Treze brasileiros estão entre suspeitos de perseguir dissidentes da ditadura na década de 1970
ROMA - Um juiz italiano emitiu mandados de prisão contra 140 latino-americanos, entre eles 13 brasileiros, suspeitos de envolvimento na perseguição coordenada a dissidentes no período das ditaduras militares do Cone Sul na década de 1970. O Itamaraty afirmou que ainda não recebeu a comunicação oficial do pedido de prisão dos brasileiros.
Os mandados de prisão, emitidos na segunda-feira, envolvem cidadãos argentinos, bolivianos, brasileiros, chilenos, paraguaios e peruanos, suspeitos de cumplicidade na morte de 25 cidadãos italianos por agentes das ditaduras militares da América Latina. Quase todos os procurados vivem atualmente na América Latina.
Alguns deles já estão sob custódia policial, como parte das investigações relativas à conspiração conhecida como "Operação Condor". Um oficial de inteligência da Marinha uruguaia, Nestor Jorge Fernandez Troccoli, de 60 anos, foi preso pela polícia italiana na cidade sulista de Salerno como parte da investigação. Ele será transferido para Roma, onde tem audiência marcada para este mês.
Troccoli vivia há muitos anos na Itália e teria cidadadia italiana. Os 140 listados enfrentam acusações de assassinatos múltiplos e seqüestros. De acordo com a lei italiana, os magistrados podem investigar os assassinatos de cidadãos italianos cometidos no exterior. Não ficou claro se o juiz tentaria obter a extradição dos que vivem fora da Itália. Seis da lista já morreram - entre eles o ex-presidente chileno Augusto Pinochet.
Entre os procurados estão o ex-líder da junta militar argentina Jorge Videla, o ex-almirante argentino Emilio Eduardo Massera e o ex-ditador uruguaio Juan Bordaberry, informou a agência de notícias italiana Ansa. A lista inclui 61 cidadãos da Argentina, 32 do Uruguai, 22 do Chile, 13 do Brasil, sete da Bolívia, sete do Paraguai e quatro do Peru. No Brasil, qualquer pedido dessa natureza tem que chegar por intermédio do Ministério das Relações Exteriores (MRE).
Depois é encaminhado ao Ministério da Justiça, que analisa caso a caso. Mas o Itamaraty lembra que a Constituição veta a extradição de brasileiros para serem processados em outros países.
Sob a Operação Condor, as ditaduras da Argentina, Chile, Paraguai, Bolívia, Brasil e Uruguai trocaram informações que levaram ao seqüestro e assassinato de milhares de opositores políticos. A investigação foi feita a partir de denúncias de familiares de desaparecidos que tinham origens italianas. Não é a primeira vez que a Itália busca os responsáveis pela chamada Guerra Suja.
Em março, um tribunal italiano sentenciou a revelia à prisão perpétua cinco antigos integrantes da ditadura militar argentina pelo assassinato de três italianos na década de 1970.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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