segunda-feira, junho 11, 2007

PSOL quer CPI das empreiteiras

A presidente nacional do PSOL, Heloísa Helena, disse ontem, no Rio, que o partido aumentará a pressão pela criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar o relacionamento de empreiteiras com autoridades do governo federal e do Congresso.
Heloísa quer que uma única CPI aprofunde a investigação de casos como os que envolvem a construtora Gautama, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o irmão mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Genival Inácio da Silva, o "Vavá".
"São casos semelhantes: tráfico de influência, intermediação de interesse privado e exploração de prestígio", argumentou, no encerramento do 1º Congresso da legenda, na capital. "A CPI poderia discutir a triangulação do 'propinódromo' no Executivo, no Legislativo e em setores empresariais."
O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) disse que a sigla fará uma campanha para divulgar os nomes de parlamentares que retirarem as assinaturas do requerimento da CPI da Navalha.
A presidente nacional do PSOL evitou opinar sobre o envolvimento de "Vavá" com a máfia dos caça-níqueis, mas manifestou preocupação com os indícios de que o compadre de Lula Dario Morelli Filho foi alertado sobre a ação policial que terminou com a prisão dele.
"É muito grave. Se o presidente da República ou um ministro informa alguém que é investigado o que lhe acontece, isso dá todas as condições para que ele obstaculize as investigações, escondendo provas. O Executivo prevarica e obstrui a investigação, o que já daria até crime de responsabilidade", disse.
Autora da representação contra Renan no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, a agremiação pretende, a partir de hoje, aumentar a pressão pela convocação da jornalista Mônica Veloso, que desmentiu o depoimento do suposto lobista da Mendes Júnior, Cláudio Gontijo, sobre o pagamento da pensão da filha que tem com o senador. Por meio do senador José Nery (PSOL-PA), o partido enviará ao relator do processo de Renan, Epitácio Cafeteira (PTB-MA), uma lista com sugestões de nomes que deveriam ser convocados encabeçada por Mônica.
"Continuamos acreditando que o Conselho de Ética possa viabilizar as oitivas de todos e todas que foram citados no ocorrido. Esperamos que haja um resultado à luz da legislação e o que espera a sociedade", afirmou Heloísa, acrescentando que a legenda prepara ações judiciais para o caso de arquivamento do processo. Chico Alencar disse que Nery e a sigla defenderão o afastamento do presidente do Congresso do cargo durante a apuração.
Reeleição e aborto
A presidente nacional da agremiação foi reeleita ontem, durante o 1º Congresso do PSOL, partido criado em 2004 por dissidentes do PT. O congresso ocupou por quatro dias o campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) na Praia Vermelha, Zona Sul da capital fluminense. Cerca de mil filiados dormiram em colchonetes nas salas de aula e freqüentaram as tendas de debates, comércio de livros e camisetas com inspiração socialista e até DVDs piratas com filmes políticos.
A chapa de Heloísa venceu outras três. Além de não ter conseguido formar chapa única, ela foi derrotada na posição contra o aborto. Heloísa discursou manifestando a "convicção espiritual e científica", mas a sigla aprovou uma moção de apoio à legalização.
"Sei que é uma causa preciosa para os movimentos de mulheres, mas o partido entendeu que não poderia me impor uma decisão que atenta contra concepções acumuladas ao longo da vida", disse Heloísa, que é católica.
"Não é justo pôr esse tema como uma luta entre reacionários e progressistas. Há conservadores contra a legalização do aborto e há reacionários capitalistas favoráveis, pois dizem que as mulheres pobres vão deixar de gerar meninos pobres, que podem virar bandidos mais tarde", afirmou.
A presidente do PSOL foi vaiada quando disse não acreditar nos dados sobre a mortalidade de mulheres em interrupções clandestinas de gravidez.
Os líderes do partido usaram o episódio como exemplo de democracia interna. Segundo a deputada federal gaúcha Luciana Genro, "este não é um partido de caudilhos". "Não existe nenhum outro partido de esquerda no Brasil e no mundo que tenha a democracia interna do PSOL", ampliou Heloísa.
Esse perfil resultou numa surpresa para a ex-senadora, que pretendia montar chapa única. Mais três chapas foram inscritas e, embora Heloísa pudesse ser reeleita presidente sem estar vinculada a uma delas, preferiu se integrar à que reuniu os três deputados federais e o senador do partido.
A chapa recebeu 467 votos (63,7%). Em segundo lugar, com 174, ficou a dos ex-deputados federais Plínio de Arruda Sampaio e Babá, que representaram a maioria dos chamados grupos mais radicais do partido.
Para antigos militantes de esquerda, o 1º Congresso do PSOL lembrou o PT dos primórdios, com muitas e barulhentas correntes e um clima de quermesse. Uma barraca vendia camisas com o rosto de Che Guevara (R$ 15), boinas (R$ 8) e DVDs piratas de filmes de esquerda (R$ 10). (Com Folhapress)
Fonte: Tribuna da Imprensa

Nenhum comentário:

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

Mais visitadas