Trump ameaça aliados por ajuda para reabrir o Estreito de Ormuz

Foto: Nathan Howard / Getty Images via AFP
A Otan vai enfrentar um “futuro muito ruim” caso seus membros europeus não ajudem a romper o bloqueio feito pelo Irã ao Estreito de Ormuz. A ameaça partiu do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que enfrenta as consequências de uma guerra iniciada por ele mesmo há duas semanas ao lado de Israel contra o regime dos aiatolás. Em resposta, além de atacar alvos em toda a região, o Irã bloqueou o estreito de 50km, por onde passa boa parte da produção mundial de petróleo, e chegou a bombardear navios. Inicialmente Trump prometeu que embarcações de guerra americanas escoltariam os petroleiros no trajeto, mas isso ainda não aconteceu. Agora, o presidente americano quer que os países europeus e a China, tradicional aliada do Irã, patrulhem a região para evitar novos ataques, ameaçando adiar ou mesmo cancelar a visita que deveria fazer a Beijing este mês. Mesmo países com alinhamento mais estreito com os EUA, como Japão e Coreia do Sul, precisam de aprovação de seus Parlamentos para enviar navios, e estes levariam até quatro semanas para chegar ao Golfo. (CNN)
O impacto de bloqueio em Ormuz e a indefinição sobre o conflito fizeram o barril do petróleo Brent chegar a US$ 105 na abertura dos negócios desta segunda-feira, projetando efeitos negativos sobre a economia mundial. A tensão, claro, não se limita aos mercados. A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos disseram ter abatido drones iranianos, mas um deles atingiu um depósito de combustíveis perto do aeroporto de Dubai, um dos mais movimentados do mundo, provocando a interrupção nos voos. (AP)
Para ler com calma. A duração da guerra obriga Trump a fazer uma escolha difícil: permanecer na batalha para alcançar os objetivos ambiciosos que estabeleceu ou tentar se desvencilhar de um conflito crescente e cada vez mais intenso, que está gerando consequências militares, diplomáticas e econômicas devastadoras. (New York Times)
Enquanto isso... Uma declaração de forte cunho autoritário do presidente da Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos Estados Unidos, Brendan Carr, provocou críticas até mesmo entre republicanos. Carr afirmou que pode cassar as concessões de redes de TV que vincularem o que chamou de “notícias falsas” sobre o conflito com o Irã. O senador republicano Ron Johnson, do Wisconsin, reagiu, criticando o controle governamental sobre a iniciativa privada e a tentativas de interferir na liberdade de expressão protegida pela Constituição. (Guardian)
O avanço das investigações sobre o escândalo do Banco Master elevou a temperatura entre o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) e passou a preocupar o governo Lula pelo potencial desgaste eleitoral que o caso pode gerar. Além disso, há tensão entre integrantes do Supremo e a cúpula do Congresso com o governo federal. Nos bastidores, políticos e magistrados dizem enxergar aval do Planalto na condução da Polícia Federal (PF) nas investigações. Além disso, avaliam que o entorno do presidente Lula fez coro às críticas a Dias Toffoli, expondo o ministro e a Corte como um todo. Já congressistas acusam o Planalto de influenciar a atuação da PF para prejudicar adversários políticos de Lula. Na sexta-feira, a segunda turma do STF formou maioria para manter a prisão de Daniel Vorcaro. Luiz Fux e Kassio Nunes Marques acompanharam o relator André Mendonça, e o decano Gilmar Mendes tem até a próxima sexta para votar. Dias Toffoli se declarou impedido. (Globo)
Uma troca na defesa de Vorcaro pode contribuir para a elevação dos ânimos. O advogado Pierpaolo Bottini, que é contra acordos de delação, deixou o caso. O dono do Banco Master passará a ser defendido por José Luis Oliveira Lima, que entende a delação premiada como um meio de defesa. A mudança veio logo após se formar maioria para manter a prisão do banqueiro. (g1)
Eliane Cantanhêde: “A delação de Vorcaro é esperada com pânico pelos múltiplos suspeitos e com ansiedade por investigadores e pela sociedade brasileira, já desconfiada de que um só cidadão, com um sócio embrenhado no mundo político, um cunhado pastor e um criminoso contratado, não seria capaz de corromper tantos, ao mesmo tempo. Afinal, Vorcaro é o dono do Master e o cérebro de tudo isso, ou é apenas parte pública e visível de uma engrenagem muito maior?” (Estadão)
O ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou uma pequena melhora na função renal, segundo boletim médico divulgado ontem pelo hospital DF Star. O comunicado informa, porém, que foi preciso aumentar a dose de antibióticos devido a uma “nova elevação dos marcadores inflamatórios no sangue”. Bolsonaro permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital em Brasília em tratamento de pneumonia bacteriana bilateral decorrente de episódio de broncoaspiração. No sábado, os médicos alertaram para risco de morte após pneumonia mais grave que o ex-presidente já teve. (Estadão)
A internação do ex-presidente não interrompe a campanha de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), à presidência nem as divergências internas. A ala bolsonarista radical rejeita a indicação de um ministro da Economia ligado ao mercado, como o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. Eles acreditam que o primeiro escalão de um eventual governo do Zero Um deva ser alinhado ideologicamente ao bolsonarismo, com quadros técnicos ocupando cargos subalternos. (Folha)
E Flávio Bolsonaro foi um dos principais assuntos da festa de 80 do ex-deputado petista José Dirceu neste domingo. Entre um parabéns e outro, o aniversariante fez um discurso afirmando que a eventual eleição do senador representaria a “aliança com Trump, com a guerra e com a submissão do Brasil”. (Poder360)

A maioria dos brasileiros é favorável ao fim da escala 6x1, atualmente em debate no Congresso Nacional, segundo pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana. Para 71% dos brasileiros, o número máximo de dias de trabalho semanais no Brasil deveria ser reduzido, enquanto outros 27% acreditam que não deveria e apenas 3% não opinaram. O apoio à redução da jornada de trabalho cresceu em comparação a dezembro de 2024, quando 64% disseram ser favoráveis ao fim da escala com seis dias de trabalho na semana, enquanto 33% disseram ser contra. (Folha)
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Cultura
Não deu dessa vez. Uma Batalha Após a Outra foi o grande vencedor do Oscar 2026, levando seis estatuetas, incluindo melhor filme, melhor roteiro adaptado, edição e a inédita categoria de direção de elenco. Com três estatuetas, Paul Thomas Anderson entrou para o seleto grupo de diretores que venceram em pelo menos três categorias em uma única edição. Pecadores veio na sequência, com quatro vitórias, como melhor roteiro original, de Ryan Coogler; melhor atuação para Michael B. Jordan; e Autumn Durald Arkapaw, que foi a primeira mulher a vencer o prêmio de melhor fotografia. Por seu trabalho em Hamnet, Jessie Buckley também se tornou a primeira mulher irlandesa a ganhar o troféu de melhor atriz. Já a Noruega ganhou seu primeiro prêmio com Valor Sentimental, que levou melhor filme internacional. Também houve um momento raro na celebração, quando foi anunciado um empate de vencedores para melhor curta-metragem entre The Singers e Two People Exchanging Saliva, algo que até hoje só aconteceu sete vezes em quase um século de Oscar. Apesar das cinco indicações, os brasileiros saíram de mãos vazias mesmo com quatro indicações de O Agente Secreto e uma do diretor de fotografia Adolpho Veloso por Sonhos de Trem. (Deadline)
Inconformados, os fãs brasileiros protestaram na página da Academia no Instagram. “Não queremos posts, queremos Oscars”, foi a tônica dos quase 30 mil comentários em uma postagem com a foto de Wagner Moura. (g1)
Confira a lista completa de vencedores do Oscar 2026 e, claro, os looks que brilharam no tapete vermelho. (Hollywood Reporter)
A Fundação Biblioteca Nacional anunciou na sexta-feira o Prêmio João do Rio, dedicado a livros de crônicas, que passa a fazer parte do Prêmio Literário Biblioteca Nacional a partir deste ano. Pioneiro da crônica brasileira, João do Rio foi jornalista, cronista, contista e teatrólogo, sendo eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL) em 1910. Autor de obras como A alma encantadora das ruas e As religiões do Rio, foi um dos primeiros repórteres a sair da redação para retratar o cotidiano do Rio de Janeiro, a boemia e a vida das classes populares, mesclando jornalismo e literatura. (Globo)

Viver
Considerado um dos pensadores mais influentes do mundo contemporâneo, morreu no sábado, aos 96 anos, o filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas em Starnberg, na Alemanha. Nascido em Düsseldorf, foi um dos principais nomes da Escola de Frankfurt, influenciado por pensadores marxistas como Theodor Adorno e Max Horkheimer, dedicando-se a temas como linguagem, racionalidade e construção da esfera pública. Combateu as tentativas de relativização de crimes nazistas ao compará-los com outros regimes autoritários e defendeu que a reconciliação com o passado tinha de ser fundamental para a identidade do país no pós-Segunda Guerra. (CNN Brasil)
Um estudo inédito do Centro de Evidências da Educação Integral revela que um em cada quatro jovens desiste de abandonar o Ensino Médio graças ao Pé-de-Meia, programa do governo federal que oferece um benefício em dinheiro para combater a evasão escolar. A pesquisa também mostra que aumentar os valores da bolsa não contribui para ampliar as taxas de permanência dos alunos. O Pé-de-Meia paga bolsas mensais para alunos de famílias socialmente vulneráveis, além de uma bonificação extra anual para cada ano concluído. O custo anual da política estudantil é de R$ 12 bilhões. (Folha)
Cientistas brasileiros identificaram uma nova espécie de dinossauro gigante que tem ligação com uma espécie semelhante encontrada na Espanha, reforçando a evidência de que América do Sul, África e Europa foram unidas por uma rota terrestre há cerca de 120 milhões de anos. Batizada de Dasosaurus tocantinensis, a espécie é uma das maiores encontradas no país, segundo artigo publicado no Journal of Systematic Palaeontology. Os fósseis foram encontrados em 2021 durante obras de infraestrutura perto de Davinópolis, no Maranhão. Os exemplares incluem um fêmur medindo cerca de 1,5 metro, com o animal tendo um comprimento estimado de aproximadamente 20 metros. (Reuters)

Cotidiano Digital
Chatbot de IA de Elon Musk, o Grok está burlando os mecanismos de proteção de conteúdo dos jornais brasileiros, chamados paywall, entregando textos que exigem assinatura para serem acessados. É o que mostram os testes realizados pelo Globo, que analisou o comportamento de diferentes chatbots com textos do veículo, além de Folha, Estadão e Zero Hora. A verificação incluiu as versões gratuitas do ChatGPT, Gemini, Claude, Perplexity, DeepSeek e Meta AI, mas apenas o Grok mostrou integralmente os textos dos colunistas solicitados no chat. A prática viola a legislação brasileira, que proíbe a disseminação indiscriminada de conteúdo jornalístico protegido por direitos autorais. (Globo)
Jogos online da produtora Riot, incluindo o famoso League of Legends (LoL), vão estar bloqueados para menores de 18 anos no Brasil a partir desta quarta-feira. De acordo com a companhia, a limitação cumpre com os novos requisitos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Já o título Valorant poderá ser jogado por jovens de 12 a 17 anos, desde que tenham a autorização dos pais. Para comprovar a maioridade, os usuários vão ter de escanear o documento de identidade, como o RG, passar pelo reconhecimento facial para estimar idade ou fornecer CPF ou número de cartão de pagamento. (g1)
Para ler com calma. Empresas de tecnologia competem para capturar nossa atenção e transformá-la em lucro. É o que afirma o escritor e ativista Peter Schimdt. Em entrevista ao Estadão, ele afirma que “toda experiência humana está sendo moldada pelas mídias sociais”, e a desinformação é alastrada de modo que “até mesmo a informação válida é divulgada para nos irritar em vez de nos informar”. Ele defende que a única maneira de se proteger é com um movimento popular, exercendo um controle coletivo sobre a atenção ao tratá-la como um bem comum da sociedade, não como um recurso comercial. (Estadão)
Na guerra entre Irã e Estados Unidos, a arma mais poderosa de Teerã pode não estar no campo de batalha. O Estreito de Ormuz — por onde passa boa parte do petróleo do mundo — voltou ao centro da disputa e mostra como a economia global ainda depende dos combustíveis fósseis. Na Edição de Sábado, exclusiva para assinantes premium, Yan Boechat explica por que esse gargalo no Golfo Pérsico é estratégico e como o regime iraniano o usa para colocar na defensiva um adversário muito mais poderoso. Vale a leitura.



