domingo, dezembro 30, 2007

Começa a corrida por duas vagas na eleição mais importante do mundo

As primárias de Iowa iniciam o processo que levará à escolha dos candidatos democrata e republicano à presidência
Cristiano Dias
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Em novembro de 2008, os americanos escolherão um novo nome para comandar o país mais rico do mundo. Quem assumir essa tarefa terá um salário de US$ 400 mil, poderá gastar como quiser outros US$ 2,7 trilhões do orçamento federal e controlará a maior máquina militar do planeta. A briga por esse emprego começa na quinta-feira, com o início das primárias que definirão os dois candidatos, democrata e republicano, à presidência dos EUA.
A disputa está mais acirrada no Partido Republicano. O ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani liderou a maior parte da campanha, mas nas últimas semanas perdeu espaço para o pastor evangélico Mike Huckabee. O prefeito da maior cidade do país durante os ataques de 11 de Setembro tentou capitalizar votos com o drama vivido pelos nova-iorquinos em 2001, mas encontrou resistência entre os conservadores, que não toleram o fato de ele ser a favor do aborto e do casamento gay.
Em novembro, Giuliani tinha uma vantagem folgada, superior a 10 pontos porcentuais, mas caiu de 31% para 21% nas intenções de voto. Huckabee, que dialoga mais facilmente com a direita religiosa do partido, subiu de 6% para 18%, praticamente empatando a disputa."Huckabee prega um populismo gospel, que rejeita qualquer forma de conservadorismo ortodoxo, principalmente o econômico", disse por e-mail ao Estado o analista Eugene Dionne Jr, do Brookings Institution, de Washington. "Ele está mais preocupado com a proibição do aborto do que com o andamento da economia. E é por isso que ele mete medo em boa parte dos republicanos."A trincheira republicana ainda tem outros três nomes de peso. Colado em Huckabee está o mórmon Mitt Romney, seguido pelo herói de guerra John McCain - os dois estão em ascensão - e pelo ator Fred Thompson, que chegou à vice-liderança em outubro, mas que entrou em queda livre desde então.
ANO DEMOCRATA
O lado democrata está menos dividido. A ex-primeira-dama Hillary Clinton lidera com folga e pode tornar-se a primeira mulher presidente do país. Correndo por fora está o senador negro Barack Obama, que andou minando a larga vantagem de Hillary, mas ainda permanece bem atrás. Toda eleição americana sempre guarda surpresas. Em 2004, John Kerry derrotou o favorito Howard Dean, tornou-se candidato, mas acabou derrotado pelo presidente George W. Bush. Zebras à parte, quase ninguém duvida que 2008 será um ano democrata.
O Partido Republicano, atormentado pela impopularidade de Bush, não sabe para que lado correr. A disputa acirrada entre os candidatos republicanos, segundo analistas, seria uma prova dessa indecisão.
A crise de confiança refletiu-se em todos os fronts da campanha. Até outubro, os democratas haviam arrecadado 70% mais dinheiro do que os rivais e quase dois terços dos eleitores acreditavam que o próximo presidente sairia da oposição.
Além disso, alguns Estados-chave, fundamentais na reeleição de Bush, como Ohio, Virgínia e Colorado, estão mudando de lado. Portanto, quem vencer as primárias do Partido Democrata, parte como favorito a ocupar a Casa Branca pelos próximos quatro anos.
Antes mesmo da largada, a eleição presidencial, marcada para 4 de novembro, já bateu pelo menos dois recordes. Primeiro, será a que teve a campanha mais longa. A razão foi um movimento generalizado de antecipação das primárias. Durante décadas, Iowa abria o processo de escolha, em janeiro, e era seguida pelas primárias em New Hampshire.Entretanto, Estados com menos importância passaram a adiantar suas próprias primárias para atrair a atenção dos eleitores e servir de tendência para o restante do país. Em tese, esses Estados cresceriam em importância e passariam a receber candidatos em campanha. O resultado, porém, foi uma corrida frenética que bagunçou o calendário eleitoral.
A confusão começou na Flórida, que em maio adiantou suas primárias de 5 de fevereiro para 29 de janeiro. Isso tirou da Carolina do Sul o status de ser o primeiro Estado do sul a escolher seus delegados.
Assim, para não ficar atrás, a Carolina do Sul também anunciou em agosto que anteciparia seu processo para 19 de janeiro. Isso gerou um efeito dominó, espremendo o calendário de primárias no início do ano e deixando a campanha mais longa.
O segundo recorde será o de campanha mais cara de todos os tempos. Enquanto em 2004 Bush e Kerry arrecadaram cerca de US$ 500 milhões, em 2008 a estimativa é a de que seja gasto US$ 1 bilhão.
FATOR IOWA
As primárias de Iowa, que abrem o processo, são consideradas chave para a nomeação de um candidato porque dão fôlego aos vencedores. O resultado também serve como termômetro para que candidatos que estão se arrastando nas pesquisas desistam da corrida e negociem um apoio que pode ser decisivo para outros concorrentes.
O dia D para todos eles será o 5 de fevereiro, batizado de "Superterça", quando 40% dos delegados serão escolhidos em 22 Estados. Se ainda assim não sair a nomeação, o processo segue até junho e encerra-se com as primárias de Montana, Dakota do Sul e Novo México.PERFIL DOS CANDIDATOS
DEMOCRATAS Hillary Clinton - 60 anos, pode ser a primeira mulher presidente dos EUA. É senadora por Nova York e foi primeira-dama do país quando seu marido, Bill Clinton, foi presidente, de 1993 a 2001. Promete levar o sistema de saúde para 47 milhões, mas é criticada pelos adversários em razão de sua pouca experiência política. Lidera com folga a corrida do lado democrataJohn Edwards - 54 anos, ex-senador pela Carolina do Norte e vice-presidente na chapa de John Kerry na eleição de 2004. Sua principal bandeira é o combate à pobreza. Reconheceu que errou ao votar pela autorização da ação militar americana no Iraque e agora pressiona pela retirada das tropas
Barack Obama - 46 anos, senador por Illinois, pode ser o primeiro presidente negro dos EUA. Foi um dos poucos que, desde o início, se opôs à guerra do Iraque. Nas últimas semanas, embora ainda esteja longe de Hillary, subiu muito nas pesquisas, principalmente depois que conseguiu o apoio da apresentadora de TV Oprah Winfrey
REPUBLICANOS Rudy Giuliani - 63 anos, ex-prefeito de Nova York, faz questão de lembrar, a toda hora, de sua liderança à frente da maior cidade do país durante os ataques de 11 de Setembro. Amplamente rejeitado por muitos eleitores republicanos por ser a favor do aborto, do controle de armas e dos direitos dos gays. Tem liderado as pesquisas, mas sofreu uma queda brusca nas últimas semanas Mike Huckabee - 52 anos, ex- governador de Arkansas e pastor evangélico. Usa a religião para ganhar os eleitores mais conservadores. É contra o casamento gay e o aborto. Conhecido pelo bom humor, mas criticado pela falta de conhecimento em política externaJohn Mccain - 71 anos, senador pelo Arizona, foi baleado no Vietnã em 1967, onde ficou cinco anos e meio como prisioneiro de guerra. Apóia tanto a guerra no Iraque que defende, inclusive, um aumento das tropas para conter a violência no país
Mitt Romney - 60 anos, ex-governador de Massachusetts. Tentou lançar-se como a alternativa conservadora do partido, opondo-se ao casamento gay e ao aborto - embora no passado tenha apoiado ambos. Se eleito, Romney seria o primeiro presidente mórmon
Fonte: Estadao

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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