sábado, maio 16, 2026

Turismo hipster e gentrificação rural


O que a realização do meu sonho no território dos outros pode afetar na realização do sonho dos outros?

Por Adelaide Ivánova | Edição Thiago Domenici


Tenho esse sonho de voltar a viver na Caatinga, o bioma onde cresci, de férias em férias, e onde nasceram todos meus antepassados, de lado materno e paterno. Aí uns sete anos atrás, um amigo me falou que uma conhecida sua estava vendendo um terreno em Buíque (PE) e eu tive que ir olhar – Graciliano Ramos, meu ídolo, morou lá na sua infância! Quem sabe não era o destino?


A decisão de não comprar foi instintiva, baseada num desconforto que eu não conseguia localizar direito. Como não sabia muito bem entender o que a intuição estava me dizendo, resolvi deixar para realizar o sonho em outro lugar. Mas não saber interpretar minha agonia não quer dizer que eu não tenha condições de saber do meu lugar no mundo. Na dúvida, me vali das palavras de Patativa do Assaré:

quem não trabalha com roça

que diabo é que quer com terra?


O meu incômodo eu só consegui entender com o tempo, quanto mais fui viajando pelo sertão. Por onde eu passei, nos anos seguintes, fui vendo a história se repetir: da Bahia ao Maranhão, a gentrificação rural é um fenômeno crescente. Na época que eu fui olhar o terreno da conhecida do meu amigo, parecia que todo hipster recifense queria comprar terreno lá também (eu inclusa kkk). E os lotes, por sua vez, estavam muitas vezes localizados em território quilombola não reconhecido, o que deixa tudo ainda mais complexo, para não dizer violento.

 

Mas há um contraponto importante: a realidade fundiária brasileira é bem mais complexa, e a falta de acesso à terra não é causada por meia dúzia de hipsters querendo uma casa no campo – e sim pelo latifúndio e pelo sistema de herança brasileiros, pelo agronegócio e pelas multinacionais de mineração e energias renováveis, por grandes empreendimentos turísticos.


Por outro lado, se distanciar demais o problema, tipo “uma usina de eólica é pior que um AirBnb”, deixa intocadas certas questões que precisam ser debatidas com franqueza. Para o geógrafo Martin Philips, num texto pivotante de 1993, a gentrificação é um caso de colonização intraclasse – e, no caso específico do meio rural, é o que acontece quando a trabalhadores do campo são expulsos de um território, para dar lugar a trabalhadores urbanos de classes mais altas (que podem ser tanto turistas, quanto aposentados, profissionais liberais, nômades digitais ou moradores de fim de semana).


Ainda que causem menos danos que a concentração e exploração de terras capitalistas, a gentrificação rural é nociva aos povos tradicionais e originários, do sertão ao litoral. Se não fosse assim, iniciativas que tentam desacelerar o processo não existiriam Brasil afora. Um bom exemplo está na Ilha do Ferro, em Alagoas, onde o Espaço de Memória Artesão Fernando Rodrigues dos Santos lançou um comunicado sobre o tema. No texto, denunciam que o povoado vem sendo “alvo de disputas por setores externos oriundos do mundo dos negócios”, que vêm se apropriando do território, “dos nossos saberes e fazeres e têm usado o patrimônio de forma equivocada, desrespeitosa e a serviço do capitalismo”. Eu mesma pude ver esse processo acontecer com meus próprios olhos, nas duas vezes que estive na região, em 2018 e 2021. Na época, os agricultores já reclamavam não haver mais possibilidade de comprar terra para botar roça, já que os melhores terrenos para agricultura (ou seja, os que ficam perto do rio São Francisco), estão sendo vendidos por valores exorbitantes, que apenas investidores de fora podem comprar.


Em 2026 voltei a Buíque. Olhava para paisagem, e para o terreno que podia ter sido meu, e me perguntei se me arrependi. Fiquei horas ali, olhando e pensando, tentando politizar meu sonho e me perguntando coisas que ainda não sei responder: o que minha presença causa num território?; o que a realização do meu sonho no território dos outros pode afetar na realização do sonho dos outros, sobretudo daqueles que nunca saíram de lá? Qual minha responsabilidade nisso – ainda mais num contexto de violência no campo que só faz aumentar, e que não me afeta, pois não sou agricultora? Quais os limites do turismo de base comunitária?

 

Ainda não consegui chegar a uma síntese, mas sigo pensando. Até lá, se um dia você for ao Vale do Catimbau, vá na paz (e vá embora depois, precisa querer gentrificar não kkk).


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Mudança na PF tira investigação do INSS de delegado ligado ao caso Lulinha


Mudança ocorreu há cerca de duas semanas e gerou surpresa

Reynaldo Turollo Jr
G1

A direção da Polícia Federal trocou a área responsável por investigar as fraudes em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), na Operação Sem Desconto.

O caso deixou de estar sob responsabilidade do delegado Guilherme Figueiredo Silva, da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários (DPrev), e passou para o grupo que investiga políticos com foro especial no Supremo Tribunal Federal (STF), chamado de Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores (Cinq). A DPrev fica dentro da Coordenação-Geral de Repressão a Crimes Fazendários (CGFaz). Já o Cinq, novo responsável pelo caso, fica dentro da Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro (CGRC).

MELHOR ADEQUAÇÃO – Segundo o G1 apurou, o despacho administrativo que oficializa a troca aponta que a CGRC é a estrutura mais adequada para investigar as fraudes e desvios no INSS, por envolverem suspeitas de corrupção de agentes com foro privilegiado. Procurada pela reportagem, a direção da Polícia Federal não se manifestou sobre as mudanças.

Com a mudança, as investigações sobre fraudes no INSS saíram da alçada do delegado que vinha acompanhando as apurações sobre o eventual envolvimento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

Uma das suspeitas é que o Careca, que está preso preventivamente desde o ano passado, tenha usado dinheiro desviado do INSS para contratar Lulinha para atuar em sua empresa de cannabis medicinal.

SURPRESA – Segundo pessoas que acompanham as investigações sobre os desvios no INSS, a mudança ocorreu há cerca de duas semanas e gerou surpresa, porque o delegado Guilherme Silva tem conhecimento aprofundado do caso e, como coordenador, tem visão geral de todos os inquéritos.

A Sem Desconto já atingiu ex-dirigentes do INSS, empresários e donos de associações e sindicatos que faziam os descontos indevidos em aposentadorias e políticos que foram alvos de mandados de busca e apreensão — os deputados Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e Gorete Pereira (MDB-CE) e o senador Weverton Rocha (PDT-MA). Todos negam envolvimento em irregularidades.

COLABORAÇÃO PREMIADA- Silva participou ainda das tratativas para três acordos de colaboração premiada: do empresário Maurício Camisotti, que já foi assinado com a PF e aguarda homologação pelo Supremo; do ex-procurador-geral do INSS Virgílio de Oliveira Filho; e do ex-diretor do INSS André Fidelis. No caso dos dois ex-dirigentes do INSS, os acordos ainda não foram assinados com a PF.

Nesta sexta-feira (15), a equipe responsável pela Operação Sem Desconto participou de reunião com o relator do caso no STF, o ministro André Mendonça, para tratar do andamento das investigações.

As mudanças feitas pela PF já geraram reações políticas na oposição. O deputado Sóstenes Cavalcanti (PL-RJ) afirmou que pediu a convocação do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para explicar o que motivou a mudança feita pela corporação.

EDITORIAL: Apicultura em Jeremoabo – O Ouro Doce do Sertão Ganha Incentivo e Tecnologia

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EDITORIAL: Apicultura em Jeremoabo – O Ouro Doce do Sertão Ganha Incentivo e Tecnologia


Por José Montalvão

A apicultura sempre foi uma das maiores vocações econômicas de Jeremoabo. O município possui uma vantagem natural inestimável: a matéria-prima é abundante, graças à riqueza da nossa flora caatinga. No entanto, para que o potencial se transforme em riqueza real no bolso do produtor, a natureza sozinha não basta; é preciso o braço forte do poder público.

Enxergando essa realidade, o prefeito Tista de Deda, através da Secretaria Municipal de Agricultura, identificou que o setor é uma das grandes fontes de renda da nossa terra, mas que necessita de um impulso crucial: incentivo técnico e profissionalização.

Da Tradição à Tecnologia: O Salto que Jeremoabo Precisa

O produtor rural de Jeremoabo é forte e trabalhador, mas o mercado moderno exige que a atividade caminhe lado a lado com a evolução tecnológica. Por isso, a prefeitura municipal está providenciando os recursos necessários para estruturar a cadeia produtiva do mel.

O plano de incentivo foca em pilares fundamentais:

  • Capacitação Profissionalizante: Levar conhecimento técnico para que os apicultores melhorem o manejo das colmeias, aumentem a produtividade e garantam um produto de excelência.

  • Inovação e Maquinários: Apoiar a introdução de equipamentos modernos que facilitem a extração e o beneficiamento do mel, diminuindo o desperdício e agregando valor ao produto final.

  • Sustentabilidade Econômica: Transformar o que antes era uma atividade complementar em um negócio profissional, forte e gerador de emprego e renda para as famílias do campo.

O Município Acompanhando o Desenvolvimento

Essa iniciativa demonstra a visão estratégica da gestão atual. Enquanto prioriza infraestrutura e água para o homem do campo, o governo Tista de Deda também entende que é preciso dar as ferramentas para que o produtor rural cresça por conta própria. Investir na apicultura é investir no desenvolvimento sustentável, valorizando o que o nosso sertão tem de melhor.

Jeremoabo segue avançando, sintonizada com o futuro e com as novas tecnologias, sem nunca esquecer de apoiar quem trabalha de sol a sol para produzir. O mel de Jeremoabo, que já é sinônimo de qualidade, agora se prepara para ser sinônimo de progresso tecnológico.

Blog de Dede Montalvão: Valorizando a nossa produção e acompanhando o desenvolvimento da nossa terra.

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025

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