sábado, junho 16, 2007

Raio Laser

Tribuna da Bahia e equipe
O começo…
Um almoço na aprazível casa do ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) em Interlagos, com a provável participação do prefeito João Henrique, pretende definir hoje o futuro da relação do PT, ou de pelo menos parte do partido, com o governo municipal. Um dos convidados à mesa, o deputado federal Walter Pinheiro (PT), deve ser confrontado de novo com a proposta de assumir um cargo na administração como forma de pacificar a relação de seu partido com João Henrique e o PMDB, legenda a que o prefeito deve se filiar, definitivamente, na segunda-feira.
...da operação...
Muito inclinado a avaliar o convite “com carinho”, Pinheiro tem um desafio pela frente: convencer a militância petista de que a opção de assumir uma secretaria – o cargo mais comentado é o de Governo – seria o melhor caminho a ser seguido, depois do titubeio público do PT com relação a se fica ou sai da administração municipal. Com impacto direto sobre a bancada – a entrada de Pinheiro no governo significa a ascensão de mais um suplente à condição de deputado federal-, a decisão, entretanto, tem como contrapartida o aumento da vinculação do partido com o governo João Henrique, fato a respeito do qual os petistas não conseguem dizer hoje se é positivo ou negativo.
…corpo e…
Exatamente por este motivo, a estratégia peemedebista com relação ao PT é a de evitar que a eventual indicação de Walter Pinheiro pareça um gesto pontual ou exclusivamente de um segmento do partido. O problema continua sendo convencer outro quadro petista igualmente vinculado à política de Salvador e por isso considerado um dos concorrentes de Pinheiro numa eventual disputa pela Prefeitura – o deputado federal Nelson Pelegrino – a aceitar também uma posição de peso na administração para selar o abraço definitivo do PT no governo.
...alma
O cargo pensado para Pelegrino é a Secretaria da Fazenda, cuja oferta já fora feita em outro momento ao deputado federal, mas teria repentinamente malogrado por motivos até hoje não explicados. Politicamente, o prefeito João Henrique já teria avalizado a negociação do posto para o petista de forma preliminar. Como a articulação que visa trazer de volta o PT de corpo e alma para a administração municipal está só no começo, não há notícias de que Pelegrino participará do almoço, nem de que estaria disposto a tomar o caminho do Litoral Norte no dia de hoje. Pelo menos até ontem à noite.
Saúde
Dos ilustres membros da comitiva da viagem que o governador Jaques Wagner (PT) faz à Europa, a quinta em cinco meses de governo, o nome que mais chama a atenção é o do secretário estadual da Saúde, Jorge Solla, cuja área de atuação aparentemente (muito aparentemente) não guarda nenhum tipo de relação com o propósito da viagem – participação num seminário sobre construção de estádios de futebol e visitas a indústrias pesqueiras na Galícia e em Saragosa (Espanha).
TAC.
Por não cumprir diversos tópicos de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que previa melhorias no Parque Zoobotânico de Salvador, firmado em 26 de maio do ano passado entre o Ministério Público e a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), o Estado da Bahia poderá responder a uma ação penal pública, e o zoológico poderá ser interditado. A informação foi dada pelo promotor de Justiça do Meio Ambiente Luciano Santana em uma visita surpresa de inspeção ao zoológico de Salvador realizada na tarde de ontem, dia 15.
Viagem
Para quem acredita em coincidências: com sua repentina viagem à Europa – o secretário estadual de Indústria e Comércio, Rafael Amoedo, chegou a desmarcar compromissos assumidos com mais de um mês de antecedência afirmando ter sido convocado de última hora para a trip - o governador Jaques Wagner se livra temporariamente de assuntos como a greve dos professores e a p articipação na filiação do prefeito João Henrique (PDT).
Pesar
Foi sepultado ontem, no Cemitério do Campo Santo, o corpo da sra. Zilma Visnevski, viúva de um dos precursores da indústria baiana, o saudoso José Visnevski, responsável pela implantação da primeira fábrica de papel da Bahia. A sra. Zilma deixou quatro filhos, dentre eles os rotarianos Luciano Visnevski, que modernizou e mantém a fábrica, e Maria Helena Visnevski, que preside a Cultura Inglesa.
Mansão
Como membro da Comissão de Planejamento e Meio Ambiente da Câmara de Vereadores, o vereador Paulo Câmara (PSDB) encaminhou requerimento ao presidente desta comissão visando instalar uma sessão especial na Câmara de Vereadores para tratar do caso Mansão Wildberger, convocando a secretária do Planejamento, Cátia Karmelo, e representantes de entidades IAB, OAB e outras. Encontrar uma solução para o impasse é a proposta do vereador.
CURTAS
* Vontade - A amigos, o deputado federal Walter Pinheiro teria admitido esta semana que tem tesão não só na possibilidade de assumir a secretaria municipal de Governo de Salvador como de promover outras indicações para a Prefeitura como forma de ajud ar o prefeito João Henrique a tirar a cidade do buraco. * Planos - Se, de fato, pular no barco de João Henrique como secretário municipal de Governo, enfrentando a resistência da militância, Walter Pinheiro vai buscar indicar outros postos na administração. Num quadro em que o PT assumiria a Secretaria da Fazenda, seu interesse seria o de fazer também o secret ário de Planejamento da Prefeitura. . * Reação - A ira da militância petista com o movimento de Walter Pinheiro de se aproximar ainda mais da Prefeitura de Salvador é tamanha que gente conhecida da legenda passou a atribuir a seu recente, “mas muito sólido” relacionamento com o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) todo o tesão que diz ter ganho para ajudar a cidade. * Bombando - Presidente da Câmara Municipal, Valdenor Cardoso (PTC) voltou a ser chamado de “presidente do século” por funcionários da Casa logo após a solenidade de inauguração do Centro de Cultura e Debates, ontem pela manhã. Funcionários aludiam ao fato de o novo espaço, considerado um charme, ter sido implantado exclusivamente com recursos do Banco Real, que ganhou a concorrência promovida pelo presidente para administrar a conta bancária do Legislativo. * The flash - Depois da bordoada que levou do presidente do PTN, Josué Marinho, por ter dado o voto na Câmara Municipal que sepultou a CPI do Neylton, o vereador Palhinha capitulou. Admitiu ontem, em telefonema desaforado ao presidente do PTN - antes, portanto, do prazo de 48 horas lhe dado por Marinho para que explicasse sua posição -, que vai se desfiliar da legenda. * Desfrute -Empolgado com o Centro de Cultura e Debates da Câmara Municipal, inaugurado ontem pela manhã, o vereador tucano José Carlos Fernandes tratou de solicitar logo uma pauta para o auditório de 200 lugares. Quer realizar a próxima reunião do diretório municipal do PSDB no elegante espaço em que se transformou o antes sombrio subsolo da Prefeitura que abrigou por anos os gabinetes dos vereadores. * Assunto - A filiação do prefeito João Henrique e a primeira reunião do diretório estadual do DEM devem mobilizar a atenção da imprensa na segunda-feira.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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