EDITORIAL: Entre Fatos e Boatos – A Responsabilidade de quem Fiscaliza e o Rigor da Lei
Existem assuntos que, por mim, já estariam encerrados na lata do lixo da história política de Jeremoabo, como é o caso das pré-candidaturas que a região já conhece de sobra. No entanto, os debates acalorados no grupo "Jeremoabo Hoje" me obrigam a tecer comentários sobre pontos fundamentais: a coragem de denunciar, a situação jurídica de quem quer o voto do povo e a verdade sobre a justiça brasileira.
Não se faz política séria com omissão. O que assistimos agora é o choque entre a transparência e as velhas práticas que tanto mal fizeram ao nosso município.
1. O Papel do Cidadão: A Denúncia do Professor Marcelão
Acredito piamente que o Professor Marcelão, um homem de responsabilidade, não iria a público denunciar ninguém sem ter provas em mãos. Tratar do suposto uso de "funcionários fantasmas" pagos com dinheiro do FUNDEF — recurso sagrado da educação — para bancar cabos eleitorais é algo de extrema gravidade.
Direito e Dever: Ao denunciar, o professor não está sendo "perseguidor", está exercendo seu direito constitucional de cidadão.
Omissão é Covardia: Covardia seria tomar conhecimento de uma suposta improbidade com o dinheiro público e permanecer calado. Quem não deve, não teme a investigação; quem deve, tenta desqualificar quem denuncia.
2. Ficha Limpa: A Lei é para Todos
Sobre a situação eleitoral de candidatos que colecionam contas rejeitadas no TCU e no TCM, não há o que discutir: é uma questão de fato e de lei.
Inelegibilidade: A menos que ocorra uma mudança drástica na legislação até as eleições, a Lei da Ficha Limpa é clara. Gestor que teve contas rejeitadas por irregularidade insanável e decisão definitiva fica fora do jogo.
Consciência do Eleitor: O povo precisa entender que votar em quem está inelegível é jogar o voto fora e flertar com a insegurança jurídica.
3. A Verdade sobre Lula e o Papel do STF
Ainda ecoam vozes tentando repetir narrativas superadas sobre o presidente Lula. É preciso restabelecer a verdade jurídica: até hoje, ninguém conseguiu provar roubo, tanto que as injustiças cometidas contra ele foram derrubadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Para os desavisados ou mal-intencionados, vale o esclarecimento técnico:
Não é Terceira Instância: O STF não existe para reanalisar fatos ou "contar provas" (conforme a Súmula 279).
Guardião da Constituição: O Supremo atua quando a sentença ofende diretamente a Constituição Federal. No caso de Lula, o que o STF reconheceu foi que o processo estava viciado, com um juiz parcial e fora de sua competência legal. Quando a regra do jogo é quebrada pelo juiz, a partida é anulada. Isso é o que garante que nenhum cidadão — seja ele presidente ou operário — seja perseguido pelo Estado.
Conclusão: O Título como Ferramenta de Limpeza
A política em Jeremoabo não pode mais ser terreno para quem deve à justiça ou para quem usa o dinheiro do estudante para fazer campanha. O debate no "Jeremoabo Hoje" mostra que o povo está atento.
Que cada um use sua consciência e seu título de eleitor para separar o joio do trigo. A verdade pode até ser abafada por um tempo, mas ela sempre encontra o caminho da luz através daqueles que têm coragem de falar.
Blog de Dede Montalvão: Onde o debate é livre, mas os fatos são sagrados.
José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)