terça-feira, fevereiro 17, 2026

Protesto expõe atrito entre Nikolas e ala bolsonarista que evita 'Fora, Toffoli'

 

Protesto expõe atrito entre Nikolas e ala bolsonarista que evita 'Fora, Toffoli'

Por Ana Luiza Albuquerque/Folhapress

17/02/2026 às 07:05

Foto: Kayo Magalhães/Arquivo/Câmara Dos Deputados

Imagem de Protesto expõe atrito entre Nikolas e ala bolsonarista que evita 'Fora, Toffoli'

Nikolas Ferreira

O anúncio de um protesto de direita para o dia 1º de março voltou a expor um atrito entre o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que chamou a manifestação sob o lema "Fora, Lula, Moraes e Toffoli", e uma ala bolsonarista que avalia não ser estratégico priorizar agora o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli.

Esse grupo defende que o foco deve ser a anistia aos manifestantes do 8 de janeiro e a liberdade para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Há meses, são constantes as reclamações sobre uma suposta tentativa de Nikolas de se descolar de Bolsonaro e privilegiar o próprio engajamento e crescimento político —o que aliados do deputado resumem como "dor de cotovelo" e disputa por protagonismo.

Nikolas anunciou o ato na quinta-feira (12), dia em que Toffoli se afastou da relatoria do processo que investiga irregularidades no Banco Master, após a Folha ter revelado conexões entre o ministro, o resort Tayayá e o banco de Daniel Vorcaro.

Nos dias posteriores, políticos que costumam ser ávidos defensores da família Bolsonaro nas redes passaram a anunciar o protesto sob o mote da anistia e liberdade irrestrita, inclusive para o ex-presidente.

Chamaram para a manifestação desta forma, por exemplo, o deputado federal Mário Frias (PL), os deputados estaduais Gil Diniz (PL) e Lucas Bove (PL), e o vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL).

Como mostrou o Painel, o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, foi aconselhado a evitar a pauta do impeachment de Toffoli.

Um aliado avalia que o mote está sendo usado pela direita não-bolsonarista, como o MBL, para se promover e para desmobilizar a luta pela anistia e pela liberdade de Bolsonaro, assim como pela derrubada do veto do PL da Dosimetria pelo presidente Lula (PT).

Esse interlocutor também afirma que, apesar de o grupo ser favorável ao afastamento de Toffoli, assim como o de Moraes, um impeachment de um ministro do STF a menos de um ano das eleições não seria benéfico.

Isso porque, segundo esta leitura, esse movimento poderia favorecer Lula, que teria a prerrogativa de indicar mais um ministro. Ele poderia escolher o senador Rodrigo Pacheco (PSD), que era favorito do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), e, com isso, destravar a nomeação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga de Luís Roberto Barroso.

No domingo (15), Nikolas reagiu a esse argumento nas redes. "Se impeachment de ministros não é válido agora, por que estão há 3 anos pedindo o do Moraes? [...] Até para criar narrativa, precisa de um mínimo de coerência. Patético a tentativa de esconder isso das pessoas", escreveu.

Políticos bolsonaristas negam tentativa de blindagem de Toffoli com a pauta da anistia. No X, antigo Twitter, o deputado estadual Gil Diniz, preferido do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) para disputar uma vaga no Senado em São Paulo, afirmou que essa acusação é "mau-caratismo" e que uma busca rápida em suas redes revela sua opinião sobre os ministros do STF.

"Muitos aqui parecem ter esquecido dos presos que estão nas masmorras, estão eufóricos com o alcance do algoritmo, parece que engajamento, like e compartilhamento são tudo que importa com 'hype' da vez!", escreveu no domingo (15).

Após a tentativa dos correligionários de modular a pauta do protesto, Nikolas disse nas redes no sábado (14): "Não acredite em ninguém que convoque para a manifestação do dia 01/03 e não peça o impeachment de ministros do STF e Fora Lula".

O parlamentar também afirmou que um dos objetivos do ato é derrubar o veto da dosimetria, que, segundo ele, é a ação mais efetiva para alcançar a liberdade dos presos pelo 8 de janeiro e de Bolsonaro.

Horas depois, Gil Diniz publicou no X: "Não acredite em nenhum alpinista político (pequeno ou grande) que cresceu com o apoio do Presidente Jair Bolsonaro e não tem por prioridade nesse momento a Anistia Geral e Irrestrita para todos os presos políticos!".

Aliados de Nikolas ressaltam que as pautas da ala bolsonarista estão inclusas no protesto anunciado por ele, mas o contrário, não, já que o grupo não se engajou pelo impeachment de Toffoli.

O chamado para a manifestação sob o lema da anistia foi compartilhado por Eduardo Bolsonaro, que marcou na publicação os perfis do deputado Mário Frias e do vice-prefeito Mello Araújo. "Se eu pudesse estaria com vocês aí na Paulista 1º/MAR, às 15h", escreveu.

O filho do ex-presidente já criticou Nikolas publicamente em algumas ocasiões no ano passado, acusando o deputado de não se engajar como poderia nas pautas em defesa do bolsonarismo. Posteriormente, tiveram uma conversa para tentar uma conciliação, como noticiou a Folha.

A relação com o parlamentar reflete o racha dentro da própria família Bolsonaro. Enquanto Eduardo acumula atritos com Nikolas, sua madastra, Michelle Bolsonaro (PL), que recentemente foi alvo da artilharia dos filhos do marido, apoia o deputado.

No fim de janeiro, após a caminhada liderada por Nikolas de Paracatu (MG) à Brasília (DF), Michelle escreveu nas redes que o parlamentar "é separado por Deus para este tempo" e lhe chamou de "06", como se fosse mais um filho de Bolsonaro.

Na caminhada em protesto contra as prisões pelo 8 de janeiro houve um aparente distensionamento da relação de Nikolas com os filhos do presidente, que o parabenizaram pelo ato.

Como mostrou a Folha, Flávio chegou a considerar lançar o deputado ao Governo de Minas Gerais em aliança com uma ala do centrão. Nikolas, porém, voltou a afirmar publicamente que será candidato à reeleição.

O deputado também tem sido criticado e pressionado por bolsonaristas a trabalhar mais diretamente pela pré-campanha do senador. Na semana passada, ele afirmou no X que já deixou claro que Flávio é o candidato escolhido por Bolsonaro e que ele terá o seu apoio.

Politica Livre


Nota da Redação deste BlogO noticiário revela mais do que um simples chamado para manifestação. O episódio envolvendo Nikolas Ferreira e a ala bolsonarista escancara uma disputa interna na direita brasileira: uma briga por protagonismo, narrativa e, sobretudo, pela herança política do bolsonarismo.

O protesto marcado sob o lema “Fora Lula, Moraes e Toffoli” abriu fissuras que já vinham sendo comentadas nos bastidores. De um lado, Nikolas tenta ampliar sua identidade própria dentro do campo conservador, defendendo o impeachment de ministros do STF. De outro, uma ala mais alinhada diretamente ao ex-presidente Jair Bolsonaro prefere concentrar esforços na anistia aos presos do 8 de janeiro e na liberdade do ex-mandatário — hoje condenado a 27 anos de prisão e ainda respondendo a outros processos.

Não se trata apenas de divergência estratégica. Trata-se de disputa por liderança. Cada grupo tenta “puxar a sardinha para seu lado” dentro de um campo político que perdeu seu principal eixo eleitoral competitivo e agora vive um processo de reorganização. A ausência física e jurídica de Bolsonaro cria um vácuo — e todo vácuo no poder tende a ser ocupado.

A divergência sobre o impeachment do ministro Dias Toffoli é simbólica. Parte do bolsonarismo avalia que abrir essa frente agora poderia fortalecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já que caberia a ele indicar um eventual substituto no STF. Ou seja, o cálculo político fala mais alto que o discurso inflamado.

Enquanto isso, surgem acusações mútuas de “alpinismo político”, “busca por engajamento” e disputa por likes. A crítica interna é clara: alguns enxergam em Nikolas uma tentativa de se descolar da imagem de Bolsonaro para construir uma liderança própria nacional, talvez já mirando 2026.

Além do conflito interno, há também o pano de fundo de outras crises que atingem o campo conservador, como as investigações envolvendo o Banco Master. Para críticos, elevar o tom contra ministros do STF pode funcionar como estratégia para desviar a atenção de escândalos financeiros e fragilidades jurídicas.

O racha se amplia quando entram em cena nomes como Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, que têm posições e interesses distintos dentro do mesmo campo ideológico. O que se vê é uma direita fragmentada entre:

  • os que defendem anistia como prioridade absoluta;

  • os que querem impeachment de ministros;

  • os que pensam já na sucessão presidencial;

  • e os que tentam manter a coesão mínima do grupo.

A verdade é que a briga não é contra Lula nem contra o STF — é interna. É uma disputa pela liderança do espólio político de Bolsonaro.

Movimentos políticos sempre passam por fases de transição quando perdem sua figura central. O bolsonarismo não foge à regra. O que se observa agora é um processo de redefinição de comando, narrativa e estratégia eleitoral.

No fim das contas, o protesto revela algo maior: a direita brasileira enfrenta menos um embate externo e mais uma guerra de vaidades e cálculos estratégicos. E, quando a disputa é por herança, raramente há consenso.

Defesa de Vorcaro mira nulidade no STF e questiona troca do relator Toffoli



PF faz operação e investiga vazamento de dados fiscais de ministros do STF e parentes



O Engodo dos "Paladinos da Moralidade": Entre a Cortina de Fumaça e a Realidade das Urnas

O Engodo dos "Paladinos da Moralidade": Entre a Cortina de Fumaça e a Realidade das Urnas





Por José Montalvão

Caro radialista Junior de Santinha e leitores do BlogDede Montalvão, o cenário político brasileiro vive hoje um momento de "desespero preventivo". O que assistimos nos últimos dias, com a direita reacionária tentando criar polêmicas sobre desfiles de Carnaval ou aparições públicas do presidente Lula, nada mais é do que uma tentativa desesperada de desviar o olhar do cidadão para o que realmente importa: a vida pregressa e os esqueletos que guardam em seus armários.

O Rombo do Banco Master e o Sono Perdido no Congresso

Enquanto tentam pautar a moralidade alheia, muitos políticos em Brasília estão à base de tranquilizantes. A apuração sobre o rombo do Banco Master caiu como uma bomba no colo de influentes congressistas. Esse é o verdadeiro motivo da insônia: o medo de que o "fio da meada" chegue aos esquemas de financiamento e aos acordos de bastidores que sustentam esses supostos defensores da ética.

Para essa ala da política, zombar da inteligência do eleitor é a única saída. Quando a corrupção bate à porta, eles gritam "ideologia" para a janela. É a estratégia da cortina de fumaça: cria-se um escândalo sobre um enredo de escola de samba para que ninguém pergunte sobre os desvios de dinheiro público ou sobre quem realmente financia suas mordomias.

Por que Lula Vence? O Eleitor não é "Gado"

As pesquisas demonstram o que a direita não quer aceitar: a maioria do eleitor brasileiro não se deixa enganar por narrativas vazias. Lula vence porque, para o povo, a comparação é prática e direta. O eleitor olha para a prateleira do supermercado, para o preço da gasolina e para os programas sociais.

Enquanto a herança do ex-presidente tenta manter o "gado" confinado em bolhas de notícias falsas, o cidadão comum está atento à vida pregressa. O segredo para desmoralizar esses "paladinos" é olhar para o que eles fizeram antes de subir no palanque. Quem são seus sócios? De onde veio sua fortuna? Como votaram nas pautas que retiraram direitos dos trabalhadores?

O Cansaço de Rui Barbosa: Um Alerta para 2026

Chegamos ao auge da célebre e triste constatação de Rui Barbosa: de tanto ver triunfar as nulidades e prosperar a desonra, o homem honesto chega a ter vergonha de sua própria honestidade. O que esses políticos querem é justamente isso: o nosso desânimo. Eles querem que você desista da virtude para que eles possam continuar operando nas sombras.

Mas o desânimo é o alimento da tirania. A resposta para a frase de Rui Barbosa não deve ser a vergonha, mas a vigilância. Quando o mal se agiganta, a luz da verdade deve ser ainda mais forte.

Conclusão: O "Andor" está Pesado

Como temos dito aqui no blog: vamos devagar com o andor que o santo é de barro. A "moralidade" dessa direita reacionária derrete ao primeiro raio de sol de uma investigação séria. Em 2026, o eleitor terá a chance de mostrar que não aceita mais o engodo.

A democracia não se faz com "tapetão" ou com zombação; faz-se com o voto consciente de quem sabe distinguir um líder popular de uma nulidade que prospera na injustiça.


Blog do Montalvão: Onde a verdade não tem mordaça.

Desfile sobre Lula abre brecha para condenação por ilícito eleitoral, dizem especialistas

 

Desfile sobre Lula abre brecha para condenação por ilícito eleitoral, dizem especialistas

Por Ana Gabriela Oliveira Lima, Folhapress

16/02/2026 às 14:08

Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress/Arquivo

Imagem de Desfile sobre Lula abre brecha para condenação por ilícito eleitoral, dizem especialistas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Marquês de Sapucaí, onde são realizados os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro

O desfile em homenagem ao presidente Lula (PT) gerou brecha para condenação eleitoral, na opinião de especialistas ouvidos pela Folha.

Eles se dividem, porém, sobre o potencial de condenação, com parte deles achando que as manifestações de Lula e da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que fez a homenagem, foram contidas e mitigaram a possibilidade de enquadramento em propaganda eleitoral antecipada ou abuso de poder.

Lula assistiu neste domingo (15) à homenagem na Sapucaí e chegou a ir à pista do sambódromo ao lado do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD). A primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, também estava no evento, mas desistiu de desfilar para evitar problemas junto à Justiça Eleitoral.

O ato contou com ala em que integrantes da escola desfilaram com roupas vermelhas com estrelas no peito, mas sem o número 13 do PT. O jingle "olê, olê, olá, Lula! Lula!" constou no enredo, bem como referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como palhaço e presidiário.

O desfile gerou reação da oposição, que já havia levado à Justiça pedidos de impedimento da homenagem, sob a acusação de propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder.

Segundo a Justiça Eleitoral, são considerados propaganda eleitoral antecipada o pedido explícito de voto e o uso de "palavras mágicas", expressões semanticamente similares ao pedido expresso, como "apoie" ou "ele é o melhor para o cargo". A multa por propaganda eleitoral antecipada é de até R$ 25 mil ou correspondente ao custo da propaganda, se mais caro.

Já o abuso de poder pode enquadrar ato entendido como promoção de candidato, custeada pelo poder público, e com capacidade de desequilibrar o pleito. A pena é de inelegibilidade e, em caso de candidato eleito, perda do mandato.

Na quinta-feira (12), o TSE rejeitou, em decisão unânime, barrar o samba-enredo, mas fez alerta sobre risco de ilícito. "A festa popular do Carnaval não pode ser fresta para ilícitos eleitorais de ninguém", disse a ministra Cármen Lúcia, que chamou a atenção para a possibilidade de excessos e abusos.

Depois do desfile, o presidente do partido Novo, Eduardo Ribeiro, afirmou que vai ajuizar uma ação pedindo a inelegibilidade de Lula em razão do ato.

Para o especialista em direito eleitoral Alberto Rollo, o conjunto da obra, com o jingle de Lula cantado de maneira constante no desfile, pode configurar propaganda eleitoral antecipada. "Isso [o jingle] sendo cantado repetidamente ficou me lembrando um verdadeiro comício de eleição", afirma Rollo.

Ele diz que também pesa o fato de a homenagem ter dado destaque a temas que têm sido apresentados como centrais para a campanha de Lula nas eleições de 2026, como a discussão sobre a escala 6x1 e a defesa da soberania.

Rollo afirma entender que também há margem para a acusação de abuso de poder, com a decisão sendo jogada "no colo da Justiça Eleitoral".

Para Rafael Soares, advogado e especialista em direito eleitoral, pode-se falar em propaganda eleitoral antecipada, porque o ato trouxe referências que o cidadão consegue associar ao contexto político-eleitoral.

"A jurisprudência do TSE reconhece as chamadas palavras-mágicas como uma equivalência semântica para reconhecer o pedido de voto fora do período de campanha", diz. "O forte apelo visual dos elementos do desfile da Acadêmicos de Niterói, signos, referências e as expressões da letra do samba-enredo têm claramente uma conotação eleitoral e a promoção de pré-candidato que, mesmo sem o pedido expresso de voto, também geram uma vantagem que pode ser ilegítima em relação aos demais pré-candidatos concorrentes".

Ele discorda, entretanto, que seja possível falar em abuso de poder no caso, porque a situação parece, na sua interpretação, não ser grave o suficiente para configurar o ilícito nos termos da lei.

Fernandes Neto, coordenador acadêmico da Abradep (Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político) e doutor em direito constitucional, entende que tanto a transmissão da TV Globo quanto o comportamento do presidente Lula, considerados por ele comedidos, mitigaram a possibilidade de enquadramento em ilícito eleitoral.

Ela avalia que o desfile deu ênfase na história de Lula, eminentemente política, mas sem resvalar na propaganda antecipada. "Não vislumbrei menções à propaganda eleitoral e ao pleito vindouro", afirma Fernandes Neto. "Achei o desfile contido, com a vinculação a passagens históricas da vida do Lula, mesmo que recente".

Também para a advogada eleitoralista Carla Queiroz, que é mestranda em direito eleitoral e político pela Washington & Lincoln University e pela Escola Paranaense de Direito, não houve excessos do presidente Lula que, ao ir para a pista cumprimentar integrantes da escola, também teve atitude contida.

"Entendo que foram contidas tanto a presença do presidente Lula, que apenas desceu até o sambódromo para cumprimentar integrantes da escola e depois voltou ao camarote. A primeira-dama sequer compareceu ao carro alegórico, o que estava previsto", diz.

Ainda assim, Queiroz entende que o desfile pode ser avaliado pelo prisma de abuso de poder futuramente. "A gente não sabe como é que esse desfile da Acadêmicos de Niterói será utilizado durante a campanha política. Pode ser que trechos do desfile sejam usados como propagandas eleitorais de Lula, e houve investimento de recursos públicos".

Para Fernando Neisser, professor de direito eleitoral da FGV São Paulo, apesar de essa ser uma carta a ser acionada pela oposição, o dia do desfile não gerou elementos para configurar ilícito.

"Não houve menção, mesmo que indireta, às eleições de 2026. Todas as referências foram ao passado ou ao presente, sem qualquer nota voltada ao futuro", afirma Neisser sobre a possibilidade de enquadramento em propaganda eleitoral antecipada.

O caso também não seria de abuso de poder porque a distribuição de recursos públicos vinda da Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo) foi uniforme a todas as escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro, além de não haver indício de que o governo tenha tentado interferir na escolha do tema.

"Assim como seria absurdo condicionar recursos públicos ao fato de uma escola escolher determinado samba-enredo, não se pode negar recurso público pelo fato de ter havido uma escolha", diz Neisser.

Politica Livre

 Nota da Redação Deste Blog : 

Democracia, Tapetão e a Lei: Entre o Desfile de Niterói e as Motociatas do Passado


Por José Montalvão

Muitas pessoas acreditam que, para entender as leis, é preciso ser um "doutor em Direito". Mas a verdade é que o pilar da cidadania é a capacidade de ler, interpretar e comparar. O cenário político atual, especialmente com o desfile da Acadêmicos de Niterói homenageando o presidente Lula e as críticas da oposição, exige exatamente isso: uma análise técnica e analógica, sem o "pau de selfie" das paixões partidárias.

A Isonomia no Carnaval: Subsídio não é Favor

Um dos pontos centrais da polêmica é o financiamento. É preciso clareza: todas as escolas de samba do Rio de Janeiro recebem subsídios públicos. Se a Acadêmicos de Niterói recebeu o mesmo montante que as demais, não há, a princípio, privilégio ou crime eleitoral por parte do governo.

A arte, por natureza, é livre. Se uma escola decide homenagear um líder vivo ou criticar o que considera uma "negligência criminosa" na gestão da pandemia (que resultou em mais de 600 mil vítimas), ela está exercendo a liberdade de expressão. O STF e o STJ já consolidaram que a crítica política, ainda que ácida ou ridicularizante, faz parte do jogo democrático, desde que não haja financiamento direto ilícito para fins eleitorais antecipados.

Analogia Necessária: O Sete de Setembro e as Motociatas

Para sermos justos na interpretação, devemos olhar para o passado recente. O uso do desfile oficial de Sete de Setembro por Jair Bolsonaro e as constantes motociatas foram alvos de ações no TSE. A grande diferença jurídica reside no desvio de finalidade:

  • No Sete de Setembro: O Estado organizou um evento cívico-militar e o candidato o transformou em palanque de campanha.

  • No Carnaval: Uma entidade privada (a escola de samba) utiliza verba pública lícita para executar um enredo de sua escolha.

O "Ponta-pé Inicial": Estádio é Crime Eleitoral?

A provocação é válida: e se Lula entrasse no gramado de um Bahia x Vitória, com a camisa do time e sob gritos de "Lula lá 2026"? Aqui entra a sutileza da lei. O simples ato de um presidente assistir a um jogo e ser ovacionado não é crime. No entanto, se o evento for transformado em ato de campanha, com uso de estrutura pública para pedir votos ou atacar adversários de forma sistemática, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) entra em campo.

A jurisprudência do STJ e do STF busca equilibrar a "presença do político" (que é inevitável) com o "abuso do poder econômico e político".

Eleição se Ganha no Voto, não no "Tapetão"

O termo "tapetão" no futebol e na política refere-se à tentativa de ganhar no tribunal o que não se conquistou no campo ou nas urnas. A democracia brasileira é sólida, mas sensível. O uso do Judiciário para tentar cassar candidaturas por qualquer homenagem popular ou manifestação cultural é um caminho perigoso.

A impunidade sobre a gestão da pandemia, que muitos citam como um crime ainda não cobrado, gera uma indignação legítima que transborda para o Carnaval. Mas, juridicamente, é preciso separar o sentimento de justiça do processo eleitoral.

Conclusão: O Santo é de Barro

Como diz o ditado popular: "vamos devagar com o andor que o santo é de barro". A democracia não permite golpes — nem os militares, nem os "brancos" via judicialização excessiva.

A lei deve ser aplicada com isonomia. Se as motociatas foram julgadas sob a ótica do abuso, os desfiles atuais também devem passar pelo mesmo crivo técnico, mas sem ignorar que a cultura e a arte têm o direito de escolher seus heróis e seus vilões. No fim das contas, quem decide o peso de cada homenagem ou de cada crítica é o eleitor, com o título na mão, em 2026.


Esse formato facilita a leitura rápida e ajuda a combater a desinformação nos grupos.


📌 POLÍTICA E A LEI: O QUE PODE E O QUE NÃO PODE? (Guia Rápido)

Com a proximidade das discussões eleitorais, muita gente fica na dúvida sobre o que é "abuso de poder". O Blog do Montalvão preparou este tira-dúvidas para você:

1. O Prefeito ou Presidente pode inaugurar obra em ano de eleição?Pode, mas com limites. Ele não pode transformar a inauguração em comício, pedir votos ou usar o microfone para atacar adversários. Nos 3 meses antes da eleição, a presença de candidatos em inaugurações de obras públicas é proibida.

2. Receber uma homenagem (como em um desfile de Carnaval) é crime?Não. Homenagens de entidades privadas (como escolas de samba ou associações) são liberdade de expressão. O problema só existe se for provado que o político "comprou" a homenagem com dinheiro público especificamente para ganhar a eleição.

3. O político pode usar as redes sociais da Prefeitura para se promover?Não! As redes oficiais devem ser informativas (saúde, educação, serviços). Usar a página da Prefeitura para postar fotos "bonitas" do gestor com tom de campanha é Abuso de Poder Político.

4. E as famosas "motociatas" ou "carreatas" com dinheiro público?Proibido. O uso de batedores, combustível pago pelo Estado ou qualquer estrutura oficial para eventos de clara natureza eleitoral pode levar à cassação do mandato e à inelegibilidade por 8 anos.

5. Assistir jogo de futebol ou ir a festas populares tira o mandato?Não. O político não perde os direitos de cidadão. Ele pode circular, ser aplaudido ou vaiado. O crime só acontece se ele usar a estrutura do evento para fazer propaganda eleitoral antecipada e irregular.

⚠️ CONCLUSÃO: A lei existe para que a disputa seja justa. Ganha quem tem mais voto, não quem usa melhor o cofre da prefeitura ou do governo.

Gostou da informação? Compartilhe com quem gosta de política! 👉 Acompanhe mais análises em: em BlogDedeMontalvão


 José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025


Em destaque

Protesto expõe atrito entre Nikolas e ala bolsonarista que evita 'Fora, Toffoli'

  Protesto expõe atrito entre Nikolas e ala bolsonarista que evita 'Fora, Toffoli' Por  Ana Luiza Albuquerque/Folhapress 17/02/2026 ...

Mais visitadas