terça-feira, junho 12, 2007

Raio Laser

Tribuna da Bahia e equipe
Novo round
Nem bem cicatrizaram as feridas decorrentes da grande disputa que envolveu a escolha de seu novo presidente, o DEM baiano já deve se meter em nova contenda, desta vez por conta da sucessão municipal do próximo ano. Com dois pré-candidatos praticamente definidos no partido e dois outros em legendas que tradicionalmente orbitaram em torno do PFL, a escolha do nome que os democratas vão apresentar à Prefeitura de Salvador não se avizinha nada fácil.
Candidatíssimo
Ouriçadíssimo para representar o DEM na sucessão do prefeito João Henrique, o deputado estadual João Carlos Bacelar já não esconde mais o interesse de entrar na disputa, apesar de pertencer ao PTN, um dos partidos que sempre fizeram parte da base de apoio de carlistas e soutistas na Bahia. E já começa lançando um desafio na direção do deputado federal José Carlos Aleluia (DEM), cujo trabalho para se tornar o candidato de todo o grupo se intensificou nos últimos dias.
Provocação
“O deputado José Carlos Aleluia é um nome respeitável, competente, que representa uma grande possibilidade de resolver os problemas de nossa cidade, mas o grupo precisa sair unido para esta disputa”, afirma Bacelar, mais insuflando do que buscando apaziguar os ânimos entre os políticos do DEM, para depois informar que tem interesse em colocar seu nome para apreciação do partido do senador ACM e do governador Paulo Souto.
Critérios
Segundo o parlamentar, entretanto, a sua participação no processo só se dará na medida em que forem definidos critérios claros para a escolha do candidato. Bacelar dá uma pista do que podem ser os elementos para escolher o candidato do grupo à sucessão do prefeito João Henrique. Uma avaliação de cenário, com a identificação dos nomes naturalmente mais fortes à disputa, além da definição da estrutura com que o partido vai contar, são pontos que defende. Ouvir os vereadores é outra sugestão sua.
Confusão
Até no DEM causaram confusão as declarações da ex-prefeita Lídice da Mata (PSB) criticando o anúncio do PT de que desembarcaria da administração municipal. Com nomes como o deputado federal José Carlos Aleluia, José Sérgio Gabrielli e João Carlos Bacelar como pré-candidatos, o partido só conseguia fazer uma interpretação: Lídice é candidata, mas ainda não quer entregar o jogo.
Primeiro...
Depois que Lídice da Mata (PSB) desferiu ontem o primeiro ataque ao PT por conta do anúncio de que o partido deve desembarcar da administração do prefeito João Henrique, a legenda deve colocar as barbas de molho, dizia ontem deputado com amplo trânsito nos partidos de centro-esquerda baianos. Para ele, foi apenas o começo de uma série de petardos que os petistas receberão se a tes e de deixar o governo municipal realmente prevalecer.
...de uma série
Depois do PSB de Lídice da Mata, com suas duras críticas ao anúncio da saída do PT do governo João Henrique (PDT), quem também deve sair em defesa do prefeito contra o partido do governador é o PC do B, cujo plano de indicar o candidato a vice numa eventual chapa da ex-prefeita à Prefeitura de Salvador está mais do que robusto.
Perdão
O secretário estadual Carlos Martins (Fazenda) telefonou ontem ao presidente da Assembléia Legislativa, deputado Marcelo Nilo (PSDB), se dispondo a ir à Casa falar sobre o perdão concedido pelo governo do Estado à Intelig e à Telefônica. Apesar de ter sido concedido no atual governo, o acordo foi celebrado na gestão passada. Os motivos, Martins pretende revelar.
À bala
O deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM) resolveu ontem mirar no governo Wagner e no PT. Disse que os primeiros meses da administração são marcados por fracassos e inoperâncias, principalmente em áreas consideradas estratégicas, a exemplo da educação, saúde e segurança pública. “Na educação, temos a greve dos professores e as indicações políticas para dirigentes escolares. Na saúde, hospitais estão sem médicos. E na segurança pública, existe a iminência de uma greve nas polícias”, disse o parlamentar.
CURTAS
* Incompatibilidade - Sobre o reajuste oferecido pelo governo ao funcionalismo público, o deputado ACM Neto afirmou que a proposta não está de acordo com a história do PT. “O governo ofereceu um reajuste acanhado ao funcionalismo público estadual, incompatível com a história do PT, com a bandeira de luta política do próprio governador”, provocou o parlamentar. * Solo - No PMDB, entretanto, o apoio à reeleição de João Henrique não se condiciona a nenhum tipo de aliança com os petistas. Se eles de fato decidirem ter candidato próprio à sucessão do prefeito, só terão a chance de se encontrar com o PMDB no segundo turno – se houver. . * Madre de Deus - Os 18 anos de emancipação política de Madre de Deus, que serão comemorados nesta quarta-feira foram destacados na Assembléia Legislativa pelo deputado Sandro Regis (PR), através de uma moção de congratulações enviada à Mesa Diretora da Casa. Deputado estadual mais votado no município nas últimas eleições, Sandro elogiou a atual administração municipal, promovida pela prefeita Eranita de Brito Oliveira. “Com estilo dinâmico, transparência e moralidade, ela vem realizando um excelente trabalho. Por esse motivo, não poderia deixar de registrar o nosso reconhecimento a essa grande mulher que vem exercendo com brilhantismo o cargo de prefeita de Madre de Deus”, afirma o parlamentar. * Salários - Relator do projeto de lei do governo federal que regulamenta o piso salarial para os professores da educação básica, o deputado baiano Severiano Alves (PDT) vai propor o valor de R$ 850 como valor mínimo para os profissionais do magistério, depois de percorrer nove estados discutindo o assunto. Um relato completo sobre a proposta ele faz amanhã, no Colégio 2 de Julho, em audiência pública que vai reunir a deputada federal Alice Portugal (PC do B), membro da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, de representantes das secretarias estadual e municipal de Educação, da APLB, CUT, e Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, entre outras entidades. * Sai em outubro - Escrita pelo diretor de Jornalismo da Record, Douglas Tavolaro, a biografia autorizada do líder máximo da Igreja Universal e dono da emissora, Edir Macedo, será lançada em outubro no Brasil. A biografia também será lançada em outras línguas, como o espanhol e o inglês. O livro promete contar bastidores da compra da emissora nos anos 80, além de momentos tensos da Igreja. * Superado - Um pequeno desentendimento, ou melhor, um verdadeiro contrasenso quase põe a perder a aliança firmada entre o PP e o PR para integrar sutilmente a base de apoio do governador Jaques Wagner (PT) na Assembléia Legislativa. Felizmente, mas a muito custo, o problema foi resolvido a tempo.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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