Publicado em 13 de março de 2026 por Tribuna da Internet

Entidade quer acesso integral às provas obtidas
Pepita Ortega
O Globo
O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil decidiu pedir ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), acesso às provas do caso Master, que levou à prisão, pela segunda vez, o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o presidente da entidade, Beto Simonetti, a sociedade “precisa ter revelado o que tem” no inquérito.
Segundo Simonetti, o pedido será entregue a Mendonça pessoalmente. O advogado afirmou que a OAB já requereu uma audiência no gabinete do ministro do STF e que aguarda a data para o encontro. A entidade quer acesso integral às provas obtidas até o momento na investigação, que já teve três etapas ostensivas abertas. A decisão pela apresentação do pedido a Mendonça se deu por aclamação em reunião do Conselho da OAB.
APURAÇÃO RIGOROSA – O anúncio do pedido de acesso foi feito após Simonetti se reunir com representantes da OAB nos 27 Estados e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, no Conselho Nacional de Justiça na última terça-feira. Em nota, a entidade disse ter defendido, durante o encontro, “apuração rigorosa dos fatos envolvendo qualquer autoridade” no bojo das apurações da Operação Compliance Zero.
O caso Master também foi tema de reunião entre Fachin e Mendonça, realizada na noite de segunda-feira na Presidência do STF. Em meio ao rescaldo das novas revelações sobre o suposto grupo criminoso que, segundo a Polícia Federal, seria liderado por Vorcaro, o presidente do STF também se encontrou com outros integrantes da Corte para tratar do assunto.
INQUÉRITO DAS FAKE NEWS – Na mesma reunião, além do caso Master, foi levantado o tópico do inquérito das fake news. No mês passado, a Ordem encaminhou ao STF um ofício pedindo o arquivamento de investigações de natureza perpétua, principalmente as que “deixam de ostentar delimitação material e temporal suficientemente precisa”. No documento, a entidade registrou “extrema preocupação institucional com a permanência e conformação jurídica de investigações de longa duração”.
Segundo Simonetti, foi reafirmado, na ocasião, o “interesse” da advocacia em ver o inquérito relatado pelo ministro Alexandre de Moraes arquivado. O presidente da OAB sustenta que não há norma que permita “inquéritos permanentes e eternos”. Segundo ele, Fachin “compreende que esses inquéritos não podem se manter como estão”, mas não deu “nenhum tipo de sinalização” sobre o eventual fim da investigação. Simonetti ainda disse que a OAB não descarta a possibilidade de procurar Moraes para ponderar sobre “situações encontradas” ao longo do inquérito.