quinta-feira, dezembro 30, 2021

OMS teme "tsunami de casos" de ômicron




Infecções de covid-19 vêm quebrando recordes nacionais e mundiais. Estudos sugerem que a nova cepa causa menos hospitalizações, mas ainda é cedo para tirar conclusões definitivas, alerta entidade.

As infecções de covid-19 vêm quebrando uma série de recordes nacionais e internacionais, impulsionadas pela variante ômicron do coronavírus, que ameaça sobrecarregar os sistemas de saúde e a capacidade dos centros de testagem.

Na média global, quase 900 mil casos diários foram detectados em todo o mundo entre 22 e 28 de dezembro, com uma grande quantidade de países registrando seus números mais altos de infecções em um só dia desde o início da pandemia, incluindo os Estado Unidos, Austrália, França e vários outras nações europeias. 

Na terça-feira, o mundo registrou pela primeira vez mais de um milhão de casos diários de covid-19. O recorde mais recente, quebrado nesta quarta-feira (29/12), foi a alta do índice de infecções nos últimos 7 dias.

Quase dois anos depois de a China ter alertado a Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre um surto de uma "pneumonia viral” de origem desconhecida na cidade de Wuhan, o coronavírus e suas mutações ainda geram caos, e forçam os governos a repensar as políticas de quarentena e de testagem.

Apesar de estudos sugerirem que a ômicron é menos letal do que outras variantes, o alto número de testes com resultado positivo significa que os hospitais poderão estar sobrecarregados em breve em muitos países. As empresas deverão passar por novas dificuldades, assim como as economias locais, em razão de medidas de confinamento e distanciamento social.

"As variantes delta e ômicron são agora ameaças gêmeas, elevando o total de casos para números recorde e gerando uma alta nas hospitalizações e mortes" disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. "Estou muito preocupado que a ômicron, sendo altamente transmissível e se espalhando ao mesmo tempo que a delta, gere um tsunami de casos”, alertou.

Recordes sucessivos de infecções

O ministro da Saúde da França, Olivier Véran, disse a parlamentares que o país vive um aumento vertiginoso dos casos da doença, com 208 mil infecções registradas em um período de 24 horas – um novo recorde europeu.

Reino Unido, Espanha, Portugal, Grécia, Chipre e Malta também registraram quantidades recorde de casos diários, enquanto nos Estados Unidos, a média de infecções em um período de sete dias subiu para 258.312, a mais alta até agora no país.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse que 90% dos pacientes levados para as UTIs não haviam recebido a dose de reforço da vacina contra a covid-19, que aumenta significativamente a proteção ao vírus e suas variantes.

Após a Austrália registrar um recorde de quase 18,3 mil novos casos, o primeiro-ministro do país, Scott Morrison, disse que é necessária uma "mudança de marcha” para que seja possível administrar a sobrecarga nos laboratórios de testes de covid-19, onde as pessoas formam longas filas.

Na Espanha, a demanda por testes grátis oferecidos pelo governo regional de Madrid superou de longe a oferta, com filas extensas em frente às farmácias.

O relatório epidemiológico mais recente da OMS sugere que, segundo dados do Reino Unido, África do Sul e Dinamarca, o risco de hospitalização pela variante ômicron é menor do que o da delta.

Entretanto o diretor de emergências da entidade, Michael Ryan, disse que ainda é cedo demais para tirar conclusões definitivas. Isso, porque a ômicron tem circulado mais entre pessoas mais jovens, em faixas etárias menos vulneráveis. "Ainda não vimos a onda de ômicron completamente estabelecida entre a população mais ampla”, observou.

Feriados de fim de ano preocupam

Muitos governos se preocupam com a possibilidade cada vez maior de que muitas pessoas sejam forçadas a se isolarem após estarem em contato com indivíduos infectados.

Na Itália, as regras de quarentena estavam próximas de serem relaxadas, mas o governo cogita reverter essa decisão após os casos dobrarem no país de um dia para o outro, chegando a 78.313 nesta quarta-feira.

A China continua sua política de tolerância zero ao coronavírus e mantêm 13 milhões de pessoas na cidade de Xian sob um rígido lockdown. O país, porém, ainda não registrou oficialmente nenhum caso de contaminação pela ômicron.

Em muitos países aumento de infecções coincide com o feriado de Natal e Ano Novo, normalmente um período de festas e viagens. Algumas nações, como a Itália, cancelaram comemorações públicas, enquanto as autoridades do Japão pediram aos cidadãos que se reúnam somente em pequenos números.

Deutsche Welle

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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