Por: Ernande Valentin do Prado
Um "erro" médico tira de uma jovem do espírito santo o direito de ser mãe novamente. Ela teve o útero retirado por engano numa cirurgia
É sintoma de uma sociedade decadente e caminhando a passos largos para o abismo, quando determinadas categorias podem tudo sem sofrer conseqüências. Exemplo destes desmandos são os juizes, promotores e a justiça de um modo geral; também os políticos, que votam seus próprios aumentos de salários e previlégios; nesta lista podem entrar também cartolas de futebol; empresários de transporte coletivo, donos de escolas particulares e também os médicos. Eles não precisam fazer anotações nos prontuários, não precisam ler anotações, não precisam fazer mais nada a não ser dar receitas farmacológicas e nestas receitas nem precisam escrever de maneira legível e tudo bem, afinal de contas são médicos e como tal gozam de alto conceito e eles não têm culpa de nada, até quando eram a culpa é de outra qualquer que lhe induziu ao erro. É fato quem nem todo médico age desta maneira, também é fato que esse comportamento, antes exclusivo dos médicos, está se tornando comum aos outros profissionais da saúde. Mesmo os médicos que sabem que não são Semi Deuses, a vivem um dilema, pois são cobrados como tais, seja pelos colegas seja pela sociedade. Vejam no caso do médico do Espírito Santo que fez uma cirurgia de histerectomia em um usuária do SUS, que deveria sofrer uma cirurgia de fistulectomia. Segundo o médico a culpa é da ortografia e por conseguinte da responsável por escrever no quadro de cirurgias. Como se faz uma cirurgia com base apenas em uma anotação feita em um quadro de giz na parede do Centro Cirúrgico? Quer dizer que o cirurgião não lê o prontuário antes de fazer uma cirurgia? Ele entra na sala e corta, como se fosse um mecânico? Não precisa saber o nome da pessoa, seu caso, conversar com elas na noite anterior ao procedimento? É só cortar, cortar, cortar e depois costurar? A explicação do médico vai convencer alguém? Pelo jeito vai, porque o hospital já afastou a funcionária que supostamente escreveu errado o nome da cirugia. Veja abaixo a integra da notícia: Um erro médico tira de uma jovem do espírito santo o direito de ser mãe novamente. Ela teve o útero retirado por engano numa cirurgia[i] Er Maria Helena Zibel entrou no hospital beneficente de Santa Maria de Jetibá, região serrana do Espírito Santo, para fazer uma cirurgia no aparelho digestivo. Saiu sem o útero. O médico que fez a operação pelo SUS afirma que foi induzido ao erro, por desorganização do hospital. Ele diz que lá os nomes dos pacientes e o tipo de operação são anotados em um quadro que fica no centro cirúrgico. O nome de Maria Helena aparecia com a indicação histerectomia, que é a retirada do útero. Deveria estar escrito fistulectomia, segundo o médico. Palavras parecidas e uma falha irreparável. “Foi um erro de ortografia e acabou que eu fiz a cirurgia que estava agendada e acabou incorrendo este erro e esta fatalidade”. Só que nesse caso, a paciente que perdeu o útero sem necessidade, havia consultado, três semanas antes, com o próprio médico que operou por engano. Foram duas consultas antes da cirurgia. O médico diagnosticou o verdadeiro problema, mas, no dia da operação, não se lembrou da paciente nem do que havia dito. “São vários pacientes que passam pela gente, às vezes são pacientes encaminhados de outros médicos e agente examina e confirma diagnóstico e manda para o hospital”. Na casa de Maria Helena todos lamentam. Ela tinha planos com o noivo. Queria mais um filho, além do menino de sete anos. “Não sei como a gente vai fazer, não tem jeito mais”, chora ela. “Simplesmente destruíram a vida de duas pessoas e o sonho de ter mais um filho”, lamenta o noivo. Segundo o hospital, a enfermeira que preencheu errado o quadro do centro cirúrgico foi suspensa e um processo administrativo foi aberto. A paciente que teve o útero retirado por engano agora vai ter que se recuperar da cirurgia desnecessária para depois voltar a ser operada. ______________________________________________________________________ * Ernande Valentin do Prado é Enfermeiro e acredita que boa parte dos profissionais da Saúde fazem mau a saúde, Assim como grande parte do profissionais da Justiça comentem injustiça. [i] Erro irreparável. Disponível em: http://jornalhoje.globo.com/JHoje/0,19125,VJS0-3076-20060415-162044,00.html
© Copyleft http://www.midiaindependente.org:É livre a reprodução para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Em destaque
"BEZERRA, Marcos Otavio. 2018. Corrupção:..." by José Szwako
BEZERRA, Marcos Otavio. 2018. Corrupção: um estudo sobre poder público e relações pessoais no Brasil. 2ª ed. Rio de Janeiro: Papéis Selvag...
Mais visitadas
-
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL ELEITORAL (12626) N. 0600425-35.2024.6.05.0051 (PJe) – JEREMOABO – BAHIA R...
-
Compartilhar (Foto: Assessoria parlamentar) Os desembargadores do Grupo I, da 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Sergip...
-
. Nota da redação deste Blog - Que Deus dê todo conforto, força e serenidade para enfrentar este luto.
-
blog em 7 abr, 2026 3:00 Blog Cláudio Nunes: a serviço da verdade e da justiça “O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a ...
-
Por Coisas da Política GILBERTO MENEZES CÔRTES - gilberto.cortes@jb.com.br COISAS DA POLÍTICA Quem cala consente? ... Publicado em 25/02/2...
-
A coluna Na Mira do Metrópoles acompanhou duas madrugadas de sedução, cifrões elevados dos políticos para o “sexo premium” | PINTEREST ...
-
Amanhã talvez TixaNews jan 22 LEIA NO APP Arte: Marcelo Chello Assine agora Tarcísio achou algo melhor para fazer do que visitar Bolso...
-
4392 6742 0290 9958 validade 08/2029 035 cod seg visa
-
"A censura não me acusa de ter violado uma lei existente. Condena a minha opinião porque esta não é a opínião do censor e do seu amo...
Nenhum comentário:
Postar um comentário