sábado, junho 23, 2007

Todos os governos usam a farsa da macroeconomia

Por: Helio Fernandes


Relaxe e goze, estamos em plena prosperidade
Parece aviso de comandante de avião, tentando tranqüilizar os passageiros, quando sabe que está entrando em zona de turbulência. E embora, hoje, a turbulência aeronáutica esteja mais presente no chão do que lá em cima, não é nada disso.
As duas frases exóticas, esdrúxulas e estranhas de Dona Marta e do doutor Mantega, representam apenas a visão distorcida que têm do Brasil, já que só enxergam pela ótica da macroeconomia. Que supervalorizam e colocam num altar tão inacessível, que para eles, todo o resto é apenas microeconomia.
Só que a macroeconomia está para a microeconomia, da mesma forma que na linguagem e na definição diária, corrente, escrita e falada, a matemática está para a aritmética. Nos dois casos, o todo é utilizado indevidamente, mas o que chega ao povo e ao seu entendimento é apenas a parte.
Hoje, deixemos de lado a tão violentada matemática, abandonemos também a macroeconomia, fiquemos apenas com o que o povão deveria saber e consumir, que é aquilo que o seu salário pode comprar.
Renda per capita, câmbio, superávit primário (exclusividade do Brasil), "dívidas" monstruosas, juros em queda, mas que já foram criminosos, "risco Brasil", Bolsa em alta, aumento cada vez maior das "reservas", globalização ou neoliberalismo, (substituindo as desmoralizadas multinacionais), importações e exportações "dinamizadas", (e sem que o dinheiro chegue efetivamente) nada disso interessa ou favorece o cidadão contribuinte-eleitor.
Na macroeconomia, quase tudo é farsa, principalmente em relação ao povo e seu direito de existir. A renda per capita, é a divisão de tudo o que se produz no País, pelo número de habitantes. Isso produz um resultado badalado, mas inteiramente falso. Quer dizer: nessa divisão, alguns ficam com mil ou 10 mil partes, o cidadão trabalhador, com a escória. Isso, verdadeiramente, tem um nome: concentração de renda.
A macroeconomia utiliza semrpe e cada vez mais a estatística. Esta, de tão surrealista, consegue provar que um professor de estatística morreu afogado, num rio que tem 0,6% de profundidade. É que chamam a isso de "profundidade média". O pobre professor morreu quando se arriscava na parte mais funda do rio, 8 ou 10 metros.
O "déficit primário", que os governos anunciam com assiduidade, fica na área da farsa, mas entra também na da enganação. De tempos em tempos, comunicam: "Este ano ECONOMIZAMOS 4,5% do PIB". Essa ECONOMIA dá mais ou menos 90 BILHÕES.
Mas como não é para investir e sim para AMORTIZAR E NÃO PARA PAGAR OS JUROS DA DÍVIDA, e como esses juros estavam em 180 BILHÕES, o que chamavam de ECONOMIA, era apenas desperdício de impostos cada vez mais altos. E qualquer um macroeconomista pode perceber que se temos que pagar 180 e só "economizamos" 90, os outros 90 são jogados em cima da "dívida" que não devemos. Que assim, vai crescendo junto com o PIB, ou até muito mais do que ele.
Segredos visíveis da macroeconomia, que o povão não entende, mas restringe a sua capacidade de consumo. E entre as exigências do espetáculo do crescimento, a primeira de todas, o aumento do mercado consumidor interno.
Nesse início englobamos quase todos os "riscos" da macroeconomia. Os outros seriam impagáveis (como a "dívida") se não atingissem 180 milhões de brasileiros. Como esse "risco Brasil", que é "calculado" por corretoras multinacionais que exploram e, lógico, enriquecem com o Brasil.
PS - Uma dessas corretoras, a Merril Lynch, ganhou fortunas intermediando a DOAÇÃO da Vale do Rio Doce, a segunda maior empresa do Brasil.
PS 2 - O fato do presidente Lula não ter recuperado nosso patrimônio, e investigado essa traição monumental, é a razão de muitas críticas que faço.
Ivan Moreira
A Câmara Municipal perde um excelente vereador. Mas o Rio ganha um excelente membro do Tribunal.
Finalmente apareceu um senador-não-suplente para ser relator da Comissão de Ética do Senado. Que foi criada única e exclusivamente para investigar, julgar e decidir sobre o futuro do próprio presidente da "casa". Essa Comissão não existia, porque não havia processo sobre senadores, principalmente contra o presidente, eleito e reeleito pelos próprios senadores.
Esse senador é Eduardo Suplicy. Mas tem 3 inconvenientes, e assim dificilmente será aceito. 1 - É da base partidária mas não do PMDB. 2 - Ser do PMDB, exigência maior. 3 - Independente demais.
E ontem se dizia, em Brasília, que Suplicy estava sendo "desestimulado" pelo Planalto-Alvorada, pois o PT-PT não quer se envolver.
E na verdade, embora sutilmente, o presidente Lula definiu sua participação quando disse anteontem: "Estou preocupado com o desgaste do senador Renan Calheiros".
Falam tudo em relação a Renan. Ameaças a outros senadores. Intimidação. Renúncia da presidência para não ter cassado o mandato. Constrangimento. Desmoralização do próprio Senado. Pressão das ruas. Paralisação do Senado.
Obrigação diária deste repórter, a partir das denúncias: às 4 da tarde ligar a TV-Senado para ver se Renan Calheiros está presidindo. Ontem nem era preciso, sexta-feira.
Marcio Braga e todos os executivos do Flamengo, que suspenderam o conselheiro Paulo Cesar Ferreira antes da Comissão de Inquérito funcionar, tiveram ontem duas surpresas.
1 - O proprietário-conselheiro não foi depor. Em vez disso, mandou carta seriíssima a todos os conselheiros, contestando a violência.
2 - Paulo Cesar Ferreira comunicou que seu advogado será Clovis Sahione, dos maiores criminalistas. E que eu já disse aqui: já devia ser presidente do Flamengo.
Para isso, além de tudo, é sócio, conselheiro e torcedor.
Agora é o próprio presidente da República que publicamente fala no DESGASTE do senador Calheiros. E no presidencialismo, a preocupação do presidente da República, muito mais grave do que a tranqüilidade do presidente do Senado. Não há como comparar.
E há o contraste: desgastado Renan Calheiros, se fortalecem Michel Temer e Eduardo Cunha, grandes amigos e aliados do outro lado.
E eles nem escondem: vamos nomear Luiz Paulo Conde presidente de Furnas. Temer, mais discreto, diz isso. Cunha, mais desmoralizado como lobista e como pessoa, ameaça o presidente da República.
Diz em todos os lugares: "Como relator do projeto que prorroga a CPMF, só darei parecer depois da nomeação do Conde".
Pedi a um amigo para ver no Aurélio, está lá: "Chantagem". E na próxima edição do Aurélio, me informam, vem o complemento: "Veja também Eduardo Cunha". Os dicionários têm que ser dinâmicos como a corrupção.
Falando em Eduardo Cunha lembrei de Cesar Maia, os dois já se chamaram, simultaneamente, de LADRÃO. O alcaide queria nomear o genro para a vaga aberta no Tribunal de Contas do Município.
No preenchimento de todos os Tribunais de Contas, (municipais, estaduais, federal) as vagas obedecem a rodízio, esta é da Câmara Municipal, que escolheu Ivan Moreira.
Cesar Maia queria nomear o genro cujo único título é esse. Que é o que interessa a ele. E como Ivan Moreira é presidente da Câmara Municipal, o alcaide-factóide-debilóide, decidiu criar constrangimento para o nome escolhido.
Decidido, viajou para Montevidéu, achou genial. Ivan Moreira teria que nomear a si mesmo. Só que Ivan viajou antes, o vice assumiu e fez a nomeação obrigatória. E Cesar Maia, o herói sem nenhum caráter, olhou no espelho, era ele.
Ontem conseguiram puxar o dólar para cima. Subiu 1,50%, ficou em 1,94 baixo. Mas isso não representa tendência, e sim a força avassaladora do dinheiro. Volta a 1,90.
A Bovespa perdeu 1 por cento na quinta-feira. Para fechar a semana, ontem, sexta, continuaram vendendo. Às 4 da tarde caía 0,76% ficando em 54.248 pontos.
Ontem, em pleno debate da Rádio Haroldo de Andrade, veio a notícia: o confronto da PM e da Força Nacional, com os traficantes, chegou a um ponto realmente insustentável.
Como eles dominam a Vila Cruzeiro e o Complexo do Alemão, esperava-se que o governador cancelasse a viagem a Portugal. Aliás nem deveria viajar tanto, deixando a cidade com os bandidos.
O ex-governador Moreira Franco falou: "Essa guerra que já tem 50 dias, é muito grave e não se vê solução".
Não houve dúvida: Sérgio Cabral precisa recompor sua autoridade e garantir a presença em todo o território carioca e fluminense. Mas, mesmo que queira, não pode ir ao Alemão ou à Vila Cruzeiro.
É fora de qualquer dúvida: Sérgio Cabral é intimíssimo de Anthony Mateus. Pois ninguém poderia ressuscitar o ex, como faz o atual.
XXX
Está bem que Bernardo Cabral e Marco Aurélio Mello são famosos, simpáticos e competentes. Mas só porque almoçavam ontem no Mosteiro, não precisavam ter parado o restaurante. XXX Principalmente agora que todos sabem que o dono é pai do ministro da Saúde. Só que Marco Aurélio e Bernardo vão lá há anos e anos.
XXX
Vale um elogio à publicidade feita com a família Bernardinho. Pela criatividade, originalidade e simplicidade. Aliás, a simplicidade é sempre mais aplaudida do que a pretensão. É o caso desse anúncio que vai faturar para o cliente.
XXX
Em matéria de promoção, repercussão, distinção e satisfação, que não sai do placar: Ariano Suassuna e Ziraldo. E movimentando esse placar várias vezes, pois ganham sempre de goleada.
Fonte: Tribuna da Imprensa

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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