
PF se recusa a exibir a gravação do suicídio de “Sicário”
Carolina Sott
Site nd+
A morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, ganhou um novo capítulo após deputados federais levantarem suspeitas de possível “queima de arquivo” e cobrarem esclarecimentos do Ministério da Justiça.
Na quarta-feira (25), a Comissão de Segurança Pública da Câmara enviou um requerimento pedindo informações detalhadas sobre as circunstâncias da morte de Sicário, do sepultamento e dos registros oficiais relacionados ao caso.
APURAÇÃO COMPLETA – No documento, assinado pelo presidente do colegiado, Coronel Meira (PL-PE), os parlamentares solicitam a “apuração das circunstâncias da custódia, do atendimento e dos registros relacionados ao óbito e sepultamento”.
Entre os principais pontos, a comissão questiona se houve abertura de investigação sobre a morte de Sicário por parte da Polícia Federal.
Os deputados pedem que o Ministério da Justiça, pasta comandada pelo ministro Wellington César Lima e Silva, informe se foi instaurado “procedimento administrativo ou investigativo” para apurar os fatos, além de exigir a verificação da regularidade de toda a documentação oficial.
LAUDOS MÉDICOS – O requerimento também cobra a checagem da cadeia de registros do óbito, incluindo a emissão da DO (Declaração de Óbito), o registro em cartório e a compatibilidade entre laudos médicos, periciais e documentos oficiais.
Luiz Phillipi Mourão ficou conhecido como “Sicário” de Daniel Vorcaro após ser preso na Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. Segundo as investigações, ele desempenhava papel central na organização criminosa.
De acordo com os investigadores, Mourão seria responsável por executar ordens de monitoramento de alvos, realizar extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e conduzir ações de intimidação física e moral.
“LONGA MANUS” – Relatórios também apontam uma “dinâmica violenta” nas interações entre ele e Vorcaro.
As apurações indicam ainda que o “Sicário” atuava como uma espécie de “longa manus” da organização – termo jurídico usado para designar alguém que age em nome de outro – e que receberia cerca de R$ 1 milhão por mês pelos serviços ilícitos prestados.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Faltou pedir o principal – a cópia da gravação da tal tentativa de suicídio, que o superintendente da Polícia Federal em Belo Horizonte disse existir, “sem pontos cegos”. Nada do que foi pedido é mais importante do que a gravação, para saber se o “Sicário” foi suicidado, em condições idênticas ao assassinato do jornalista Vladimir Herzog, no regime militar. Apenas isso. (C.N.)