|
| ABSTRACT |
| Corruptocracia: O regime político brasileiro (Atena Editora) | ||||||||||
| ||||||||||
| ABSTRACT |
| Atena Editora |

BC divulga documentos sobre autorização a Vorcaro
Johanns Eller
O Globo
Em uma guinada de posição sobre o processo que autorizou Daniel Vorcaro a assumir o Banco Master, o Banco Central (BC) tornou públicos os votos da cúpula da autarquia, que em fevereiro de 2019 negou a transferência do controle da instituição para o banqueiro e, oito meses depois, deu sinal verde para a operação na gestão de Roberto Campos Neto.
A equipe da coluna vinha tentando obter os documentos por meio da Lei de Acesso à Informação desde fevereiro deste ano, mas a solicitação foi negada pelo BC. Foi disponibilizado apenas o extrato dos votos, um resumo sintético do que se tratou na análise técnica dos diretores. Dois dias depois da publicação da reportagem, a autarquia enviou o material por e-mail, fora da plataforma Fala.BR do governo federal por meio da qual são formalizados os pedidos de acesso à informação e os recursos, quando necessário.
TRECHOS TARJADOS – Os votos foram fornecidos com trechos tarjados para encobrir informações cobertas por sigilo bancário previsto em lei. Os arquivos, porém, ainda não explicam a origem dos recursos usados por Vorcaro, informação crucial para subsidiar a cúpula da instituição no processo decisório. Sem estes dados, não é possível avaliar a viabilidade de um potencial controlador para assumir uma instituição financeira.
Questionado sobre o que teria levado à mudança de posição da autarquia, o Banco Central admitiu ter revisitado o tema após a divulgação limitada ao extrato dos votos e ressaltou que a informação também havia sido solicitada por outros entes, seja por meio da assessoria de imprensa ou da Lei de Acesso à Informação.
“Após concessão de extrato dos referidos votos, seguiu-se análise pela área técnica responsável e a Procuradoria-Geral do Banco Central, a fim de identificar possibilidade de ampliação da transparência, resultando no fornecimento dos referidos votos com aposição de tarjas sobre o conteúdo sigiloso”, afirma a nota do regulador.
ALEGAÇÃO – O BC alegou que, na sequência, encaminhou os arquivos para todos os que solicitaram as informações até aquele momento: “No sentido de preservar a simetria da informação, foram resgatadas todas as demandas sobre o assunto e enviados os documentos aos respectivos demandantes por e-mail”.
No material disponibilizado pela autarquia está o voto do então diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central, Sidnei Corrêa Marques, que negou em fevereiro de 2019 o pedido de Daniel Vorcaro para assumir o Máxima. Marques integrava a gestão de Ilan Goldfajn, nomeado por Michel Temer para comandar o BC. Duas semanas depois da decisão, Goldfajn foi substituído por Roberto Campos Neto, indicado pelo recém-empossado presidente Jair Bolsonaro.
ORIGEM DO DINHEIRO – O principal argumento usado pelo diretor do BC para indeferir o pedido do banqueiro foi que o próprio Vorcaro não conseguiu comprovar a origem do dinheiro injetado no Máxima para obter a maioria das ações do banco e, por consequência, assumir a condição de controlador.
“É primordial que os pretensos controladores comprovem capacidade econômica e financeira, não só para fazer face à aquisição do controle (condição não atendida, conforme já mencionado), mas também para capitalizar a instituição sempre que for necessário no curso de seu funcionamento, inclusive em razão de prejuízos futuros, tais quais os registrados nos últimos anos”, destaca o dirigente no documento.
Sobre Vorcaro, Sidnei Corrêa Marques frisou que boa parte do dinheiro usado pelo executivo na operação era oriundo do próprio Máxima: “A fiscalização deste Banco Central apurou que expressiva parcela de recursos para realizar a aquisição das ações do atual controlador foram originados no próprio Banco Máxima, mediante transferências em sequência de recursos entre a instituição, empresas de propriedade de Daniel Vorcaro e fundos de investimentos; inquirido, o interessado não apresentou elementos que elucidassem essa questão de forma clara e inequívoca”.
SUPERFATURAMENTO – Marques destacou ainda que alguns dos ativos apresentados para comprovar a capacidade financeira tinham origem em fundos e eram lastreados em imóveis com indícios de superfaturamento. O dirigente do BC apontou inconsistências em laudos de avaliação imobiliária anexados à proposta de Vorcaro realizados por método comparativo sem que tenham sido identificados outros imóveis similares em tamanho e potencial construtivo.
No voto, o diretor disse que a omissão denotava “considerável fragilidade e assertividade em relação aos números apresentados nesses laudos”. O segundo voto disponibilizado pelo órgão regulador, que abriu caminho para Vorcaro se tornar dono do Máxima e estruturar o que viria a ser o Master, se deu oito meses depois. O aval foi dado pelo substituto de Marques na diretoria, João Manoel Pinho de Mello, em outubro de 2019.
Ao contrário do documento de fevereiro, o voto de Pinho de Mello não detalha a origem dos recursos e nem especifica como a procedência foi comprovada pelos interessados. O diretor do BC se limitou a afirmar que, em fevereiro, quando o órgão indeferiu o pedido de Vorcaro, a autarquia não levou em conta previsões do fluxo de caixa das empresas das quais o executivo era sócio e nem laudos a respeito do valor de mercado dos investimentos destas companhias.
COMPATIBILIDADE – Segundo Pinho de Mello, os resultados das empresas no ano anterior, 2018, eram compatíveis com as projeções feitas na época, o que tornaria possível aferir que o mesmo resultado ocorreria ao final de 2019. O diretor escreveu também que os números eram condizentes com a capacidade econômico-financeira exigida pelo Banco Central.
“Entretanto, no presente processo, foram feitas novas avaliações pelo Deorf, com base na documentação encaminhada pelo interessado, em que se verificou a compatibilidade das projeções com os resultados das suas empresas até 31 de dezembro de 2018, os quais foram distribuídos parcialmente em 2019, demonstrando que o total de recursos esperados para este ano está realmente se concretizando”, escreveu o diretor em seu voto.
À época, o Máxima tinha como controlador o banqueiro Saul Sabbá. O executivo viria a ser denunciado em 2021 por gestão fraudulenta pelo Ministério Público Federal (MPF) por, entre outras irregularidades, simular a valorização dos ativos do banco e dissimular a insuficiência de capital. Sabbá confessou os crimes e fechou um acordo com a Justiça no início de 2025, antes de Vorcaro ser preso e o Master, liquidado.
BRIGA POLÍTICA – A menos de seis meses para a eleição presidencial, a liberação do BC para que Vorcaro se tornasse dono do Master na gestão de Campos Neto, aliado de Bolsonaro, pouquíssimo tempo após a operação ser vetada sob Ilan Goldfajn vem sendo explorada por Lula, ministros e aliados no Congresso. O presidente da República afirmou no início do mês que “o Master é obra, é ovo da serpente do Bolsonaro e do Roberto Campos, ex-presidente do Banco Central”.
No mês passado, em uma reunião no Palácio do Planalto, o petista chegou a pedir ao presidente do BC, Gabriel Galípolo, produzir um documento oficial sobre medidas tomadas por Campos Neto que teriam ajudado o Master. Galípolo foi indicado ao cargo com apoio de Lula e do então ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
IRRITAÇÃO – Mas o dirigente do órgão regulador não só não fez o documento como declarou, na CPI do Crime Organizado, que “não há, em nenhum processo de auditoria ou de sindicância, nada que encontre qualquer culpa por parte do ex-presidente Roberto Campos”. Galípolo também negou que o antecessor tivesse atuado para impedir uma intervenção ou liquidação do Master ao longo de 2024. As duas respostas provocaram bastante irritação entre auxiliares mais próximos de Lula, incluindo parlamentares no Congresso.
Campos Neto também não compareceu à CPI do Crime Organizado, apesar de ter sido convocado três vezes. A comissão encerrou os trabalhos na semana passada com um relatório controverso que pedia o indiciamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O texto do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) foi rejeitado pelos integrantes do colegiado após articulação do governo Lula, do Centrão e do próprio Supremo.
Publicado em Geral | Deixe um comentário |

Charge do Iotti (Zero Hora)
Fábio Zanini
Folha
Há dez anos, a votação do impeachment de Dilma Rousseff (PT) pela Câmara dos Deputados produziu uma imagem palpável do que muitas vezes é o conceito abstrato da polarização.
Um muro formado por placas de metal, construído no gramado da Esplanada dos Ministérios, dividiu naquele dia multidões de camisetas amarelas, a favor do afastamento da então presidente, e vermelhas, resistindo ao que chamavam de “golpe”. Sem a divisória, sabe-se lá que tragédia poderia ocorrer.
LEGADO – Desde então, o país nunca mais conseguiu se encontrar no centro, no que talvez seja o legado mais duradouro daquele momento histórico. O impeachment de Dilma coroou o nascimento da chamada “nova direita”, que se assumiu como tal depois de ter passado décadas alojada de maneira desconfortável em partidos que representavam mais o antipetismo do que um genuíno conservadorismo.
A destituição da presidente foi também a semente que dois anos depois levaria Jair Bolsonaro ao poder e daria origem ao movimento formado por seu sobrenome. Naquele momento, no entanto, o então deputado federal e capitão reformado do Exército ainda era apenas um coadjuvante folclórico.
Sua participação no afastamento de Dilma se resumiu a elogiar um militar torturador na hora do voto (o coronel Carlos Brilhante Ustra) e ser alvejado por uma cusparada desferida pelo ex-BBB e deputado Jean Wyllys. É sintomático que a edição da Folha do dia posterior ao impeachment tenha dedicado duas linhas ao futuro presidente, resumindo-o a “polêmico deputado, ídolo da extrema direita”.
“GOLPE” – A polarização invadiu também o vocabulário para nunca mais sair. “Golpe” adquiriu um sentido novo, para englobar inclusive atitudes perfeitamente constitucionais, por mais discutíveis que sejam. Referir-se a Dilma como “presidenta” ou “presidente” já entregava de que lado a pessoa estava.
As redes sociais ainda não dominavam o ciclo político como hoje, nem tinham a carga tóxica que iriam adquirir antes do final daquela década. Mas já não eram irrelevantes para o debate público e ajudaram a popularizar apelidos como “Bessias”, alcunha que nunca mais desgrudou do hoje indicado ao STF Jorge Messias.
Já o “tchau, querida” de Lula para Dilma virou um slogan da oposição na hora da votação –há dez anos foi um telefonema interceptado, hoje provavelmente seria um áudio enviado por WhatsApp.
VICE DECORATIVO – Michel Temer, que assumiria a Presidência interinamente menos de um mês depois da sessão da Câmara (e definitivamente após a votação do Senado, em agosto), também marcou seu nome na posteridade com a carta em que lamentou ser “vice decorativo”, a predileção por expressões em latim (“verba volant, scripta manent”), as mesóclises e o curioso balé com as mãos durante falas e entrevistas.
E como esquecer de Eduardo Cunha e seu desejo de “que Deus tenha misericórdia dessa nação”, ao contemplar o desfecho do processo que deflagrou? O impeachment marcou o país de outras maneiras que se refletem até os dias de hoje. Foi um momento de afirmação do centrão, bloco de deputados de pouca ideologia que foi a base de sustentação do governo Temer. Seu poder nunca mais parou de crescer desde então, vitaminado pelas emendas impositivas que hoje engessam o Executivo.
Foi no impeachment que Gilberto Kassab consolidou sua fama de camaleão da política, ministro de Dilma até a véspera do afastamento e de Temer logo depois que ele assumiu. Também foi um dos últimos respiros de relevância para o PSDB, que emprestou quadros e prestígio para o novo presidente, indicando, por exemplo, o ministro das Relações Exteriores.
LAVA JATO – Não menos sintomático, a saga que destituiu a primeira chefe de Estado mulher da história republicana se deu sob a sombra das denúncias da Lava Jato, fator que pesou bem mais para o desfecho do processo que o pretexto formal das pedaladas fiscais.
Hoje, é o caso Master que assombra a classe política, já comparado em dimensão ao escândalo de dez anos atrás. A diferença é que seu impacto político ainda é imprevisível.

Ex-presidente do BRB que fechar acordo de delação premiada
Pedro do Coutto
O escândalo envolvendo o Banco Master evoluiu rapidamente de uma investigação financeira complexa para um potencial ponto de tensão entre instituições no Brasil. A possibilidade de uma delação premiada por parte do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, introduz um novo elemento de instabilidade em um caso que já mobiliza o sistema político, o mercado e setores do Judiciário.
Em episódios dessa natureza, não é apenas o conteúdo das revelações que importa, mas o alcance que elas podem ter sobre a estrutura de poder e a confiança pública. Embora não haja confirmação de envolvimento direto de ministros do Supremo Tribunal Federal em irregularidades, o simples fato de o caso tangenciar o ambiente da Corte já é suficiente para ampliar sua dimensão política e institucional.
MODELO SOFISTICADO – As suspeitas já conhecidas apontam para operações complexas envolvendo transferência de ativos, possíveis irregularidades na gestão de carteiras de crédito e indícios de benefícios indevidos, sugerindo um modelo sofisticado de engenharia financeira com potenciais ramificações institucionais.
O problema, contudo, não se limita ao conteúdo das investigações, mas à percepção pública que delas decorre. Quando nomes ligados ao topo do sistema de Justiça aparecem, ainda que de forma indireta ou sem comprovação de ilícitos, o impacto não é apenas jurídico — é político e simbólico. A credibilidade do Judiciário passa a ser tensionada, e o debate deixa de ser estritamente técnico para se tornar parte de uma disputa mais ampla sobre confiança institucional.
É nesse ambiente que uma eventual delação ganha peso estratégico. Dependendo do que for apresentado — e, sobretudo, do que puder ser comprovado — o país pode assistir a uma ampliação significativa do caso ou a um reposicionamento das responsabilidades já conhecidas.
DUPLO EFEITO – Mas há um risco evidente: o uso político de narrativas não verificadas ou a antecipação de julgamentos com base em vazamentos pode contaminar o processo e comprometer a própria busca pela verdade. A experiência recente brasileira mostra que grandes operações têm esse duplo efeito — fortalecem mecanismos de controle, mas também podem gerar crises de legitimidade quando atingem estruturas sensíveis do poder.
O caso, portanto, coloca o sistema diante de uma encruzilhada. De um lado, a necessidade de investigar com profundidade, sem blindagens e sem seletividade; de outro, a responsabilidade de evitar que suspeitas não confirmadas sejam tratadas como fatos consumados.
O equilíbrio entre esses dois vetores será determinante. Mais do que eventuais responsabilizações individuais, o que está em jogo é a capacidade das instituições de atravessar mais uma crise preservando sua autoridade e sua legitimidade perante a sociedade. Porque, ao fim, escândalos dessa natureza não testam apenas pessoas — testam a solidez do próprio Estado.
Publicado em 24 de abril de 2026 por Tribuna da Internet
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_d975fad146a14bbfad9e763717b09688/internal_photos/bs/2026/p/J/iGXwyPQNCFrKxL2B3SuA/captura-de-tela-2026-04-21-084714.png)
A desembargador Eva simboliza o próprio retrato do Inferno
Vicente Limongi Netto
O troféu indecoroso de porta-estandarte da estupidez nacional pertence a uma desembargadora do Tribunal de Justiça do Pará, Eva do Amaral Coelho. A despudorada juíza Eva cobriu a consciência nacional de vergonha ao reclamar do salário líquido de março de 91.211,82 reais.
Para a infame magistrada, a redução dos penduricalhos para magistrados, determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), significa a volta da escravidão.
ABISSAL IGNORÂNCIA – A nação indignada repudiou a abissal ignorância da desprezível togada. Eva do Amaral deslustra ainda mais o Judiciário, ultimamente atravessando inferno astral sem precedente.
Diaristas e trabalhadores em geral não ganham, trabalhando durante anos, o salário da patética e chorona desembargadora. A desonra tomou conta do Brasil. Acabou o pudor, a esperança de dias melhores. A escória togada ajuda a arrastar o Brasil para o ralo da imundície social.
Esta Eva precisa ser expulsa do Paraíso e purgar suas penas no inferno.
APENAS NO ZOO – Passaram sem festas os 66 anos de Brasília. Mas a data não ficou totalmente em branco. O amplo zoológico foi de graça. O brasiliense viu hienas e abutres e lembrou de Ibaneis Rocha, Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro, que destruíram o Banco Regional de Brasília.
A população também se divertiu com os pavões de cauda aberta, recordando as figuras de Alexandre de Moraes, Dias Toffoly, Flávio Dino e Gilmar Mendes.
As éguas, burros, cavalos, jumentos e cobras venenosas representaram políticos, especialmente do PT, do Centrão e do Partido Liberal. O show de palhaços homenageou crianças, em particular e o povo, em geral, que desde sempre vem fazendo papel de palhaço.
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Corruptocracia: O regime político brasileiro (Atena Editora) Atena Editora 2021, Corruptocracia: O regime político brasileiro (Atena Edit...