quinta-feira, dezembro 30, 2021

Ômicron: 5 boas notícias sobre variante da covid que mantém pandemia em alta




Ainda há muitas coisas que não sabemos sobre a ômicron e prever como o vírus vai evoluir é muito arriscado, mas há motivo para otimismo

Por Ignacio López-Goñi* - The Conversation

A pandemia ainda não acabou e não sabemos como ou quando vai acabar. O nível de incerteza permanece muito alto.

Ainda há muitas coisas que não sabemos sobre a ômicron e prever como o vírus vai evoluir é muito arriscado. Não podemos até descartar que a situação piorará.

Por outro lado, há algumas boas notícias que nos permitem permanecer moderadamente otimistas.

'Há evidências crescentes de que infecção por ômicron representa risco menor de hospitalização'

1. Infecção por ômicron implica em um menor risco individual de hospitalização e morte

Há evidências crescentes de que a infecção por essa variante representa um risco menor de hospitalização.

As primeiras análises vindas da África do Sul sugerem um risco reduzido de hospitalização entre pessoas infectadas com a ômicron em comparação com aquelas infectadas com outras variantes, no mesmo período de tempo.

Além disso, uma vez hospitalizadas, as pessoas infectadas com ômicron tiveram um risco reduzido de doenças graves em comparação com as pessoas infectadas com delta.

Parte dessa redução provavelmente se deve à alta imunidade da população.

Em outros países, a dissociação entre os infectados por ômicron e o número de pacientes admitidos na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e que morrem por Covid-19 também fica cada vez mais evidente, embora ainda seja difícil determinar se a nova variante é menos virulenta ou se isso é um efeito da imunidade da população (infecções anteriores e vacinação), ou uma combinação das duas coisas.

Na África do Sul, 65% menos hospitalizações foram registradas; na Escócia, 60%; e na Inglaterra, 40%.

Um relatório recente da universidade Imperial College London, na Inglaterra, concluiu que as pessoas que contraem a ômicron têm menos probabilidade de necessitar de cuidados hospitalares em comparação com a variante delta.

A UK Health Safety Agency, a agência de vigilância sanitária do Reino Unido, em seu relatório de avaliação de risco para a variante, já classifica a possibilidade de hospitalização pela ômicron como "risco relativo moderado", em comparação com a delta (embora admita que ainda não haja dados sobre a gravidade uma vez no hospital ou mortalidade).

'Infecções por covid vêm caindo em alguns países, muito por causa da vacinação e medidas restritivas'

2. Em alguns países, casos despencam

Na Noruega, Holanda, Bélgica, Alemanha, África do Sul ou Áustria, o número de casos já começou a diminuir.

É possível que em vários desses países os efeitos da delta e da ômicron se misturem. Alguns também já estavam há várias semanas com medidas restritivas.

Mas se olharmos para a África do Sul, o efeito da ômicron parece mais evidente, o aumento foi explosivo e exponencial, e a queda também parece ser muito rápida. Alguns dados sugerem de quatro a cinco semanas para que o pico seja atingido e o mesmo tempo para a queda.

Talvez essa seja a melhor notícia.

Embora a possibilidade individual de hospitalização seja menor, uma parede vertical de casos é extremamente perigosa para o sistema de saúde e pode levar a seu colapso. Portanto, a queda no número de casos é uma notícia muito boa.

'Novas vacinas universais contra SARS-CoV-2 e todas suas variantes, incluindo ômicron, já estão sendo desenvolvidas'

3. Vacinas protegem contra a ômicron

Pessoas com duas doses permanecem protegidas contra hospitalização, mesmo que tenham perdido parte de sua proteção contra infecções.

Isso provavelmente ocorre porque a maioria das vacinas fornece uma resposta celular que não é afetada por essa variante.

Também há dados que mostram que uma terceira dose de vacinas de RNA mensageiro tem uma potente capacidade de neutralização da ômicron.

Além disso, novas vacinas universais contra SARS-CoV-2 e todas as suas variantes, incluindo a ômicron, já estão sendo desenvolvidas.

4. Existem medicamentos eficazes contra a ômicron

A revista científica Science apresenta em sua capa o medicamento Paxlovid, um novo antiviral oral, inibidor da protease viral, com capacidade de reduzir o risco de Covid-19 grave em mais de 90%. Esse antiviral já foi aprovado pelo FDA (Food and Drugs Administration), a agência de vigilância sanitária dos Estados Unidos.

O Paxlovid é um inibidor de uma das proteases SARS-CoV-2, chamada 3CL. O tratamento é combinado com outro inibidor da protease, ritonavir, que tem sido usado contra o HIV, o vírus que causa a Aids.

Visto que a variante ômicron não tem mutações nas proteínas que são o alvo do Paxlovid, é altamente provável que essa droga seja igualmente eficaz com a nova variante. Pelo menos, conforme relatado pela empresa Pfizer, testes in vitro comprovam isso.

Além disso, o anticorpo monoclonal Sotrovimab, da GSK, também parece ser eficaz contra a ômicron. É um anticorpo que se liga a uma área específica (epítopo) no SARS-CoV-2 compartilhado com o SARS-CoV-1 (o vírus que causa a SARS), indicando que esse epítopo é altamente conservado. Isso dificulta o desenvolvimento de resistência nas novas variantes.

Remdesivir, um inibidor da RNA polimerase viral, é outro antiviral que, em pacientes não hospitalizados com sintomas de Covid-19, resultou em um risco 87% menor de hospitalização ou morte do que o placebo.

A Gilead, fabricante do Remdesivir, fez uma análise da informação genética da ômicron e não encontrou mutações que afetassem o alvo desse medicamento, por isso, é muito provável que esse antiviral ainda esteja ativo contra essa variante.

Até o momento, a atividade antiviral do Remdesivir foi confirmada in vitro contra todas as outras variantes do SARS-CoV-2, incluindo alfa, beta, gama, delta e épsilon.

'Em testes com células e hamsters, verificou-se que a ômicron infecta menos células do pulmão'

5. Ômicron infecta menos as células do pulmão

Testes com células e hamsters indicaram que a ômicron afeta menos as células dos pulmões. É verdade que ainda não se tem dados em humanos, mas existem vários trabalhos preliminares que sugerem que a variante ômicron se multiplica pior nas células do pulmão, o que poderia ser um indicativo de sua virulência mais baixa (embora fosse necessário verificar o que acontece em outros órgãos).

A situação ainda é muito delicada, principalmente pelo aumento explosivo de casos que está levando o sistema de saúde ao colapso.

Se antes 1 em 100 casos acabavam no hospital, agora, graças às vacinas, essa proporção passou de 1 para 1 mil casos.

No entanto, se o número de casos aumentar exponencialmente, as hospitalizações também aumentarão e o sistema entrará em colapso, como já estamos vendo em alguns países. Portanto, devemos ser muito cautelosos.

No entanto, essa notícia, embora preliminar, é uma boa notícia e nos permite manter o otimismo.

Se 2020 foi o ano do vírus e 2021 o das vacinas de RNA mensageiro, com sorte, 2022 será o início do fim da pandemia.

*Ignacio López-Goñi é Professor de Microbiologia da Universidade de Navarra, Espanha.

BBC Brasil

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

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