Supremo condenou deputados por vender emendas como se fosse atacado na 25 de março. O Vorcaro tinha um grupo de WhatsApp com meio Brasília e agora quer levar o PT pra pista. O Bretas quer isenção de IR por burnout e a juíza foi ver o Instagram dele. O PSD ainda finge que não escolheu o Ratinho. E um militar do governo Trump renunciou dizendo que os EUA inventaram essa guerra contra o Irã. Se segura, BRASEW.A treta é a seguinte. O Supremo condenou, por corrupção passiva, três deputados federais. Josimar Maranhãozinho, o Pastor Gil e Bosco Costa, todos do PL (do Valdemar e do Bolsonaro). E qual foi o crime: cobrar propina de prefeito do interior do Maranhão para encaminhar emendas parlamentares para a cidade. Não era assessoria política, não era consultoria. Era tabela mesmo. Mensagem com dados bancários, recibo de transferência, o valor combinado: R$ 1,7 milhão em troca de R$ 6,7 milhões em emendas. Al Capone pelo menos tentava esconder a contabilidade, né? O supremo Xandão foi preciso: “Al Capone foi pego pelo livro de contabilidade. Continuam fazendo a contabilidade.” E isso não foi ironia. As penas variam de 5 a 6 anos e cinco meses em regime semiaberto. E os três estão inelegíveis imediatamente — o supremo Xandão até brincou que Cármen Lúcia, que é a presidente do TSE, já estava na sala quando ele declarou. Comunicação mais rápida da história. O supremo Flávio Dino, que relata as ações sobre emendinhas parlamentares, avisou: isso foi só o primeiro. “Infelizmente haverá outros porque nós temos dezenas de inquéritos em curso.” Infelizmente é a palavra certeira. É o “infelizmente” de quem sabe que o cardápio é longo. O Bosco Costa ainda tentou o argumento criativo de que ele era de Sergipe, então não teria por que desviar emenda pra prefeitura do Maranhão. Zanin respondeu, gentilmente, que ação criminosa não exige vínculo eleitoral com o município. Obrigado. De nada. O homem do Cine Trancoso e seus fortes amigosVorcaro, o banqueiro das festinhas de Trancoso, tem um hábito peculiar: tirava print das mensagens de WhatsApp e guardava na galeria do celular. A gente respeita os costumes alheios, darling, mas nesse caso a Polícia Federal agradece. Uma dessas imagens salvas por Vorcaro mostra uma conversa com o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, em que ele relata ter falado com Antônio Rueda (presidente do União Brasil) e diz que estaria “sempre” ao lado do banqueiro. “Sempre é sempre mesmo”, escreveu. Vorcaro respondeu na mesma moeda. Para os perdidos. O BRB é o banco público do DF que comprou 58% do Master por R$ 2 bilhões numa operação rejeitada pelo Banco Central — que depois liquidou o Master por suspeita de fraudes bilionárias. A PF diz que o BRB comprou carteiras de crédito fictícias no valor de R$ 12,2 bilhões. Rueda disse que “não comenta diálogos privados” e que só tem “contatos sociais eventuais” com Vorcaro. O mesmo Rueda que tem assento reservado em helicóptero de empresa de Vorcaro para sair do GP de F1. Ahã, claro, claro. Vorcaro, segundo pessoas próximas, dizia que “no Brasil não tem como andar se não tiver esse tipo de proteção”. Ainda existe profissão de roteirista no Brasil? A delação do fim do mundoPor falar em Vorcaro, ele trocou de advogado e agora negocia colaboração premiada. E, segundo a Vera Rosa do Estadão, o que chegou ao Palácio do Planalto é que o dono do Master pretende puxar o PT e o governo Lula para o escândalo. Climão de fim dos tempos na Praça dos Três Poderes. O novo advogado de Vorcaro é o Juca Lima (o mesmo que defendeu José Dirceu no mensalão, o general Braga Netto no processo da trama golpista e conduziu delações de peso na Lava Jato). Não é exatamente o advogado que costuma dizer “meu cliente é inocente”, vamos combinar? O problema de Vorcaro é que os caminhos são estreitos. Petistas influentes já foram avisados de que ele não vai incriminar o supremo Toffoli nem o supremo Xandão. O que sobra? Ou ele aponta para senadores, deputados e governadores do Centrão e do bolsonarismo, ou mira o PT para acertar Lula em ano eleitoral. Aff. Advogados próximos ao supremo terrivelmente evangélico André Mendonça (que agora é o relator do caso Master) já avisaram que uma “delação light”, do tipo que poupa um campo e destrói o outro, não passa. Todos os dados serão cruzados com a investigação da PF. Vorcaro vai ter que entregar o cardápio completo ou não vai sair da cana. O Rui Costa, avisado de que vem chumbo grosso contra ele, disse: “Minha preocupação com isso é zero.” Ahã, claro, claro. E ainda tem Minas Gerais no meio, que é o segundo maior colégio eleitoral do país, onde Lula ainda não montou palanque, e onde, segundo os recados que chegaram ao PT, Vorcaro teria informações sobre negócios com políticos e empresários locais. Quem vence em Minas sobe a rampa. E a galera da direita sabe bem disso. Nos bastidores do Supremo, já se ligaram que bater nos ministros “dá voto” e que não é só Toffoli e Xandão que estão nesse balaio. A novela das 8 (de governadores)O PSD vai anunciar Ratinho Júnior como candidato à presidência no dia 25 de março. Exceto que Kassab diz que não vai. E que a decisão não está tomada. E que não há data marcada. Mas o ex-governador de Santa Catarina Jorge Bornhausen deu entrevista coletiva dizendo que “ficou ajustado que no dia 25 será anunciado o nome do Ratinho Junior” e que ele “faz parte da comissão de escolha”. O presidente do PSD em Santa Catarina disse a mesma coisa. Ou seja, todo mundo menos Kassab. Ratinho disputa com Eduardo Leite (que tem 3% no Datafolha) e Ronaldo Caiado (4%). Ele próprio tem 7%. Nos três casos, o PSD entraria na eleição com candidato abaixo de dois dígitos — mas, dos três, Ratinho é o que menos afunda. Seria uma vitória por queda menos livre, eu diria. O PL de Flavitcho tentou convencer Ratinho a desistir em troca de apoio do partido ao candidato ao governo do Paraná. Ratinho disse não. Sem o acordo, o PL avalia apoiar Moro, o Serginho senador, ao governo do estado. Valdemar Voldemort distribui palpitesO presidente do PL, Valdemar Costa Neto, deu entrevista e disse que a vice ideal para Flavitcho é Tereza Cristina. “Ela é um nome muito forte no agronegócio e tem carisma.” Mas logo emendou: “Quem vai decidir é o Flávio e o Bolsonaro.” Palpite dado, mãos lavadas. Sobre o PSD, Valdemar Voldemort acha que Kassab não vai lançar candidato. Sobre Ratinho: “É o máximo, mas não vai querer abandonar o estado.” Sobre Eduardo Leite: “Não quer ser candidato, quer fazer esse curso lá fora.” Curso. Valdemar disse curso. O presidente do PL também disse que conta com Trump para ajudar na eleição de Flavitcho. “Ele vai para os EUA e arrancará o couro do Trump para ajudar o nosso país.” Só quero dizer que Trump ainda não foi informado sobre esse plano, talkey? A juíza foi ver o InstagramO ex-juiz da Lava Jato Marcelo Bretas foi aposentado compulsoriamente em junho do ano passado por irregularidades processuais. Aí pediu isenção de imposto de renda alegando burnout. A juíza Bianca Stamato Fernandes achou por bem dar uma verificada básica no Instagram dele. No perfil: “conselheiro e consultor em Compliance e Governança.” Ativo. Todo trabalhado nos conteúdos. Conforme descrito no processo como “fato notório”, a atividade digital de Bretas “afasta a tese de que o autor padece de síndrome de burnout.” O laudo médico apresentado pelo próprio psicólogo de Bretas descrevia um “sentimento de abandono institucional e injustiça, ao ser impedido do exercício profissional por decisão que ele percebe como inadequada.” A juíza deve ter percebido que o problema do Bretas é falta de óleo de peroba, isso sim. A aposentadoria compulsória, acrescentou ela, tem natureza de punição, não de benefício previdenciário. O que significa que Bretas não só não ganha a isenção como também não ganha enquadramento como aposentado comum. Pena dupla. O boina verde que saiu do grupoUm americano saiu do governo Trump hoje. Joe Kent, diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA, pediu demissão e disse, publicamente, que o Irã “não representava uma ameaça iminente” aos Estados Unidos e que a guerra foi iniciada “por pressão de Israel e de seu poderoso lobby.” Kent é veterano de 11 missões de guerra, viúvo (a sua esposa, também militar, morreu na Síria) e foi confirmado no cargo em julho passado com 52 votos. Ex-boina verde, ex-CIA, ex-candidato político com ligações à extrema direita americana. Não é exatamente um pacifista de carteirinha, muito menos um comunista. A carta de renúncia cita uma “campanha de desinformação” de altos funcionários israelenses que teria enfraquecido a plataforma America First de Trump. “Como viúvo de uma Gold Star, que perdeu sua amada esposa Shannon em uma guerra fabricada por Israel, não posso apoiar o envio da próxima geração para lutar e morrer em um conflito que não traz benefícios ao povo americano.” O Orange deve ter ficado Red de raiva. Acorda, BRASEW, que vou ali dormir um pouco. |
