Relator da CPI do INSS recomenda investigação de Toffoli e Moraes por relação com Vorcaro
Documento apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar sugere que o Senado, a PF e o MP investiguem tráfico de influência de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro e possíveis ilícitos de Dias Toffoli
Por Weslley Galzo/Estadão
27/03/2026 às 17:45
Atualizado em 27/03/2026 às 17:47
Foto: Antonio Augusto/STF/Arquivo
Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli
O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil - AL), recomendou em seu relatório que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli sejam investigados por possíveis crimes, como tráfico de influência, nas relações que mantinham, com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que é investigado por envolvimento no esquema de descontos ilegais nos contracheques de aposentados.
O relatório apresentado por Gaspar ainda será submetido à votação do colegiado, portanto não estão confirmadas as aplicações das medidas por ele sugeridas. Na seção destinada a tratar do envolvimento de Vorcaro e de sua instituição financeira nas fraudes do INSS, o deputado incluiu um trecho específico em que pede a “apuração de possíveis práticas ilícitas envolvendo familiares de integrantes e integrantes do STF e o Banco Master”.
Os ministros não constam na lista de indiciados, pois a CPI não tem competência para investigar ministros do STF. A recomendação é, contudo, uma forma de driblar essa limitação. Ao apontar às autoridades competentes eventuais ilícitos encontrados, o relator pleiteia que prossigam com as investigações desses indícios.
“As investigações conduzidas por esta Comissão e os debates havidos no curso dos trabalhos trouxeram à tona elementos indicativos de relações entre integrantes e familiares de membros do Supremo Tribunal Federal e o Banco Master, instituição financeira objeto de apuração nesta CPI em razão de irregularidades identificadas em operações de crédito consignado destinadas a aposentados e pensionistas do INSS”, justificou.
Ele pede que a Polícia Federal (PF), o Senado e o Ministério Público Federal (MPF) examinem o contrato de honorários advocatícios firmado por Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, com o Banco Master.
O deputado sustenta no relatório que é preciso verificar a ocorrência do crime de tráfico de influência a partir da contratação do escritório de Viviane, “tendo em vista a posição do ministro como integrante ativo do Supremo Tribunal Federal e a sujeição da instituição contratante (Banco Master) à regulação e à jurisdição do Tribunal”.
Gaspar afirmou que a Banco Master foi “uma das maiores fraudadores de empréstimo consignado para aposentados e pensionistas pagos pelo INSS”, o que justificaria o escrutínio dos negócios da esposa de Moraes. Ele também recomendou que as mesmas instituições apurem o relacionamento de Toffoli com Vorcaro, pois a Comissão teria identificado indícios de práticas ilícitas - porém, não foram descritas quais seriam.
Em outra seção do documento, o relator da CPMI citou a compra por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, da participação de Toffoli e de seus irmãos em um fundo que integrava o resort Tayayá como um indício dessa relação suspeita entre os dois. O caso foi revelado pelo Estadão. O pedido de investigação também se estendeu a Zettel, que foi apontado como parte do círculo operacional do Master. Ele já é investigado atualmente em inquérito da PF perante o STF.
Além dos membros do Supremo, Gaspar também pediu a investigação de um ex-integrante da Corte: Ricardo Lewandowski, que também exerceu o cargo de ministro da Justiça. O deputado cita o contrato de serviços jurídicos firmado entre o escritório do ministro e o Master. Ele também aponta a possibilidade de ocorrência do crime de tráfico de influência - termo que só não foi utilizado em relação a Toffoli.
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