Dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira, 31, mostram que o setor público registrou déficit de R$ 16,4 bilhões em fevereiro de 2026. O resultado — que reúne União, estados, municípios e estatais — confirma a dificuldade do governo em equilibrar as contas em meio ao aumento de despesas e pressões políticas típicas de ano eleitoral. A série histórica para fevereiro evidencia a oscilação das contas públicas nos últimos anos. Em 2022, o setor público teve superávit de R$ 3,47 bilhões, mas passou a acumular déficits sucessivos entre 2023 e 2026, com destaque para o rombo de R$ 48,7 bilhões registrado em fevereiro de 2024, o pior da sequência.
No detalhamento do resultado de fevereiro de 2026, o Executivo Federal apresentou déficit de R$ 29,5 bilhões, enquanto as estatais fecharam o mês com saldo negativo de R$ 568 milhões. Em sentido oposto, estados e municípios contribuíram com superávit de R$ 13,7 bilhões, ajudando a reduzir parcialmente o impacto do desequilíbrio nas contas federais. No acumulado de 12 meses, o setor público somou déficit de R$ 52,8 bilhões, o equivalente a 0,41% do Produto Interno Bruto (PIB). A persistência do resultado negativo reforça a pressão sobre a equipe econômica e evidencia a dificuldade do Palácio do Planalto em avançar com cortes estruturais de gastos.
A situação fiscal também se reflete na trajetória da dívida. Segundo o Banco Central, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) avançou para 79,2% do PIB, o que corresponde a R$ 10,2 trilhões. O patamar elevado amplia o desafio de manter a credibilidade junto ao mercado e sustentar juros em trajetória de queda sem comprometer a estabilidade. Com limitações para reduzir despesas e resistência política a medidas impopulares, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia alternativas para ajustar sua estratégia em 2026. A administração federal estuda recuos em decisões que geraram desgaste, buscando recuperar apoio popular frente à rejeição crescente.