O prefeito de Várzea do Poço, Dr. Everson (União Brasil), criticou nesta Terça-feira (17/03/2026)uma declaração atribuída a ACM Neto sobre o papel dos prefeitos nas eleições para o governo da Bahia e afirmou que esse tipo de posicionamento representa desconsideração não apenas com as lideranças municipais, mas também com a população que elas representam. Em tom de insatisfação, o gestor defendeu a centralidade dos prefeitos e vereadores na dinâmica política do interior e sinalizou que poderá caminhar politicamente ao lado do governador Jerônimo Rodrigues, a quem atribuiu postura de diálogo institucional com os municípios, inclusive os administrados por partidos de oposição.
Crítica ao desprestígio das lideranças municipais
Ao comentar a declaração de ACM Neto, Dr. Everson sustentou que a política estadual não pode ser reduzida a articulações de cúpula, dissociadas da realidade cotidiana das cidades. Para ele, o peso político dos prefeitos decorre justamente da proximidade com a população, especialmente nos municípios do interior, onde os gestores locais exercem interlocução direta com demandas sociais, administrativas e econômicas.
Segundo o prefeito, quando se minimiza a importância dos prefeitos, o efeito político e simbólico é mais amplo, pois alcança também os cidadãos que vivem nessas localidades. Nesse sentido, ele argumentou que os chefes do Executivo municipal e os vereadores são representantes imediatos da população e, por isso, desempenham função relevante na construção de alianças e na formação do debate eleitoral no estado.
A declaração do gestor expõe um quadro de incômodo dentro do próprio campo oposicionista, ao indicar que parte das lideranças municipais não se sente devidamente contemplada ou valorizada pela condução política da oposição baiana. O episódio também recoloca em evidência uma disputa recorrente na política estadual: a relação entre lideranças regionais, estruturas partidárias e projetos eleitorais de alcance estadual.
Aproximação com Jerônimo Rodrigues
Ao tratar de seu posicionamento político, Dr. Everson afirmou que estará ao lado de quem, segundo ele, demonstra compromisso efetivo com os municípios e com a população do interior. A declaração foi interpretada como um sinal de apoio a Jerônimo Rodrigues, dentro de um movimento mais amplo de reacomodação política entre prefeitos que, embora filiados a partidos de oposição, mantêm ou ampliam interlocução com o governo estadual.
Na avaliação do prefeito, o critério central para a definição de alianças não deve ser apenas a filiação partidária, mas a disposição concreta para ouvir os gestores locais e atender às necessidades das cidades. Ao dizer que caminhará ao lado de “quem ajuda o nosso povo, de quem nos escuta e nos dá espaço”, o prefeito reforçou uma lógica pragmática que historicamente marca a política municipal e estadual na Bahia.
Essa sinalização tem peso político porque parte de um prefeito do União Brasil, partido que integra o campo oposicionista ao governo estadual. Quando uma liderança municipal dessa base expõe insatisfação pública e admite convergência com o Palácio de Ondina, o gesto ultrapassa a dimensão pessoal e passa a ter repercussão sobre a leitura do cenário político no interior.
Diálogo institucional com prefeitos da oposição
Dr. Everson também elogiou a postura de Jerônimo Rodrigues no relacionamento com os prefeitos, inclusive aqueles que pertencem a legendas adversárias. Segundo ele, o governador tem mantido tratamento respeitoso, institucional e aberto ao diálogo com os municípios, independentemente do posicionamento partidário de seus gestores.
Ao destacar que Jerônimo “recebe, trata com educação e mostra preocupação com os municípios”, o prefeito procurou enfatizar a importância da convivência administrativa entre o governo do Estado e as prefeituras. Em estados com forte dependência de cooperação federativa, essa relação costuma ser decisiva para viabilizar investimentos, convênios, obras e políticas públicas em áreas como saúde, educação, infraestrutura e assistência social.
O elogio ao governador, nesse contexto, não se limita a um gesto protocolar. Ele funciona como contraponto direto à crítica feita a ACM Neto e ajuda a consolidar a narrativa de que o governo estadual tem conseguido abrir canais com prefeitos de diferentes partidos, ampliando sua margem de articulação e enfraquecendo resistências tradicionais em parte do interior baiano.
Repercussão política no interior da Bahia
A manifestação de Dr. Everson ocorre em um momento em que a relação entre lideranças estaduais e prefeitos do interior volta a ganhar relevância estratégica. Em eleições majoritárias, especialmente na Bahia, o apoio de prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e lideranças locais costuma influenciar a formação de palanques, a mobilização territorial e a capilaridade das campanhas.
Embora a força eleitoral dos prefeitos varie conforme o porte do município, a densidade das alianças locais segue sendo um elemento importante no tabuleiro político baiano. Por isso, declarações que relativizam esse papel tendem a gerar reação, sobretudo entre gestores que dependem de interlocução constante com governos estaduais e federais para responder a demandas concretas da população.
No caso de Várzea do Poço, a fala do prefeito projeta uma insatisfação que pode não ser isolada. Ainda que cada município tenha sua própria dinâmica política, o episódio sugere que há espaço para novos rearranjos entre prefeitos do interior, especialmente quando o fator administrativo se sobrepõe à lógica puramente partidária.
Municípios como eixo da disputa política
A reação de Dr. Everson também recoloca o município no centro da discussão sobre representatividade política. Em cidades menores, a percepção da população sobre a política estadual passa, muitas vezes, pela capacidade do prefeito de intermediar demandas, obter apoio institucional e garantir presença do Estado em áreas essenciais.
Por essa razão, o debate sobre o peso dos prefeitos não é apenas eleitoral. Ele envolve a própria estrutura do federalismo brasileiro e o papel dos governos locais na mediação entre o cidadão e os demais níveis de poder. Desconsiderar essa engrenagem costuma produzir ruído político, porque ignora o espaço onde os efeitos das políticas públicas são mais rapidamente percebidos.
Nesse sentido, a declaração do prefeito de Várzea do Poço combina crítica política, recado partidário e reposicionamento estratégico. Ao defender o valor das lideranças municipais e acenar ao governador, ele transforma uma insatisfação local em mensagem de alcance mais amplo dentro da política baiana.
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