quarta-feira, dezembro 29, 2021

Nova regra para as redes sociais do governo reforça seu comando por militares

Publicado em 29 de dezembro de 2021 por Tribuna da Internet

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno

Como ministro, Augusto Heleno é uma tremenda decepção

Malu Gaspar
O Globo

O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, comandado pelo general Augusto Heleno, publicou no último dia 23 uma nova instrução normativa sobre o uso das redes sociais pelo governo federal que dá ênfase à participação dos militares no gerenciamento dos perfis e aumenta o controle sobre os conteúdos postados nas redes.

Segundo a norma, que passa a valer no dia 3 de janeiro, “os perfis institucionais mantidos em mídias sociais deverão ser administrados e gerenciados por equipes compostas por militares, servidores efetivos ou empregados públicos”.

EM DESTAQUE – A regra anterior, de 2012, já previa que os militares poderiam administrar redes sociais do governo. Mas o texto atual os coloca em destaque e os inclui em trechos em que antes eles não eram mencionados.

Um exemplo é o artigo que dizia caber aos servidores públicos a coordenação e a elaboração dos conteúdos divulgados nos perfis institucionais do governo. Agora, o trecho correspondente diz que essa tarefa cabe aos militares, servidores efetivos e empregados públicos.

Segundo o GSI, a mudança no texto tem o objetivo de “dirimir dúvidas” de que militares não pudessem administrar as redes sociais do governo e esclarecer que oficiais das Forças Armadas também tem que se submeter às regras do GSI.

OS CRITÉRIOS – O que a norma antes não ditava era o tipo de conteúdo vetado nas redes do governo, nem tampouco os critérios para controlar o que pode ou não ser postado. Boa parte da portaria atual trata desse assunto.

Um dos artigos proíbe inclusive a divulgação de “conteúdos inapropriados” – o que, segundo o texto, seriam materiais ofensivos, obscenos, pornográficos, sexualmente sugestivos, abusivos, discriminatórios, ameaçadores ou de ódio, racistas, que infrijam as leis da propriedade intelectual e de privacidade.

Em nota enviada à equipe da coluna, porém, a assessoria de imprensa do GSI afirmou que não há intenção de regular o conteúdo a ser postado – que seria assunto de outras normas.  Segundo o GSI, a portaria apenas lista de forma geral “os conteúdos que já são considerados pela legislação brasileira como inapropriados, fazendo o alerta, em seu caput, de que o infrator está sujeito às sanções previstas na legislação.”

SEM DETALHAR – A questão é que a instrução normativa não entra em detalhes sobre o que seriam conteúdos ofensivos ou de ódio.

Como obviamente ela não será usada para punir o presidente da República pelos conteúdos que divulga em suas lives ou perfis, funcionários dos ministérios que já tomaram conhecimento da nova norma temem que ela abre uma brecha para o governo controlar as postagens por critérios ideológicos – como em um debate interno sobre vacinação de crianças, por exemplo – em pleno ano eleitoral.

Entre os dispositivos previstos para a fiscalização das postagens está o rastreamento de contas dos usuários do governo além de “outros procedimentos que considerarem necessários para o uso seguro e adequado de mídias sociais” pelos prestadores de serviço.

PREVENIR E CORRIGIR – Em outro trecho, fala-se em “prevenir e corrigir postagens que possam prejudicar a imagem de autoridades ou de órgãos e entidades da administração pública federal”.

A nova regra diz ainda que os coordenadores das redes sociais do governo deverão estabelecer critérios para “processos de verificação do conteúdo das postagens, de acordo com a norma de uso seguro de mídias sociais”.

Mas não fica claro se o objetivo dessa verificação é impedir a disseminação de notícias falsas.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Mais uma bobajada do general Augusto Heleno, uma das maiores decepções do governo. A instrução normativa não precisa citar “militares”. Quando se fala em “servidores efetivos”, os militares estão automaticamente incluídos. O pior foi mencionar “empregados públicos”, porque isso pode incluir comissionados e até terceirizados. Em suma: não sabem nem mesmo redigir uma reles instrução normativa. (C.N.)


Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

Mais visitadas