No coração do sertão central cearense, Quixadá se orgulha (ou deveria se orgulhar) de suas belezas naturais. Com 90 mil habitantes, a cidade dos monólitos teima em ignorar o próprio potencial turístico para se enterrar sob o lixo, o entulho e a especulação imobiliária desenfreada. O retrato mais trágico desse analfabetismo ambiental crônico está na Lagoa da Avenida José Caetano, onde o poder público, que deveria proteger, assume o papel de algoz.
Enquanto o discurso oficial repete slogans de sustentabilidade, a prática da Prefeitura de Quixadá caminha na contramão da lei e da lógica. O que se vê nas margens da Lagoa da Avenida José Caetano não é fruto de negligência passiva, mas de uma ação ativa e deliberada de destruição ambiental. Depois de anos servindo como depósito irregular de lixo e material de demolição — prática que já havia gerado intervenção do Ministério Público —, a lagoa agora enfrenta seu golpe de misericórdia: a gestão municipal está transformando o manancial em um lixão a céu aberto, estruturado com pneus velhos para receber resíduos de carroceiros e entulho da construção civil.
A ironia é tão cruel quanto o cheiro que deve em breve começar a incomodar os moradores do entorno. A mesma prefeitura que recebeu recomendação ministerial para urbanizar e preservar a área encontrou uma brecha para institucionalizar o crime. A informação, documentada e de conhecimento do prefeito (que é médico) e seus auxiliares, revela um artifício macabro: dividir as margens em "ambientes" para organizar um grande deposito de lixo no centro da cidade. Chama-se a isso de "gestão de resíduos"? Não. Chama-se aterramento sanitário ilegal com selo de aprovação municipal.
O grito dos quixadaenses que se perdeu ao vento
Historicamente, Quixadá assiste passivamente ao assassinato de seus recursos hídricos. O Rio Sitiá, único da cidade, sobrevive como um fio de água envergonhado, com suas margens aterradas e engolidas pela especulação imobiliária. A voz de um ou dois ambientalistas — tratados como incômodo profetas do caos — sempre se perdeu no vento que sopra entre os monólitos. As autoridades, anestesiadas por aquilo que só pode ser classificado como analfabetismo ambiental ou conivência criminosa, fingem que nada veem.
Agora, a agonia chega às últimas lagoas. A da Avenida José Caetano é a ponta do iceberg (ou da montanha de lixo) que está por vir. A tentativa de aterrar o local com resíduos não é nova. O que surpreende é a ousadia de fazê-lo agora, sob o pretexto de uma "organização" que desafia abertamente a recomendação do Ministério Público.
Pasmem! Um lixão de frente para uma clinica médica
Se o crime ambiental já fosse pouco, a localização do novo "lixão oficial" escancara a irresponsabilidade da gestão. O local escolhido fica em frente a um empreendimento de saúde de mais de R$ 8 milhões: a CLINIMAGEM, que está em fase final de instalação. O contraste não poderia ser mais simbólico. De um lado, um polo de diagnóstico e saúde sendo erguido para cuidar da população; do outro, a Prefeitura implantando um foco de contaminação, proliferação de vetores e doenças, justamente onde a natureza oferecia um pulmão verde e um espelho d‘água.
Pergunta-se: qual a lógica sanitária de um prefeito médico ao autorizar um lixão a céu aberto nas proximidades de um centro de imagem? A resposta, infelizmente, parece estar longe da ciência médica e muito perto da velha política do descaso.
Até quando o Ministério Público (4ª promotoria) será desafiada?
A população quixadaense, que ainda preserva algum resquício de memória e cidadania, repete a pergunta que ecoa vazia nos corredores do Paço Municipal: até quando?
O Ministério Público já foi acionado. Já recomendou. Já determinou que a Prefeitura não permitisse o aterro, mas sim a urbanização. O que se vê agora é um desafio explícito à autoridade ministerial. A Prefeitura não só deixou de cumprir a recomendação como inovou na contravenção, criando um lixão "regulamentado" por pneus velhos.
Os canais oficiais, como a Ouvidoria da Câmara Municipal e a Autarquia Municipal de Meio Ambiente (AMMA) , existem, mas a população já aprendeu que, na prática, servem mais como vitrine do que como solução. Os números falam por si: as reclamações se acumulam enquanto as respostas não chegam.
A paisagem de Quixadá, esculpida pela natureza em milhões de anos, está sendo desfigurada em poucos mandatos por gestores que insistem em não enxergar valor no que é público e perene. Enquanto a lagoa vira lixão, a cidade enterra não só suas águas, mas também sua esperança de um futuro que alie desenvolvimento à sustentabilidade.
Agora, resta aguardar a posição do Ministério Público. Vai aceitar a afronta ou fará valer a lei fazendo cessar, imediatamente, esse crime ambiental permanente e visível? O lixo está sendo depositado. A fauna e a flora estão sendo dizimadas. E o vento que um dia levou os gritos dos ambientalistas agora pode trazer o cheiro da impunidade.
"Detendo o poder e certo da impunidade, o homem se sente Deus entre os homens." (Platão)
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Wanderley Barbosa
Jornalista / Radialista profissional
Associação da Imprensa do Sertão Central (AISC)
Delegado do SINDRADIOCE
Associado na ABI e ACI
Editor do Site Foco no Assunto
wanderleybarbosaw@gmail.com
(88) 99653-5555 (WhatsApp)
Nota da Redação deste Blog - Gestão com visão: buscar conhecimento para evitar erros ambientais
Em política, infelizmente, é comum que algumas críticas surjam não a partir de argumentos sólidos, mas de precipitação, desinformação ou simples oposição automática. É exatamente isso que acontece quando certos críticos tentam desqualificar a recente viagem do prefeito Tista de Deda ao Paraná, insinuando que ela teria sido desnecessária. Na realidade, ocorre justamente o contrário: viagens institucionais que buscam conhecimento, parcerias e novas experiências administrativas são uma das marcas de gestores que pensam no futuro.
Governar um município não significa ficar sentado em uma cadeira dentro da prefeitura aguardando que as soluções apareçam. Um gestor moderno precisa buscar exemplos, dialogar com outras administrações e aprender com experiências bem-sucedidas para aplicar boas práticas em sua cidade. Foi exatamente esse o espírito da viagem realizada pelo prefeito.
A busca por conhecimento e planejamento se torna ainda mais importante quando observamos situações lamentáveis que ocorrem em outras cidades brasileiras. Um exemplo que chama atenção é o caso do município de Quixadá. Segundo relatos divulgados recentemente, um dos cenários naturais da cidade vem sendo vítima de um verdadeiro analfabetismo ambiental crônico, que caminha na contramão da lei, da ciência e do bom senso.
Nas margens da Lagoa da Avenida José Caetano, o que deveria ser um patrimônio ambiental transformou-se em símbolo de degradação. Durante anos, o local foi utilizado como depósito irregular de lixo e material de demolição, situação que chegou a motivar intervenção do Ministério Público do Estado do Ceará. Em vez de recuperação ambiental, porém, o cenário teria piorado: o manancial estaria sendo transformado em um verdadeiro lixão a céu aberto, estruturado inclusive com pneus velhos para receber resíduos de carroceiros e entulho da construção civil.
A ironia dessa situação é dolorosa. Um espaço natural que deveria representar vida, equilíbrio ambiental e qualidade de vida para a população passa a se tornar fonte de poluição, mau cheiro e degradação. Quem perde é a cidade, o meio ambiente e principalmente as futuras gerações.
É exatamente para evitar que erros como esse se repitam em outros municípios que gestores responsáveis buscam aprender, conhecer e planejar. Quando o prefeito Tista de Deda viaja para conhecer experiências administrativas, projetos de sustentabilidade ou modelos de gestão urbana em outras regiões do país, ele não está “passeando”, como insinuam alguns críticos. Ele está investindo em conhecimento e planejamento estratégico para Jeremoabo.
O desenvolvimento moderno exige responsabilidade ambiental. Cidades que ignoram essa realidade acabam pagando um preço alto no futuro: perda de recursos naturais, problemas de saúde pública e prejuízos econômicos. Por isso, aprender com boas práticas e evitar exemplos negativos deve ser uma prioridade de qualquer administração comprometida com o futuro.
Jeremoabo tem um enorme potencial de crescimento, inclusive no turismo e na valorização de seus recursos naturais — algo que o próprio prefeito já demonstrou compreender ao defender uma visão de desenvolvimento sustentável para o município. Preparar a cidade para crescer com planejamento é muito melhor do que tentar corrigir erros depois que os danos já foram causados.
Portanto, antes de transformar viagens institucionais em motivo de críticas vazias, seria mais produtivo reconhecer que gestores que buscam conhecimento estão, na verdade, trabalhando para evitar exatamente os tipos de problemas que hoje envergonham algumas cidades brasileiras.
Viajar para aprender não é desperdício.
É responsabilidade administrativa, visão de futuro e compromisso com o desenvolvimento sustentável de Jeremoabo.