quinta-feira, junho 14, 2007

Golpes por celular são aplicados em 16 estados

Ricardo Mourada Redação
Levantamento feito por O POVO revela a ocorrência de golpes telefônicos com origem nos presídios cearenses em 16 estados brasileiros, em todas as regiões do Brasil
Sonora, uma cidade de pouco mais de 12 mil habitantes localizada no norte do Mato Grosso do Sul, foi alvo, nessa semana, de um ataque de presidiários cearenses. O comerciante L.A.P. disse que, na última terça-feira, dia 12, seis pessoas procuraram sua loja para comprar cartões de operadoras de telefonia celular. O motivo: ganhar um "prêmio" ofertado em uma ligação telefônica. Levantamento feito por O POVO revela que, além do Mato Grosso do Sul, mais 15 estados já foram vítimas de golpes aplicados de dentro dos presídios do Ceará. "Eles (os presos) ligaram para vários municípios da região, pedindo o saldo do cartão para poder ganhar o prêmio. Um deles ligou para mim e ficou lendo o nome das pessoas que tinha aplicado o golpe só no dia de hoje", acrescenta o comerciante. A Delegacia Regional de Coxim (MS)- que atende os municípios de Sonora, Pedro Gomes, Rio Verde, Coxim, Camapuá, São Gabriel do Oeste e Alcinópólis - recebe várias queixas sobre o golpe. Bruno Henrique Urban, delegado regional adjunto, diz que há muitas ligações do Ceará, Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia. "O número de seqüestros virtuais e ameaças por telefone é grande. É direto aqui. No fim de semana, recebemos entre cinco e seis reclamações. A gente procura orientar as pessoas para não cair", relata. Os ataques constantes fizeram com que a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul publicasse um manual contra golpes pelo telefone em seu site. O delegado titular da Delegacia de Defraudação e Falsificação de Vitória (ES), Lauro Coimbra, afirma que, no auge dos golpes no Estado, de cada dez ligações recebidas, quatro vinham do Ceará. Segundo ele, nos últimos quatro meses, o número de vítimas diminuiu bastante por causa de uma campanha maciça realizada pelos meios de comunicação. "As pessoas estão mais conscientes e não caem tanto no golpe. No começo, era uma novidade. Todo mundo caía e pagava os cartões. Há muitos registros de tentativa de golpe, mas raramente recebemos registros de que alguém caiu nele", comenta. Tocantins também sofre com a grande quantidade de ligações feitas por presidiários cearenses. De acordo com o delegado Renato Guedes, do Serviço de Inteligência da Polícia Civil, o poder local encontra-se "com as mãos e os pés amarrados" no que se refere ao combate ao golpe telefônico. "As ligações vêm de fora para dentro do Estado. A forma que nós temos (de agir) é rastrear as contas bancárias, mas chegamos somente aos laranjas. É praticamente impossível deter essas ligações. A maioria delas é de Fortaleza". Pouco antes de conceder a entrevista, Guedes havia acabado de receber uma ligação informando de mais um caso que teria origem no Ceará. "Não sei como as autoridades (cearenses) não fazem nada no sentido de acabar com essas ligações. Elas não tomam nenhuma providência. Já avisei as autoridades, mas o mesmo golpe continua sendo aplicado. Em Goiás é a mesma coisa", desabafa. Golpes em todo Brasil Pará Tocantins Paraná São Paulo Rio de Janeiro Minas Gerais Espírito Santo Distrito Federal Mato Grosso Mato Grosso do Sul Goiás Alagoas Piauí Pernambuco Rio Grande do Norte Sergipe Fonte: Banco de dados e polícias Civis. E-MAIS A edição do O POVO do dia 10 de outubro de 2006 revelou que os presos cearenses haviam começado a agir em outros Estados, além do Ceará. Na ocasião, haviam sido registrados golpes em São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Piauí. Passados pouco mais de oito meses, esse número quadruplicou. Levantamento feito pela Delegacia de Repressão a Seqüestro do Distrito Federal revelou que, em um ano, foram registradas 490 ocorrências do golpe do seqüestro pelo celular. Desse total, 15% das ligações vieram do Ceará, que ficou em segundo lugar em uma lista de oito estados. O Rio de Janeiro ficou em primeiro, com 74% dos telefonemas. A assessoria de imprensa do Pará informou que está fazendo um levantamento semelhante ao do Distrito Federal. A intenção é mapear a origem das ligações. O estado também foi alvo da ação de criminosos cearenses. Ainda segundo a assessoria, a polícia paraense já entrou em contato com o núcleo de Inteligência da Polícia Civil do Ceará para troca de informações. Saiba como se defender de golpes virtuais no site da Polícia Civil do Mato Grosso do Sul: http://www.pc.ms.gov.br
Fonte: O POVO

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

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