Armas, Misoginia e Cortes Sociais: A campanha de Flávio Bolsonaro promete mais sangue feminino.
Flávio Bolsonaro anunciou recentemente que o senador Rogério Marinho (PL-RN), ex-ministro de Jair Bolsonaro, coordenará sua campanha presidencial para 2026 — uma escolha que reforça a continuidade do projeto bolsonarista na disputa pelo Planalto.
O anúncio ocorre em um contexto de polarização extrema, marcado por episódios de radicalismo político que bloquearam estradas e defenderam intervenção militar após as eleições de 2022. Tais atos, embora coletivos e intensos, não configuram desordem mental generalizada, mas sim uma reação alimentada por desinformação, violência verbal e instrumentalização política e religiosa — fenômenos que demandam análise crítica, sem estigmatizar quem vive com transtornos mentais reais.
O bolsonarismo, em particular, contribuiu para o agravamento da violência de gênero no Brasil. Durante o governo Jair Bolsonaro (2019-2022), a facilitação do acesso a armas, discursos que incentivavam a submissão feminina e frases como “pintou um clima” ou “eu não te estupro porque você é feia” normalizaram a misoginia e a desumanização da mulher.
Dados oficiais mostram escalada nos feminicídios: de cerca de 1.229 casos em 2018 para recordes recentes, com 1.470 em 2025 (média de quatro mulheres mortas por dia por razões de gênero, segundo o Ministério da Justiça), após crescimento significativo a partir de 2020. Pesquisas apontam que o desmonte de políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher — com cortes de recursos e enfraquecimento de redes de proteção — agravou o problema, em paralelo à ascensão da extrema-direita.
Nas bolhas digitais bolsonaristas — influenciadores, podcasts e cursos —, jovens são expostos a ideias retrógradas de inferioridade feminina. Estudos recentes revelam que cerca de 21% dos brasileiros (e até 31% dos homens da Geração Z em média global, com o Brasil próximo disso) concordam que a esposa deve obedecer ao marido, reflexo de uma cultura que o bolsonarismo ajudou a revitalizar.
A integração de figuras como Marinho na campanha de Flávio sinaliza que essa agenda — de retrocessos em direitos trabalhistas, sociais e de gênero — segue como eixo central. O Brasil paga caro por essa normalização da violência e da desigualdade, exigindo resistência democrática e fortalecimento de políticas protetivas.
A nomeação de Rogério Marinho para coordenar a campanha de Flávio Bolsonaro não é mero arranjo eleitoral: é o sinal claro de que a extrema-direita pretende reeditar a receita que, entre 2019 e 2022, facilitou armas, normalizou a misoginia e desmontou políticas de proteção à mulher — resultando no recorde histórico de 1.568 feminicídios em 2025, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com média superior a quatro mulheres assassinadas por dia. Enquanto bolhas digitais seguem doutrinando jovens na submissão feminina e na desumanização da mulher, o Brasil não pode permitir que esse ciclo de violência e retrocesso social volte ao comando do país. A democracia e a vida das mulheres exigem resistência urgente e intransigente.
Por Luis Celso (Adm. Comunidade)