ACM Neto pode não disputar o governo da Bahia? Bastidores de Brasília levantam dúvidas
Por José Montalvão
Nos últimos dias voltou a circular em Jeremoabo e em diversos municípios baianos o comentário de que ACM Neto poderá sofrer uma derrota política no estado. Como diz a sabedoria popular, “quem tem boca fala o que quer”. No entanto, mais importante do que os rumores locais é observar o que está sendo discutido nos bastidores da política nacional, especialmente em Brasília, onde se concentram as principais articulações partidárias.
A pré-candidatura de ACM Neto ao governo da Bahia em 2026 passou a enfrentar questionamentos depois que ele próprio admitiu publicamente ter recebido cerca de R$ 3,6 milhões do Banco Master e da gestora Reag Investimentos por serviços de consultoria. O pagamento reacendeu debates sobre a viabilidade de sua candidatura, principalmente porque ocorreu em dezembro de 2022, logo após o término das eleições daquele ano.
Analistas políticos em Brasília afirmam que o episódio gerou inquietação entre lideranças nacionais de partidos importantes, como o União Brasil, o Progressistas e até o Partido Liberal. De acordo com esses analistas, já existem conversas reservadas sobre a possibilidade de reavaliar o comando da chapa de oposição na Bahia, caso o desgaste político aumente.
Mesmo após a divulgação de um vídeo nas redes sociais explicando o caso, algumas perguntas continuam sendo feitas nos bastidores políticos:
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Qual foi exatamente o serviço de consultoria prestado?
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Quem foram os outros clientes da empresa ligada ao ex-prefeito e à sua esposa?
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Por que o pagamento ocorreu logo após o processo eleitoral de 2022?
Essas dúvidas são utilizadas por adversários políticos para questionar a narrativa apresentada pelo ex-prefeito de Salvador.
Além disso, o cenário político da Bahia já é considerado difícil para a oposição. O grupo governista conta com nomes fortes como o atual governador Jerônimo Rodrigues, além da influência política do ministro Rui Costa, do senador Jaques Wagner e do senador Otto Alencar. Ao mesmo tempo, setores ligados ao bolsonarismo pressionam para que o Partido Liberal lance um candidato próprio ao governo estadual, o que poderia dividir ainda mais o campo oposicionista.
Diante desse quadro, alguns analistas de Brasília consideram que a pré-candidatura de ACM Neto entrou em uma fase de maior incerteza política. Isso não significa, necessariamente, que ele desistirá da disputa, mas indica que o tema passou a ser debatido seriamente dentro das cúpulas partidárias.
Na política, contudo, cenários mudam rapidamente. Hoje há questionamentos e especulações; amanhã podem surgir novos fatos que fortaleçam ou enfraqueçam qualquer candidatura. Por isso, antes de afirmar derrotas ou vitórias antecipadas, é prudente observar com atenção os movimentos reais da política nacional e estadual.
José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025).