Jair Bolsonaro não governou. Entregou o Brasil de bandeja à extrema-direita corrupta do Centrão. Seu único projeto real era a reeleição — escudo contra processos e prisão (pressionado por impeachment, CPI da Covid e investigações, priorizou alianças congressuais para aprovar pautas e sobreviver politicamente). Para isso, inflou as emendas parlamentares até o Legislativo virar dono de quase metade do orçamento federal. Dinheiro público virou moeda de troca: desvios de finalidade, superfaturamento, obras fantasmas. Nasceu o Bolsolão. Hoje, com o mesmo Centrão no comando, o esquema evoluiu. Chama-se Bolsomaster. Mesmos nomes, mesmas emendas, mesmo saque.
A maior vergonha deste país, porém, não é Bolsonaro. É a plateia. Cerca de 58 milhões de brasileiros que votaram nele, que ainda o defendem, que aplaudem o circo enquanto o país sangra. Eles não foram vítimas. Foram cúmplices ativos. Enquanto aplaudiam o “mito”, o Congresso pilhava o Orçamento com a bênção presidencial. Do Bolsolão ao Bolsomaster, o roteiro é o mesmo: poder trocado por propina, povo trocado por voto.
A diferença? Agora o povo paga a conta — e ainda grita “Lula ladrão” ou “Bolsonaro inocente”. A real ladroagem é outra: a que transforma o Congresso em máfia orçamentária e o eleitor em torcida organizada. Enquanto isso continuar, o Brasil não terá governo. Terá leilão.
Por Luis Celso Jornalista