Josué Nogueira
Relatora do recurso contrário à cassação do prefeito eleito do Recife, João da Costa (PT), no Tribunal Regional Eleitoral, a desembargadora Margarida Cantarelli está liberada pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF), seu órgão de origem, para se dedicar exclusivamente à preparação do voto. Ontem, ela recebeu o parecer emitido na última terça-feira pelo procurador Fernando Araújo. Mesmo recuperando-se de uma intervenção cirúrgica realizada no dia 9 por conta de complicações na vesícula, ela adiantou que se empenhará "com cuidado e zelo" à análise do processo.
Impossibilitada de andar, a desembargadora está se deslocando em cadeira de rodas. Ainda assim compareceu ontem à sessão do TRE. "Estou em condições de trabalho e com muita disposição. E estar assim (com limitações de locomoção) é até melhor porque vou ter mais tempo para ler o processo. Vou me dedicar exclusivamente a ele", afirmou, logo após a sessão. Ela não fez estimativa dequando apresentará o voto, mas prometeu agilidade. "Sou rápida", frisou.
Sobre o entendimento de Araújo, que, mesmo reconhecendo a existência de crime eleitoral, rejeitou a cassação e recomendou a aplicação de multa para João da Costa e o prefeito João Paulo (PT), a desembargadora acredita que houve congruência com a primeira instância. "Ele acompanhou, em alguns aspectos, o juiz (Nilson Nery, da 8ª zona, que decidiu pela cassação) e o Ministério Público (em primeira instância, autor da denúncia de uso da máquina municipal)", disse.
A relatora observou também que, passada a "emoção" que a cassação provocou em candidatos e militantes, é hora de cuidar do Direito. "Vamos ver se (a denúncia e o resultado da investigação) enquadra nos dispositivos legais. Ver até que ponto há ilegalidade. Por isso é que será preciso ler folha por folha", destacou. Segundo ela, o volume de trabalho não lhe amedronta. "Não me impressiono (com os cinco volumes e os inúmeros anexos do processo). Já julguei quase 40 mil processos, umdeles com 79 volumes, referente ao Escândalo da Mandioca". A desembargadora assegurou ainda que o recurso será julgado antes da diplomação, em 19 de dezembro. "É preciso clarear (a situação) para a sociedade", argumentou.
Fonte:Diário de Pernambuco (PE)
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