro em Washington para tentar adiar a entrada em vigor das tarifas simboliza essa inflexão: o mesmo grupo político que fez do republicano uma de suas principais referências agora procura conter os efeitos econômicos e eleitorais de uma decisão tomada pela própria Casa Branca.

CONCILIAÇÃO DE INTERESSES – Esse movimento vai além da atuação de um integrante da família Bolsonaro. Ele revela que a principal dificuldade da direita brasileira já não se resume ao enfrentamento do governo Lula, mas à conciliação de interesses, prioridades e estratégias que deixaram de convergir automaticamente. Seria um equívoco reduzir esse cenário às reações provocadas pelo tarifaço entre lideranças do bolsonarismo ou às trocas de ataques entre influenciadores conservadores. Esses episódios representam menos a causa da crise do que sua manifestação mais visível.  

Nos últimos anos, o bolsonarismo deixou de gravitar em torno de uma estratégia única e passou a reunir grupos que compartilham objetivos semelhantes, mas seguem caminhos diferentes para alcançá-los. O tarifaço não criou essa tensão. Apenas a trouxe à superfície.

Durante a ascensão do ex-presidente, divergências internas eram absorvidas pela centralidade de sua liderança. Questões econômicas e diplomáticas acabavam subordinadas à lógica da lealdade política, e o alinhamento com Trump tornou-se uma de suas principais marcas identitárias. Mais do que uma aproximação entre governos, consolidou-se uma afinidade baseada em narrativas semelhantes, valores compartilhados e uma visão comum sobre instituições, política internacional e conflitos culturais.

LIMITES – A realidade econômica, porém, impõe limites que a retórica não elimina. Quando decisões adotadas por um aliado internacional passam a produzir custos para exportadores, produtores rurais e setores industriais brasileiros, a fidelidade ideológica deixa de ser apenas um princípio político para gerar consequências concretas. Esse choque tornou-se evidente com a nova rodada de tarifas anunciada pelos Estados Unidos.  

Flávio Bolsonaro argumentou que a medida poderia fortalecer politicamente o presidente Lula da Silva e ampliar prejuízos para segmentos relevantes da economia. Seu significado político, contudo, é claro: o mesmo grupo que transformou Trump em referência política viu-se obrigado a pedir a revisão — ou, ao menos, o adiamento — de uma decisão tomada por seu principal aliado internacional.

A mudança torna-se ainda mais significativa quando comparada a episódios anteriores. Em diferentes momentos, integrantes da família Bolsonaro minimizaram os efeitos de medidas adotadas por Washington em nome da convergência ideológica. Agora, a preocupação deslocou-se para os custos eleitorais e econômicos desse alinhamento. Não houve uma revisão doutrinária, mas o reconhecimento de que a proximidade automática com Trump passou a impor dilemas cada vez mais evidentes à medida que se aproxima a eleição de 2026.

DIVERGÊNCIAS –  As diferenças entre Flávio e Eduardo Bolsonaro ajudam a compreender esse momento sem que seja necessário tratá-las como uma ruptura familiar. Elas refletem a convivência de prioridades distintas dentro do mesmo universo político. Enquanto um procura ampliar o diálogo com setores moderados, empresariais e produtivos, o outro permanece identificado com a internacionalização do conflito político brasileiro e com a manutenção de vínculos estreitos com o núcleo trumpista. A divergência não rompe o bolsonarismo, mas revela que suas principais lideranças já não respondem aos mesmos incentivos nem compartilham a mesma lógica de atuação.

Esse movimento não se limita à família Bolsonaro. Governadores, parlamentares, empresários, lideranças religiosas e influenciadores digitais passaram a responder a incentivos políticos distintos. Para alguns, o objetivo é ampliar a base eleitoral; para outros, preservar a identidade ideológica que impulsionou o bolsonarismo; há ainda aqueles cuja influência depende da radicalização permanente nas redes sociais. O resultado é uma direita menos homogênea, na qual plataformas antes utilizadas para mobilizar apoiadores contra adversários externos passaram a expor disputas por protagonismo e influência.

As críticas públicas entre antigos aliados, portanto, não podem ser reduzidas a episódios de vaidade ou competição pessoal. Elas expressam uma dificuldade crescente em definir quem conduzirá a oposição e qual estratégia prevalecerá nos próximos anos. A lógica do confronto permanente, que durante muito tempo funcionou como elemento de coesão, passou a conviver com a necessidade de dialogar com setores preocupados com estabilidade econômica, previsibilidade institucional e capacidade de governar. O debate deixa de girar apenas em torno de convicções e incorpora, de forma cada vez mais evidente, cálculos de viabilidade eleitoral.

ALINHAMENTO – Isso não significa que a polarização entre direita e esquerda tenha perdido centralidade. O governo Lula continua sendo o principal adversário do campo conservador, e o antipetismo permanece como importante fator de unidade. O que perdeu força foi sua capacidade de acomodar divergências que hoje envolvem liderança, método de oposição, alianças internacionais e prioridades econômicas. A existência de um adversário comum já não basta para manter alinhados atores submetidos a pressões cada vez mais distintas.

A aproximação das eleições torna esse quadro ainda mais evidente. Até pouco tempo, bastava concentrar as críticas no governo federal para preservar uma relativa unidade. Agora surgem dilemas que não admitem respostas simples: como ampliar o eleitorado sem afastar a militância mais fiel? Como conciliar a herança política de Jair Bolsonaro com as exigências de uma campanha voltada também ao eleitor moderado? Essas questões deslocam o debate da identidade para a estratégia e tornam inevitáveis divergências que antes permaneciam subordinadas à liderança do ex-presidente.

Esse episódio evidenciou uma transição que já estava em curso. Ao tentar conter os efeitos de uma decisão tomada por Washington, Flávio Bolsonaro expôs um dilema que ultrapassa sua atuação individual: conciliar fidelidade política e pragmatismo eleitoral.

REORGANIZAÇÃO – Os acontecimentos recentes revelam, assim, um processo mais amplo de reorganização da direita brasileira. À medida que a sucessão presidencial se aproxima, cresce a pressão para definir prioridades, construir alianças e formular uma estratégia capaz de reunir grupos que já não compartilham automaticamente os mesmos objetivos políticos. O desafio deixou de ser apenas preservar sua unidade simbólica; passou a ser reconstruir uma capacidade efetiva de coordenação política.

Coalizões raramente entram em crise porque deixam de reconhecer seus adversários. Elas se desgastam quando deixam de concordar sobre os custos necessários para alcançar um objetivo comum.  

A direita brasileira continua compartilhando referências e objetivos comuns, mas perdeu a capacidade de transformá-los em ação política convergente. O que as últimas semanas evidenciaram foi o enfraquecimento do principal fator de coesão do bolsonarismo: a liderança capaz de acomodar interesses diversos sem permitir que as divergências se convertessem em disputas abertas.

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Publicado em 12 de julho de 2026 por Tribuna da Internet


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O ABISMO DOS IGUAIS E DOS MAIS IGUAIS: A Batalha da Taxa de Esgoto e a Dura Realidade das Famílias em Jeremoabo


O ABISMO DOS IGUAIS E DOS MAIS IGUAIS: A Batalha da Taxa de Esgoto e a Dura Realidade das Famílias em Jeremoabo


Por José Montalvão


O cenário que se desenha nas conversas de esquina e nas feiras de Jeremoabo é de profunda revolta e incompreensão. A população, sufocada pelas contas de início de mês, vem direcionando críticas contundentes à Presidência da Câmara de Vereadores devido à não aplicação prática da lei que reduziria a abusiva taxa de esgoto de 80% para 40%. Contudo, para sermos justos com os fatos e praticarmos a parcimônia analítica que a verdade exige, é preciso apontar onde reside o verdadeiro nó dessa engrenagem: os vereadores de Jeremoabo fizeram a parte deles. O parlamento municipal aprovou a redução; quem travou o benefício foi o Poder Judiciário.

Infelizmente, o que assistimos no Brasil de hoje é a triste consagração da máxima de que existem "os iguais e os mais iguais". Enquanto um cidadão comum, que sobrevive com um salário mínimo em Jeremoabo, precisa operar milagres para pagar água, energia e uma taxa de esgoto de 80% sem sacrificar a própria alimentação, o aluguel e os remédios, a elite do funcionalismo público vive em outra órbita econômica.

A Blindagem Jurídica da Embasa e o Espelho de Feira de Santana

A frustração do povo de Jeremoabo não é um caso isolado. Trata-se de um roteiro que se repete em toda a Bahia. O Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) já declarou inconstitucional, por exemplo, a lei municipal de Feira de Santana que também reduzia a tarifa de esgoto de 80% para 40%.

O argumento técnico utilizado pelo Judiciário para anular a redução em Feira de Santana — e que serve de escudo para a Embasa em outras cidades — é de que os municípios não têm competência legal para legislar sobre tarifas de saneamento básico. Segundo os tribunais, essa responsabilidade pertence ao Estado e à agência reguladora estadual (Agersa). A justiça acatou a alegação da concessionária de que cortar a taxa pela metade comprometeria o equilíbrio financeiro e os investimentos na rede.

O paradoxo em Jeremoabo é que essa suposta "manutenção do equilíbrio para investimentos" cai por terra ao caminhar pelas nossas ruas: nem toda rua do município tem o serviço de esgoto disponível, mas o peso da tarifa padrão de 80% sobre o consumo de água continua caindo como uma bigorna no bolso do trabalhador.

O Contraste que Dói no Bolso: Penduricalhos versus Salário Mínimo

É impossível não notar o abismo social que rege essas decisões. De um lado, o trabalhador jeremoabense sacrificando a feira da semana. Do outro, o topo da pirâmide jurídica nacional. Recentemente, o país assistiu a declarações de magistrados de tribunais superiores alegando que vencimentos que ultrapassam os R$ 150.000,00 seriam "insuficientes".

Juízes que, em muitas comarcas do interior, cumprem expedientes presenciais reduzidos a poucos dias por semana, continuam acumulando auxílio-moradia, auxílio-médico, auxílio-educação e batalhando por novos penduricalhos retroativos. Diante disso, a sensação de que o pobre só serve para eleger os políticos e pagar impostos para sustentar essa estrutura se torna uma dolorosa constatação cotidiana.

Caminhos Legais: Como o Cidadão Pode Se Defender Hoje

Uma vez que as leis municipais de redução linear correm o risco de ser derrubadas nos tribunais por questões de competência, o cidadão de baixa renda de Jeremoabo precisa acionar as ferramentas jurídicas e federais já existentes para proteger o seu orçamento:

  1. A Tarifa Social de Água e Esgoto (Lei Federal nº 14.898/2024): Este é o caminho formal mais seguro para proteger os trabalhadores de menor renda. Ela garante descontos expressivos nas faturas de famílias inscritas no CadÚnico que ganham até meio salário mínimo por pessoa. O preenchimento desse requisito dá direito ao desconto por lei federal, que nenhuma decisão estadual pode anular.

  2. Contestação por Cobrança Indevida: Se a taxa de esgoto de 80% está sendo cobrada na sua fatura, mas a sua residência sequer possui o sistema de tratamento instalado ou caixas de passagem coletoras na sua rua, a cobrança é ilegal. O cidadão pode e deve contestar esse valor individualmente nos órgãos de proteção ao consumidor (Procon), via Defensoria Pública ou no Juizado Especial Cível, exigindo a suspensão da taxa e a devolução dos valores pagos indevidamente.

Conclusão: O Peso da Realidade

A política tarifária não pode ser uma sentença de fome para o trabalhador. Exigir que um pai de família comprometa sua saúde e sua subsistência para arcar com uma taxa de 80% por um serviço muitas vezes deficitário ou inexistente é a prova de que o sistema precisa de humanização e de critérios sociais urgentes.

Enquanto a macropolítica se perde em tecnicalidades jurídicas para proteger grandes concessionárias, a dor da dona de casa em Jeremoabo é real. Assim como o patrimônio histórico da nossa terra — simbolizado pelo sofrimento cultural no Casarão do Coronel João Sá —, a dignidade das famílias também não pode ser deixada em ruínas. A Câmara Municipal fez a sua parte ao votar o anseio do povo; cabe agora às esferas superiores do Estado e às ferramentas de assistência, como as defendidas na gestão equilibrada do município, dar o suporte necessário para que o jeremoabense não seja esmagado pelo peso dessas tarifas.

José Montalvão

Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI - Registro C-002025).

Blog de Dede Montalvão: Desnudando as injustiças sociais com a força dos fatos, doa a quem doer, em defesa do bolso e da dignidade do trabalhador de Jeremoabo!

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