sexta-feira, junho 08, 2007

Que polícia é essa?

Por Caros Amigos 07/06/2007 às 17:35
As matérias que o leitor encontra daqui em diante procuram traçar um perfil da atual Polícia Federal, instituição que tem empolgado o país. Quase todo dia um espetáculo inédito na televisão: gente da alta roda algemada e levada para a cadeia. Melhor que novela, cenas inimagináveis há não muito tempo atrás.
Máscara Negra põe o Brasil às claras Esse é o nome do edifício do Departamento de Polícia Federal, em Brasília, coração e cérebro da instituição. Vamos ver o que há lá dentro que tanto ajuda a prender tanta gente, principalmente os colarinhos brancos. por João de Barros Máscara Negra é o apelido do edifício de dez andares localizado no setor de autarquias que é sede da Polícia Federal em Brasília. Ganhou o apelido logo após a inauguração no governo do general Ernesto Geisel, em 1977, por causa dos vidros escuros que recobrem a fachada. Fazia sentido. No regime militar, a Polícia Federal era um órgão de repressão política usado pelo sistema para caçar subversivos, infiltrar-se nas organizações populares e censurar livros e filmes, entre outras atribuições. Uma "caixa preta", onde trabalhavam homens conhecidos por "chuta-portas" - como diz a nova geração de policiais federais - por causa dos métodos hostis de abordagem que costumavam aplicar. O Máscara Negra não mudou. Ainda exibe hoje as mesmas salas do subsolo onde os policiais assistiam aos filmes que seriam censurados, assim como não foram trocadas as placas que identificavam a turma da tortura - está lá a do execrado DOPS - Departamento de Ordem Política e Social, que funcionava no sexto andar. O que mudou foi a atuação da Polícia Federal. O orçamento aumentou. Passou de 1,848 bilhão de reais no último ano do governo FHC para 3,458 bilhões este ano. O número de policiais saltou de 7.000 para pouco mais de 13.000. "No governo Fernando Henrique Cardoso, a idéia do Estado mínimo repercutia na polícia mínima. Nossos carros não eram mais abastecidos pelos postos de gasolina; hoje têm ar condicionado. A idéia era: a polícia tem de cuidar do que cai na mão dela, não tem de correr atrás. Os policiais, além de não terem um centavo de aumento, ficaram oito meses sem receber diária: viajavam, faziam a investigação com o próprio dinheiro e não recebiam de volta. Com a chegada do advogado criminalista Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça do primeiro mandato do governo Lula, é que a Polícia Federal começou a mudar. Ele sentiu que havia um grupo de policiais com boa condição pessoal, com potencial para investigar e decidiu investir", diz Marcos Wink, presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef). Operações especiais A eficiência das investigações aumentou. A cocaína apreendida pulou de 9,1 toneladas em 2002 para 15,7 toneladas em 2005. O número de pessoas libertadas do trabalho escravo subiu de 1.741 em 2002 para 3.993 no ano retrasado. O número de inquéritos policiais foi de 1.027 em 2002 para 18.641 em 2005. Houve 119.000 operações de rotina no governo Lula. Porém, o que chama a atenção - pelos nomes que ganham e pela quantidade de policiais destacados para cada diligência ? são as operações especiais, que saltaram de nove em 2003 para 42 em 2004, 67 em 2005 e 178 no ano passado. A maior delas foi a Operação Dilúvio*, em agosto de 2006, deflagrada em oito Estados brasileiros e nos Estados Unidos. Após investigação de quase dois anos, a ação desarticulou um esquema de fraudes no comércio exterior, arquitetado por um punhado de empresários, onde havia de tudo: fraudes, sonegação, falsidade ideológica e documental, evasão de divisas, cooptação de servidores públicos. Contou com a participação de 950 policiais federais e 350 servidores da Receita Federal, que prenderam 102 pessoas e cumpriram mais de duzentos mandados de busca e apreensão, no Brasil e nos EUA. (...) *após o fechamento da edição, a PF deflagrou a Operação Navalha, que em 17/5 prendeu 46 suspeitos em 9 Estados, entre eles um ex-governador (José Reinaldo Tavares, PSB-MA), dois prefeitos (Luiz Carlos Caetano, PT-BA e Nilson Aparecido Leitão, PSDB-MT) um deputado (Pedro Passos Júnior - PMDB-DF), assessores e funcionários públicos. Segundo a PF, também está envolvido no esquema o atual governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT). As investigações da operação, que tiveram início em novembro do ano passado, revelaram um megaesquema de desvio de recursos públicos por meio de fraudes em obras de eletrificação rural, saneamento básico e manutenção de rodovias. ______________________________________________________ Parceiros na lei por Marina Amaral A evolução da Polícia Federal evidencia-se aos olhos da população e do Ministério Público, que depende da eficiência de suas investigações para mover ações e processar criminosos. Não é uma parceria fácil: entre as atribuições constitucionais de procuradores e promotores está o controle externo da atividade policial, ou seja, a fiscalização da polícia Em 29 anos de polícia, Marcos Wink, presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais, nunca viu coisa igual: durante as operações-padrão da PF nos aeroportos para exigir o cumprimento de um acordo salarial, os policiais foram aplaudidos por passageiros que aguardavam em longas filas a minuciosa inspeção. A imagem dos homens de preto derrubando uma parede falsa na casa do sobrinho do bicheiro Capitão Guimarães e a exclamação do jovem agente - "muita grana, moleque!" -, quando aparece o dinheiro camuflado, ainda estavam frescas. Converso com Wink no dia 18 de abril, três dias depois de o Fantástico, da TV Globo, exibir esse vídeo, gravado pelos policiais durante a Operação Furacão, no Rio de Janeiro. Mais do que os bens apreendidos com a máfia dos caça-níqueis e bingos (20 milhões de reais em dinheiro e jóias, além de 51 carros de luxo), reluzem as prisões dos figurões: entre os 25 detidos havia dois desembargadores e um juiz - este, o único dos três a confessar participação no esquema de venda de informações privilegiadas e liminares favoráveis à máfia -, um procurador regional da República e três delegados da PF. O sobrenome de um dos quatro advogados presos, Virgílio Medina, também chamou a atenção: ele é irmão do ministro do Superior Tribunal de Justiça, Paulo Medina (hoje afastado do cargo), e negociava liminares milionárias - suspeita-se que com ajuda do irmão ministro - com os prepostos dos três grandes bicheiros cariocas presos (pela segunda vez) nessa operação: Aílton Guimarães Jorge, o "Capitão Guimarães"; Antônio Petrus Kalil, o "Turcão", e Aniz Abraão Davi, o "Anísio". "Nunca antes no Brasil tantos poderosos caíram juntos", anunciava a apresentadora Glória Maria antes de exibir o vídeo gravado pela PF. (...)
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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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