quinta-feira, junho 14, 2007

Acidente com moto engarrafa parte da cidade

Por Karina Baracho
Um acidente de trânsito deixou o trânsito lento nas principais vias da capital baiana na tarde de ontem. O consultor em telefonia Glauco Jesus Nunes Martinez, 22 anos, morreu depois de cair da moto em que pilotava na Avenida Bonocô. De acordo com informações da Superintendência de Engenharia de Tráfego (SET), o motoqueiro foi fechado por um carro preto, de dados não anotados e “depois caiu quase embaixo de uma das rodas do caminhão. Isso foi confirmado por duas testemunhas”, disse um dos agentes. Muito abalado, o motorista do caminhão, modelo Scania, de placa LYF 9079 licenciado por Araranguá, Santa Catarina, Waldemar Rodrigues, 61, também do sul do País, informou que não viu o momento em que Glauco caiu. “Estava vindo de um descarreto. Foi tudo muito rápido”, disse. O rapaz teve a cabeça quase esmagada pela roda. A moto, de marca Honda, modelo Twister, preta, de placa JPV 0390 havia sido comprada anteontem. Familiares da vítima disseram que há cerca de quatro anos, um irmão de Glauco também morreu depois de um acidente que envolvia motocicleta. Mas o rapaz já pilotava há muito tempo e já teve outras motos. O caso está sendo investigado pela 6ª Delegacia de Polícia (Brotas), sob os cuidados da delegada plantonista, Florisbela Rocha. O acidente aconteceu por volta das 13 horas, no sentido Iguatemi, o que ocasionou engarrafamento em vários pontos da cidade, como Brotas, Djalma Dutra, Dique do Tororó, Sete Portas e região do Iguatemi. De acordo com a SET, isso ocorreu em decorrência da espera pelos peritos do Departamento de Polícia Técnica (DPT). “Ligamos para a delegacia às 13h40, mas nos informaram que a delegada estava almoçando. A agente disse que não podia chamar a remoção, só com a delegada. O que aconteceu somente às 14h50”, explicou um dos agentes da Superintendência. A delegada contestou a explicação e informou estar no local do acidente pouco depois das 14h. “O que demorou foi realmente a chegada da perícia. Por isso a lentidão do trânsito”, disse ela. Destacou que o fato ocasionou também transtor no para a população da capital baiana. A SET alertou que entrou em contato com a Departamento de Polícia Metropolitana de Salvador (Depom), para que a unidade contatasse a delegada, pouco depois. “Precisávamos saber onde ela estava”. Há pouco tempo a promotora de Justiça e coordenadora do Grupo de Atuação Especial para controle Externo de atividade Policial (Gacep), Isabel Andrade Moura, do Ministério Público Estadual (MPE) determinou que nenhum veículo ou vítima poderá ser retirado do local do acidente antes da perícia. Conforme ela, a SET estava agindo de maneira irregular em diversas situações. De acordo com ela, a determinação é baseada no artigo 169 do Código de Processo Penal, que estabelece a não retirada de nenhum item envolvido, para exame de local. Como fotos, desenhos e esquemas, para que o laudo seja feito detalhadamente. O descumprimento funcional é considerado ato de improbidade administrativa e o funcionário está sujeito a várias punições.
Corpo de Madaleine pode estar no sul de Lisboa
; A polícia portuguesa vai revistar o local onde, segundo uma carta anônima recebida por um jornal holandês, poderia estar o corpo da menina britânica Maddie McCann, desaparecida em Portugal no início de maio, afirmou seu porta-voz em Portimão, Olegario de Souza. A informação “foi transmitida aos investigadores” e será analisada “como todas as outras pistas”, afirmou o inspetor Souza à agência Lusa, destacando que a imprensa não seria informada dos detalhes da investigação. O jornal holandês “Telegraaf” afirmou na última quarta-feira ter recebido uma carta anônima, da qual publicou trechos, informando que o corpo da menina inglesa estaria a 15 km do lugar onde ela foi vista pela última vez, no balneário de Praia da Luz, a 300 km ao sul de Lisboa.
Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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