sábado, junho 09, 2007

Raio Laser

Tribuna da Bahia e equipe
Sem perdão
O deputado estadual Tarcísio Pimenta (DEM) surpreendeu a bancada oposicionista e deixou a governista de cabelo em pé ao anunciar que vai requerer a convocação do ex-secretário estadual da Fazenda, Walter Caires, e do atual, Carlos Martins, para prestarem esclarecimento a respeito de o governo baiano ter perdoado dívida de cerca de R$ 75 mi da Embratel e Intelig.
Surpresa geral
Fechado na administração passada e revelado ontem pelos jornais, o perdão causou surpresa tanto nos meios políticos quanto nos consumidores, de forma geral, que naturalmente não sabem onde foram parar os impostos que recolheram por serviços telefônicos neste período prestados por ambas as operadoras.
Esclarecimento
Ao anunciar a ousada iniciativa de ontem, Tarcísio Pimenta teria sido alertado por colegas de bancada de que pode gerar constrangimentos ao governo a que pertenceu, além de irritação na administração atual, mas não se deu por vencido. “Trata-se de uma situação que precisa ser devidamente esclarecida à população”, teria dito o deputado diante das admoestações.
Satisfação
Na avaliação do parlamentar, a operação por trás do perdão à Intelig e à Embratel pode ter amparo legal e respaldo jurídico, mas o mínino que o Estado precisa fazer é dar uma satisfação ao contribuinte baiano sobre o que faz com seus recursos. “Vamos buscar esclarecer tudo isto”, afirma Tarcísio Pimenta.
No páreo
Quem conversou recentemente com a deputada federal Lídice da Mata (PSB) saiu convencido de que ela é candidatíssima a prefeita em 2008. Sobre a mesa do escritório político da ex-prefeita já é possível identificar até um organograma com ações de pré-campanha, diz amigo de Lídice da Mata louco para que ela efetivamente se encante com a possibilidade de redisputar a Prefeitura de Salvador. De acordo com ele, nem o vice será problema.
Para vice
Segundo a mesma fonte, o PC do B está doido para emplacar o vice de Lídice numa eventual disputa pela sucessão do prefeito João Henrique. O nome cotado até o momento é o da vereadora Olívia Santana, que teria apoio dos deputados Alice Portugal (federal) e Javier Alfaya (estadual), curiosamente, dois que defendem candidatura própria do PC do B em 2008.
Perfil
Crítico mordaz do governo Lula, o deputado federal José Carlos Aleluia (DEM) aproveita os titubeios do presidente brasileiro com relação às decisões do ditador Hugo Chavez sobre a mídia que lhe faz oposição em seu País para acusá-lo de possuir o mesmo perfil autoritário.
DNA
“A postura de Lula em apoio à decisão de Hugo Chávez de fechar uma emissora de TV venezuelana (RCTV), ratifica o DNA autoritário do presidente petista”, afirma José Carlos Aleluia, recordando fatos como a tentativa de expulsar do Brasil um repórter do The New York Times, de criar o Conselho Federal de Jornalismo e controlar os audiovisuais.
Condecoração
O Secretário Nacional de Defesa Civil, coronel Roberto Costa Guimarães, será condecorado no próximo dia 11 com a Medalha Pernambucana do Mérito Policial Militar, durante a solenidade de aniversário da Polícia Militar daquele Estado, em ato a ser presidido pelo Governador Eduardo Campos (PSB).
CURTAS
* Primeiro - O coronel Guimarães é o primeiro Oficial PM no Brasil a galgar o cargo de Secretário Nacional, motivo também que o levará a ser condecorado no Ceará, no próximo dia 02/07, com a medalha Dom Pedro II, a mais alta comenda do Corpo de Bombeiros daquele estado. * Café com Lula I - O presidente Luíz Inácio Lula da Silva se encontra na próxima segunda-feira no Palácio do Planalto com o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, para a gravação do programa de rádio Café com o Presidente. O presidente Lula conversará com o ministro sobre os projetos relacionados ao São Francisco: revitalização, transposição, Água para Todos - o projeto de distribuição de água às populações ribeirinhas - e a construção da hidrovia. . * Café com Lula II - O Café com o Presidente é transmitido em quatro horários: às 6h, 7h, 8h30 e 13h, pelas emissoras do sistema Radiobrás e por outras emissoras de todo o país que captam o sinal do satélite no mesmo canal de distribuição da A Voz do Brasil. * Santo Antônio - Os músicos Luis Caldas e Vânia Abreu se juntaram no louvor a Santo Antônio, ontem, às 19h, no stand de Lauro de Freitas, no Arraiá da Capitá (Parque de Exposições) quando rezadeiras de Portão entoaram a trezena ao santo, abrindo a participação do município no Arraiá. Depois da trezena, o grupo de samba de roda As Matriarcas, uma das mais autênticas manifestações culturais do município, fez a festa com os visitantes. * Portugal - Pelo transcurso do “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”, neste domingo, o consulado geral lusitano e as instituições portuguesas na Bahia oferecem nesta segunda um coquetel às autoridades e personalidades da sociedade baiana. Às 20 horas, no Hotel Pestana. * Visita - O presidente da Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa, deputado Javier Alfaya, acompanhado do secretário da Saúde, Jorge Solla, visitará as obras do Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus amanhã, às 11h30min. Na oportunidade o secretário Solla, anunciará que o hospital agora denominado; “Hospital Universitário do Recôncavo Baiano”, além de atender a população do Recôncavo será também um hospital escola.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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