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No Dia Internacional contra a Discriminação Racial, celebrado em 21 de março, especialistas alertam que a desigualdade no acesso à moradia digna e à infraestrutura urbana expõe desproporcionalmente a população negra aos impactos da crise climática e aos riscos urbanos. No Brasil, mais de 1,2 milhão de famílias vivem em casas sem banheiro, e a desigualdade racial é evidente: 83,5% dos domicílios são chefiados por pessoas negras e 70% por mulheres, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de 2025. Os dados revelam como o acesso à moradia digna ainda está profundamente marcado por desigualdades estruturais no país.
Levantamento do Ipea mostra, ainda, que 16,3 milhões de famílias brasileiras vivem em moradias com algum tipo de inadequação, como falta de banheiro, ausência de abastecimento de água pela rede pública ou inexistência de esgotamento sanitário. O problema atinge quase 40% das famílias inscritas no Cadastro Único, e o custo estimado para superar essas carências ultrapassa R$274 bilhões. A ausência de esgotamento sanitário é a situação mais comum, afetando mais de 9 milhões de famílias, seguida pela falta de abastecimento de água pela rede pública.
A desigualdade racial também aparece na ocupação do território urbano. Em áreas consideradas de risco, como encostas e regiões sujeitas a enchentes ou deslizamentos, 66% da população é negra, segundo o relatório “Sem Moradia Digna, Não Há Justiça Climática”, de 2025, da ONG Habitat para a Humanidade Brasil, que analisou dados de 129 cidades brasileiras. Nessas regiões, a renda média das famílias chega a ser quase metade da média geral das cidades estudadas, enquanto a precariedade de infraestrutura — como ausência de esgoto ou coleta adequada de lixo — evidencia o que especialistas classificam como racismo ambiental, quando desigualdades raciais determinam quem está mais exposto aos riscos ambientais e urbanos.
Essas desigualdades também se refletem na segurança e na estabilidade da moradia. Dados do IBGE, de 2022, mostram que mulheres e pessoas negras relatam níveis mais altos de sensação de insegurança no próprio domicílio e no bairro onde vivem. A falta de documentação da propriedade,que indica vulnerabilidade na posse da moradia,também atinge de forma mais intensa a população preta ou parda e famílias de menor renda.
Sugestão de entrevistada:
Raquel Ludermir, Gerente de Incidência em Políticas Públicas da Habitat para a Humanidade Brasil
Sobre a Habitat para a Humanidade Brasil
Habitat para a Humanidade Brasil é uma organização da sociedade civil que, há mais de 33 anos, atua para combater as desigualdades e garantir que pessoas em condições de pobreza tenham um lugar digno para viver. Presente em mais de 70 países, a organização promove a incidência em políticas públicas pelo direito à cidade e soluções de acesso à moradia, à água e ao saneamento, em articulação com diversos setores e comunidades.
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