quinta-feira, dezembro 30, 2021

Hong Kong prende seis pessoas ligadas a site de notícias




Governo acusa funcionários e ex-funcionários do portal pró-democracia Stand News de "conspiração para publicações sediciosas", minando ainda mais a liberdade de imprensa no território semiautônomo chinês.

A polícia de Hong Kong prendeu na manhã desta quarta-feira (29/12) seis pessoas ligadas a um portal de notícias online independente.

Eles são acusados de "conspiração para publicações sediciosas" (que incitam a insurreição), disse o governo de Hong Kong em um comunicado à imprensa.

A emissora Hong Kong TVB informou que os seis são atuais ou ex-funcionários do site de notícias pró-democracia Stand News.

A agência de notícias AFP afirmou que o editor-chefe do Stand News, Patrick Lam, foi algemado. O ex-editor-chefe Chung Pui-kuen e quatro membros do conselho que renunciaram em junho estão entre os presos, segundo a mídia local.

Mais tarde nesta quarta-feira, o Stand News anunciou seu fechamento.

Em comunicado à imprensa, a polícia de Hong Kong disse que realizou uma operação de busca contra uma "empresa de mídia online", com a participação de "200 policiais uniformizados e à paisana".

Revista em casa

O comunicado oficial da polícia não identifica os presos, mas afirma que são três homens e três mulheres, com idades entre 34 e 73 anos.

De acordo com a correspondente da DW Phoebe Kong, oficiais do departamento de segurança nacional da polícia de Hong Kong vasculharam a casa de Ronson Chan, presidente da Associação de Jornalistas de Hong Kong.

Chan, que também é vice-editor do Stand News, informou que a polícia confiscou seu computador, celular, tablet, credencial de imprensa e registros bancários. Ele foi levado para interrogatório, mas liberado em seguida.

"O Stand News sempre conduziu reportagens profissionais, disso não há dúvidas", disse Chan a repórteres. "As acusações criminais não vão mudar esse fato."

A polícia disse em comunicado que conduziu a busca com um mandado que autorizava "procurar e apreender materiais jornalísticos relevantes".

O Stand News postou um vídeo no Facebook de policiais afirmando que tinham um mandado para investigar "publicações sediciosas".

"Precedente perigoso"

Eric Lai, pesquisador de direito de Hong Kong no Centro de Direito Asiático da Universidade de Georgetown, disse à DW que as prisões abrem um "precedente perigoso", já que o governo pode prender pessoas "retroativamente".

"A acusação de publicação sediciosa também foi usada contra sindicalistas que publicaram um livro infantil há alguns meses", disse Lai, referindo-se a cinco pessoas detidas em julho por publicar a obra chamada Defenders of the Sheep Village.

"Foi muito perturbador porque a lei sediciosa em Hong Kong é um tipo de crime de fala que o governo pode usar sempre que precisar, uma vez que interpreta qualquer expressão ou publicação que seja antigovernamental".

Lai alertou que as acusações de publicação sediciosa teriam um "efeito sem precedentes" e "arrepiante" em todo o território.

"Isso forçaria os jornais de Hong Kong a decidir se ainda querem agir de forma independente e crítica em relação ao governo", acrescentou.

Ataque à liberdade

O Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ) descreveu a operação como "um ataque aberto à já deteriorada liberdade de imprensa de Hong Kong" e pediu que as acusações sejam retiradas.

Esta não é a primeira vez que a polícia de Hong Kong realiza operações contra jornalistas.

Em junho, centenas de policiais invadiram as instalações do jornal pró-democracia Apple Daily. Os executivos do jornal foram presos por "conluio com um país estrangeiro".

Na terça-feira, promotores de Hong Kong entraram com uma acusação adicional de "publicações sediciosas" contra o fundador do Apple Daily, Jimmy Lai.

Hong Kong tem perdido cada vez mais liberdades desde que Pequim impôs, em junho do ano passado, uma polêmica lei de segurança nacional. No início deste mês, Hong Kong realizou uma eleição legislativa "apenas para patriotas".

Em setembro, organizadores da vigília anual em homenagem às vítimas do massacre da Praça da Paz Celestial disseram que polícia ordenou que páginas do grupo fossem tiradas do ar. Em outubro, a Anistia Internacional fechou escritórios em Hong Kong.

Deutsche Welle

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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