sábado, setembro 12, 2026

Ministros do STF ameaçam debater 'podres' de colegas se apenas Moraes for julgado na sessão de 15/9

Ministros do STF ameaçam debater 'podres' de colegas se apenas Moraes for julgado na sessão de 15/9

Por Mônica Bergamo, Folhapress

11/09/2026 às 15:28

Atualizado em 11/09/2026 às 15:16

Foto: Antonio Augusto/STF/Arquivo

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Mendonça e Moraes ficam lado a lado em 1ª sessão do STF após novas revelações do caso Master

Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) subiram o tom nesta sexta (11) e passaram a afirmar que, se um pedido de investigação contra Alexandre de Moraes for julgado na sessão de 15/9 sem que o mesmo aconteça com André Mendonça, não sobrará 'pedra sobre pedra' no debate.

Eles afirmam que diversos magistrados da Corte já foram alvos de denúncias, inclusive de envolvimento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e que, se for para passar o STF a limpo, será oportuno, no mesmo dia, discutir os 'podres' de todos os outros que estarão presentes no debate.

Um dos magistrados deu como exemplos as novas denúncias de envolvimento financeiro de Dias Toffoli com o mesmo Vorcaro com quem Moraes teve relações, e as revelações de que Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques, recebeu recursos de uma consultoria tributária abastecida com dinheiro do Banco Master e da JBS.

De acordo com a Folha, a Consult Inteligência Tributária recebeu R$ 18 milhões das duas empresas, e contratou o escritório do filho do ministro por R$ 281,6 mil no período. Ele tem 25 anos.

Os mesmos ministros afirmam também que o próprio André Mendonça vai ser instado, na sessão, a explicar em detalhes o encontro que teve com Daniel Vorcaro a pedido de um advogado, em março do ano passado.

Dizem ainda que Mendonça será questionado sobre a possibilidade de abrir as contas do Iter, o instituto educacional que ele inagurou depois que assumiu o cargo no STF e que faturou R$ 4,8 milhões de contratos públicos em 2025, quando tinha apenas um ano de funcionamento.

A instituição tem contratos também com empresas privadas.

Citam ainda a relação social de Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, com Daniel Vorcaro. Ele foi ao Sambódromo do Rio de Janeiro a convite do ex-banqueiro e participou com ele de uma degustação de uísque.

"Vamos investigar todos de uma vez", afirma um magistrado.

A única solução possível para que se chegue a um acordo mínimo entre os magistrados para estancar a crise, disseram magistrados à coluna, é o presidente da Corte, Edson Fachin, colocar em votação tanto o pedido de investigação contra Moraes por envolvimento com Vorcaro quanto o pedido de investigação contra Mendonça por abuso de autoridade.

Defendem ainda que Fachin assuma a relatoria das investigações contra o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, afastando Mendonça do caso.

OUTRO LADO

André Mendonça deixou neste mês a sociedade do Iter, que afirma nunca ter distribuído lucro. Sobre o encontro com Vorcaro, ele diz que a iniciativa partiu do ex-banqueiro, que se limitou a ouvi-lo e que votou contra as posições defendidas por ele em demandas no STF.

Rodrigo Fux afirma que nunca advogou para Vorcaro.

O ministro Kassio Nunes Marques disse, na época da revelação dos repasses de uma consultoria tributária a seu filho, que não tinha relação alguma com Vorcaro.

Dias Toffoli diz, em nota, que "jamais manteve ou teve direta ou indiretamente recursos no exterior" e que "jamais realizou qualquer operação direta ou indiretamente nas Ilhas Virgens Britânicas", negando revelações feitas nesta sexta (11) pela revista Piauí.

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Lula sobre Vorcaro: Na época deles, bandido virou banqueiro, no meu mandato, virou prisioneiro

 

Lula sobre Vorcaro: Na época deles, bandido virou banqueiro, no meu mandato, virou prisioneiro

Por Gabriel de Sousa / Estadão Conteúdo

12/09/2026 às 07:15

Foto: Ricardo Stuckert / PR

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira, 11, que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, se tornou um presidiário no governo dele, enquanto que na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ele havia sido transformado em banqueiro. A fala do presidente faz parte da estratégia de Lula de se descolar do escândalo, que agora contamina uma crise no Supremo Tribunal Federal (STF).

"Eles criaram um banqueiro chamado Vorcaro, em 2019. Na época deles, o bandido virou banqueiro. No meu mandato, ele virou prisioneiro porque foi o maior golpe da história desse País", disse o presidente em um comício em Porto Alegre (RS).

Lula também falou sobre o escândalo das fraudes em descontos associativos do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). De acordo com ele, os criminosos foram criados e ficaram ricos durante a gestão de Bolsonaro, com a trama sendo desmontada e os envolvidos presos durante a gestão petista.

"A direita tentou jogar nas nossas costas a responsabilidade da corrupção na Previdência Social", disse o candidato à reeleição

Lula participou de um comício no Centro Histórico de Porto Alegre. Ele esteve acompanhado da candidata apoiada por ele ao Palácio Piratini, Juliana Brizola (PDT), e os dois candidatos governistas ao Senado: Paulo Pimenta (PT) e Manuela dÁvila (PSOL).

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Fachin nega pedido de Gilmar e mantém apenas investigação contra Moraes na pauta do STF

 

Fachin nega pedido de Gilmar e mantém apenas investigação contra Moraes na pauta do STF

Por João Gabriel / Folhapress

12/09/2026 às 12:03

Foto: Alejandro Zmabrana / STF

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O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, decidiu manter na pauta da sessão marcada para a próxima terça-feira (15) apenas o julgamento da investigação contra a atuação do ministro Alexandre de Moraes e sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Fachin negou pedido do decano Gilmar Mendes para que fosse também colocada em discussão a investigação contra o colega André Mendonça.

Segundo o presidente, a manutenção apenas do julgamento contra Moraes "assegura a precisa delimitação do objeto da deliberação deste Tribunal, viabilizando a apreciação de matéria cujo contraditório e elucidação preliminar já se terá aperfeiçoado".

Moraes e Mendonça são atualmente os pivôs da maior crise da história recente do Supremo.
O estopim foram as mensagens, reveladas pelo Estadão e às quais a Folha também teve acesso, que Vorcaro teria enviado a Moraes.

Às vésperas de ser preso pela PF no âmbito da Operação Compliance Zero, o dono do Master pediu ao ministro informações sobre a investigação, marcou encontros entre com ele e inclusive perguntou se deveria fugir do país.

A troca de mensagens foi registrada em um relatório produzido pela PF a pedido de André Mendonça, que também o tornou público. O material também registra menções a Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Moraes contra-atacou e, também com base em um "relatório de inteligência" da PF --este apontando métodos supostamente irregulares de Mendonça-- pediu que seu colega fosse investigado por abuso de autoridade.

Diante da escalada, Fachin determinou que o relatório contra Moraes deveria ser analisado pelo plenário da corte, e pautou para a sessão da próxima terça.

Gilmar pediu, em ofício, que também fosse colocada em pauta o relatório contrário, contra Mendonça, e que a sessão fosse adiada.

Fachin negou e disse que a "inclusão imediata em calendário importaria na submissão ao Plenário de matéria cuja instrução preliminar ainda não se encontra concluída, o que inviabiliza a apreciação simultânea postulada".

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Lula diz sobre Master que 'quem fez putaria vai ser desmascarado'

 

Lula diz sobre Master que 'quem fez putaria vai ser desmascarado'

Por CATARINA SCORTECCI E ITALO NOGUEIRA / FOLHAPRESS

12/09/2026 às 14:30

Foto: Reprodução

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, criticou neste sábado (12), em Curitiba, a atuação do relator do caso Banco Master, André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Em discurso, Lula afirmou, sem citar nomes, que o atual relator dos processos estaria agindo de maneira seletiva na condução da investigação, e mencionou uma conversa que teria tido com o presidente da corte, Edson Fachin.

"Eu disse a ele que não era possível o cidadão, que é um juiz relator, ficar soltando matérias pinçadas. Somente aquilo que interessava a ele. E eu pedi para liberar todo o processo. Deixar nu, para saber quem é que está por trás disso", disse ele. "Vamos deixa às claras para ver quem é ladrão e corrupto nesse país. E a família Bolsonaro não escapa."

"O Vorcaro já está preso. Mas agora vai começar a aparecer as orgias que ele fazia. As mulheres da Suíça, da Suécia, para fazer sacanagem com muita gente da política. Isso vai começar a aparecer. Portanto, quem fez putaria, vai ser desmascarado", disse Lula.

Em seguida, Lula disse que magistrados não podem usar cargo público para enriquecimento pessoal, também sem mencionar nomes. "Ninguém pode ser ministro da Suprema corte para ficar rico. Aquilo é um sacerdócio. As pessoas têm que ter um padrão de comportamento acima da média da sociedade", declarou.

A declaração de Lula foi feita durante um comício na Boca Maldita, região central da capital paranaense. No palanque ao lado do petista estavam os candidatos do PT ao Senado, Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha, e o candidato ao Governo do Paraná Requião Filho, do PDT.

Lula também atacou em discurso o ex-juiz Sergio Moro, que o condenou em processo da Operação Lava Jato, em 2017, e que hoje é candidato ao Governo do Paraná pelo PL.

"Nosso adversário é muito frouxo, mentiroso. Sou vítima da mentira dele."

Na quarta-feira (9), Lula já havia defendido a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master. Em uma publicação em rede social, o presidente afirmou que o país precisava de "mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral".

Na campanha eleitoral de 2022, Lula fez um comício no mesmo local, ao lado do pai de Requião Filho, o ex-governador Roberto Requião, que naquele ano era o candidato do PT ao Governo do Paraná. Hoje Requião disputa uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo PDT e também estava no palco deste sábado.

Em 2022, Requião fez 26,23% dos votos, ficando em segundo lugar na disputa vencida por Ratinho Junior (PSD) no primeiro turno, com 69,64% dos votos.

A passagem de Lula por Curitiba faz parte de um giro do candidato pela região Sul. Nesta sexta-feira (11), ele esteve no Rio Grande do Sul. Durante um comício em Porto Alegre, exaltou programas do governo federal, falou de violência contra as mulheres e mencionou Donald Trump, presidente dos EUA, temas também tratados em Curitiba.

Lula disse que Trump é "cabo eleitoral da extrema direita" no mundo e acrescentou que "nenhum presidente de outro país vai meter o bedelho nas nossas eleições". 

Falou ainda sobre as fraudes no INSS e do Banco Master, mirando a oposição e seu principal adversário nas urnas, Flávio Bolsonaro (PL).

"A direita abriu uma CPI e tentou jogar nas nossas costas a responsabilidade pela corrupção na previdência social. A quadrilha do INSS foi montada por eles, foi criada no governo Bolsonaro, foi desmontada por mim. Eles enriqueceram no governo Bolsonaro e estão presos no meu governo", afirmou Lula.

"E eles não pararam por aí. Eles criaram um banqueiro, chamado Vorcaro. Em 2019, na época deles, o bandido virou banqueiro. No meu mandato, ele virou prisioneiro", continuou Lula, em referência ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e investigado por fraude contra o sistema financeiro.

Uma agenda também estava prevista para Florianópolis, neste domingo (13), mas acabou cancelada.

Também neste sábado, em Cabo Frio (RJ), Flávio Bolsonaro afirmou que vai indicar cinco ministros ao STF caso seja eleito. O número considera um eventual impeachment do ministro Alexandre de Moraes.

"Eu vou indicar cinco homens e mulheres que são contra o aborto, contra as drogas, que respeitem a Constituição, que sejam a favor do desenvolvimento das cidades, sem essa radicalidade de licenciamentos ambientais que na verdade entravacam o desenvolvimento", disse ele, em discurso.

Ele voltou a explorar a associação do presidente Lula com Moraes, alvo de relatório da Polícia Federal sobre sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.

"O mau exemplo está vindo de cima. Está vindo do presidente da República, que abandonou o país. Quem governa o Brasil é o Alexandre de Moraes. Quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes", disse ele.

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