Villas-Bôas Corrêa, repórter político do JB
A impressão de que o governo da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva custou a começar deu uma cambalhota, virou pelo avesso: hoje e cada vez mais, toma o jeito de que curte a vida e arruma as malas para passar a faixa para o sucessor que aspira eleger.
O governo mira-se no espelho dos inegáveis êxitos emplacados nos quatro anos iniciais e que ainda saboreia, como quem custa a deixar a mesa antes de provar de todas as sobremesas. Estatísticas é o que não faltam para o oba-oba de fim de festa: índices de inflação domada, o risco do país despenca em queda livre, o superávit comercial nas nuvens, a dívida externa é menor do que as reservas e o balanço de pagamentos está no azul.
Mas pisar no freio e parar diante do painel dos sucessos não é atitude adequada para o ambicioso líder sindical que galgou cada degrau da escada e tentou três vezes, para na quarta emplacar a vitória, enfeitada pelo bis.
De lá para cá, a traquitana anda com a morosidade de um jegue das suas memórias do filho da Dona Lindu, nascido em Garanhuns, cidade do sertão pernambucano maltratada pela seca, em 27 de outubro de 1945. E não há uma boa explicação para o seu desligamento diante do modesto, contraditório governo, deformado pela extravagância das improvisações.
Não há como dissimular a evidência de que a rotina administrativa escorregou para as mãos da ministra Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil e virtual presidente em exercício, seja nas ausências do recordista de viagens internacionais e domésticas ou mesmo nos dias em que o titular passa em Brasília. Pelo visto, a semana da madraçaria parlamentar de dois a três dias úteis pegou como tiririca.
Agora, exatamente neste momento, a ausência presidencial agrava e prolonga as encrencas em que o governo e o Congresso se enroscam. E as suas viagens pelos quatro cantos do mundo baixaram para o nível da rotina. Rendem poucos e sumários registros na mídia e passam batidas pela desatenção popular.
Mais de uma semana nas asas do exausto Aerolula, para encontros de escassa significação na Inglaterra - que a pífia atuação da indefinida Seleção Brasileira das experiências de Dunga, na inauguração do novo estádio de Wembley, não aliviou as angústias do antigo peladeiro e torcedor fanático - o cancelado encontro em Marrocos, as cerimônias na Índia e os três dias em Berlim para participar de encontro da cúpula do G-8 compõem uma agenda de quem tem pouco o que fazer.
Por cá, as coisas se complicam. A Polícia Federal decidiu ir à luta e impor a sua autonomia com a iniciativa de operações em série para desbaratar as quadrilhas que roubam o dinheiro público na espantosa estimativa oficial de R$ 40 bilhões anuais.
No último bote, a PF caiu em cima da gangue envolvida com a máfia dos caça-níqueis e prendeu 77 integrantes da turma em seis Estados e em Brasília. Claro que Lula não tem que se envolver na atuação da Polícia Federal. Só que desta vez, um dos 50 mandados de busca e apreensão, em São Bernardo do Campo (SP) varejou a casa de Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão do presidente e que fora acusado de fazer lobby, no Palácio do Planalto, para empresas do ABC paulista.
Vavá foi preso. Ainda na capital da Índia, o presidente Lula, falando aos jornalistas, emplacou uma declaração perfeita. Não negou a solidariedade ao irmão, que conhece "há 61 anos" e dúvida que tenha feito "alguma coisa errada". Renovou rasgados elogios à Polícia Federal e fechou o raciocínio com lógica direta: quem provar a inocência, será solto; quem tiver culpas no cartório, pagará por elas. O que vale para todos, seja ou não parente do presidente da República.
No Congresso experiente em lidar com tais enredos, a poeira assenta nos acertos em surdina. O senador Renan Calheiros conta as horas para a sumária absolvição pelo severo Conselho de Ética do Senado.
No mais, as reformas continuam empacadas. Na forma do louvável costume.
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