sábado, junho 09, 2007

Geddel e Lula gravam programa sobre viagem pelo São Francisco

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontra na próxima segunda-feira no Palácio do Planalto com o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, para a gravação do programa de rádio Café com o Presidente. A pauta será a viagem da nascente à foz do Rio São Francisco que o ministro Geddel inicia logo depois do programa. O presidente Lula conversará com seu ministro da Integração sobre os grandes projetos relacionados ao São Francisco: revitalização, transposição, Água para Todos - o projeto de distribuição de água às populações ribeirinhas - e a construção da hidrovia. O Café com o Presidente é transmitido em quatro horários: às 6h, 7h, 8h30 e 13h, pelas emissoras do sistema Radiobrás e por outras emissoras de todo o País, que captam o sinal do satélite, no mesmo canal de distribuição de A Voz do Brasil. Feita por avião, helicóptero e barco, a viagem de Geddel Vieira Lima com técnicos do Ministério da Integração e jornalistas começa às 13h de segunda-feira, saindo de Brasília em direção a Belo Horizonte, onde haverá uma entrevista coletiva e o encontro com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que acompanha a jornada no dia seguinte, de Bambuí a Pirapora. Ao final do percurso, em 16 de junho, o ministro da Integração terá percorrido 2.800 quilômetros, com visitas a 15 municípios de quatro estados - Minas, Bahia, Pernam-buco e Alagoas. Durante as paradas, serão inauguradas e vistoriadas obras, realizados encontros com lideranças políticas e religiosas e conferida a situação do rio, sobretudo em termos de assoreamento, tratamento sanitário e recomposição de mata ciliar.
Mandato de senador pode ser reduzido para 4 anos
Tramita na Câmara a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 25/07, do deputado Domingos Dutra (PT-MA), que reduz de oito para quatro anos o mandato dos senadores e estabelece a votação para seus suplentes. A proposta mantém o atual número de vagas de cada Estado no Senado, que são três. Nas eleições, conforme a PEC, cada partido apresentará uma lista de três nomes para cada uma das três vagas. Os nomes indicados nas listas seriam votados individualmente. A lista com maior número de votos seria a vencedora, sendo que o candidato mais votado seria o senador e os outros dois seriam primeiro e segundo suplentes, conforme o número de votos recebidos. Atualmente, os senadores são eleitos para um mandato de oito anos. A cada quatro, o Senado é renovado em um terço (27 senadores) e dois terços (54 senadores), alternadamente. O eleitor vota apenas no candidato a senador. Cada senador tem dois suplentes, indicados livremente pelos partidos, que não são votados. Para Dutra, um dos desvios do modelo político brasileiro é a eleição de suplentes desconhecidos, que rotineiramente assumem o mandato “sem qualquer respaldo popular, comprometendo seriamente o caráter democrático da representação”. Na legislatura atual, por exemplo, das 81 vagas do Senado, 14 estão sendo ocupadas por suplentes, após a renúncia, cassação ou o afastamento provisório dos titulares. Uma das vagas foi preenchida após o falecimento do titular. autor da PEC destacou ainda a redução pela metade do mandato dos senadores. “Mandatos muito longos acabam afastando demasiadamente o senador da vontade expressa pelo eleitor de seu Estado”, defendeu Dutra. De acordo com ele, Brasil, Chile e França são alguns dos poucos países que adotam mandatos longos para o Senado. Ele lembrou que nos Estados Unidos o mandato é de seis anos e na Espanha, quatro. A proposta foi apensada à PEC 142/95, de autoria do próprio Domingos Dutra, que também propõe mudanças na forma de eleição dos senadores. Ambas serão analisadas pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania quanto à admissibilidade. Se aprovadas, serão examinadas por uma comissão especial a ser criada especificamente para esse fim. Depois, seguem para o Plenário, onde precisam ser votadas em dois turnos.
Partidos já se posicionam sobre sucessão municipal
Nos bastidores políticos, se acirra a disputa pelo Palácio Thomé de Souza e, com ela, a debandada dos partidos que ajudaram o prefeito João Henrique a se eleger. Além do PSDB, o primeiro a abandonar a administração da capital, o PT, o PCdoB e o PSB devem seguir o mesmo caminho. Todos em prol de uma candidatura própria. Os petistas, mesmo após o governador Jaques Wagner ter declarado em público apoio a João Henrique, prometem encabeçar a lista dos próximos a deixar os cargos que ocupam na prefeitura (as secretarias de Saúde e Reparação), conforme já declarou o presidente da executiva estadual, Marcelino Galo. A justificativa, segundo ele, é de que o PT detém o controle dos governos federal e estadual e possui grande influência na capital. A demora seria apenas, de acordo com um petista que preferiu não se identificar, é a concretização da reunião do diretório municipal da legenda, prevista para a próxima semana. Os postu-lantes cotados continuam sendo os deputados federais Walter Pinheiro e Nelson Pelegrino. O PCdoB, segundo palavras do deputado federal Daniel Almeida, como todos os outros partidos políticos, não descarta esta possibilidade e teria, inclusive, dois nomes fortes para a disputa: a deputada federal Alice Portugal e a vereadora Olívia Santana. “Estamos analisando os quadros. Mas, é certo que não vemos problema nenhum em lançar um nome para o embate, desde que seja com um compromisso de unidade no segundo turno”, explicou. O PSB, da ex-prefeita Lídice da Mata, que hoje ocupa uma cadeira na Câmara Federal, também prefere não revelar as várias estratégias, no sentido de fortalecer a sigla, rumo à sucessão de 2008. Contudo, na Câmara Municipal a costura por alianças é evidente. Três vereadores, leia-se Palhinha, Atanázio Júlio e Laudelino Conceição (Lau), já estavam com as malas prontas para desembarcar no Partido Socialista Brasileiro, mas foram obrigados a recuar por conta da decisão do Supremo Tribunal Eleitoral (STE) em punir com a perda do mandato os parlamentares considerados infiéis. Na ocasião Lau, questionado quanto à possibilidade de o seu provável futuro partido sair com candidato próprio, embora tenha declarado que a tendência, como legenda da base aliada, era apoiar João Henrique, deixou escapar que Lídice seria uma forte candidata. “A política muda, portanto, isso poderá acontecer, principalmente agora que os repasses de verba são diretos do governo federal e não mais dependem do governo estadual”, declarou, fazendo referência à perseguição política sofrida por Lídice, enquanto prefeita. Ainda no rol dos que pretendem esquentar a disputa pelo Thomé de Souza, encontra-se o PP, que já discute as estratégias que deverão ser implementadas no próximo pleito. O partido, que possui 60 prefeitos em todo o Estado, três deputados federais e cinco estaduais, diz ter condições de entrar no páreo e esquentar a disputa. A surpresa, ficou por conta do PDT, que apesar de ter perdido a sua estrela maior, como classificavam o prefeito, para o PMDB, é o único que até então, se esquiva quando o assunto gira em torno das eleições de 2008 e garante permanecer ao lado de João Henrique.(Fernanda Chagas)
Denúncia de Jefferson faz dois anos parada no Supremo Tribunal
Dois anos depois de o deputado federal cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ) ter denunciado o pagamento de uma mesada para a base aliada em troca de apoio ao governo nas votações do Congresso - ‘moeda’ apelidada de mensalão -, a denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República se arrasta no Supremo Tribunal Federal (STF). Estopim de um escândalo que atingiu em cheio o governo Lula, a história contada por Jefferson, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, em 6 de junho de 2005, foi confirmada nas investigações da Procuradoria-Geral da República. Em 30 de março de 2006, foram denunciadas 40 pessoas - inclusive Jefferson e outros membros de alta patente do governo. Pela denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, o esquema do mensalão era operado por uma “sofisticada organização criminosa” comandada pelo PT e tinha como “chefe” o ex-ministro José Dirceu. Nas 136 páginas, o procurador-geral afirma que “toda estrutura montada por José Dirceu, Delúbio Soares, José Genoino e Sílvio Pereira tinha entre seus objetivos angariar ilicitamente o apoio de outros partidos políticos para formar a base de sustentação do governo federal”. O esquema teria provocado um desfalque aproximado de R$ 2 bilhões. Apesar da confissão de alguns dos envolvidos e das provas colhidas, o caso encontra-se em fase preliminar no STF. O processo aguarda voto do relator, ministro Joaquim Barbosa, para só então ser levado ao plenário do Supremo, integrado por 11 ministros. As expectativas são de que isso ocorra até o próximo mês. O plenário analisará se a denúncia será ou não aceita. Só então - se não for arquivado - os 40 acusados passarão a responder formalmente a processo. Não há prazo para a conclusão da fase de instrução do processo, mas internamente no STF fala-se entre cinco e dez anos, correndo o risco de acabar o prazo pelo qual eles podem ser condenados pelo crime. Até hoje, nenhum político sofreu sentença criminal do STF em toda sua história. A sessão plenária para decidir se acolherá ou não a denúncia será uma das mais longas da história, levando-se em conta o número de acusados. O principal fator usado para justificar a demora no trâmite do caso é justamente o número elevado de pessoas citadas. Ao todo, são 51 volumes e 137 anexos, que digitalizados resultaram em cerca de 40 mil páginas. Se o processo for adiante, o relator do caso terá de intimar e interrogar cerca de 400 pessoas. São 40 réus, 41 testemunhas de acusação e 320 testemunhas que podem ser arroladas pela defesa. Se na Justiça não se sabe qual será o final desse caso, na esfera política os resultados já saíram: dos 22 parlamentares acusados no caso, apenas 3 foram cassados - Jefferson, José Dirceu e Pedro Corrêa. Outros 4 renunciaram e 12 foram absolvidos.
Fonte: Tribuna da Bahia

Nenhum comentário:

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

Mais visitadas