sexta-feira, março 13, 2026

Conflito entre EUA, Israel e Irã eleva petróleo a US$ 101 e cria risco político para Lula


Alta do petróleo após conflito pressiona inflação

Poliana Santos
CNN

Há mais de uma semana, os Estados Unidos e Israel atacam o Irã, ampliando o conflito no Oriente Médio. Os desdobramentos da crise, que ocorre a sete meses das eleições presidenciais brasileiras, podem impactar diretamente o cenário político de 2026, a depender da duração e da intensidade da guerra.

“Todo conflito de grandes proporções impacta o cenário doméstico de qualquer país”, afirmou o cientista político e professor do Insper, Leandro Consentino. “No momento, observamos impacto econômico, principalmente na questão do petróleo, o que deve desequilibrar a narrativa do governo Lula”.

PREÇO DO BARRIL – Os preços do petróleo acumulam alta assustadora. Nesta quinta-feira, o Brent,  referência global da commodity,  chegou a US$ 191,75 o barril, resultado da interrupção no fornecimento de combustíveis provocada pela guerra. “Se a alta recente do Brent se provar persistente, um aumento no preço da gasolina será inevitável”, escreveu o economista-chefe da XP, Caio Megale, em relatório divulgado em março.

Caso o petróleo permaneça elevado ao longo de 2026, os custos tendem a se difundir pelas cadeias produtivas de bens industriais, alimentos e serviços, encarecendo o custo de vida da população. Segundo especialistas, os mais afetados seriam os brasileiros de baixa renda, base eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

CUSTO DE VIDA – Eduardo Grin, cientista político e professor da FGV EAESP, avalia que a inflação pressionada pode afetar a percepção da população: “Isso seria muito ruim para o eleitor que recebe Bolsa Família, que recebe até dois salários mínimos, para o qual o custo de vida seria o mais afetado e que é a grande base social e eleitoral do Lula. Acho que Lula dificilmente escapará do efeito disso”.

Do lado da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como forte candidato nas pesquisas, deve explorar o tema para atacar o governo. Até aqui, o Planalto tem destacado indicadores econômicos positivos e trabalhado em pautas populares, como a escala 6×1. Mas, segundo Consentino, “mexer com o petróleo em um momento como esse certamente pode bagunçar esses indicadores”.

Já Caio Megale observa que, no curto prazo, a arrecadação tributária segue forte e a alta do petróleo pode até gerar receita adicional. “O recente salto nos preços do petróleo em resposta ao conflito no Irã, de aproximadamente 60 para 80 dólares por barril, pode gerar uma receita líquida adicional de R$ 21,4 bilhões em 2026. Contudo, o cenário de aumento da dívida pública persiste, e os riscos fiscais podem crescer à medida que a eleição se aproxima”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O governo suspendeu os impostos federais sobre o diesel, mas os Estados não poderão eliminar o imposto, porque estão financeiramente quebrados. O diesel é a grande carência nacional, devido à inexplicável falta de refinarias. Aliás, essa escassez é programada, para manter a importação desse combustível, maior alimentador da eterna corrupção na Petrobras, que a Lava Jato ia combater, mas foi liquidada pelo Supremo antes de limpar à política externa da estatal. A crise reflete a falta de planejamento do governo, que não acelerou o programa do biodiesel e abandonou o exitoso Proálcool. Hoje, os Estados Unidos plantam muita cana e produzem mais álcool que o Brasil, que está importando o produto, algo que devia nos encher de vergonha. Ah, Brasil, com esses governantes, você só pode crescer à noite, quando eles estão dormindo… (C.N.)

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