quinta-feira, dezembro 30, 2021

Ômicron pode sobrecarregar sistemas de saúde, alerta OMS




Nova variante do coronavírus ainda representa um risco muito alto e deve causar números elevados de hospitalizações, afirma agência da ONU. EUA e países da Europa têm recordes de infecções.

A variante ômicron do coronavírus ainda representa um risco muito alto e pode sobrecarregar sistemas de saúde, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quarta-feira (29/12), em meio a recordes de infecções em vários países e após o mundo pela primeira vez superar a marca de 1 milhão de infecções em um dia.

Na última semana, os casos aumentaram 11% no mundo, forçando governos da China à Alemanha e à França a encontrar um difícil equilíbrio entre restrições anticovid e a necessidade de manter economias e sociedades abertas.

Embora alguns estudos sugiram que a cepa cause casos de covid-19 mais leves, a OMS pediu cautela. "O risco geral relacionado à nova variante de preocupação ômicron permanece muito alto", informou a agência da ONU em sua atualização epidemiológica semanal sobre a covid-19, apontando que somente dois a três dias são necessários para dobrar o número de infecções.

A OMS afirmou que, embora dados preliminares do Reino Unido, da África do Sul e da Dinamarca tenham sugerido haver um menor risco de hospitalizações pela ômicron em relação à delta, mais dados são necessários para compreender a gravidade da nova cepa e como ela pode ser impactada por infecções anteriores pelo coronavírus ou pela vacinação.

Apesar das evidências iniciais, o rápido avanço da ômicron "ainda resultará em números elevados de hospitalizações, particularmente entre grupos não vacinados, e causará um transtorno generalizado em sistemas de saúde e outros serviços críticos", alertou Catherine Smallwood, gerente de incidência de covid-19 da OMS na Europa.

Recordes pelo mundo

Os Estados Unidos registraram nesta terça-feira o recorde mundial de casos diários de covid-19. Em apenas 24 horas, foram reportados 512.553 novos casos, segundo dados compilados pela Universidade Johns Hopkins. Os últimos dados oficiais do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA apontam 441.278 registrados na segunda-feira. Além da ômicron, grandes concentrações de não vacinados e falta de acesso à testagem têm impulsionado as infecções.

A Europa também voltou a ser um dos focos da pandemia. A Holanda e a Suíça são os mais recentes países onde a ômicron se tornou dominante.

França, Reino Unido, Grécia e Portugal reportaram recordes de casos diários nesta terça. Somente na França, foram quase 180 mil infeções em 24 horas. No Reino Unido, quase 130 mil. A Grécia registrou 21.657 casos, e as autoridades afirmaram que a alta está relacionada à ômicron. Em Portugal, foram computadas 17.172 novas infecções.

A Dinamarca tem atualmente a maior taxa de infecção do mundo, com 1.621 casos por 100 mil habitantes em sete dias. No entanto, autoridades do país destacam que há muito menos pessoas internadas por covid-19 do que nessa época do ano passado. No país, 77% da população já estão completamente vacinados, e 42% dos vacinados já receberam uma dose de reforço.

Na Alemanha, onde o total de casos de ômicron saltou 45% em um dia, para 10.442 nesta terça, novas restrições entraram em vigor. Encontros privados foram limitados a dez pessoas vacinadas ou os moradores de duas residências se não vacinados estiverem presentes. Discotecas foram fechadas, e eventos esportivos terão de ser realizados sem público. O país registrou um total de 21.080 novas infecções nesta terça.

As infecções também estão aumentando na América Latina e no Caribe, onde a pandemia parecia estar retrocedendo. A alta nos casos de covid-19 coincide com relatos de aumento de infecções pela variante ômicron no Panamá, Colômbia, Chile, Argentina, Paraguai, Venezuela, México, Cuba, Equador e Brasil. Até agora, 77 casos da ômicron foram identificados em solo brasileiro.

As altas nas infecções mundo afora causaram graves transtornos a viagens neste fim de ano, com milhares de voos cancelados no mundo. A situação também ameaça eventos esportivos e levou ao cancelamento de celebrações de Ano Novo. No Brasil, quase todas as capitais cancelaram as comemorações de réveillon.

Deutsche Welle

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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