sábado, junho 09, 2007

"A classe política rouba, rouba, e não acontece nada"

Por: RUDOLFO LAGO


O senador gaúcho diz que a solução para a crise moral não virá da classe política e defende que as pessoas ocupem as ruas

Aos 77 anos, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) está desencantado com a política. Ele afirma que todo o comando do País, Congresso, Executivo e Judiciário, está de mãos atadas por conta da corrupção. Do alto de seu desencanto, Simon diz não encontrar mais ninguém que possa servir de exemplo às pessoas. Ele percebe que as atitudes da maior parte dos parlamentares não se parecem com as suas e teme que esses comportamentos comecem já a contaminar os valores do Brasil como um todo. Por isso, esse gaúcho de Caxias do Sul, casado e pai de quatro filhos, avalia que já não se deve esperar uma solução para essa crise moral que saia do Parlamento brasileiro ou de qualquer outro setor da elite política nacional. Pedro Simon prega que somente a sociedade, de forma organizada, pode cobrar a saída que faça o País retomar o caminho da ética e da moralidade. Ele quer as pessoas nas ruas, cobrando de políticos, do governo e do Judiciário um novo comportamento.
ISTOÉ - Há cerca de 15 anos, o sr. propôs a CPI das Empreiteiras. Por que essas investigações nunca aconteceram? Pedro Simon - Existem vários interesses em jogo. Nas últimas eleições - nas duas em que o Lula ganhou e nas duas em que a vitória foi do Fernando Henrique -, as empreiteiras estavam no primeiro lugar na lista dos doadores de campanha. Quando nós pedimos a CPI das Empreiteiras pela primeira vez no governo Fernando Henrique, o PT não chegou a ser contra, mas também não fez muita força. Na segunda vez, o PT foi contra, e o PSDB também. Agora, estava quase certo que poderia sair a CPI da Navalha. Porque envolvia uma empreiteira pequena. O dono dessa empreiteira era subgerente de uma outra grande empreiteira da Bahia.
Era quase certo que sairia essa CPI. Mas aí disseram: "Então, vamos fazer de todas as empreiteiras." Agora, não vai nenhuma. Como vai atingir todas as empreiteiras, vai atingir quase todo mundo. Aí, infelizmente, morreu. Retiraram as assinaturas e não se consegue repor.
ISTOÉ - Então temos um Congresso comprometido? Simon - Nós temos é o comando do País de mãos atadas. Congresso, Executivo, Judiciário. Me honra dizer que, ao longo da história, o Rio Grande do Sul tinha fama de ter um grande Judiciário. Agora, não sei mais. O Judiciário também está atingido.
ISTOÉ - E como o País pode sair dessa crise ética? Simon - Não tem que se fazer nenhuma nova lei, não é necessário mudar nada. A única coisa que precisa é acabar com a impunidade. Botar quem comete essas bandalheiras na cadeia. Como aconteceu na Itália na Operação Mãos Limpas. Investigação que prendeu ex-primeiros-ministros, mais de 100 parlamentares, empresários. Quer dizer: fizeram para valer. Aqui no Brasil não se vê qualquer chance de se fazer isso.
ISTOÉ - Por quê? Simon - Aqui, inventaram primeiro o tal foro privilegiado para os parlamentares. Para serem processados, os deputados tinham que ter licença da Câmara ou do Senado. Aí, o procurador denunciava, o Supremo pedia licença e o Congresso nada fazia. Engavetava. Teve parlamentar que ficou aqui 20 anos com homicídio nas costas. Quando eu cheguei aqui pela primeira vez, o primeiro projeto que apresentei terminava com isso. Por milagre, conseguimos aprovar isso há alguns anos. Não precisa mais da licença do Congresso. Foi uma festa: agora, começou a moralizar.
Aí, passou a ficar na gaveta do procurador-geral da República. Ele não denunciava, não fazia nada. No governo Lula, os procuradores começaram a tomar providências. Os processos começaram a ir para o Supremo. Nunca me passou pela cabeça que, então, os processos iam ficar na gaveta do Supremo. O Supremo e nós todos temos que ter responsabilidade para encontrar uma saída para isso.
ISTOÉ - A situação hoje é pior do que há 25 anos, quando o sr. chegou ao Congresso? Simon - É pior. O país foi se corrompendo, infelizmente. Virá ao Senado daqui a alguns dias o escritor de telenovelas Sílvio de Abreu. Ele diz que a tevê faz pesquisas e conclui a novela de acordo com a expectativa da opinião pública. Na última novela dele, fizeram uma pesquisa e disseram que a mocinha devia ficar com o malandro. "O marido é um chato".
Havia outro que cometeu irregularidades e acharam que ele não devia ir para a cadeia."Nesse país, ninguém vai para a cadeia". Há dez anos, isso não acontecia nas novelas.
A mocinha acabava com o mocinho, e o ladrão ia para a cadeia.
Alguém disse que, perto do que acontece hoje, o Collor deveria ser levado para um tribunal de pequenas causas"
ISTOÉ - O que provocou isso?Simon - A falta de bons exemplos da elite política. A classe política rouba, rouba, e não acontece nada. Se você vir o que aconteceu no caso de Fernando Collor, alguém disse que, perto do que acontece hoje, ele deveria ser levado para um tribunal de pequenas causas.
Agora não: no governo Fernando Henrique e Lula, é macrocorrupção. Perdeu-se a seriedade. Envolve enriquecimento do presidente, da família. Um dia, alguém vai esclarecer a venda da Vale do Rio Doce. Venderam a Vale por R$ 3 bilhões. No Sul, nós vendemos 40% de uma termoelétrica por R$ 3,5 bilhões. E a segunda mineradora do mundo é vendida por R$ 3 bilhões. E, de repente, hoje ela está valendo R$ 90 bilhões.
Nem que transformasse o minério em ouro, dava para aumentar o capital dessa maneira. A emenda da reeleição foi um escândalo. E Lula? Eu achei que quando o Lula assumisse eu poderia dormir em paz. Aí, ganha a eleição e dá nisso que está aí?

ISTOÉ - O que o incomoda mais na atitude do presidente Lula?Simon - Essa coisa de, a cada denúncia, dizer que o ministro ou auxiliar é inocente até prova em contrário. Ninguém ainda explicou para ele a diferença da regra jurídica que considera inocente até a condenação definitiva à regra do Direito Penal. O presidente do Banco Central, por exemplo, está sendo processado no Supremo. Não se pode dizer que é criminoso. Mas não se pode dizer que é inocente, porque ele está sendo processado. Ele dirige uma instituição delicada, que precisa ser preservada. Ele está sendo denunciado pelo procurador- geral da República. Contra autoridades, não podem recair suspeitas.
ISTOÉ - A constatação dessa piora não desencanta o sr.? Simon - Eu sou um cara que tem seus princípios. Eu não conseguiria renunciar e ir para casa. Mas, na última eleição, eu vinha ganhando e houve um momento em que comecei a cair nas pesquisas. Confesso que não fiquei chateado com a perspectiva de vir a perder. Sem dúvida, está ficando difícil.
ISTOÉ - O sr. acredita que suas posições políticas ficam na contramão da maioria de seus pares? Simon - Não sei. Mas veja agora: eu não falei mal do senador Sibá Machado. Eu só acho que ele não poderia ser presidente do Conselho de Ética num momento em que vai se julgar o presidente do Senado, Renan Calheiros, que é também um dos maiores aliados do governo. Não é que ele não tenha qualidades. Tem todas, menos uma: ele é suplente.
Está sujeito amanhã a cair fora. Aí, nós temos o corregedor, Romeu Tuma, dizendo que quer absolver, não quer condenar. Eu nunca vi isso na minha vida.
ISTOÉ - Então, o sr. acha que o julgamento do senador Renan Calheiros será uma mera encenação? Simon - Eu acho que sim. Acho que está se levando para isso. Quando Siba devolveu o processo para a Mesa, eu protestei. Achei que ele devia, ao menos, ter ouvido o conselho. Aí, o Tuma dá um parecer que a gente já sabe o que dirá. Ele não deu chance de a gente acreditar que fará um trabalho isento. Nisso tudo, eu só gostei da atitude do Renan, de rapidamente devolver o caso para o conselho. Eu não acho que ninguém tenha que punir o Renan só porque ele teve um caso fora do casamento. Mas o envolvimento com uma empreiteira é preciso apurar com isenção e responsabilidade. E eu não sei se isso vai acontecer.
ISTOÉ - O sr. acha que o Renan deveria se afastar da presidência do Senado? Simon - Se ele devolveu para o conselho, se não está mais na Mesa, que ele preside, acho que ele, então, em tese, não tem como interferir. Ele tomou uma atitude politicamente muito competente. Agora, eu, no lugar dele, me licenciaria.
ISTOÉ - O PMDB aparece em todos os escândalos recentes do País - Operação Navalha, Sanguessugas e no Mensalão. Como o sr. se sente estando nesse partido? Simon - No começo, eu me sentia arrasado. Mas não é só o PMDB.
É o poder, o encanto do poder. Agora, é verdade que, do Sarney para cá, nossa história não é tão bonita. Parece que enterraram uma caveira de burro na sede do nosso partido.
ISTOÉ - Uma reforma política seria a solução para os problemas da corrupção? Simon - Eu não digo que reforma política seja a solução dos problemas. Mas eu digo que a solução dos problemas passa pela reforma política.
É preciso mudar o sistema político brasileiro. Agora, se a elite não tem vontade, não há legislação no mundo que resolva. Aqui, o ministro se envolve numa denúncia de corrupção, é obrigado a renunciar e ajuda a escolher o sucessor dele. No Japão, iam iniciar o inquérito para apurar, e o ministro se matou. Se isso tudo o que aparece no Brasil botasse gente na cadeia, não precisava mudar nada.
"Eu achei que quando o Lula assumisse eu poderia dormir em paz. Aí, ele ganha a eleição e dá nisso que está aí
ISTOÉ - E hoje, quem há? Simon - Não tem ninguém. O que eu defendo é que está na hora de a sociedade fazer um movimento. As pessoas deveriam vir a Brasília de verde-e-amarelo, ou de roupa branca, cercar o Congresso, cercar o Palácio do Planalto, cercar o Supremo, botar a faca no nosso peito, e exigir uma mudança. A sociedade tem que reagir. Nós entramos num lamaçal, numa areia movediça, de onde ninguém consegue sair.
ISTOÉ - O sr. disse que os valores éticos da sociedade estão comprometidos. O Congresso não é o espelho dessa sociedade? Simon - Já há uma contaminação. Os valores do povo ainda não são esses. Ao contrário, eu acho que o povo brasileiro é um grande povo, correto, responsável. Por isso, precisa reagir.
Fonte: ISTOÉ

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Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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