Charge reproduzida do site Brasil 247
Roberto Nascimento
A confirmação da prisão de Daniel Vorcaro, por decisão por maioria da Segunda Turma do Supremo, com os votos de Luiz Fux e Nunes Marques acompanhando o relator, ministro André Mendonça, repercutiu no meio político e causou uma apreensão a mais no intrigado tabuleiro político e judicial, deixando à beira de um ataque de nervos muitas autoridades dos três Poderes.
O causador dessa insuportável tensão é o banqueiro Daniel Vorcaro, do grupo Master, um operador financeiro especializado em fraudes bancárias, pirâmides e até no comando de milícias digitais e físicas, disposto a mandar moer e matar adversários.
VORCARO BALANÇA – O fato concreto é que Vorcaro não está aguentando o isolamento na prisão. Trocou de advogados e assim mandou recados ao Congresso e ao Judiciário sobre a possibilidade de delação premiada. Mas, o líder de uma organização premiada, no topo do crime, pode fazer delação?
A legislação em vigor – Lei de Organização Criminosa – diz que sim. A diferença é que, se a delação for de um subalterno contra o líder da quadrilha, o delator pode ficar isento de crime e sequer ser denunciado pelo Ministério Público na abertura do processo penal.
No caso de Vorcaro, não há essa moleza. Como ele é o chefe da organização criminosa, seus benefícios serão no máximo uma redução da pena. De toda maneira, será julgado e condenado, porém com menos rigor.
IBANEIS EM PÂNICO – O governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha, governador de Brasília, levou o Banco Regional de Brasília (BRB) a torrar R$ 12 bilhões dos cofres públicos na peneira do Banco Master de Vorcaro.
Às vésperas de deixar o governo para se candidatar ao Senado, Ibaneis não vem conseguindo dormir, toma Rivotril direto e teme ser rejeitado pelo eleitor da capital, onde há fortes candidatos, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
O governador Cláudio Castro, que perdeu quase R$ 1 bilhão do RioPrevidência no Banco Master, já não tem certeza da viabilidade de sua eleição ao Senado e pode ser cassado pelo TSE no julgamento marcado para o dia 25 deste mês.
MAIS PREJUÍZOS – O senador Davi Alcolumbre está metido no rombo de 400 milhões da AmPrev (Previdência do Amapá), cujo presidente, indicado por ele, torrou investindo no Banco Master. O presidente do Senado está uma fera com a Polícia Federal, que teima em investigar corretamente essa fraude bilionária.
Hugo Motta, Jaques Wagner, Ciro Nogueira, e muitos outros políticos, assim como magistrados de tribunais superiores e membros do governo, são muitas “autoridades” com algum negócio fora das quatro linhas republicanas, alguns até legais, mas todos imorais, e temem a delação de Daniel Vorcaro.
A cada dia, surge uma novidade extraída dos oito celulares de Vorcaro e de seu cunhado, o pastor Zettel, expulso da Igreja Lagoinha de Belo Horizonte. Quem podia, levou dinheiro do Banco Master em troca de algum pedido desse verdadeiro encantador de serpentes. Mas quem vai pagar esse rombo, que já passa de R$ 50 bilhões? Ora, somos todos nós, os contribuintes, é claro.