quarta-feira, abril 19, 2006

PDT ameaça rachar com João Henrique

Por: Correio da Bahia

Instabilidade política do prefeito de Salvador gera descontentamento no partido

João Henrique conseguiu desagradar a gregos e troianos com seu comportamento
As demonstrações de inconsistência e indecisão do prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (PDT), nos últimos dias, levaram integrantes do diretório estadual do partido a ameaçar romper com ele, caso recuasse mais uma vez para submeter-se às chantagens do PT e partidos aliados para apoiar a candidatura petista de Jaques Wagner.
A possibilidade de um racha foi amplamente discutido nos corredores da sede da legenda, durante a reunião da executiva estadual, anteontem. Pedetistas de todas as estirpes não esconderam um profundo descontentamento com o comportamento político instável de João Henrique.
Após declarar apoio público ao ex-deputado Jaques Wagner (PT), durante a penúltima visita do presidente Lula à Bahia, o prefeito voltou atrás, em menos de dez dias, e lançou o nome de seu pai, o ex-governador João Durval Carneiro como pré-candidato de seu partido. O problema apontado por diversos aliados é que o gestor agiu de forma repentina, sem consultar nenhum integrante dos partidos que pertencem a sua base de sustentação.
Anteontem, em mais um capítulo desastrado protagonizado pelo clã dos Carneiros, o ex-governador anunciou a retirada da candidatura ao governo do estado, devido às pressões do PT. Conforme o próprio João Durval admitiu em carta enviada ao presidente da executiva estadual do partido, deputado Severiano Alves, ele estaria fora da disputa por temer retaliação do governo federal e do PT contra a administração de seu filho João Henrique.
"É incrível como ele (João Henrique) está conseguindo demonstrar tanta fragilidade em tão curto espaço de tempo. Por isso, não podemos cruzar os braços diante dos despautérios praticados por ele e fazer de conta que nada está acontecendo. Até porque, ele está descumprindo todas as determinações da executiva do partido", disse um vereador.
Segundo essa fonte, o PDT não pode ficar refém do PT. "E tudo isso provocado pela possibilidade do PDT lançar uma candidatura própria. Por isso, não vamos apoiar, assim, o petista Jaques Wagner. Somos uma legenda que possui lutas históricas. Não vamos nos curvar diante de quaisquer pressões".
Ontem, o presidente estadual do PDT, deputado federal Severiano Alves, disse que conversou por telefone com o prefeito João Henrique Carneiro. O gestor, segundo o parlamentar, garantiu que vai respeitar a decisão da executiva nacional do partido e não vai apoiar a candidatura do ex-deputado Jaques Wagner (PT) ao governo do estado. "Ele me disse, inclusive, que está totalmente de acordo com as decisões tomadas ontem pela executiva estadual do PDT", declarou.
Na reunião de ontem, o PDT decidiu que terá candidato ao governo do estado, mesmo que ele não seja o ex-governador João Durval, ou que poderá apoiar o postulante de um outro partido considerado aliado - a aliança com o PT, formal ou informal, está definitivamente descartada, como foi aprovado por unanimidade pela executiva pedetista. O PDT também decidiu que quem pode negociar alianças pelo partido é Severiano Alves, com o objetivo de livrar o prefeito das pressões e chantagens petistas.
O PDT ainda espera que João Durval reveja a decisão de desistir da candidatura. Severiano Alves afirmou ainda que o ex-governador não comunicou ao partido a vontade de ser candidato ao Senado. "Não teremos candidato ao Senado". O parlamentar disse que vai enviar uma carta a João Durval rebatendo os argumentos utilizados pelo ex-governador para renunciar à candidatura - o pai de João Henrique comunicou o partido da desistência através de carta.
"Vou argumentar na carta que os motivos alegados pelo ex-governador não são satisfatórios. Ele disse que o PDT não tem estrutura partidária, o que não é verdade, pois conquistamos essa estrutura com a vitória de João Henrique. Aliás, essa questão da falta de estrutura o PT também tentou usar em 2004 para que não lançassemos João Henrique candidato ao govenro municipal. Além disso, vou dizer ao ex-governador que o governo federal não tem mais como retaliar Salvador. Não mais do que já está retaliando", salientou.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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