domingo, setembro 27, 2026

Dino anula decisão do TSE e libera publicação sobre Nossa Senhora que causou dano a Flávio Bolsonaro

 

Dino anula decisão do TSE e libera publicação sobre Nossa Senhora que causou dano a Flávio Bolsonaro

Ministro reverteu decisão de Mendonça que havia ordenado remoção de posts 'notoriamente inverídicos'

Por Luísa Martins/Folhapress

27/09/2026 às 14:20

Atualizado em 27/09/2026 às 14:26

Foto: Alejandro Zambrana/STF/Arquivo

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O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal)

O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), anulou decisão do ministro André Mendonça e liberou publicações nas redes sociais sobre a lei que transformou Nossa Senhora Aparecida em "padroeira do Brasil".

O boato de que Flávio Bolsonaro (PL) iria, se eleito, retirar o título da santa causou danos à campanha, que pediu intervenção do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Mendonça deu decisão favorável ao candidato, justificando os conteúdos como "notoriamente inverídicos".

Porém, neste domingo (27), Dino disse que postagens como a do ator Antônio Tabet não trazem "grau de certeza de ilicitude para extrair duríssimas consequências contra a liberdade de expressão e, em última análise, contra a própria liberdade religiosa".

A decisão de Dino atende a um pedido de Tabet, que teve uma publicação derrubada pelas plataformas digitais por ordem de Mendonça. No texto, o ator afirmava que "a família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida". Não havia menção ao nome de Flávio.

De acordo com Dino, a remoção do conteúdo pressuporia "estabelecer como verdade que 'família miliciana' refere-se a um determinado candidato à Presidência da República". O ministro também disse que debates sobre ideias religiosas não podem ser interditados por decisões judiciais desproporcionais.

"Os adeptos da fé em Nossa Senhora Aparecida ficariam, na prática, receosos ou impedidos de se manifestar", disse Dino, salientando que Flávio chegou a pedir a prisão de um funcionário do Palácio do Planalto por repostar conteúdos sobre Nossa Senhora.

O ministro destacou que o Dia de Nossa Senhora Aparecida, celebrado em 12 de outubro, se aproxima, "o que torna ainda mais incompatível a manutenção de impedimentos desarrazoados à defesa desta modalidade de fé".

"É juridicamente admissível que um candidato ou seus adeptos se oponham a certas convicções religiosas, já que não pode existir nenhuma imposição nesse âmbito temático. Contudo, tal candidato ou seus apoiadores não podem vedar que suas posições sejam informadas e livremente debatidas."

Apesar de ter analisado um pedido especificamente de Tabet, o ministro afirmou que o restabelecimento das postagens vale para todas as "demais que tenham sido excluídas pelo mesmo fundamento". Disse, ainda, que outros perfis que tenham se sentido prejudicados podem pedir a extensão da decisão.

"Com a cassação da decisão no TSE, ficam preservadas a liberdade de expressão e a liberdade religiosa dos que defendem a manutenção da lei que transformou Nossa Senhora Aparecida em 'Padroeira do Brasil'", escreveu Dino.

No TSE, Mendonça disse que a remoção era uma medida "especialmente necessária diante da proximidade do pleito, da sensibilidade do tema para parcela significativa do eleitorado e do alto potencial de disseminação da informação".

Mendonça também afirmou levar em conta "o alcance já obtido pela publicação, a gravidade das imputações, a ausência de lastro probatório mínimo para a narrativa, a sensibilidade religiosa do tema e, sobretudo, a proximidade da eleição".

A notícia falsa sobre a retirada do título de padroeira do Brasil viralizou nas redes sociais na quinta-feira (24). Dias antes, havia circulado a interpretação de que o alinhamento de bispos católicos com Lula (PT) viria de um temor de que Flávio poderia agir nesse sentido, já que evangélicos não cultuam santos.

Não há uma fala conhecida de Flávio sinalizando essa intenção. O senador desmentiu as alegações. Há cerca de um mês, o candidato do PL disse que pretende "declarar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo".

Leia também: Fake sobre Nossa Senhora de Aparecida tem 1 milhão de posts e vira 3ª maior repercussão do ano nas redes

Gonet sobrevive ao caso Master, mas enfrenta desgaste na PGR

Publicado em 27 de setembro de 2026 por Tribuna da Internet

Paulo Gonet evita investigação por 5 a 4

Teo Cury
CNN

O arquivamento do processo administrativo contra Paulo Gonet, que enterrou a possibilidade de investigação pelas mensagens que o mencionam no caso Master, foi visto internamente como uma sobrevida ao procurador-geral da República.

A avaliação tanto de aliados como de críticos é a de que Gonet é um “sobrevivente”. Essas fontes acreditam que o procurador-geral não sai fortalecido do episódio desta sexta-feira (25), mas “segue vivo” para concluir a gestão.

VITÓRIA APERTADA – Uma ala de subprocuradores ouvida pela CNN afirma, no entanto, que a vitória apertada de 5 votos favoráveis e 4 contrários ao arquivamento do caso no Conselho Superior do Ministério Público Federal não tem a capacidade de dissipar a desconfiança sobre a relação de Gonet com Daniel Vorcaro.

O clima na PGR (Procuradoria-Geral da República) é de desgaste, na avaliação de críticos da gestão, desde que as mensagens que citam o procurador-geral foram tornadas públicas.

Piorou após a revelação da fotografia em que Gonet aparece ao lado de Vorcaro e do advogado Ciro Soares, que fez a interlocução entre os dois, bebendo uísque e fumando charuto em Londres.

CREDIBILIDADE – Parte dos integrantes da PGR diz que o chefe do MPF perdeu a confiança institucional. A percepção de algumas dessas fontes é a de que havia certa resistência entre colegas na primeira instância e de que agora o incômodo atinge também parte dos subprocuradores — o nível mais alto da carreira.

Os colegas de dentro e de fora do conselho que defendiam a apuração dos fatos dizem que a desconfiança deve persistir e que será necessário analisar se Gonet vai assimilar as críticas feitas durante a sessão.

Acreditam ainda que o procurador-geral buscará se preservar ao máximo nos desdobramentos, sem abrir mão do caso, mas dividindo cada vez mais as atribuições com os outros três colegas que atuam no caso Master.

IMPACTO – Aliados de Gonet minimizam a desconfiança dos colegas e descartam impacto na gestão do procurador-geral, que permanece no cargo até o final do próximo ano. Mas admitem que pode haver constrangimento durante as próximas sessões do Conselho Superior do MPF.

A ala próxima ao procurador-geral não esconde, no entanto, a surpresa com o placar da votação e com o posicionamento dos colegas que defenderam que houvesse investigação contra Gonet. Avaliam, contudo, que a decisão encerra o assunto.

 

Flávio usa crise do STF na campanha e ignora “Dark Horse” e relação com Vorcaro


Fake sobre Nossa Senhora de Aparecida tem 1 milhão de posts e vira 3ª maior repercussão do ano nas redes

 

Fake sobre Nossa Senhora de Aparecida tem 1 milhão de posts e vira 3ª maior repercussão do ano nas redes

Levantamento do Instituto Democracia em Xeque aponta que páginas e perfis à esquerda dominaram narrativa falsa contra Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência

Por Vinícius Valfré/Estadão

27/09/2026 às 08:40

Foto: Vittor Sales/Divulgação/Arquio

Imagem de Fake sobre Nossa Senhora de Aparecida tem 1 milhão de posts e vira 3ª maior repercussão do ano nas redes

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) faz selfie com uma apoiadora

A divulgação de informações falsas atrelando o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a um projeto de tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil teve quase 1 milhão de publicações nas redes sociais em menos de três dias e se tornou o terceiro maior episódio político nas redes sociais em 2026.

A constatação é de um levantamento do Instituto Democracia em Xeque (IDX), divulgado no sábado, 26, com base na análise de postagens que inundaram as plataformas digitais desde quinta-feira, 24.

A pesquisa registrou 977,6 mil publicações no intervalo de 55 horas, que renderam 8,5 milhões de interações, como comentários, curtidas e republicações.

Ao analisar as primeiras 24 horas de publicações sobre o tema, o IDX encontrou 669,9 mil publicações. O montante coloca o “caso Nossa Senhora Aparecida” como o terceiro maior mobilizador de debate na internet no ano.

A controvérsia sobre a padroeira só não teve mais repercussão nas primeiras 24 horas desde que ganhou as redes, de acordo com o IDX, do que as publicações sobre o embate entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal (STF), em 1º. de setembro, após o furo do Estadão sobre o caso Master, e sobre os áudios trocados por Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro tratando do financiamento do filme “Dark Horse”, em 13 de maio.

A desinformação nasceu com o resgate, por governistas, de um projeto apresentado em 2007 e arquivado em 2008. De acordo com o monitoramento de redes sociais realizado pela campanha de Flávio Bolsonaro, a primeira publicação foi feita pelo influenciador Jeferson de Oliveira Monteiro, autor do perfil governista “Dilma Bolada”.

Segundo o levantamento da equipe do candidato do PL, apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a publicação de Jeferson, feita às 21h50 de quarta-feira, 23, levou a uma onda de boatos e distorções a partir dos minutos seguintes.

“Católico não vota em nenhum Bolsonaro e nem em nenhum candidato que queira retirar o título de Nossa Senhora Aparecida de Padroeira e Rainha do Brasil. Tudo com Jesus. Nada sem Maria. E Bolsonaro na cadeia!”, diz a publicação no perfil de Jeferson. A reportagem não conseguiu contato com o autor.

A informação falsa escalou por volta das 20h13 do dia seguinte, quinta-feira, quando o programa Em Pauta, da GloboNews, abordou que a Igreja Católica estaria preparando uma reação a uma suposta mobilização de evangélicos em torno do projeto e que isso poderia “surtir efeito, entre os católicos, a favor de Lula”. Horas depois, a própria emissora veiculou uma correção. “Nós pedimos desculpas pelo erro”, afirmava a nota exibida pelo canal.

Mesmo quando já era público que as informações que circulavam sobre ataques de Flávio Bolsonaro a Nossa Senhora Aparecida eram falsos, o coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), George Marques da Silva e Silva, republicou mensagem que estimulava o compartilhamento das mensagens.

“Parem de divulgar retratação. Deixem o assunto rolar. Eles fizeram isso em outras eleições e quase nos ferram. Continuem compartilhando que nossa senhora foi atacada, precisa chegar no interior do Nordeste, no interior do Norte”, dizia a publicação, que depois foi apagada. Flávio pediu a prisão preventiva do integrante do governo Lula pelo caso.

As publicações voltaram a ter um pico no sábado (26) por causa da decisão do ministro André Mendonça, do STF, que determinou a remoção de publicações que tratavam como verdadeira a versão de que Flávio Bolsonaro tiraria o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. A nova onda de postagens dos perfis à esquerda usou a decisão, segundo o IDX, para deslocar o debate religioso para o de censura e prejuízo à liberdade de expressão.

No recorte do IDX sobre 345 posts de perfis políticos monitorados, os grupos considerados à esquerda do espectro político produziram 66% das publicações, já os apontados à direita, 33%, e a imprensa 1%. Considerando as interações em todas as publicações, a esquerda fez 70% delas. A direita, 30%.

Nesses perfis políticos, o IDX observou que a mobilização contra Flávio foi o “principal eixo da conversa”. As 345 publicações foram dividas, pelo estudo, em quatro frentes. Três delas foram emplacadas pela esquerda.

As publicações em torno da frente “tirar o título de Aparecida” foram 53% de todas as publicações. E os grupos à esquerda foram responsáveis por 80% delas. Os da direita, 19%.

Outro grupo de mensagens classificadas pelo estudo foi referente à “mobilização evangélica e o projeto de lei de 2007”. Elas foram 17% das publicações encontradas, e as páginas da esquerda fizeram 88% delas. As da direita, 10%. As menções ao projeto foram usadas pela esquerda para dar sustentação à narrativa, segundo o estudo.

Nesses dois “clusters” de mensagens, as publicações da imprensa foram 2% do total.

A esquerda também fez publicações em torno da mensagem “Bolsonaro e Aparecida em 2022”, que foram 11% do total. Nesse “cluster”, a ideia era resgatar supostos bolsonaristas em condutas que seriam desrespeitosas no Santuário Nacional de Aparecida. A esquerda fez 78% das publicações desse recorte. A direita, 22%.

A contraofensiva da direita foi reunida em mensagens em torno do tema “Flávio nega e ataca Globo”. Mas esse “cluster” foi apenas 20% do total de publicações mapeadas sobre o assunto da santa católica nos perfis políticos. A direita foi responsável por 96% dele. A esquerda, 3%. A imprensa, 1%.

Segundo a nota metodológica do estudo, a coleta dos conteúdos analisados foi “realizada a partir de perfis no Facebook e Instagram, canais do YouTube, perfis no X e no TikTok, com no total mais de 19 mil perfis”. O levantamento também informa ter usado “dados obtidos pela ferramenta de social listening Talkwalker”.

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