
Nunes Marques não titubeou e deu o voto decisivo: 3 a 0
Felipe de Paula e Fausto Macedo
Estadão
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal formou maioria nesta sexta, 13, para manter a prisão preventiva do banqueiro e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O ministro André Mendonça, relator do inquérito na Corte, abriu a votação às 11h e foi acompanhado integralmente pelos ministros Luiz Fux e Nunes Marques. Resta o voto de Gilmar Mendes.
RISCO CONCRETO -Ao votar pela confirmação do decreto de prisão de Vorcaro, o ministro Mendonça enfatizou seus motivos. “Nessa perspectiva, destaco que os crimes investigados envolvem valores bilionários e têm impacto potencial no sistema financeiro nacional”, disse,acrescentando:
“Há, sob outro prisma, evidências de tentativa de obtenção de informações sigilosas sobre investigações em andamento e monitoramento de autoridades. E existem forte indícios da existência de grupo destinado a intimidar adversários e a monitorar autoridades, o que revela risco concreto de interferência nas investigações.”
Ele destacou que o banqueiro e seus aliados continuaram a operar mesmo depois de a PF ter deflagrado a primeira fase da Compliance Zero. “No que diz respeito ao elemento da contemporaneidade, as atividades criminosas, tal como demonstrado pela Polícia Federal em sua representação, continuaram a ocorrer mesmo após o início do inquérito e as operações dele decorrentes.”
FALTA GILMAR – Luiz Fux e Nunes Marques seguiram o voto do relator, e a questão já está decidida, ou seja, Vorcaro continuará preso em regime de segurança máxima,
O ministro Gilmar Mendes não quis votar e anunciou que somente se manifestará na semana que vem. Segundo membros de sua equipe, ele disse que vai ler os votos dos colegas, para pensar sobre o voto dele.
Antes do julgamento, a especulação era de que Gilmar votaria a favor da libertação de Daniel Vorcaro, e havia dúvidas sobre o voto de Nunes, que preferiu apoiar o relator.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Soltar Vorcaro seria um achincalhe nacional e mancharia de vez a imagem do Supremo. Mas tudo indica que Gilmar vai tentar demolir, um a um, os argumentos de Mendonça, mas não adiantará nada na prática e ficará claro de que lado Gilmar está, se é que ainda exista alguém que alimente essa dúvida. (C.N.)