segunda-feira, junho 11, 2007

Continuação da "Folha da Manhã" de Campos, "vai acabar mal"

Por: Helio Fernandes

Laranja com dinheiro ilícito, acaba dono de todo o laranjal
Na sexta-feira transcrevi (com naturais adaptações) excelente matéria a respeito de dinheiro que não pode ser explicado. Ganho no exercício público mas tendo que ser gasto particularmente, não pode ser colocado no próprio nome, óbvio. Arranjam então um laranja, tudo tem que ficar no nome dele.
Mas acontece que nessa transposição (do São Francisco?), geralmente a credibilidade é fortemente golpeada. Assim como o dono verdadeiro do dinheiro, não pode aparecer, o personagem que tem o dinheiro colocado no seu nome, quer aparecer demais. E qual a melhor forma de aparecer? Se dizendo dono do dinheiro.
Isso tem acontecido muito, e nas épocas mais diversas. Hoje contarei um desses episódios, envolvendo o dono e o não dono, e uma porção de personagens periféricos, que já eram ricos e famosos ou ficaram mais ainda.
A matéria da Folha da Manhã, trata de personagem puramente estadual, enriquecido antes de se tornar nacional. O que vou publicar, a seguir, trata de um ex-governador, (duas vezes de São Paulo). E um futuro "governador" da Guanabara e, depois, do Estado do Rio. O primeiro, notório pelo slogan, "rouba mas faz", rigorosamente verdadeiro. O segundo, também sem fugir a verdade, "rouba e não faz".
O de São Paulo, Ademar de Barros, em 1954, ficou muito amigo do jornalista e promotor público, Chagas Freitas. Tendo comprado o tradicional jornal do Distrito Federal, "A Notícia", em 1956 Ademar deu 5% das ações a Chagas Freitas que era então diretor do jornal. Em 1966, Ademar foi cassado, e sabendo que ia ser preso fugiu para a Europa, utilizando o Paraguai e a Bolívia.
Chagas Freitas, sem caráter, sem escrúpulos, sem qualquer pudor, viu a oportunidade de se tornar o maior acionista de "A Notícia". Conhecendo a Lei, foi fazendo aumento de capital, dentro da lei, Ademar não sabia de nada, asilado. Quando fez a quinta ou sexta chamada de capital, Chagas passou a ter 95% das ações, Ademar ficou com os 5 que ele tinha. Anos depois, quando voltou, Ademar não tinha mais nada.
Entrou na Justiça, perdeu em todas as instâncias, até mesmo no Supremo. Chagas Freitas cometeu o crime perfeito. "A Notícia" dava lucro, mas não era o que ele queria. Então, com as sobras, fundou o "Dia", verdadeira mina de ouro. Principalmente porque, dono de 2 jornais, deputado federal e apoiando a ditadura, teve como seu maior agente de pulicidade o próprio ministro da Fazenda, Mario Henrique Simonsen, mais tarde Citisimonsen. Nunca Chagas faturou tanto. E não só ele.
No surrealismo brasileiro, Chagas Freitas, do MDB, foi "governador" de 1970 a 74 e de 1978 a 1982. Assim que deixou o governo, em 1983, ofereceu o jornal a Roberto Marinho. Este se interessou, mas o preço era tão insignificante, que o dono de O Globo desconfiou e não quis.
Chagas foi então para a casa de José Luiz Magalhães Lins, (já famoso como corrupto e Zé do Caixão) tentou vender o jornal. Ari Carvalho, que estava doido para comprar um jornal, apareceu logo, com Ronald Levinson. Roberto Marinho tinha razão: o preço oferecido precisava ser acrescido de uma parte maior em dólares.
Lewinson, que estava com os bens indisponíveis, tinha montanhas de dólares no exterior, (ganhos desonestamente com a Delfim) financiou tudo. Só que ainda mais sem escrúpulos, sem caráter e sem constrangimento, ficou com um "documento de gaveta" dado por Ari Carvalho. As famílias não sabiam. Quando Ari morreu, Levinson foi para o jornal (que funcionava numa propriedade sua) e assumiu. Não contava com a resistência das filhas, que retomaram tudo. Levinson não perdeu nada, e ainda se transformou em dono de UniverCidade. Que República.
PS - Posso escrever horas, sobre Chagas Freitas, Levinson, e o personagem de Campos e da "Folha da Manhã". De memória.
Ronald Levinson
Acusadíssimo e com os bens seqüestrados, tinha montanhas de dólares nos EUA. Comprou jornal, agora é reitor. Que República.
Mais um absurdo, violência e assalto ao bolso do cidadão-contribuinte-eleitor: novo aumento na mensalidade dos Planos de Saúde. 27 milhões de pessoas serão atingidas. Se o aumento foi concedido para "compensar" a inflação, então todos os salários deveriam ser elevados. Funcionários públicos e particulares, estão com os mesmos salários há anos. Ninguém trata disso.
E mais favorecimento: a inflação ficou abaixo de 3%, o aumento chegou a quase 6%. Além do mais, esses planos são escorchantes.
Não apenas no Brasil, mas no mundo todo. Existem filmes sobre a crueldade desses planos, que na hora da retribuição não pagam nada.
Agora que a Polícia Federal está no centro dos acontecimentos, não custa lembrar: FHC teve problemas (pessoais) com ela.
Imprudente e leviano, o então presidente foi "apanhado em flagrante" de saídas noturnas. Um custo para que os fatos não fossem divulgados. Mas o chefe da PF, ganhou efetivação.
A Abert (Associação das televisões brasileiras) emitiu nota criticando a posição do presidente Chávez cassando concessão da RCTV. Na lista dos que podem criticar a decisão de Chávez, não está definitivamente a Abert.
Como o gângster Ruppert Murdoch tem interesses no sistema de televisão do Brasil, poderia ter assinado o protesto. Mas não assinou.
Dos 3 presidentes que prorrogaram o próprio mandato, (reeeleição) e ainda queriam o terceiro, dois já foram presos: Menem e Fujimori. O terceiro não está tranqüilo.
Apesar da vocação ditatorial do corrupto Ricardo Teixeira, será difícil manter o compromisso: "Dunga será o treinador da seleção de 2010". O presidente da CBF zomba da Justiça.
Quem garante que em 2010 estará em liberdade, mesmo com tornozeleira? Responde a 7 crimes financeiros, inafiançáveis.
O casal fundador da Renascer tinha a impressão de ter renascido: fez acordo com a promotoria, uma prisão de 10 anos passou para 3 meses.
Mas o juiz afirmou: "Posso não cumprir o acordo". E os "fiéis" da Renascer, continuarão contribuindo?
Assim que as coisas se esclarecerem, em razão da CPI da Navalha ou a de Renan, começará a agitação do PSDB.
É a luta pela presidência do partido, e a escolha do importante cargo de prefeito de SP. O 3º orçamento da República.
Desde terça-feira a operação Renan está inteiramente em silêncio, por causa do esvaziamento de Brasília. Recomeça amanhã, relatório na quarta. O PSOL está certo que criará problema.
Já estão até conversando sobre a possibilidade de Renan Calheiros ter que deixar a presidência. Se for suspenso, Pedro Simon ocupará o seu lugar. Se perder o cargo, aí é outra história.
Depois de uma semana vazia e em silêncio, a Brasília parlamentar começa a ressuscitar hoje. Movida pelo assunto Renan. Embora o parecer do relator só seja conhecido quarta-feira, muita gente presente.
Não tanta gente quanto em São Paulo na parada Orgulho Gay. A hora em que termino estas notas a Polícia Militar, que costuma acertar nos cálculos, fala em 2 milhões e meio ou 3 milhões.
Romeu Tuma e Sibá Machado informaram que deverão estar em Brasília por volta das 9 da manhã de hoje. Mas o controle remoto não está mais com eles. Já existe protesto e o PSOL comanda o espetáculo.
Nenhuma surpresa, sensação e admiração: a vitória de Lewis Hamilton de ponta a ponta. Jamais correu no Canadá, ganhou disparado, apesar do "pace car" ter entrado 5 vezes na pista.
É a primeira vitória, 6 corridas, 6 podiuns. Galvão Bueno não percebeu: o povo brasileiro está torcendo por ele, o primeiro negro da Fórmula 1. É a vingança contra o racismo histórico e inegável.
Decididamente, Henin e Ivanovic não fizeram final digna de Roland Garros. 6/1 e 6/2 para Henin, 1 hora e 4 minutos, decepção geral do público, que ficou sem ter o que fazer no resto da tarde.
Curiosamente, Ivanovic quebrou o primeiro saque de Henin, fez 40/0 e perdeu o game, degringolando. Perdeu então 6 games seguidos e no segundo set, outros 5. Não dava mesmo.
No vôlei, a seleção do Bernardinho, 6 jogos 6 vitórias, não dá para torcer. E olha que nos 3 sets foi misturando jogadores, testes.
Definitivamente, Federer incorporou a síndrome de Nadal. Em 3,10 minutos nunca esteve perto da vitória, nem acreditava nela.
1º set: Federer teve 10 possibilidades de quebrar o saque de Nadal, não quebrou em nenhuma. Perdeu. 2º set: 5 possibilidades de quebrar o set, quebrou em uma. Venceu. Apenas prolongou a agonia.
3º e 4º sets: nenhum susto para o espanhol, nenhuma esperança para o suíço. Quem acreditava era o público, que torcia para Federer, frio com Nadal. Mas de fora ninguém ganha jogo.
XXX
Só agora descobriram que os que julgam desfiles de Escolas de Samba são comprados ou intimados? Todo ano estranho a disparidade das notas. Jurado que dá muita nota 10, e logo vem com 8 ou 9, sem cabimento. Ou então dá vários 8 ou 9 e aparece com surpreendente nota 10. É impossível julgar com isenção e serenidade os grandes interesses do crime.
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O mais surpreendente nesse caso do irmão do Lula, além das acusações mínimas, é que a própria polícia reconhece que ele não pedia nada ao governo, e nunca favoreceu ninguém. Quer dizer: no máximo, no máximo, enganava aqueles que tentavam se aproveitar dele. Isso é crime? Podem até usar a rotina, "amor com amor se paga".
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Pergunta ingênua, inócua, inútil: o Vasco, que agora é líder, não ganhava por causa do treinador? E livre do treinador, até o Romário faz 2 gols num jogo só, depois de levar meses para completar mil.
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Renato Gaúcho virou símbolo do adiado "plano de saúde", em apenas 3 minutos.
Fonte: Tribuna da Imprensa

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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