sexta-feira, dezembro 31, 2021

EUA têm maior média de casos diários em toda a pandemia




Média móvel atinge recorde de mais de 265 mil infecções por dia, em grande parte atribuídas à variante ômicron. Hospitalizações se mantêm sob controle.

Os Estados Unidos registraram nesta quarta-feira (29/12) um novo recorde na média móvel de casos diários de covid-19 nos últimos sete dias, atribuídos, em grande parte, à variante ômicron do coronavírus.

Mais de um ano após o início da distribuição das vacinas contra o coronavírus, os Estados Unidos registraram uma média de mais de 265 mil novas infecções por dia, superando a marca de 250 mil casos diários alcançada em meados de janeiro de 2021, segundo dados compilados pela Universidade Johns Hopkins. 

Nesta quarta-feira, foram contabilizadas 377.014 infecções, após o recorde de 512.553 novos casos registrado na véspera, segundo contagem da Johns Hopkins.

A nova variante do coronavírus, que se se espalha com maior rapidez do que as outras cepas, frustrou os planos de milhões de americanos que planejavam comemorar o Ano Novo da mesma forma como era feito antes da pandemia. Várias comunidades se viram forçadas a reduzir ou cancelar as festividades de fim de ano. 

Milhares de voos já foram cancelados em consequência da falta de funcionários em aeroportos e nas empresas aéreas,  atribuída ao aumento das infecções.

O imunologista Anthony Fauci, a principal autoridade dos EUA no combate à pandemia, disse nesta quarta-feira que não é necessário cancelar as pequenas reuniões familiares entre pessoas que estejam vacinadas com a segunda ou terceira dose dos imunizantes contra a covid-19.

Mas, "caso o seu plano seja ir a uma festa de Ano Novo com 40 a 50 pessoas, com todos se abraçando e se beijando ao desejarem uns aos outros um feliz Ano Novo, eu recomendo fortemente que não o faça", disse Fauci.

Hospitalizações sob controle

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), o número de americanos hospitalizados com covid-19 é de cerca de 60 mil, cerca da metade do registrado em janeiro de 2021. Especialistas avaliam que esses dados podem ser um reflexo da eficácia das vacinas, assim como da possibilidade de a ômicron não causar quadros tão graves quanto outras variantes.

Os dados do CDC sugerem que o percentual de hospitalizações de pessoas não vacinadas deve ser bem maior do que entre as vacinadas, mesmo que a eficácia dos imunizantes diminua com o tempo. A agência avalia que, se a alta de casos não provocar distúrbios no sistema de saúde, isso poderá ser visto como uma comprovação da eficácia das vacinas.

A média de mortes associadas ao coronavírus nos EUA aumentou nas últimas duas semanas, de 1,2 mil para 1,5 mil por dia.

França bate recorde de casos pela 3ª vez em uma semana

O quadro também é sombrio em outras partes do mundo, especialmente na Europa. A França quebrou pela terceira vez em menos de uma semana o recorde de novos casos diários no país, que aumentou de 180 mil para 208 mil em apenas um dia.

"Eu não chamaria mais a ômicron de uma onda, eu a chamaria mesmo de um maremoto”, afirmou o ministro francês da Saúde, Olivier Véran. Países como Reino Unido, Grécia e Espanha também registraram as contagens diárias mais altas desde o início da pandemia.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse temer um "tsunami de casos” da ômicron em combinação com a variante delta, que poderá gerar "uma pressão imensa sobre os exaustos profissionais de saúde e levar os sistemas de saúde à beira do colapso”.

A OMS também relatou um aumento de 11% na contagem global de infecções diárias da doença entre os dias 20 e 26 de dezembro. Por outro lado, também foi verificado um declínio nos casos registrados na África do Sul, onde a variante ômicron foi inicialmente detectada a pouco mais de um mês.

Deutsche Welle

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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