Por: Estadao
"Fiquei desesperada. Meu noivo está revoltado. Vamos nos casar no final do ano e planejávamos ter um filho", disse a lavradora Maria Helena Zibell
RIO - Vítima de erro médico, a lavradora Maria Helena Zibell, de 29 anos, teve o útero retirado por engano pelo médico Lourival Berger no Hospital Beneficente Concórdia, no interior de Santa Maria de Jetibá, na região serrana do Espírito Santo. Ela havia sido internada para uma cirurgia no aparelho digestivo.
"Percebi que a equipe estava falando de outra operação. Fui anestesiada e apaguei. Quando acordei vi que tinha uma sonda em mim. Achei estranho. Na mesa ao lado, havia um vidro com algo dentro. Perguntei o que era. A enfermeira disse ´Você não está sabendo? É o seu útero´. Fiquei desesperada. Meu noivo está revoltado. Vamos nos casar no final do ano e planejávamos ter um filho", disse ela à Rede Gazeta.
O nome da paciente aparecia ao lado de uma indicação para histerectomia (retirada do útero), mas ela pretendia ser submetida a uma fistulectomia (cirurgia no ânus). O médico, que havia feito dois exames na lavradora três semanas antes da operação, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), afirmou que foi induzido a erro.
Berger disse que realizou a cirurgia com base em orientações do quadro do centro cirúrgico, que informa os procedimentos do dia. "Todos os dias examino várias pessoas, não tem como lembrar. Fiquei com a idéia fixa no que estava no quadro. Foi um erro de ortografia. Fiz a cirurgia que estava agendada e acabou ocorrendo este erro e esta fatalidade", declarou.
Segundo ele, as enfermeiras são responsáveis, após o atendimento ambulatorial, por anotar no quadro de avisos as cirurgias que serão realizadas. "O quadro é o único lugar do hospital que informa quais procedimentos serão feitos. Sempre funcionou assim, até acontecer essa fatalidade. O sistema é ruim", argumentou o médico.
O presidente da Fundação Hospitalar Beneficente Concórdia, Jair Bergamaschi, responsável pelo Hospital Beneficente Concórdia, afirmou, também à Rede Gazeta, que "alguém vai ter que pagar pelo erro". A administração da unidade admitiu a falha e informou que foi aberto processo administrativo para apurar o caso. A enfermeira responsável pelos avisos no quadro de cirurgias foi suspensa, segundo o hospital. Ela não foi localizada pela reportagem.
De acordo com o Conselho Regional de Medicina, se houver denúncia formal contra o médico, uma sindicância será aberta para apurar se houve infração ao código de ética médica. O médico pode ter o diploma cassado se a denúncia for confirmada.
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