domingo, agosto 30, 2026

Sorridente e com mensagem religiosa, Maduro aparece em fotos na prisão nos EUA

 

Sorridente e com mensagem religiosa, Maduro aparece em fotos na prisão nos EUA

Post traz mensagem atribuída ao ditador venezuelano deposto, com tom religioso e recado a familiares e apoiadores

Por Carlos Villela/Folhapress

30/08/2026 às 16:10

Foto: Reprodução/X

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Nicolás Maduro sorri e faz um 'V' com as mãos em fotografia divulgada por seu perfil no X

O perfil de Nicolás Maduro publicou neste domingo (30) duas fotografias do ditador deposto da Venezuela na prisão, nos Estados Unidos.

As imagens foram acompanhadas de uma mensagem atribuída a Maduro, com diversas referências religiosas, na qual ele se dirige a familiares e apoiadores.

Nas fotos, com data de 25 de junho, Maduro aparece sorridente, de óculos, com o cabelo grisalho e vestindo um uniforme prisional de moletom cinza. Ele está detido no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, em Nova York, onde aguarda julgamento sob acusação de narcoterrorismo e tráfico de drogas.

Em uma das imagens, de corpo inteiro, ele faz um gesto de "V" com as duas mãos. Na outra, em um enquadramento da cintura para cima, faz o gesto com uma das mãos e segura os óculos com a outra. Também é possível ver um relógio no pulso.

O texto que acompanha as fotos chama as fotografias de "pequeno presente de amor e de esperança".

"Envio estas fotos como um pequeno presente a todos os meus netos e netas, aos meninos e meninas e a toda a gente nobre que nos ama", diz o texto publicado no perfil de Maduro.

Na mensagem, também há agradecimentos a correligionários e menções a orações, bênçãos e Deus.

"Quero que saibam que estamos firmes, com o coração cheio do amor de vocês, esse amor que nos chega convertido em oração, em ação permanente, em solidariedade e em apoio verdadeiro".

O fim do texto atribuído a Maduro cita um trecho bíblico e faz um aceno aos apoiadores na Venezuela.

"Como diz o apóstolo Paulo: 'Mas, em todas estas coisas, somos mais que vencedores por aquele que nos amou' (Rm 8,37). Continuaremos fortes, serenos e confiantes: Deus está conosco. Deus proverá. A Venezuela renascer".

A Venezuela é governada interinamente pela vice de Maduro, Delcy Rodríguez, que se aproximou do governo de Donald Trump desde a captura do ditador. Na sexta-feira (28), ela assinou um acordo para que os Estados Unidos assumissem o controle de 65 bilhões de barris de petróleo nos campos de exploração do país.

Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados em 3 de janeiro por uma operação militar americana em Caracas, e devem ir a julgamento em junho de 2027.

O perfil de Maduro no X segue ativo diariamente, com a publicação de imagens que pedem a libertação do ditador e de sua esposa e fazem uma contagem de quantos dias os dois estão presos—240 dias neste domingo. Nas publicações, a prisão é tratada como um "sequestro".

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Toffoli cita 'indícios de ilicitude' em registro de Renan Santos e adia julgamento de chapa

 

Toffoli cita 'indícios de ilicitude' em registro de Renan Santos e adia julgamento de chapa

Ministro do TSE afirmou que candidato pode ter descumprido regras que exigem declaração de sites e perfis nas redes sociais

Por Ana Pompeu/Folhapress

30/08/2026 às 17:15

Foto: Reprodução

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Renan Santos (Missão), candidato à Presidência da República

O ministro Dias Toffoli, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), apontou "indícios de ilicitude" no registro da candidatura de Renan Santos (Missão) à Presidência da República e decidiu adiar o julgamento do processo que analisa a regularidade da chapa.

A decisão foi motivada pelo detalhamento tardio de páginas de redes sociais do candidato no registro feito no TSE. A conduta abriu brecha para que Renan recebesse tratamento desigual pelos algoritmos das plataformas em relação aos seus adversários durante mais de dez dias de campanha eleitoral.

No despacho, expedido no sábado (29), Toffoli afirmou haver indícios de que a chapa de Renan descumpriu as regras que obrigam os candidatos a informarem todos os sites e perfis das redes sociais.

O ministro cita ainda a resolução do TSE que determina que perfis não listados no momento do registro da candidatura devem ser informados no prazo de até 48 horas. Renan Santos, no entanto, teria enviado esses dados à Justiça Eleitoral 12 dias depois.

"Constata-se que, em petições apresentadas em 19/8/2026, os candidatos componentes da chapa, Renan Antônio Ferreira dos Santos e Aroldo Medina [candidato à vice-presidente], informaram o total de 18 perfis em redes sociais, como complementação às informações do registro, enviado à Justiça Eleitoral em 7/8/2026", disse o ministro.

Renan Santos ironizou o despacho de Toffoli. Em publicação nas redes sociais, o candidato escreveu: "Parece que nossa campanha está indo bem".

Uma regra do TSE de 2024 determina que as plataformas excluam os perfis declarados pelos candidatos à Justiça dos seus algoritmos de recomendação. Na prática, isso significa que as plataformas não podem exibir postagens da conta de um candidato para alguém que não segue esse perfil.

Apesar de estar presente em diversas redes sociais, como Instagram, YouTube e TikTok, ao registrar sua candidatura em 7 de agosto, Renan Santos declarou ao TSE apenas seu perfil no X (ex-Twitter) e um site. Três dias depois do começo oficial da campanha, em 19 de agosto, sua equipe jurídica pediu ao tribunal para que outras contas fossem incluídas.

Ao menos até o início da noite de quinta-feira (27), porém, esses outros perfis de Renan seguiam fora da base de dados do TSE e também da ficha oficial do candidato, no DivulgaCand. No processo em que o pedido havia sido feito, só houve andamento a respeito após o jornal Folha de São Paulo entrar em contato com o tribunal na tarde desta quinta. Às 19h, foi incluído documento certificando o pedido de acréscimo das redes.

Mesmo após o TSE atualizar sua base de dados com os perfis do candidato do Missão, a aplicação do filtro a Renan ainda dependia da atualização a ser feita por cada uma das plataformas.

Segundo as regras sobre propaganda eleitoral, os perfis dos candidatos devem necessariamente ser informados no momento do registro de candidatura, com exceção dos criados ao longo da campanha, que devem então ser reportados em um prazo de 24 horas.

Os perfis preexistentes não informados de imediato somente poderiam ser utilizados em campanha 48 horas após seu registro na Justiça Eleitoral.

No entanto, mesmo na data em que sua equipe pediu a complementação dos perfis e nos dias posteriores, Renan seguiu usando suas contas não declaradas.

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Emendas parlamentares somam R$ 47,1 bilhões após salto de 315% em 11 anos, aponta estudo do Ipea

 

Emendas parlamentares somam R$ 47,1 bilhões após salto de 315% em 11 anos, aponta estudo do Ipea

Levantamento aponta avanço do poder do Congresso sobre o Orçamento, mostra que emendas já representam 45% da verba sobre a qual a Saúde tinha margem de decisão e recomenda o fim da modalidade Pix

Por Hugo Henud/Estadão

30/08/2026 às 14:30

Foto: Jonas Pereira/Agência Senado/Arquivo

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Sessão conjunta do Congresso Nacional

O volume empenhado em emendas parlamentares no Orçamento federal mais que quadruplicou em 11 anos, passando de R$ 11,3 bilhões, em 2014, para R$ 47,1 bilhões, em 2025. Em valores corrigidos pela inflação, o crescimento foi de 315%.

As emendas permitem que deputados e senadores indiquem o destino de uma parte do Orçamento federal. O dinheiro pode ser usado, por exemplo, na compra de uma ambulância, na reforma de uma unidade de saúde ou na pavimentação de ruas de um município.

Nos últimos anos, as emendas parlamentares cresceram a ponto de representar uma parcela expressiva dos recursos discricionários da União. O Supremo Tribunal Federal (STF) passou a exigir maior transparência e rastreabilidade na identificação de quem indica os recursos, de onde eles vêm e onde são efetivamente aplicados.

Nas políticas sociais, o valor das emendas passou de R$ 9,2 bilhões para R$ 35 bilhões, alta real de 282%. Isso significa que saúde, educação, assistência e outras áreas sociais concentraram cerca de três quartos de todo o dinheiro empenhado por meio de emendas em 2025. O empenho significa que o governo assumiu formalmente o compromisso de realizar aquela despesa.

Os números fazem parte de uma série de estudos elaborada por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a pedido do deputado federal Eduardo Bandeira de Mello (PV-RJ).

O levantamento aponta 2015 como um ponto de inflexão. Naquele ano, uma emenda à Constituição aprovada pelo Congresso tornou obrigatória o pagamento das emendas individuais – aquelas em que cada deputado ou senador decide sozinho o destino de sua própria cota, dentro das regras orçamentárias.

Até então, deputados e senadores já incluíam suas indicações no Orçamento, mas o governo tinha maior poder para decidir quais emendas seriam executadas. Com a mudança, o Executivo passou a ser obrigado a colocar as indicações em prática.

Os autores sustentam que a mudança enfraqueceu a lógica partidária que predominava até então e ampliou o peso das prioridades escolhidas individualmente por cada parlamentar. Na prática, deputados e senadores ganharam maior autonomia para garantir recursos aos destinos indicados por eles, sem depender da negociação política entre o governo e as lideranças partidárias.

Para os pesquisadores, o aumento não representa apenas mais dinheiro sob controle dos parlamentares. Ele altera quem decide onde e como uma parcela crescente dos recursos públicos será aplicada. O fenômeno é descrito nos estudos como “parlamentarismo orçamentário”.

A saúde concentra algumas das principais mudanças identificadas. Uma das razões é que a Constituição determina que metade do total reservado às emendas individuais seja destinada obrigatoriamente a ações e serviços públicos de saúde.

Em valores corrigidos pela inflação, as despesas federais em saúde financiadas por emendas passaram de R$ 5,1 bilhões, em 2014, para R$ 24,8 bilhões em 2024.

No mesmo período, a participação das emendas nas despesas discricionárias do Ministério da Saúde aumentou de 18,6% para 45,4%. As despesas discricionárias (gastos livres) são a parcela do orçamento que não está previamente comprometida com gastos obrigatórios e sobre a qual o ministério ainda possui alguma margem de escolha.

Em outras palavras, quase metade do dinheiro que a Saúde tinha disponível para distribuir conforme o planejamento da pasta passou a depender de indicações de deputados e senadores.

O perfil da despesa também se alterou. Em 2024, 91,7% dos recursos de emendas para a saúde foram destinados ao custeio, como manutenção de serviços, compra de insumos e funcionamento das unidades.

O problema é que essas despesas se repetem todos os anos, enquanto as emendas não têm garantia de continuidade, mostra o estudo do Ipea. Um hospital ou uma prefeitura que utiliza o dinheiro para manter determinado serviço corre o risco de ficar sem a mesma verba no ano seguinte. Isso dificulta o planejamento e cria dependência de novas indicações políticas para sustentar despesas permanentes.

Na educação, as emendas destinadas ao orçamento do Ministério da Educação cresceram 315,6% em termos reais entre 2014 e 2024, de R$ 375,9 milhões para R$ 1,58 bilhão, segundo o relatório atualizado da área.

Embora representem cerca de 1% do orçamento total do MEC, as emendas também passaram a financiar mais despesas do dia a dia. Os gastos correntes avançaram de 9% dos recursos da área, em 2014, para 38% em 2024.

Relatório propõe extinguir emendas Pix

Na parte propositiva, a versão integral das diretrizes elaboradas pelos pesquisadores vai além de uma revisão das chamadas emendas Pix. Uma das recomendações propõe extinguir essa modalidade de transferência.

Na configuração original, as emendas Pix permitiam que deputados e senadores transferissem dinheiro diretamente para Estados e municípios, sem convênio e sem a apresentação prévia de um plano de trabalho nos mesmos moldes exigidos nas transferências tradicionais. A falta dessas informações dificultava acompanhar previamente onde e de que forma o recurso seria utilizado.

Desde 2024, porém, o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino vem impondo novas exigências à modalidade, como apresentação de plano de trabalho, abertura de conta bancária exclusiva, divulgação das informações no Transferegov.br e prestação de contas. Em junho de 2026, o ministro também impôs multas a Estados e municípios que não apresentaram os documentos exigidos.

Os pesquisadores também recomendam que as emendas passem por uma análise de mérito nas comissões temáticas do Congresso, além da adoção de um identificador único para acompanhar cada recurso desde a indicação até o beneficiário final.

As comissões temáticas são colegiados especializados em áreas como saúde, educação e desenvolvimento urbano. As emendas de comissão são apresentadas coletivamente por esses grupos e, pelas regras do Congresso, deveriam financiar políticas de interesse nacional ou setorial, e não demandas individuais de deputados e senadores.

Essa modalidade de emenda passou a ser usada para dar poder ao comando da Câmara.

Formalmente, a autoria dessas emendas pertence à própria comissão. O problema de transparência surge quando, durante a execução, o dinheiro é dividido entre municípios e entidades sem que seja informado qual parlamentar solicitou cada destinação.

Levantamento anterior do jornal O estado de São Paulo identificou 575 indicações que somavam R$ 596,3 milhões, aprovadas pelas comissões de Saúde, Desenvolvimento Urbano e Turismo da Câmara, nas quais o responsável aparecia registrado de forma genérica como “liderança partidária”, sem a identificação nominal do parlamentar que solicitou o recurso.

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Eleições aumentam volatilidade e colocam Bolsa e real sob pressão

 

Eleições aumentam volatilidade e colocam Bolsa e real sob pressão

Incertezas sobre a política fiscal reduzem o apetite por ativos brasileiros e afetam fluxos cambial e estrangeiro

Por Matheus dos Santos/Folhapress

30/08/2026 às 16:45

Foto: Divulgação/Arquivo

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Bolsa de Valores

A campanha eleitoral começou em 16 de agosto e já tem reverberado nos preços dos ativos brasileiros. A indefinição sobre a abordagem dos candidatos para a trajetória da dívida pública tem alimentado as expectativas de juros mais altos e pressionado a Bolsa e o real.

O fator, em conjunto com a guerra no Oriente Médio e a pressão inflacionária decorrente do conflito, é apontado como um dos fatores por trás da saída de investidores estrangeiros do Ibovespa e do fluxo cambial negativo em agosto.

Segundo dados da B3, o saldo dos investidores internacionais está negativo em R$ 18,7 bilhões no mês, o pior resultado de 2026. No acumulado do ano, porém, o saldo ainda permanece positivo em R$ 22,3 bilhões.

A isso se soma o fluxo cambial negativo do mês. Segundo dados do Banco Central, divulgados na quarta-feira (26), houve saída líquida de US$ 2,55 bilhões do início do mês até a última sexta-feira (21). Apenas na semana passada, o fluxo cambial registrou saída líquida de US$ 4,055 bilhões.

Segundo o JP Morgan, a volatilidade associada às eleições brasileiras tem pesado sobre o mercado. O fator foi um dos motivos para o banco reduzir sua recomendação para as ações brasileiras de "overweight" (acima da média) para "neutra" no início do mês.

O movimento do fluxo estrangeiro contrasta com o observado no início do ano. Em janeiro, o volume de recursos estrangeiros que entrou na Bolsa foi de R$ 26,5 bilhões —valor semelhante ao registrado em todo o ano de 2025. No mesmo mês, o fluxo cambial também foi positivo, em US$ 5,1 bilhões.

Parte do ânimo era sustentada pela expectativa de que a Selic recuaria para a faixa de 12%. A queda da taxa básica aumentaria a atratividade das ações em relação à renda fixa e também poderia favorecer o real, já que investimentos estrangeiros em ativos brasileiros aumentam a demanda pela moeda.

O cenário mudou. Agora, a projeção é de apenas mais uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa, levando a Selic para 13,75%, segundo analistas consultados pelo Boletim Focus.

A Bolsa e o real também eram beneficiados pela narrativa predominante de diversificação das carteiras globais. Em meio às instabilidades provocadas pelas políticas externa, comercial e econômica de Donald Trump nos Estados Unidos, investidores globais buscavam mercados menos expostos às incertezas e com potencial de retorno.

"Do ponto de vista doméstico, a forte queda dos juros que esperávamos no início do ano não se concretizou, e projetamos que a Selic encerre o ano em 13,75%, o que não deverá produzir um impacto significativo sobre as ações", diz o J.P. Morgan em relatório assinado pelos analistas Rodolfo Angele, Emy Shayo Cherman, Adrian E. Huerta e Diego Celedon.

O banco também destaca o cenário fiscal como um fator de peso sobre o mercado acionário. O estoque da dívida bruta passou de 71,7% do PIB (Produto Interno Bruto), em dezembro de 2022, para 81,9% em junho deste ano.

"As perspectivas para a política econômica continuam incertas, já que quem vencer as eleições de outubro terá de lidar com taxas de juros reais elevadas e com déficit fiscal. Do ponto de vista mais técnico, o Brasil costuma apresentar desempenho inferior nos seis meses que antecedem as eleições", afirma o banco.

O Morgan Stanley também reforça a preocupação com o cenário fiscal. Para o banco, o próximo governo não precisará corrigir imediatamente as contas públicas, mas terá de convencer o mercado de que a trajetória da dívida pode ser estabilizada.

"Nosso cenário pessimista considera a apresentação de um plano limitado de consolidação fiscal, o que representaria uma percepção de continuidade da política econômica. Já o cenário otimista considera um plano crível de consolidação fiscal, associado à percepção de uma mudança de política", afirma.

Para o banco, uma percepção de continuidade fiscal sem credibilidade após as eleições poderia pressionar os ativos. Nesse cenário, o real poderia se desvalorizar e o dólar chegar a R$ 6,00, diante do temor que a inflação passe a responder mais à política fiscal do que à monetária.

Caso seja apresentado um plano amplo de consolidação fiscal, com reformas das despesas obrigatórias, ou uma estratégia considerada robusta e crível, o Morgan Stanley estima que o dólar poderia ficar entre R$ 5,25 e R$ 4,50.

Para João Daronco, analista da Suno Research, a volatilidade dos ativos tende a aumentar em anos eleitorais à medida que o pleito se aproxima. O período costuma elevar a pressão por gastos e medidas de caráter eleitoral.

"Se você tem um fiscal um pouco mais frouxo, os juros futuros tendem a refletir isso. No Brasil de hoje, eles estão em um patamar bem elevado", afirma.

A alta dos juros futuros afeta diferentes setores da economia brasileira e tende a se refletir no desempenho das empresas na Bolsa.

Para os bancos, por exemplo, o aumento do risco de inadimplência tende a reduzir a disposição para ampliar a oferta de crédito. No varejo, juros mais altos encarecem o custo financeiro das empresas e, ao mesmo tempo, reduzem a disposição dos consumidores para comprar.

Para Luan Aral, especialista em dólar da Genial Investimentos, a eleição é importante porque pode mudar a trajetória das contas públicas a partir de 2027.

"Qualquer presidente, qualquer candidato que assumir em 2027, terá problemas graves. E a continuidade da atual política fiscal, sem ajustes, com certeza tende a manter um prêmio de risco elevado, fazendo a curva de juros continuar para cima".

Aral afirma que o mercado não precisa necessariamente aprovar o candidato vencedor, mas avaliar sua capacidade de conduzir as contas públicas. "A divisão mais importante não é Lula contra Flávio, e sim programa fiscal contra programa fiscal não crível", afirma.

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