
Charge do Jeff Castro (Arquivo Google)
Mônica Bergamo
Folha
O presidente Lula decidiu vetar a entrada do assessor de Donald Trump, Darren Beattie, no Brasil depois de ver a extensa lista de autoridades brasileiras que seguem proibidos de entrar nos EUA. O cancelamento de vistos pelo governo americano atinge magistrados como Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, e integrantes do governo, como os ministros Alexandre Padilha e Jorge Messias.
Ativista de ultradireita, Darren Beattie foi nomeado pelo governo dos EUA para o cargo de Conselheiro Sênior de Política para o país.
OBSERVADOR ELEITORAL – Próximo ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, o conselheiro Beattie pediu para visitar Jair Bolsonaro na prisão e tentava agendar encontros com diversas autoridades, inclusive com ministros do Supremo Tribunal Federal.
Sua intenção era acompanhar o processo eleitoral do Brasil— o que foi visto como ingerência indevida pelo Itamaraty.
Beattie é crítico do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, a quem já acusou de ser o coração pulsante do complexo de perseguição e censura contra Jair Bolsonaro, e que tem tentado restringir a liberdade de expressão nos EUA.
LULA REAGE – O presidente brasileiro citou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, como exemplo de autoridades punidas pelo governo Trump com a suspensão.
“Aquele cara americano que disse que vinha para cá para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que está bloqueado”, disse Lula, durante a reinauguração do setor de trauma do Hospital federal do Andaraí.
O número de atingidos pela decisão do norte-americano, no entanto, ultrapassa as duas dezenas.
BARRADOS NOS EUA – Estão com o visto cancelado brasileiros, punidos pelo governo Trump no âmbito do Supremo: o ministro Alexandre de Moraes e sua mulher, Viviane Barci de Moraes; Luís Roberto Barroso (aposentado), e os ministros Flávio Dino, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e o presidente Edson Fachin.
Também estão barrados o procurador-geral da República, Paulo Gonet; o ministro do Superior Tribunal de Justiça, Benedito Gonçalves, aquele que tem um filho que vive exibindo enriquecimento ilícito no exterior; Airton Vieira juiz auxiliar do STF que chefia a equipe de Alexandre de Moraes; Rafael Henrique Janela Tamai Rocha, assessor judicial de Moraes; Marco Antonio Martin Vargas, ex-assessor eleitoral de Moraes; e José Levi, ex-procurador-geral da República.
Por fim, os seguintes membros do governo: Alexandre Padilha (ministro da Saúde, que tem restrições de locomoção no país), mulher e filha; Jorge Messias (advogado-geral da União); e Mozart Júlio Tabosa Sales (secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde).
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O mais patético foi que Moraes autorizou a visita do conselheiro a Bolsonaro, depois foi forçado por Lula a cancelar. E o resultado de tudo isso é que a situação do país só vai piorar com essa briga entre Lula e Trump, dois personagens egocêntricos e desprovidos de caráter. O mundo hoje parece viver numa Idade das Trevas. (C.N.)