sábado, abril 30, 2022

“Bolsonaro só conhece ódio”, diz Lula ao citar ataques ao STF e indulto a Daniel Silveira

Publicado em 30 de abril de 2022 por Tribuna da Internet

Em visita a Brasilândia, periferia de SP, Lula condena inflação: "o Brasil  não quer viver só de cesta básica" - Brasil 247

“Bolsonaro não gosta de gente, ele gosta de policial”, diz Lula

Arthur Stabile
G1 SP

O pré-candidato do PT à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, disse na tarde deste sábado (30) que Jair Bolsonaro (PL) “só conhece o ódio”, ao comentar hostilidades do presidente com o Supremo Tribunal Federal. A fala ocorreu durante encontro com mulheres na Brasilândia, zona norte da cidade de São Paulo.

Ao falar da necessidade de o Brasil ter um presidente capaz que “converse com o mundo inteiro”, como Estados Unidos, China e Argentina, o petista disse que “nós temos um Zé Ninguém que não conversa com ninguém, que só sabe levantar 5h da manhã para contar mentiras”.

ÓDIO, ÓDIO E ÓDIO – “Um homem que não conhece a palavra solidariedade, um homem que não conhece a palavra afeto, um homem que não conhece a palavra amor, um homem que não conhece a palavra cultura, um homem que não conhece a palavra educação, ele só conhece ódio, ódio, ódio e ódio”, afirmou.

Na sequência, o ex-presidente citou o indulto dado por Bolsonaro ao deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ), condenado pelo STF a cumprir 8 anos e 9 meses de prisão por incentivar atos antidemocráticos e ataques a ministros do Supremo.

“Ele, agora, resolveu brigar com a Suprema Corte. Está cheio de menino de 17, 18, 19, 20 anos que foram presos, nem se sabe os crimes que cometeram, não têm advogado porque não podem pagar. E esse presidente, em vez de visitar uma cadeia e dar indulto a quem merece indulto, ele resolveu dar indulto para um amigo seu que tinha cometido a barbaridade de ofender a Suprema Corte”, disse Lula.

CARRINHO DE COMPRAS – Lula participou de encontro com lideranças femininas do PT na zona norte de São Paulo, de bairros como Brasilândia e Perus, que levaram ao palco dois carrinhos de mercado. Segundo as militantes, um que estava cheio de alimentos foi abastecido com R$ 100 em compras no ano de 2010, e outro, esvaziado, com R$ 100 nos dias atuais.

Segundo ele, o “gesto mais importante que vocês podem ter com a vida de vocês é reestabelecer a democracia desse país no dia 2 de outubro mandando esse cidadão ir viver com os filhos dele a onde ele quiser e deixe o Brasil ser governado por alguém democrático.”

Ainda ao se referir a Bolsonaro, o petista disse que “nós temos um presidente que não derramou nem uma lágrima por 650 mil pessoas que morreram por conta do Covid”. “Não derramou uma lágrima, não derramou uma lágrima com a catástrofe que houve em Petrópolis no Rio de Janeiro porque ele não tem sentimento. Ele não tem sentimento. Ele não gosta de gente, ele gosta de policial”, disse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 Entendi errado ou Lula está dizendo que policial não é gente? Fiquei na dúvida, mas talvez seja “menas” verdade, porque Lula sempre sabe o que diz. (C.N.)

Jair Bolsonaro pede que seus apoiadores participem dos atos pró-Silveira e anti-STF

Publicado em 30 de abril de 2022 por Tribuna da Internet

jair bolsonaro

Bolsonaro em Uberaba: “Não abrimos mão da nossa liberdade”

Eduardo Laguna e Sandy Oliveira
Estadão

Em mensagem a apoiadores que vão participar dos atos deste domingo, 1º, em protesto contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e em defesa do deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ), o presidente Jair Bolsonaro disse neste sábado, 30, que as pessoas vão às ruas porque não abrem mão da liberdade.

“Amanhã, não será um dia de protestos, será um dia de união do nosso povo para um futuro cada vez melhor a todos nós”, afirmou o presidente, reforçando o discurso do bolsonarismo de que as manifestações serão pela “liberdade de expressão”.

NO CAMINHO CERTO – A fala sobre os atos ocorreu em agenda oficial do presidente na cerimônia de abertura da ExpoZebu, maior feira de gado zebu do mundo que acontece em Uberaba (MG). 

“Quero dizer a todos vocês que, por ventura, forem às ruas amanhã, não para protestar, mas para dizer que o Brasil está no caminho certo, que o Brasil quer que todos joguem dentro das quatro linhas da Constituição, e dizer que não abrimos mão da nossa liberdade”, discursou.

O presidente, porém, não confirmou presença nos protestos deste domingo, convocados em meio à escalada de enfrentamento aos ministros do STF e à Justiça Eleitoral, marcada por um ato dentro do Palácio do Planalto, na quarta-feira, 27, em que Bolsonaro colocou as eleições em suspeição e sugeriu uma contagem de votos pelas Forças Armadas.

TEMOR DE RADICALIZAÇÃO – Como mostrou o Estadão, as cúpulas do Congresso e do STF temem um agravamento da tensão em atos de 1.º de Maio convocados pelos bolsonaristas. Daniel Silveira, que recebeu perdão de Bolsonaro após ser condenado a 8 anos e 9 meses de prisão por incitar agressões a ministros e atentar contra a democracia ao defender, em vídeos, o fechamento da Corte, é esperado no Rio e em São Paulo.

Nesta sexta-feira, ministros do Supremo deram, em ocasiões distintas, declarações públicas em defesa da Constituição e da lisura do processo eleitoral brasileiro, colocado em xeque por Bolsonaro. Trataram do tema quatro dos 11 integrantes da Corte: Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Luís Roberto Barroso e Ricardo Lewandowski.

As declarações dos ministros do STF em defesa do processo eleitoral ocorrem um dia depois de manifestações públicas dos presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), no mesmo sentido.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Bolsonaro não confirmou presença, porque somente irá se houver bastante público. Ele fica de plantão, quando avisam que já tem muita gente para mostrar na foto, ele então aparece para discursar. Não é nenhuma novidade. Todo político age assim(C.N.)

Os vereadores devem comparecer decentemente trajados às sessões



Um cidadão de Jeremoabo falando a respeito de Câmaras de vereadores, diz ele que já assistiu reuniões de Câmaras de Vereadores em diversos lugares, porém nunca viu uma tão bagunçada como atualmente está acontecendo nas sessões da Câmara de Vereadores de Jeremoabo. onde os parlamentares não respeitam os rituais com dignidade, isso porque no espaço do plenário não estão trajando-se descentemente usando palató,

Alguns vereadores usam apenas camisas por fora da calça quando todos deveriam usar paletó com gravatá, ou na pior das hipoteses camisa de manga cumprida com gravata.

Ainda segundo esse mesmo cidadão isso não passa de uma falta de autoridade da Presidêncla da Casa, onde um minoria dos vesreadores são os primeiros a desrespeitar o seu ambiente de trabalho, péssimo exemplo.





TSE pode eliminar a confusão institucional, basta dar mais transparências aos trabalhos

Publicado em 30 de abril de 2022 por Tribuna da Internet

Urna eletrônica

Charge do Duke (domtotal.com)

Elio Gaspari
Folha

Com seu conhecimento da história da República e com sua experiência no poder, Fernando Henrique Cardoso adverte há tempo contra crises que saem do nada. A maior delas foi a da renúncia de Jânio Quadros, em 1961. Colocou o país na borda de uma guerra civil, sem motivo nem propósito. Jânio tinha um golpe na cabeça, é verdade, mas a maquinação estava só na cabeça dele, como se viu.

Jair Bolsonaro alimenta uma crise semelhante e colocou no tabuleiro conflitos com o Supremo Tribunal Federal e com a Justiça Eleitoral. Para que? Afora a sua vontade de permanecer no governo, não se conhece seu projeto para reduzir o desemprego ou a inflação.

PERDÃO A SILVEIRA – Um conflito é o perdão concedido ao deputado Daniel Silveira. Como o alcance da medida não afeta a inelegibilidade do cidadão, a encrenca desemboca num falso problema. A menos que o Congresso aprove uma lei mudando a regra, o que será a jogo jogado.

O segundo foco surgiu com a nota do ministro da Defesa, general Paulo Sérgio de Oliveira, vendo “ofensa grave” numa afirmação “irresponsável” do ministro Luís Roberto Barroso. O magistrado havia dito que as Forças Armadas vem sendo orientadas para duvidar das urnas eletrônicas.

Barroso não ofendeu as Forças Armadas, basta ler o que ele disse. Elogiou-as. Ademais, a suspeição contra o processo eletrônico de votação é arroz de festa na retórica do presidente Bolsonaro.

COMISSÃO DE TRANSPARÊNCIA – O ministro da Defesa lembrou em sua nota que as Forças Armadas têm assento na Comissão de Transparência das Eleições e “apresentaram propostas colaborativas, plausíveis e exequíveis, no âmbito da CTE (Comissão de Transparência das Eleições) e calcadas em acurado estudo técnico realizado por uma equipe de especialistas, para aprimorar a segurança e a transparência do sistema eleitoral, o que ora encontra-se em apreciação naquela Comissão”.

O nó da questão está no final da frase: “ora encontra-se em apreciação naquela Comissão”.

Fica a suspeita de que foram apontadas vulnerabilidades na coleta dos votos e na sua totalização. Esse debate pode ser feito já, ou depois da eleição. Se for deixado para depois, importa-se a encrenca criada por Donald Trump nos Estados Unidos. É melhor fazê-lo logo. Como ensinou o juiz americano Louis Brandeis em 1913, “a luz do sol é o melhor desinfetante”.

BASTA DIVULGAR – A Comissão de Transparência pode divulgar seus debates e todas “as propostas colaborativas, plausíveis e exequíveis” que lhe foram apresentadas. Haverá tópicos sensíveis, cuja divulgação pode comprometer a blindagem do processo. Divulga-se então o que foi perguntado ou proposto e a justificativa técnica para o embargo. Pode ser que disso resulte um palavrório incompreensível para leigos, porém suficiente para quem sabe do assunto.

Com a luz do sol desinfetando essa discussão tiram-se da cena eventuais personagens interessados em incentivar o estilo do inesquecível Abelardo Barbosa, o “Chacrinha”: “Eu não vim pra explicar. Vim para confundir.”

A nota do ministro da Defesa contra os moinhos de vento que viu na fala de Barroso pode servir para ajudar a explicar. Até agora, serviu para confundir.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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