quinta-feira, dezembro 30, 2021

Ômicron: queda rápida nos casos de covid na África do Sul renova esperança por fim de onda




Casos de covid caem rapidamente na África do Sul após pico e renovam esperança por fim da pandemia

A África do Sul deu ao mundo as primeiras informações sobre a ômicron, a variante mais contagiosa do coronavírus até agora e que está se espalhando rapidamente por outros países.

Nesse país, especificamente na província de Gauteng, o epicentro da ômicron foi devido à explosão de casos que se desencadeou entre meados de novembro e início de dezembro.

Mas o número de infecções agora parece estar caindo quase tão rápido quanto aumentou nesta província e no resto do país africano.

Em 14 de novembro, foram registrados 283 novos casos. Apenas um mês depois, no dia 16 de dezembro, as infecções dispararam para 23 mil por dia em todo o país.

Um crescimento não visto em toda a pandemia, que rapidamente se replicou em países como o Reino Unido e a Dinamarca e agora é visto em grande parte da Europa e nos Estados Unidos.

Mas desde aquele dia 16 de dezembro, o número de infecções diárias despencou na África do Sul e, na segunda-feira (27/12), menos de 15 mil casos foram registrados.

As primeiras descobertas sobre a variante ômicron indicam que ela é menos grave do que as antecessoras. Mas a taxa mais elevada de contágio continua sendo um desafio para hospitais e centros de atenção primária.

'A variante ômicron, detectada pela primeira vez na África do Sul, levou à imposição de restrições de viagens em vários países ao redor do mundo'

A primeira linha contra a ômicron

Desde que essa nova variante foi detectada pela primeira vez na África do Sul, o mundo tem acompanhado de perto o que está acontecendo no país, procurando entender mais sobre a ômicron.

O epicentro surgiu na província de Gauteng, a mais populosa do país, com aproximadamente 16 milhões de habitantes.

Em Gauteng fica a maior cidade, Joanesburgo e a capital, Pretória.

Seguindo o rápido aumento de casos no país em meados de novembro, os cientistas começaram um extenso teste genético que logo identificou a nova variante, que foi anunciada ao mundo no dia 25 de novembro.

Sua alta transmissão fez com que a ômicron rapidamente se tornasse dominante na África do Sul, com a maioria dos casos relatados em Gauteng.

'Embora os primeiros relatórios apontem para uma gravidade mais baixa do ômicron, os especialistas estão preocupados que sua alta capacidade de transmissão e reinfecção sature os hospitais mais uma vez'

E, embora a ômicron não parecesse ter o mesmo efeito no número de hospitalizações que outras variantes, os especialistas temiam que o número crescente de casos sobrecarregasse os hospitais.

Mas, desde meados de dezembro, os casos nessa província começaram a diminuir rapidamente, reproduzindo o mesmo padrão no resto do país.

"O rápido aumento de casos foi seguido por um rápido declínio e agora parece que vemos o início do fim dessa onda", disse Fareed Abdullah, do Hospital Acadêmico Steve Biko em Pretória, em declarações coletadas pela agência Associated Press.

E a tendência de queda não parece estar diminuindo, pelo menos até o dia 28 de dezembro.

O que está acontecendo em outros países?

Na semana passada, diante da diminuição dos casos na África do Sul, Salim Abdool Karim, um dos principais epidemiologistas na atuação contra a pandemia no país, disse em uma entrevista ao The Washington Post que esperava que "todos os países, ou quase todos os países, sigam o mesmo caminho."

'O caso da África do Sul é difícil de comparar com outros países devido a várias diferenças demográficas e epidemiológicas'

A partir da África do Sul, recebemos os primeiros estudos sobre a aparente baixa gravidade causada pela ômicron.

Poucos dias depois, análises semelhantes foram replicadas em outros países e reforçaram essas conclusões.

Em uma dessas pesquisas, a Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido estimou que as pessoas infectadas com ômicron tinham 50% a 70% menos probabilidade de necessitar de tratamento hospitalar, em comparação com outras variantes.

No entanto, ainda parece muito cedo para saber se a queda nos casos sul-africanos também ocorrerá nas próximas semanas em outros países.

Dezembro tem sido um mês de números recordes de casos diários em países europeus, como o Reino Unido, Dinamarca, França e Noruega.

E embora esse crescimento pareça ter desacelerado nos últimos dias no Reino Unido, por exemplo, é difícil tirar conclusões, uma vez que as festividades de fim de ano interrompem o ritmo usual de notificação de casos.

Se o caso sul-africano se repetirá ou não é algo que só o passar das semanas poderá dizer, embora as situações dificilmente sejam comparáveis.

'Ômicron gerou um número recorde de infecções diárias em países como o Reino Unido'

Casos diferentes

Fazer comparações entre países é difícil devido às diferenças demográficas e epidemiológicas.

Vários especialistas concordam e insistem que a menor idade média da população sul-africana e os altos níveis de imunidade adquiridos durante as ondas das variantes delta e beta tornam a África do Sul um caso difícil de comparar com a Europa e outros continentes.

Na semana passada, o Grupo de Aconselhamento Científico para Emergências (Sage) do Reino Unido admitiu que tanto o número de hospitalizações quanto de infecções pareciam estar diminuindo na província de Gauteng, onde o epicentro da ômicron da África do Sul foi decretado.

No entanto, eles acrescentaram que "as razões para isso não são claras e não se pode presumir se seria sustentável".

"Não se pode presumir que a onda do Reino Unido seguirá um padrão semelhante, dadas as diferentes populações e situações epidemiológicas", destacou o Sage.

Por enquanto, os países continuam aumentando suas campanhas de vacinação e a administração de doses de reforço. Outros adotaram medidas de confinamento e distanciamento social.

Enquanto isso, o mundo continua atento à África do Sul sobre qualquer pista que permita um melhor entendimento dessa variante que ameaça a saúde pública quase dois anos após o início da pandemia.

BBC Brasil

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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