sábado, agosto 01, 2026

Veja quem são os candidatos a governador de Lula e Flávio; acordos ainda podem mudar até 5 de agosto

 

Veja quem são os candidatos a governador de Lula e Flávio; acordos ainda podem mudar até 5 de agosto

Alianças ainda podem mudar até 5 de agosto, quando termina o prazo das convenções

Por Laura Intrieri/Folhapress

01/08/2026 às 10:30

Foto: Ricardo Stuckert/PR e Andressa Anholete/Agência Senado

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O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)

Na reta final das convenções partidárias, o presidente Lula (PT) tem nomes associados a seu campo para os governos nas 27 unidades da Federação.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chega à mesma etapa com cinco estados sem palanque definido ou em que seu partido não lançou candidato nem se aliou a outra chapa: Acre, Alagoas, Maranhão, Minas Gerais e Pernambuco.

A lista reúne candidaturas próprias, apoios declarados e alianças estaduais, que ainda podem mudar até a próxima quarta (5), quando termina o prazo das convenções.

Nos últimos meses, os dois lados barraram candidaturas próprias, administraram disputas internas e priorizaram alianças para ganhar capilaridade nos estados. A montagem das chapas exige conciliar as eleições para governador e para o Senado com os acordos nacionais de cada partido.

Norte

Na região Norte, o campo de Lula reúne Dr. Thor Dantas (PSB), no Acre; Clécio Luís (União Brasil), no Amapá; Omar Aziz (PSD), no Amazonas; Hana Ghassan (MDB), no Pará; Expedito Netto (PT), em Rondônia; Nelita Frank (PT), em Roraima; e Laurez Moreira (PSD), no Tocantins.

Flávio tem nomes identificados em seis estados da região: Maria do Carmo Seffair (PL), no Amazonas; Daniel Santos (Podemos), no Pará; Marcos Rogério (PL), em Rondônia; Arthur Henrique (PL), em Roraima; Professora Dorinha Seabra (União Brasil), no Tocantins; e Dr.Furlan (PSD), no Amapá.

Nordeste

Lula tem nomes definidos nos nove estados nordestinos: Renan Filho (MDB), em Alagoas; Jerônimo Rodrigues (PT), na Bahia; Elmano de Freitas (PT), no Ceará; Felipe Camarão (PT), no Maranhão; Lucas Ribeiro (PP), na Paraíba; João Campos (PSB), em Pernambuco; Rafael Fonteles (PT), no Piauí; Cadu Xavier (PT), no Rio Grande do Norte; e Fábio Mitidieri (PSD), em Sergipe.

Na Bahia, a disputa vai reeditar o confronto de 2022 entre Jerônimo e ACM Neto. O PT trabalha para nacionalizar a campanha e estimular o voto casado no governador e em Lula, enquanto o PL integra a aliança estadual do ex-prefeito de Salvador. ACM Neto, porém, adotou uma estratégia de distanciamento da eleição presidencial e declarou apoio a Ronaldo Caiado, do PSD.

O Nordeste concentra algumas das principais dificuldades de Flávio na montagem dos palanques. Os alinhados a Flávio na região são Efraim Filho (PL), na Paraíba; Joel Rodrigues (PP), no Piauí; Álvaro Dias (PL), no Rio Grande do Norte; e Ricardo Marques (PL), em Sergipe. No Ceará, o partido trabalha por uma aliança estadual com Ciro Gomes, mas o tucano tem sinalizado que não participará da campanha presidencial.

Centro-Oeste

No Distrito Federal, Lula terá dois palanques locais separados, com Leandro Grass (PT) e Ricardo Cappelli (PSB). A governadora Celina Leão (PP) é o nome associado a Flávio. O apoio do PL a Celina vinha sendo articulado nos bastidores, com participação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), embora a composição formal ainda dependesse das convenções.

Em Goiás, o PT trabalha com Luís César Bueno para dar palanque a Lula, enquanto Wilder Morais é o candidato do PL. Em Mato Grosso, Natasha Slhessarenko (PSD) é o nome associado ao presidente e Wellington Fagundes (PL), ao senador.

Em Mato Grosso do Sul, Fábio Trad (PT) será o candidato de Lula. O governador Eduardo Riedel (PP) declarou apoio a Flávio.

Sudeste

No Espírito Santo, Helder Salomão (PT) é o candidato ligado a Lula. No campo de Flávio, o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) declarou apoio ao senador e negociou uma aliança com o PL.

Em Minas Gerais, o PT definiu Patrus Ananias como candidato ao governo e encerrou a última indefinição na articulação de Lula. Flávio ainda não tem palanque mineiro decidido. O PL aguardava a decisão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera pesquisas para o governo, mas ainda não confirmou a candidatura.

No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) é o nome ligado a Lula, e Douglas Ruas (PL), a Flávio. Jane Reis (MDB) integra a chapa de Paes como vice.

Em São Paulo, os dois lados estão consolidados. O PT oficializou Fernando Haddad como candidato ao governo em convenção com Lula, enquanto o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tenta a reeleição como principal aliado estadual de Flávio.

Sul

No Paraná, Lula terá como palanque Requião Filho (PDT), após o PT fechar uma aliança estadual com o partido. Flávio estará com Sergio Moro (PL), que lançou sua candidatura ao governo ao lado do senador.

No Rio Grande do Sul, o PT apoiará Juliana Brizola (PDT), depois de abrir mão da candidatura de Edegar Pretto em favor da unidade da aliança. Flávio terá Luciano Zucco (PL), que oficializou sua candidatura com a presença do presidenciável.

Em Santa Catarina, o ex-deputado e empresário Gelson Merísio (PSB) diz que pretende oferecer um "palanque sólido" a Lula. O governador Jorginho Mello (PL), candidato à reeleição, está no campo de Flávio.

Concorrência cresce, e vendas do Brasil à Argentina despencam no 1º semestre

 

Concorrência cresce, e vendas do Brasil à Argentina despencam no 1º semestre

Entrada de produtos no país tem queda de 19,4%, revertendo resultado da primeira metade de 2025

Por Douglas Gavras/Folhapress

01/08/2026 às 08:20

Foto: Agência Brasil/Arquivo

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Porto de Santos

Revertendo um movimento do mesmo período do ano passado, quando os argentinos passaram a comprar até mais carnes do Brasil, as exportações brasileiras para o país vizinho caíram 19,4% no primeiro semestre de 2026.

De acordo com o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), de janeiro a junho, o Brasil vendeu US$ 7,4 bilhões à Argentina, ante US$ 9,1 bilhões na primeira metade do ano anterior —com redução da participação do país nas exportações brasileiras de 5,5% para 4%.

Há um ano, enquanto o Brasil enfrentava a primeira onda de tarifas dos Estados Unidos e buscava outros mercados para seus produtos, a Argentina se mostrou como uma opção de venda.

Neste ano, a perda de mercado argentino ocorreu de forma gradual durante 2026, após um final de 2025 com alguns meses de crescimento nas compras brasileiras. Ainda assim, a Argentina permanece como o terceiro maior destino das exportações do Brasil, após a China e os Estados Unidos.

No mês de junho de 2026, as principais exportações brasileiras para a Argentina foram de veículos de passageiros (16,9%), partes e acessórios de veículos automotivos (7,9%) e veículos de transporte de mercadorias (4,3%).

No primeiro semestre, as vendas de veículos de passageiros brasileiros caíram 28,2% em valor ante o mesmo período de 2025; no caso das autopeças e acessórios, a redução foi de 28,7%.

No sentido contrário, o Brasil comprou da Argentina veículos automóveis para transporte de mercadorias (26,5% do total), veículos automóveis de passageiros (10,6%) e trigo e centeio (7%).

As oscilações no comércio entre os dois países são comuns devido a uma maior instabilidade da economia argentina, à demanda da indústria automotiva e à taxa de câmbio. O comércio já apresentou períodos de queda e recuperação, com um crescimento de mais de 30% em alguns meses.

A política econômica do governo argentino também tem tido dificuldade para manter a demanda por consumo.

Ainda assim, a publicação com os dados de queda nas vendas brasileiras coincide com a crise recente após as ofensas proferidas por Javier Milei ao presidente Lula (PT) em um evento do PL que confirmou a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto.

Milei também sugeriu que o governo brasileiro estaria financiando uma campanha contra sua administração, levando o Itamaraty a convocar o embaixador argentino para explicações. Nos dias seguintes, o governo argentino disse acreditar que a crise política não impactará a relação diplomática ou comercial.

Para além das divergências com Lula, Milei tem tomado medidas para flexibilizar as importações, o que acaba favorecendo a entrada de produtos chineses no mercado local e afeta o mercado automotor, importante para o Brasil.

A Casa Rosada criou uma cota de 50 mil unidades por ano para importação de veículos elétricos e híbridos com tarifa zero, sendo que metade pode vir de marcas da China. O governo também facilitou a entrada de autopeças sem necessidade de validação extra de selos de segurança e meio ambiente.

"A queda no custo das peças de reposição acabará com a prática de preços combinados e aumentará a segurança dos veículos", concluiu o então porta-voz da Casa Rosada, Manuel Adorni.

No primeiro semestre, a China voltou a ultrapassar o Brasil como principal fonte de importações. Segundo o Indec (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos), os argentinos compraram US$ 7,98 bilhões dos asiáticos, ante US$ 7,35 bilhões do Brasil.

Desde que o ultraliberal chegou ao poder, o cenário automotivo na Argentina acelerou essa mudança, especialmente com a presença crescente das montadoras chinesas, que se consolidaram no mercado.

Em apenas seis meses desde que passou a ser vendida na Argentina, a BYD já passou a figurar entre as dez marcas mais vendidas no país. Outra chinesa, a Baic, chegou a figurar no top 10 no fim de 2025.

No acumulado de 2026, a BYD vendeu mais de 8.000 veículos na Argentina (3% do total no período), ficando em oitavo lugar e tendo um desempenho superior à de outras marcas tradicionais, como Honda e Nissan, de acordo com a Acara (Associação de Revendedores Automotivos da República Argentina).

A abertura da economia pelo governo Milei também é entendida como um esforço para reduzir os preços e melhorar a situação econômica do país, ao mesmo tempo que a inflação continua a ser um problema para os argentinos.

Enquanto a indústria de autopeças da Argentina sente a dor da terapia de choque de Milei, com as importações da China tendo saltado 80,9% em 2025, o governo afirma que a importação de veículos elétricos está ajudando a reduzir a inflação e que as opções para os consumidores melhoraram.

"Sinto o consumidor argentino mais aberto às marcas chinesas, há uma curiosidade sobre os veículos elétricos e híbridos e quem pode comprar um carro hoje acaba ficando interessado pelas outras no mercado", conta o vendedor Andrés Baglio, que trabalha em uma concessionária de Buenos Aires.

Politica Livre

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Onde termina a diplomacia e começa a ingerência


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Marcelo Copelli
Congresso em Foco

A diplomacia sempre conviveu com uma zona de ambiguidade. Todo Estado observa, comenta e reage aos rumos políticos de outros países — é o que se espera de qualquer ator relevante no sistema internacional. O problema surge quando essa observação deixa de ser análise e passa a ser tentativa de direção. A linha entre as duas coisas nunca foi traçada por lei, mas por um critério decisivo: quem fala, para quem fala e com que propósito.

Um chefe de governo pode, sem qualquer prejuízo às normas internacionais, expressar preocupação com a instabilidade institucional de outro país, criticar uma política econômica ou defender publicamente uma posição sobre direitos humanos. Isso é diplomacia — às vezes desconfortável, quase sempre interessada, mas ainda assim compatível com a soberania alheia.  

INFLUÊNCIA SOBRE ELEITORADO – Um dos sinais mais claros de que a diplomacia se transforma em ingerência aparece quando a manifestação deixa de se dirigir a governos ou instituições e passa a buscar, deliberadamente, influenciar a escolha política do eleitorado de outro país. Nesse momento, muda o interlocutor. E é essa mudança — mais do que o conteúdo da declaração — que transforma um comentário diplomático em pressão política.

A história oferece inúmeros exemplos dessa distinção, ainda que ela raramente tenha sido formulada de maneira explícita. Potências coloniais pressionavam governos recém-independentes por meio de embaixadas, acordos comerciais condicionados e apoio velado a facções internas — mecanismos que, justamente por serem indiretos, preservavam alguma plausibilidade de negação.  

O que mudou no século XXI não foi a existência da prática, mas sua escala, sua velocidade e seu alcance. Hoje, uma declaração de um líder estrangeiro chega ao eleitor comum antes mesmo de alcançar o Ministério das Relações Exteriores do país a que se refere. Ela é replicada por redes sociais, retransmitida pela imprensa e amplificada por influenciadores políticos, sem qualquer mediação diplomática. A ingerência já não precisa de embaixadores. Basta uma conta verificada e um fuso horário favorável.

PROTOCOLOS – Essa mudança de escala altera a natureza do próprio fenômeno. Quando a pressão externa dependia de canais diplomáticos, permanecia, ao menos formalmente, no âmbito das relações entre Estados — sujeita a protocolos, respostas oficiais e a uma linguagem que preservava alguma distância entre quem pressionava e quem era pressionado.  

Quando a mensagem passa a se dirigir diretamente ao eleitor, essa distância desaparece. O que antes era comunicação entre governos transforma-se em comunicação entre um líder estrangeiro e os cidadãos de outro país — e nenhuma instituição diplomática foi concebida para mediar esse tipo de intervenção.

É por isso que reduzir o debate sobre interferência a uma disputa entre simpatizantes e opositores de um governo específico é um erro de análise, não apenas de tom. O critério não pode variar conforme o destinatário da pressão. Um país que aceita a interferência quando ela favorece o governo que apoia e a condena quando prejudica esse mesmo governo não está defendendo a soberania; está usando o conceito como argumento circunstancial. A consequência é previsível: o princípio perde consistência, e as instituições deixam de dispor de um parâmetro confiável para reagir quando o fenômeno voltar a ocorrer, qualquer que seja sua direção política.

EXPOSIÇÃO – O Brasil reúne características que o tornam particularmente exposto a esse tipo de pressão. Sua relevância econômica, sua posição nas discussões ambientais globais, seu protagonismo em fóruns como o BRICS e sua influência regional fazem com que declarações de líderes estrangeiros sobre a política brasileira raramente sejam neutras ou desinteressadas. Isso, por si só, não representa um problema. É a condição normal de qualquer país com peso geopolítico. O problema não está no interesse internacional, mas na tentativa de convertê-lo em influência sobre escolhas que pertencem exclusivamente aos brasileiros.

Reconhecer essa fronteira exige instrumentos institucionais que ainda estão em construção em quase todas as democracias, não apenas na brasileira. Não se trata de blindar o debate público contra qualquer opinião estrangeira — isso seria não apenas impossível, mas incompatível com a abertura que se pretende preservar.  

Há ainda uma dimensão frequentemente esquecida nesse debate. Plataformas digitais, sistemas de recomendação algorítmica e mercados financeiros internacionais operam, cada um por mecanismos próprios, como canais adicionais de influência que não respondem a protocolos diplomáticos nem pertencem a um Estado específico.

INGERÊNCIA – Uma empresa de tecnologia que decide amplificar determinado conteúdo político, ou um fundo de investimento que condiciona decisões de alocação a expectativas eleitorais, pode influenciar o ambiente democrático de um país sem jamais emitir uma nota oficial. Limitar a discussão sobre ingerência aos governos estrangeiros significa ignorar uma parte essencial do problema contemporâneo.

No fim, a distinção entre diplomacia e ingerência depende de um princípio simples: opiniões sobre outro país fazem parte do jogo internacional; tentativas de dirigir a escolha de seus cidadãos, não. Sempre que essa fronteira for cruzada — por um governo, por uma plataforma ou por um mercado —, a resposta não deve depender de quem é favorecido ou prejudicado. Deve começar pela mesma pergunta, em qualquer circunstância: a quem essa mensagem realmente se dirige?

Porque nenhuma democracia permanece plenamente soberana quando a vontade de seus cidadãos deixa de ser formada livremente e passa a ser disputada por atores que jamais responderão às consequências dessa decisão.


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