quinta-feira, dezembro 27, 2007

A polêmica votação do PDDU continua hoje

Começou tensa a votação do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Salvador (PDDU). O processo iniciado na tarde de ontem transformou o plenário da Câmara Municipal de Vereadores (CMS) em palco de muita polêmica e troca de ofensas entre vereadores e representantes civis. Na galeria, manifestantes de várias partes da cidade se confrontavam, sendo necessárias cerca de duas horas para acalmar os ânimos. A expectativa é que a matéria seja votada ainda hoje, mesmo sob protestos de lideranças políticas, comunitárias e entidades técnicas. Palavras de ordem contra o prefeito João Henrique Carneiro e o projeto do PDDU eram confrontadas com frases de apoio à matéria e aos vereadores que se posicionaram a favor do plano. Os partidos PPS, PCdoB e PSB encaminharam, no início da sessão, à Mesa Diretora da Câmara Municipal um ofício solicitando a destituição do líder da oposição, vereador Téo Senna (PTC). No mesmo documento, a coligação indica Virgílio Pacheco (PSB) como o novo líder da minoria. Para o vereador Paulo Câmara (PSDB), a permanência de Senna é insustentável. “Não dá para manter Téo e Sandoval (líder do governo), trabalhando pela aprovação do PDDU”, justifica. O pedido foi indeferido pela Mesa. O presidente da Câmara, Valdenor Cardoso (PTC), que presidiu a sessão, leu o artigo 44 do regimento interno da Casa, que estabelece as normas para a indicação das lideranças. De acordo com Cardoso, salvo raras exceções, os líderes das bancadas só podem ser definidos no início da legislatura. Portanto, Téo foi mantido no cargo e recebeu apoio de alguns vereadores, como Paulo Magalhães Júnior, que saiu em defesa do líder da oposição e chamou de “incoerente”, a coligação que pediu a saída do líder da minoria. Mas as confusões não pararam por aí. Um manifestante saiu da galeria e invadiu o plenário com um abacaxi nas mãos, a maioria dos vereadores era impedida de falar pelas manifestações da população e as queixas de que o presidente Valdenor Cardoso estava desrespeitando todo regimento interno durante a sessão provocavam indignação, principalmente nas bancadas do PT, PCdoB e PSB. “É inadmissível que um projeto com tal importância seja discutido dessa forma irresponsável e truculenta. Isso tudo que vem acontecendo é um desrespeito aos interesses da população de Salvador. Mas eu continuo acreditando que a força do povo é maior que o arbítrio dos autoritários”, bradou a vereadora Olívia Santana (PCdoB), pré-candidata a sucessão municipal de 2008. Mesmo sob tanta polêmica, no final da tarde o líder do governo solicitou ao presidente da Casa que o plano fosse colocado na ordem do dia, dando início oficialmente ao processo de votação do plano. A expectativa era de que a sessão invadisse a madrugada e recomeçasse hoje. Havia também a possibilidade remota de transformá-la em extraordinária e tentar votar a matéria ainda na madrugada de hoje, o que poderia ser uma estratégia do governo de vencer a oposição pelo cansaço, já que os 347 artigos e as mais de 200 emendas teriam que ser discutidos individualmente. Até o fechamento desta edição a discussão dos artigos sequer havia sido iniciada, o que apontava para a continuação da votação do PDDU hoje. (Por Carolina Parada)
ACM Neto ganha em Salvador, diz Sandro Régis
Expressão indiscutível do soutismo na Assembléia Legislativa, o deputado Sandro Régis (PR) entende que a entrevista que o ex-governador Paulo Souto deu ontem na Rádio Itaparica marca o início da luta do DEM e partidos aliados para “a grande batalha” que serão as eleições municipais de 2008. “Vamos disputar em praticamente toda a Bahia e chegaremos ao poder em muitos municípios importantes, inclusive, e principalmente, Salvador, com o deputado ACM Neto”, disse o parlamentar. Lembrado de que o candidato à reeleição João Henrique provavelmente contará com o apoio das duas maiores lideranças baianas no poder – o governador Jaques Wagner, pelo PT, e o ministro Geddel Vieira Lima, pelo PMDB –, Régis provoca: “Não sei se João Henrique, avaliado o pior prefeito do Brasil, vai querer o apoio público de Wagner, que está muito mal, pois seu governo foi eleito numa expectativa e até agora nada aconteceu. A saúde, a educação e a segurança pública pioraram muito neste ano”. Para o deputado, a situação nessas três áreas não é “a mesma coisa” das gestões anteriores, como os governistas “querem fazer crer”. Ele diz que nunca houve “hospitais sem médicos” nem “greves de dois meses” no passado, e que o aumento apontado pelo governador para o Programa Saúde da Família “foi desmentido pelo Ministério da Saúde”. Contestando a propaganda veiculada ultimamente pelo governo, ele afirma: “Não sei de que Bahia ele está falando”. Sobre as perspectivas da candidatura de ACM Neto, na opinião do deputado, a situação é diferente, porque nas andanças por Salvador tem sentido “a vontade do povo de elegê-lo para a prefeitura”, além do apoio que terá de Paulo Souto, “que é nosso maior patrimônio, um nome de credibilidade e respeito que nenhuma força política tem na Bahia”. A divisão dos governistas também vai pesar, “pois, do PT ao PCdoB, ninguém está se entendendo”. (Por Luís Augusto Gomes)
Mas ainda há indefinição no PR de César Borges
No entanto, ainda continua confusa a situação do PR estadual, principalmente se for levado em conta os últimos passos dados por outros dos seus principais integrantes. A cada fato novo, novos desdobramentos e interpretações. O último deles está relacionado à votação que sepultou a emenda da CPMF, quando o senador César Borges votou contrário, irritando o Palácio do Planalto e o governador Jaques Wagner. “Todos no partido já sabiam da minha posição contrária à CPMF”, disse Borges, afirmando que a sua posição não foi nenhuma surpresa. Com o esquentamento das discussões em torno da sucessão de Salvador em 2008, o partido passa por novos “desen-contros”, já que alguns dos seus líderes têm opinado sobre o tema, mas muitas vezes em posições de confronto. Enquanto o senador César Borges já declarou que acha difícil compor com o prefeito João Henrique “porque ele não correspondeu”, outros podem concordar mas não ter a mesma preferência de nomes. “O partido ainda não tem uma posição oficial. Por enquanto, foram expostas apenas algumas posições individuais de alguns membros do partido. Vamos fazer as consultas necessárias e no momento oportuno vamos deliberar sobre o assunto”, disse Borges. Embora tenha comparecido à convenção do PSDB, que tem o ex-prefeito Antônio Imbassahy como candidato, há quem aposte que o senador vai trabalhar para o partido fechar com a possível candidatura do deputado federal ACM Neto (DEM). Borges, contudo, insiste que o PR ainda não definiu quem vai apoiar na disputa do próximo ano. “O ideal era o partido ter uma candidatura própria em Salvador. Como não há mais tempo, agora é procurar fazer uma aliança dentro da visão de ter o melhor para Salvador”, admitiu. O apoio a ACM Neto não seria nenhuma surpresa, já que os dois sempre foram amigos. Certamente prevendo o futuro, Neto trabalhou para que o DEM desistisse de recorrer à Justiça para recuperar o mandato de Borges. Nesta empreitada, o senador teria ainda um outro importante aliado. Trata-se do deputado federal Maurício Trindade, até recentemente o maior incentivador da candidatura do radialista Raimundo Varela. (Por Evandro Matos)
“El País” diz que D. Cappio desafia Lula
Uma reportagem publicada ontem no jornal espanhol “El País” afirma que o bispo D. Luiz Cappio é um “dom Quixote da ecologia” que desafia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A matéria, que apelida d. Cappio de “bispo verde”, relata a greve de fome que o religioso baiano realizou por quase um mês até perder a consciência, em protesto contra a obra de transposição do Rio São Francisco. “Cappio não é um ingênuo e nem um fundamentalista. Todos o consideram um homem de fé que tem 40 anos dedicados aos mais pobres e a estudar o Rio São Francisco, símbolo para ele da vida que oferece água aos camponeses ribeirinhos, e cujos 2,8 mil km percorreu durante um ano junto com um sociólogo e um agricultor para, em seguida, escrever um livro”, descreve o “El País”. O artigo lembra que o bispo vem realizando protestos contra a transposição do Rio São Francisco desde 2005. Naquele ano, outra greve de fome foi interrompida depois de 11 dias, quando Lula concordou em receber e escutar o religioso. Mas o presidente quebrou sua promessa todas as vezes, afirma o diário. “O projeto de levar água ao nordeste pobre e semi-árido é uma possibilidade tratada desde os tempos do império, mas que ninguém se atreveu em levá-lo adiante, temendo um desastre ecológico, a morte do rio e os problemas que sofreriam os 12 milhões de pessoas que vivem às margens do rio”, diz o correspondente do jornal.
Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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