terça-feira, março 10, 2026

Banco Master, barulho político e a velha pergunta sobre a impunidade


Banco Master, barulho político e a velha pergunta sobre a impunidade

Por José Montalvão

As recentes investigações envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro, voltaram a colocar em debate um tema antigo e recorrente na vida pública brasileira: a relação entre poder, influência e impunidade. As apurações, que ganharam destaque nacional, apontam para suspeitas graves como fraudes bilionárias, lavagem de dinheiro e corrupção, com indícios de conexões que alcançariam figuras influentes nos três poderes da República — Executivo, Legislativo e Judiciário.

Diante de um caso dessa magnitude, seria natural esperar prudência, responsabilidade e compromisso com a verdade por parte da imprensa e dos agentes políticos. No entanto, o que muitas vezes se vê é uma corrida desenfreada por manchetes, especulações e acusações que antecedem os próprios fatos. Em vez de esclarecer, parte do noticiário parece empenhada em transformar investigações em espetáculo, criando narrativas que servem mais à disputa política do que ao interesse público.

É nesse cenário que alguns veículos passam horas repetindo acusações contra ministros do Supremo Tribunal Federal, como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, insinuando vínculos ou responsabilidades antes mesmo de qualquer prova conclusiva ou manifestação oficial das autoridades competentes. A tentativa de transformar investigações em arma política, muitas vezes, busca atingir indiretamente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criando um ambiente de desconfiança generalizada.

Enquanto isso, alguns setores políticos levantam a bandeira de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), como se essa fosse a solução imediata para todos os problemas. A experiência brasileira, porém, mostra que muitas CPIs acabam se transformando em palcos de discursos inflamados e disputas partidárias, produzindo mais holofotes do que resultados concretos. Fala-se muito em quem teria recebido dinheiro desviado, mas curiosamente certos nomes e grupos influentes parecem desaparecer dessas narrativas seletivas, como se a corrupção tivesse lado único.

O que raramente se discute com a mesma intensidade são temas estruturais e profundos, como o chamado orçamento secreto — um mecanismo que, por muito tempo, distribuiu bilhões de reais sem transparência adequada, desviando o debate público de questões fundamentais para o país.

Toda essa situação me faz lembrar de um episódio da juventude. Quando eu era estudante em Salvador, durante as férias costumava vir para Jeremoabo. Gostava de passar horas no antigo bar do senhor Nelson, ouvindo histórias e conversando com o respeitado coronel José Rufino, conhecido por sua atuação no combate ao cangaço. Em uma dessas conversas, falávamos sobre justiça e impunidade no Brasil.

Foi então que o coronel me fez uma pergunta simples, mas carregada de sabedoria popular:
“José, você já viu alguma vez em sua vida urubu comer urubu?”

Aquela frase ficou gravada na memória. Era uma forma direta de dizer que, muitas vezes, os poderosos acabam protegendo uns aos outros, enquanto o povo permanece apenas assistindo ao espetáculo das acusações e disputas.

No caso do Banco Master, é importante lembrar que existem caminhos institucionais claros. Se houver provas contra ministros do Supremo, quem deve apresentar denúncia é o Procurador-Geral da República. Somente a partir daí o próprio Supremo Tribunal Federal pode avaliar se há elementos para abrir investigação ou processo. Quanto a um eventual impeachment de ministro da Corte, cabe ao Senado decidir se dará andamento ou não.

Ou seja, há ritos legais que precisam ser respeitados. Transformar investigações em guerra midiática ou em espetáculo político apenas confunde a opinião pública e enfraquece as instituições.

No final das contas, como tantas vezes já ocorreu na história brasileira, o risco é que o barulho seja enorme, as acusações voem em todas as direções e, no fim, pouca coisa mude de fato. Enquanto isso, quem paga a conta é sempre o mesmo: o povo brasileiro, que vê recursos públicos desaparecerem, escândalos surgirem e a justiça caminhar lentamente.

E assim, entre manchetes estrondosas e disputas políticas, a velha pergunta do coronel continua ecoando: afinal, alguma vez na vida já se viu urubu comer urubu?

BlogDedeMontalvao: Onde a verdade não tem mordaça.

 José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025

 

segunda-feira, março 09, 2026

Alessandro Vieira e Eduardo Bolsonaro trocam farpas por causa de CPI contra Moraes e Toffoli

O senador foi atacado por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por ter sido criador do projeto de lei das fake news. Ele rebateu as acusações...

Publicado em 09/03/2026 às 19:04

Por Agência Estado 


O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) trocaram ataques em publicações nas redes sociais na tarde desta segunda-feira, 9. A divergência tem como pano de fundo o requerimento de criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, de autoria de Vieira.

O senador foi atacado por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por ter sido criador do projeto de lei das fake news. Ele rebateu as acusações lembrando que foi o autor da CPI da Lava Toga e de pedido de impeachment de Moraes e Toffoli pelo inquérito das fake news. Vieira também mencionou que Eduardo e o irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), resistiram à abertura desse processo de impeachment.

“Nos dois momentos, a maior resistência foi dos seus irmãos Flávio e Eduardo, provavelmente preocupados com o processo das rachadinhas e não com o Brasil. O resultado desse acordão todos nós sabemos qual foi”, disse Vieira em publicação no X.

Eduardo respondeu e disse que Vieira é um “senador perigosíssimo”. “O senhor lave a boca antes de falar de um exilado estar compactuando com Alexandre de Moraes”, afirmou.

Vieira fez uma tréplica a Eduardo. “Cara, vai surfar, curtir o Mickey ou coisa parecida. Deixa quem está trabalhando em paz. Vocês fizeram esse mesmo teatrinho em 2019 e o resultado todo mundo sabe. Seu irmão já assinou a CPI, foi a assinatura 29, já estamos em 35. Você já atrapalhou o Brasil demais, tá na hora de descansar”, afirmou.

Como mostrou o Estadão, diferentemente do que fez sete anos atrás, desta vez Flávio, que antes tinha atuado para barrar a CPI da Lava Toga, assinou requerimento para criar comissão para investigar os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Flávio assinou o documento depois de a CPI obter o número mínimo de 27 assinaturas para o protocolo – esse requerimento é de autoria de Vieira.

Mensagens obtidas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro mostram que ele mantinha conversas com Moraes. O Estadão mostrou a ligação de um empreendimento de familiares de Dias Toffoli com fundos ligados ao Master, de Vorcaro.

Dados extraídos do celular de Vorcaro revelam que ele prestava contas a Moraes sobre as negociações de venda do banco e sugerem diálogos a respeito do inquérito sigiloso que tramitava na Justiça Federal de Brasília.

Outras mensagens mostram que Vorcaro consultou Moraes sobre a lista de convidados para um fórum jurídico realizado em Londres, em abril de 2024. O magistrado determinou que o empresário Joesley Batista, da J&F, fosse “bloqueado” do evento, e Vorcaro levou o tema à organização do fórum.

https://cgn.inf.br/

É hora de barrar a conspiração PF-André Mendonça

 O Supremo Tribunal Federal, por sua vez, precisa abandonar a postura defensiva e impor limites concretos aos abusos de André Mendonça

Por LUIS NASSIF, do Jornal GGN

Publicado em 09/03/2026 às 09:48

Altera


do em 09/03/2026 às 09:48


Abra este Link e Leia matéria completa:

https://www.jb.com.br/brasil/opiniao/artigos/2026/03/1058905-e-hora-de-barrar-a-conspiracao-pf-andre-mendonca.html

Gilmar Mendes diz que divulgação de mensagens íntimas de Vorcaro é 'barbárie institucional'

 

Gilmar Mendes diz que divulgação de mensagens íntimas de Vorcaro é 'barbárie institucional'

Por Mônica Bergamo e Diego Alejandro, Folhapress

09/03/2026 às 18:00

Atualizado em 09/03/2026 às 17:56

Foto: Reprodução

Imagem de Gilmar Mendes diz que divulgação de mensagens íntimas de Vorcaro é 'barbárie institucional'

Uma das festas de noivado de Daniel Vorcaro, dono do banco Master, com Martha Graeff, em novembro de 2024, na Villa Adriana, em Roma

O ministro do Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), criticou nesta segunda (9) a divulgação de mensagens privadas do banqueiro Daniel Vorcaro e de sua então namorada, a empresária e influenciadora Martha Graeff, tornadas públicas após a prisão dele na terceira fase da Operação Compliance Zero.

Em publicação no X (ex-Twitter), o magistrado classificou a exposição dos diálogos como uma "demonstração de barbárie institucional" e afirmou que a divulgação de conversas privadas sem relação com eventuais crimes representa uma "gravíssima violação ao direito à intimidade".

"Ao permitir a publicação de diálogos íntimos de um casal, o Estado e seus agentes não apenas falham em seu dever de guarda, mas desrespeitam a legislação, que impõe categoricamente a inutilização de trechos que não interessam à persecução penal", diz o magistrado.

Mendes também mencionou que o caso ocorre na semana do Dia Internacional da Mulher, o que torna "ainda mais grave a divulgação de tais diálogos, denotando a urgência de refletir sobre como a intimidade feminina é, historicamente, o alvo preferencial de tentativas de desmoralização e controle".

Na avaliação do ministro, transformar investigações em "espetáculo" e em um "linchamento moral" afronta direitos fundamentais e a dignidade humana. Ele defendeu ainda a aprovação da chamada LGPD Penal, que estabeleceria regras específicas para o tratamento de dados pessoais no âmbito criminal.

A defesa de Graeff afirmou à imprensa que estuda medidas judiciais contra a divulgação das mensagens, que considera ilegais e sem relação com a investigação envolvendo o banco Master. Segundo os advogados, a empresária está "consternada" com a exposição das conversas íntimas do casal.

Politica Livre

Renan Filho deixa Ministério dos Transportes para concorrer ao Governo de Alagoas

 

Renan Filho deixa Ministério dos Transportes para concorrer ao Governo de Alagoas

George Santoro passará a comandar o órgão a partir de abril

Por André Borges/Folhapress

09/03/2026 às 20:00

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Renan Filho deixa Ministério dos Transportes para concorrer ao Governo de Alagoas

O ministro dos Transportes, Renan Filho

O comando do MT (Ministério dos Transportes) será assumido, a partir de abril, por George Santoro, que ocupa atualmente o cargo de secretário-executivo da pasta.

Renan Filho, atual ministro, deixa o posto no fim deste mês, para reassumir sua vaga no Senado, pelo MDB de Alagoas. Ele deixa o cargo para disputar o governo de Alagoas.

A mudança ainda não foi oficializada, mas a decisão está tomada dentro do ministério.

Número dois da pasta e principal auxiliar de Renan Filho, Santoro coordena as políticas de infraestrutura de transporte para rodovias e ferrovias, já tendo comandado o ministério durante as viagens de Renan Filho.

Antes de chegar ao Ministério dos Transportes, Santoro foi secretário da Fazenda de Alagoas por cerca de 8 anos, durante o governo de Renan Filho. Ele também foi presidente do Comsefaz (Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados).

No Rio, Santoro foi auditor de controle externo do Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro, além de subsecretário da Fazenda do Estado.

Com a mudança, o cotado para ficar com o posto de secretário-executivo é Adrualdo de Lima Catão, que hoje é secretário nacional de trânsito do MT.

Neste ano, um dos principais objetivos é destravar os investimentos em ferrovias, que possui uma carteira de oito projetos para concessão, somando mais de R$ 600 bilhões em investimentos.

A concessão de trechos ferroviários para a iniciativa privada vai ter início em 2026 com a oferta do "corredor Minas-Rio", uma malha já existente –mas subutilizada– de 740 km de extensão e que conecta as cidades mineiras de Arcos, Lavras e Varginha até os municípios fluminenses de Barra Mansa e Angra dos Reis. O traçado faz parte atualmente da malha da FCA (Ferrovia Centro-Atlântica), será o primeiro a ser oferecido no modelo de autorização.

Já o primeiro projeto de concessão nova é o Anel Ferroviário Sudeste, a EF-118, com edital previsto para ser publicado neste mês e leilão em junho. Com 245,95 quilômetros em sua fase obrigatória, a ferrovia será construída do zero e ligará São João da Barra, no norte fluminense, a Santa Leopoldina, no Espírito Santo.

O empreendimento inclui ainda uma fase adicional, entre Nova Iguaçu e São João da Barra, no Rio, que poderá ser posteriormente ativada pelo governo. Com investimento estimado em R$ 6,6 bilhões, o projeto tem potencial para movimentar até 24 milhões de toneladas por ano.

Na sequência, aparece a já existente Ferrovia Malha Oeste, que tem edital previsto para abril de 2026 e leilão agendado para julho. Este é um dos trechos ferroviários mais extensos incluídos no pacote, com 1.593 quilômetros, interligando Corumbá (MS) a Mairinque (SP).

O terceiro projeto na fila é o Corredor Leste–Oeste (Fico-Fiol), que deve ter edital publicado em maio de 2026 e leilão em agosto. A concessão totaliza 1.647 quilômetros, entre Caetité (BA) e Água Boa (MT).

Trata-se de um dos mais importantes corredores de integração produtiva do país, conectando o Centro-Oeste ao oeste baiano, até o Porto Sul, em Ilhéus. Com investimento previsto de R$ 41,85 bilhões, sua vocação é escoar soja, milho, grãos em geral e granéis líquidos.

Politica Livre

Gilmar Mendes dá 72 horas para MP justificar “penduricalhos” salariais

 

Gilmar Mendes dá 72 horas para MP justificar “penduricalhos” salariais

Minha charge de hoje na @folhadespaulo

Charge do Jean Galvão (Folha)

Márcio Falcão
g1 / TV Globo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, relator da ação que contesta o pagamento de penduricalhos, determinou neste domingo, dia 8, que o Ministério Público do Rio de Janeiro preste informações complementares que comprovem o cumprimento das decisões sobre o pagamento de verbas indenizatórias.

A expressão ‘penduricalho’ é utilizada para se referir a verbas indenizatórias, gratificações e auxílios que são somados ao salário de servidores públicos. Essas gratificações servem para compensar gastos relacionados ao exercício da função ou ressarcir direitos não usufruídos.

SEM JUSTIFICATIVA – Mendes considerou insuficientes as informações prestadas pelo procurador-geral para justificar o cumprimento das determinações anteriores. Por isso, estabeleceu prazo para o MP RJ tem até 72 horas para se explicar.

O Ministério Público terá que detalhar como estão sendo feitos os pagamentos de verbas indenizatórias, inclusive de eventuais valores retroativos autorizados e pagos entre janeiro e fevereiro, com a indicação das datas de autorização e de efetivação dos pagamentos, bem como a documentação que comprove quando a ordem de pagamento foi encaminhada à instituição financeira.

O decano do Supremo reiterou que está vigorando a primeira decisão proferida nos autos, em 23 de fevereiro,  que proibiu imediatamente o pagamento de valores retroativos.

AUTORIZAÇÃO – Apenas em 26 de fevereiro, com o objetivo de harmonizar prazos, foi autorizada a quitação desse tipo de verba, mas exclusivamente em relação a valores que já estivessem regularmente programados para o período correspondente.

No final de fevereiro, Gilmar Mendes determinou que verbas de caráter indenizatório, os chamados penduricalhos, somente podem ser pagas a integrantes do Poder Judiciário e do Ministério Público quando estiverem previstas em lei aprovada pelo Congresso Nacional.

A decisão também definiu que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) devem se restringir à regulamentação do que já estiver previsto em lei, com indicação clara da base de cálculo, do percentual aplicado e do limite máximo do benefício.

OUTRO PRAZO – Por meio de liminar, o ministro firmou um prazo de 60 dias para que tribunais e Ministérios Públicos estaduais interrompam o pagamento dos penduricalhos com fundamento em leis estaduais.

Também deu 45 dias para que sejam suspensos os pagamentos instituídos por decisões administrativas ou por atos normativos secundários.

“O pagamento de quaisquer verbas, após os prazos acima assinalados, em desconformidade com a presente decisão consubstanciará ato atentatório à dignidade da justiça e deverá ser apurado no âmbito administrativo-disciplinar e penal, sem prejuízo do dever de devolução de tais valores”, afirmou.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A Constituição de 1988 tratou corretamente do assunto e proibiu, terminantemente, o recebimento de qualquer valor acima do teto salarial do serviço público. A preocupação dos constituintes foi tamanha que o respeito ao teto salarial foi fixado em dois dispositivos diferentes. Mas o tempo passou e os juízes forçaram a barra, desrespeitaram a Constituição e iniciaram a rapinagem dos cofres públicos, de forma voraz e indecente. Detalhe importante: todos os penduricalhos ilegais foram autorizados pelo Supremo. Agora, Flávio Dino e Gilmar Mendes entram de sola contra os penduricalhos, justamente num momento em que o STF precisa mostrar serviço, digamos assim. Será coincidência? O assunto é importantíssimo e vamos voltar a ele com detalhes estarrecedores. (C.N.)

Em destaque

Banco Master, barulho político e a velha pergunta sobre a impunidade

Banco Master, barulho político e a velha pergunta sobre a impunidade Por José Montalvão As recentes investigações envolvendo o Banco Mast...

Mais visitadas