quinta-feira, dezembro 30, 2021

Partidários de Trump que rejeitam as vacinas voltam-se contra ele

 




Ex-presidente disse que recebeu imunização e se orgulha de ter incentivado as descobertas, mas o movimento antivacinação não gosta disso.

Por Vilma Gryzinski

Republicanos e trumpistas estão majoritariamente na faixa da população americana que prefere não se vacinar contra a Covid-19 – uma proporção alta da população, cerca de 30%.

É tão grande a tendência que muita gente acha que Donald Trump é contra as vacinas. Ao contrário, seu governo liberou rios de dinheiro e de ideias no projeto Time Warp, ajudando a empurrar o esforço que redundou nas vacinas da Pfizer, em associação com a alemã BioNTech, da Moderna e da Jensen.

“Eu consegui a vacina, três vacinas, todas elas muito, muito boas. Consegui três delas em menos de nove meses”, orgulhou-se ele em entrevista a Candace Owens, jovem estrela negra do conservadorismo de raiz.

Candace rebateu que “mais pessoas morreram” este ano, já no governo Biden, com a administração das vacinas em larga escala, mas Trump não cedeu: “Os que ficam muito doentes e são hospitalizados são os que não tomaram a vacina”.

Candace pareceu escandalizada e, perguntada por Trump, disse que nunca, jamais se vacinará.

A entrevista deu o que falar e tirou o ultraconspiracionista Alex Jones da celebração do Natal (e do entrevero com a esposa, presa dias antes por agredi-lo em casa, um episódio de violência doméstica atribuído por ele a medicação controlada).

“Você é completamente ignorante”, apelou Jones em seu programa de rádio, transmitido também pelo site Infowars. “Ou você é o homem mais perverso que já existiu por empurrar esse veneno tóxico para o público e atacar seus eleitores quando eles simplesmente tentam salvar suas vidas.”

No universo Trump, a ruptura é espetacular. Alex Jones e suas maluquices conspiratórias têm uma influência nefanda sobre um público que já tende a desconfiar de tudo o que tem o selo oficial – e não só votou em massa em Trump como votaria de novo se ele se candidatasse em 2024.

Para dar uma ideia: toda vez que acontece um episódio de um desequilibrado atirando em pessoas inocentes, ele vem com a teoria de que é uma armação, uma operação de “bandeira falsa” para justificar controles sobre a posse de armas.

Agora, Jones pode se dar mal. Por não ter apresentado defesa, foi considerado culpado em quatro processos de difamação abertos por familiares de vítimas do massacre de Sandy Hook, de 2012, o maior já acontecido numa escola, quando o suicida Adam Lanza dizimou vinte crianças e seis educadores.

Por causa das sandices propagadas, famílias das criancinhas mortas são assediadas por pessoas que acreditam que participaram de uma encenação. Alguns precisam mudar constantemente de endereço para escapar a perseguições e ameaças.

Se for condenado em instâncias superiores, Alex Jones poderá ser afetado, via indenizações, no bolso.

Donald Trump precisa mais de Alex Jones ou vice-versa?

Mesmo caçado das redes sociais, Trump continua a ter uma enorme influência entre o eleitorado conservador. O governo capenga de Joe Biden também ajuda a impulsionar a ideia de que “Trump não era tão ruim assim” entre o público que ora se inclina pelos democratas, ora pelos republicanos.

Segundo uma pesquisa deste mês, 48% votariam em Trump em 2024, contra 45% para Biden. O número é mais acentuado entre homens: 50% contra 43%.

Trump será candidato? Absolutamente. Biden? Se estiver inteiro, com toda certeza – talvez até se continuarem faltando alguns pedaços de memória, como já acontece.

O vírus que não dá sossego a ninguém, a situação econômica desfavorável, com inflação e gasolina cara, e os projetos de investimentos gigantescos que não passam no Congresso criam atualmente um mau momento para Biden. Na média das pesquisas, ele está com 43% de aprovação e 53% de desaprovação.

Biden, obviamente, já não tem o eleitorado que é contra a vacinação. Quem sofre nessa faixa, se isso acontecer, é Trump.

O ex-presidente já havia sido vaiado por uma parte do público num programa que faz, juntamente com apresentador Bill O’Reilly, ex-Fox, nos estados onde continua muito popular, quando disse que tinha tomado a terceira dose.

Para defendê-lo depois da entrevista em que se chocaram, Candace Owens usou um argumento nada simpático.

“As pessoas muitas vezes esquecem de como Trump é velho. Já vi muita gente mais velha que tem exatamente essa perspectiva, vieram de um tempo antes da televisão, antes da internet, antes que fosse possível fazer pesquisas independentes”, disse a comentarista de 32 anos.

Ajudar, não ajudou. Mas também não causou um estrago muito grande. Os Estados Unidos estão, de novo, com dois quase octogenários como candidatos mais cotados à presidência num sinal da falta de renovação. Para sorte deles, ambos triplamente vacinados.

Revista Veja

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

Mais visitadas